O
ROTARY E A JUVENTUDE
Entrevista
com Alberto Bittencourt
1) Qual o seu envolvimento com a
juventude rotária e que boas experiências desse convívio o senhor pode
compartilhar?
Durante
dez anos, de 1995 a 2005, o meu Rotary Club do Recife-Boa Viagem foi padrinho
de um Rotaract e de um Interact Clubs, coordenados por duas rotarianas
dedicadas e atuantes, Vânia Amorim e Maria Ednice. Elas estavam sempre
presentes às reuniões, atividades, eventos patrocinados por esses clubes de
jovens. Dava gosto ver o entusiasmo com que os jovens planejavam e discutiam
formas de ação. Incontáveis foram as realizações nesses dez anos de atividades.
Os dois clubes sempre trabalhavam integrados, fosse na arrecadação de cestas
básicas, fosse ajudando nas ações do clube padrinho, como por exemplo, nas
carreatas para angariar donativos para vítimas de enchentes e deslizamentos de
barreiras, realizadas aos domingos no bairro de Boa Viagem.
Posteriormente,
como governador do Distrito 4500, ano 2004-05, trabalhei em conjunto com os
clubes de jovens do Distrito 4500. Pude constatar que se trata de verdadeiras
escolas de liderança, onde líderes incontestes despontam a todo instante.
Todos
são importantes, mas me marcaram especialmente os clubes do interior dos três
estados, PE, PB e RN. Muitas cidades que visitamos, possuem três marcos
rotários em praças públicas e locais de visibilidade, um do Rotary, outro do
Rotaract e o outro do Interact, cada um posto em destaque, como se quisesse ser
o mais bonito. Numa pequena cidade do interior da Paraíba, o Rotary Club tinha
desaparecido há alguns anos, mas o Interact Club continuava ativo, sem perder o
entusiasmo, com mais de 20 membros, mesmo sem ter clube padrinho, pois o mais
próximo ficava distante cerca de cem quilômetros.
Os
jovens constituem uma força de trabalho insubstituível. Nas conferências, assembleias,
seminários, são quem recebem as inscrições, distribuem as pastas, organizam a
mesa diretora, chegam até a servir água e café. Na minha Conferência do
Centenário reservei espaços para os representantes dos Rotaract e dos Interact
Clubs. Líderes dos clubes de jovens puderam apresentar ao distrito suas
realizações e seus planos de ação e o fizeram com o maior desenvoltura, sem
ficar nada a dever aos palestrantes mais experimentados. Nos RYLA, a
participação dos clubes de jovens é fundamental.
Inesquecíveis
são as ações cívico-sociais, iniciativas dos jovens, onde em praças públicas,
montam oficinas de trabalho para atividades diversas com a população. São
instalados postos para verificar a pressão sanguínea e fazer testes de
glicemia, dar aulas de desenho, de corte e costura, de noções de higiene. Fazem
oficinas de leitura, proporcionam à população corte de cabelo gratuito, e
serviços como tirar identidade entre outros.
Nos
hospitais constatamos a atuação de inúmeros clubes de jovens como
"doutores da alegria" a divertir e brincar com adultos e crianças
internadas. Palhaços, emílias, mickeys, levam o alívio e porque não dizer até
um novo alento de vida aos pacientes.
O
Rotarct Club de Igarassu, PE, montou um cursinho pré-vestibular onde os
próprios jovens preparam alunos das escolas públicas, numa ação contínua que de
vários anos, com resultados animadores.
O
que mais os jovens reclamam é da ausência dos rotarianos. O diretor Hallage,
disse na REGONNE- 2009 que quando um membro de um clube de jovem comparece a
uma reunião rotária, em geral os rotarianos põem a mão no bolso, pensando que
eles vão pedir dinheiro, mas o que eles querem é o apoio, a participação e a
orientação dos clubes padrinhos, frisou o diretor.
Lamentavelmente,
no meu Rotary Club, quando as duas companheiras tiveram que se afastar, não
houve quem as substituísse e os dois clubes se dispersaram e desapareceram.
Fazem uma falta enorme.
2)
O senhor acha que há resistência por parte de alguns clubes na admissão de
associados mais jovens ou já ouviu alguma queixa nesse sentido? Por quê?
Não
acredito que exista esse tipo de preconceito em algum clube do Brasil. Acho que
a questão maior talvez seja a falta de interesse dos rotarianos em convidar os
jovens. A prova é que são muito poucos os filhos de rotarianos que se associam
a um Rotary Club. O que existe são clubes acomodados a uma situação, o que os
torna mais ou menos fechados ao ingresso de novos sócios. Na frequência, podem
ser 100%, mas são antes clubes de amigos do que de prestação de serviços.
3)
O Rotary ainda é uma ideia capaz de atrair e motivar nossos jovens?
Eu
não tenho a menor dúvida de que sim. Há exemplos de rotarianos que entraram
muito cedo em Rotary. O ex-presidente de RI, Luiz Vicente Giay, associou-se ao
RC de Arrecifes, AR, aos 22 anos de idade, embora, hoje em dia seja difícil tal
acontecer.
Em
geral, a falta de tempo, por motivos profissionais, é o fator mais alegado
pelos jovens para recusar um convite ou mesmo sair de um clube.
Hoje,
a idade média do quadro social é elevada, o que torna ainda mais difícil o
ingresso de sócios mais jovens. A solução é convidá-los em grupos, onde o jovem
leve seus amigos, seus colegas de trabalho e dos tempos da faculdade. Só assim
ele encontrará ambiente para permanecer, só assim ele se sentirá à vontade para
conversar sobre assuntos de seu interesse, para propor novos projetos, tomar
iniciativas.
Há
um clube de Rotary do meu distrito que adotou uma mensalidade diferenciada para
que os filhos dos rotarianos se associassem. Outro fez o mesmo com os menores
de 35 anos. Mas eu acho que o fator financeiro não é determinante. Veja o caso
do RC Recife-Novas Gerações, constituído pelos egressos dos Rotaract Clubs. A
mensalidade é a mais baixa possível. Cobre apenas os custos das per-capitas de
RI e do governador. Mesmo assim o número de sócios não consegue chegar a 20,
muito embora sejam atuantes e partícipes de todos os eventos rotários.
4)
Como vender uma experiência como o Rotary, moldado há mais de cem anos, para
uma geração que já nasceu num mundo tão diferente daquele em que Paul Harris
criou o Rotary?
Para
atrair e manter o jovem, é preciso que eles se sintam importantes, valorizados.
Um instrumento é a internet. Criar um canal de comunicação e informação,
especialmente com os novos, enviar artigos e matérias de ações rotárias no
mundo, convidá-los para os eventos, sejam de serviço, sejam de companheirismo.
Oferecer sempre alternativas de hospedagem mais em conta, em pousadas próximas,
ou nas casas dos companheiros. Demonstrar as qualidades das informações
trocadas, das apresentações artísticas, as confraternizações e amizades daí
decorrentes.
O
novo sócio, jovem ou não, quer se sentir útil. Quer sentir que pode ajudar a
mudar o mundo. Quer encontrar um canal para manifestar sua opinião, sentir-se
respeitado como cidadão.
O
que falta, repito, é maior eficiência por parte de nós mesmos, os mais antigos.
Afinal, o futuro do Rotary está em nossas mãos, do contrário, assistiremos
passivamente os clubes envelhecerem, declinarem e acabarem morrendo junto
conosco.
INQUIETUDES DE UM JOVEM.
Alberto Bittencourt – junho 2017
Por favor, não me instruam, não me ensinem, nem me mostrem regras. Eu preciso me situar, conhecer terrenos, conhecer pessoas.
Não me venham com lições, nem regulamentos. Estou cheio de teorias. Quero ver as coisas de forma prática, simples e objetivas.
Quero ser contaminado pelo entusiasmo. O entusiasmo é que faz as coisas boas acontecerem.
Ensinem-me a sentir o encantamento das pequenas descobertas.
Eu não quero receber respostas prontas, nem frases feitas. Quero apenas que me revelem as questões. As respostas eu descubro.
Acolham de boa vontade as minhas dúvidas e inquietações.
Mostrem-me primeiro os pontos fracos. Depois os pontos fortes.
Não me digam o que esperam de mim. Digam o que vocês podem fazer por mim.
Ensinem-me a enriquecer a vida em mim, nas pessoas e na natureza.
Façam-me entrar na vida de forma ardente, com mais paixão.
Ajudem-me a respeitar e louvar a vida como ela deve ser.
Capacitem-me a trocar, compartilhar, dialogar.
Ensinem-me as possibilidades da mútua colaboração, da solidariedade, da doação.
Não tragam apenas suas habilidades, nem sua cultura.
Não venham com seus títulos, nem com suas experiências.
Mostrem-me a sua vontade de ser e de fazer.
Acolham as minhas contradições e as minhas buscas.
Mostrem-me como encontrar o meu melhor.
Ensinem-me a olhar, a explorar, a tocar.
Revelem-me o gosto pelo engajamento voluntário, pelo comprometimento, pela cumplicidade.
Despertem em mim o discernimento e criatividade para delimitar deveres e ações.
Ensinem-me a me reencontrar com o mundo.
Mostrem-me como enxergar por trás das vaidades e aparências.
Não tragam apenas fragmentos de verdade nem incoerências.
Despertem em mim a conquista dos valores e sentimentos mais nobres.
Acolham com bondade minhas falhas, meus desacertos, meus desajustes.
Ensinem-me a estar preparado para agir, a tomar iniciativas.
Preciso muito de sua atenção e de sua urgência. Um minuto perdido, é um minuto que não volta mais.
POR FAVOR!