ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

COMPETÊNCIA GERENCIAL - O que nos falta



COMPETÊNCIA GERENCIAL - O que nos falta 

Alberto Bittencourt - dez 2024


O que transformou a Nova Inglaterra dos pilgreens na maior potência econômica global foi exatamente a competência gerencial.  Foram os americanos que revolucionaram as vendas do comércio varejista,  inventaram a filosofia de auto atendimento  dos supermercados, acabando com os mercadinhos de bairro, inventaram os shopping centers, paraísos de consumo da classe média, inventaram os cartões de crédito, em substituição aos cadernos onde varejistas anotavam  vendas fiadas, criaram as deliveries para vendas por telefone e entregas a domicílio , e em seguida, com a internet, o E-Commerce.

Criaram o sistema de franquias, capazes de transformar uma pequenas lanchonetes em redes mundiais como McDonnalds, Subways, etc.

Tudo isso, aliado à tolerância religiosa, trazida pelos pilgreems, somado ao acolhimento dos imigrantes, resultou na construção da grande nação.

O problema do Brasil é a baixíssima capacidade gerencial de bens e serviços públicos.  Tudo aqui parece feito de improviso, sem planejamento adequado.  Um general, cujo nome não me recordo,  dizia: tudo o que é feito de improviso termina em  porcaria. E ele estava coberto de razão.  

Some-se a essa incompetência gerencial, a baixa operosidade do trabalhador brasileiro, comparativamente à mão de obra  europeia, americana, asiática. O brasileiro é incapaz de fazer um mutirão  tal qual foi feito com o plano Marshall, em prol da recuperação dos países devastados pela Segunda Guerra Mundial.  

No livro: "A Revanche dos Vencidos", Alemanha e Itália e, posteriormente o Japão, recuperados, tornam-se aliados dos vencedores.  

Por outro lado, o Brasil é considerados o país do jeitinho, do carnaval, do bumbum feminino exposto, já que que a antiga potência mundial do futebol,  parece haver estacionado no pentacampeonato.  

De Gaulle, em 1967, quando presidente da França, no episódio da chamada “Guerra da Lagosta”,  disse: Le Brésil n’est pas un paix serieux.  Com toda razão.  

Eliana Calmon, jurista e magistrada brasileira, primeira mulher a compor o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no período de 1999 a 2013, ex corregedora-geral de Justiça e diretora-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, em conferência para o Rotary no ano de 2002, por mim assistida, disse, textualmente: Todo político e gestor público brasileiro adora o foro privilegiado, pois o STF, é o lugar em que tudo se ajeita.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

O CARTÃO DO CLÓVIS PACHÊCO.

  O CARTÃO DO CLÓVIS PACHÊCO.

Aos queridos companheiros 


Em 05 de julho de 1997, tive a honra de fazer a transferência da presidência do Rotary Club do Recife–Boa Viagem para o companheiro Joel Muricy, em cerimônia nos salões do Mar Hotel, no Recife, PE. 

Na ocasião, entregamos aos companheiros do clube quinze títulos de Companheiros Paul Harris, (PHF) outorgados pela Fundação Rotária, em reconhecimento pela quantia de US$15.000 doados pelo nosso clube, como contrapartida pela realização de três projetos de Subsídios Equivalentes, no valor total de US$60.000, em favor de uma creche denominada Lar de Cáritas, situada no Jardim Piedade, município de Jaboatão dos Guararapes. Os projetos se referiram à doação de um veículo VW tipo Kombi, novo, de uma cozinha e de uma lavandaria industriais, ambos novos e instalados.  Foi fruto de uma parceria entre o RC Boa Viagem, a FR e outros três Rotary Clubs dos Estados Unidos e Canadá. . U

A festa teve a duração de duas horas, contou com vários discursos e a presença de  rotarianos destacados do Distrito 4500. 

Entre os convidados, estava o companheiro Clóvis Pachêco, integrante do RC do Recife.  

No final, ele passou-me às mãos um cartão de visitas com o nome dele na frente, no verso do qual escreveu o seguinte: 


 Comp. Alberto

                                 Não me contenho:

                                 Parabéns pela excelência da festa que estou assistindo. Tudo em ordem, tudo correndo a contento dos presentes.  Uma festa de posse com  100% de ordem, dignidade e prestígio Rotário. 

                                  Um abraço. 

.                                                        05/07/97.      Clóvis


O cartão encheu-me de orgulho, sabendo que o RC Recife é o mais antigo do Norte/ Nordeste,, o segundo do Brasil em número de rotariano e seguidor de um protocolo rigoroso nas suas reuniões.rotárias.  

Tanto é assim que até hoje guardo-o comigo, entre os meus mais valiosos troféus.  


Segue a cópia do cartão escaneado na frente e no verso.  









OBS:  o rotariano Clóvis Pacheco, infelizmente falecido, era pai do vereador recém eleito Carlos Eduardo Muniz Pacheco, - Carlos Muniz - ex secretário municipal de Política Urbana e Licenciamento na gestão do prefeito Geraldo Julio. 

Como secretário, ele recebeu um grupo de rotarianos que foram até ele para evitar a remoção dos marcos Rotarios, que a EMLURB e outros setores da PCR estavam com intenção de retirar das praças do Recife.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

O PROGRAMA CALHA NORTE

 O PROGRAMA CALHA NORTE. 

Alberto Bittencourt  -  Nov 2024


Este governo continua agindo vigorosamente em direção ao desmantelamento do Exército e das FFAA Brasileiras. 

Decidiu agora, de uma hora para outra, sem nenhum aviso, sem qualquer planejamento estratégico que o justificasse, alijar o EB da gestão do Programa Calha Norte. Com isso, pretende ir aos poucos, retirando a presença do Exército das Áreas mais sensíveis da geopolítica  brasileira, em que a soberania  corre maior risco.

Segundo o governo, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional assumirá o controle do programa, recebendo-o,  de forma gradativa, do Ministério da Defesa do Brasil.

Entregar a soberania da região amazônica a um órgão político, inepto, sem tradição, meios e recursos, integrado por gente comprovadamente corrupta, para quem só interessa a perpetuação do poder como um fim em si mesmo, é absolutamente temerário. .

Dessa maneira, perdemos nós, perdem os conservadores, perderão nossos filhos, perderá a totalidade da nação brasileira.

Países do mundo inteiro têm olhos grandes voltados para as riquezas da região, onde prevalece o bioma da Amazônia, que ocupa 49,29% do território nacional,  e inclui parte de dez estados, a saber:  Acre, Amapá. Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, e Tocantins.

Segundo o censo de 2022, do total de 1,7 milhão de indígenas que habitam o solo brasileiro, 433 mil vivem nessas terras , distribuídos em 799 áreas coletivas denominadas, Terras Indígenas – TIs, localizadas principalmente no estado do Amazonas. . 

Como ficarão esses povos, sob a gestão de um ministério civil, sabidamente incapaz, no qual nem os próprios indígenas confiam?

Mais de 100 mil  ONGs estrangeiras presentes na região cobiçam não apenas as riquezas minerais e vegetais, mas também a fauna e, sobretudo, as matérias primas da biodiversidade,  alvos da cobiça das indústrias farmacêuticas e químicas. 

Como uma entidade  civil poderá evitar o desmatamento clandestino se,   nem mesmo o Exército Brasileiro, com todos os seus meios, consegue conter? 

Eu sempre disse que para acabar com todo  esse desmatamento ilegal só mesmo prendendo e condenando à prisão perpétua os criminosos devastadores do bioma, incendiários de nossas florestas,  os comerciantes ilegais de madeira,  os garimpeiros poluidores do meio ambiente.  Todos agindo nas sombras da ilegalidade.  Não adianta prendê-los simplesmente que logo eles retornam em liberdade para dar continuidade às atividades ilegais. 

Como proteger as populações ribeirinhas sem apoio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica? 

Entregar a gestão do programa Calha Norte para um órgão civil é o mesmo que entregar o galinheiro à guarda das raposas. 

Lembramos que setores mais sensíveis da gestão estadunidense estão entregues ao controle das Forças Armadas, como, por exemplo,  os portos e vias navegáveis que são da responsabilidade do Corpo de Engenheiros do Exército americano. 

Nos aeroportos, os controladores de voo são membros da Força Aérea americana, entre outros setores

Entretanto, existe algo a mais no espaço, além dos aviões de carreira. 

É muito suspeito que o governo queira retirar o Exército de todas as fronteiras como declarou o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, por conta da pendência com a Venezuela.  O Brasil, de Lula, havia proibido o EB de reforçar a presença na fronteira com a Venezuela, o que não foi obedecido pelos militares.  Talvez o governo tenha tomado esse ato de desobediência como afronta, e resolveu dar um castigo retirando o EB da gestão do programa Calha Norte e mais, de toda a fronteira terrestre brasileira.  

É pagar para ver o desenrolar dos acontecimentos.

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

AS LIÇÕES DO CAMALEÃO

AS LIÇÕES DO CAMALEÃO

Fonte:  Escola Americana do Recife. 

Curso de francês da Professora Dominique Jacob

Adaptação de Alberto Bittencourt 


Tivesse eu um conselho a dar, diria: 

— Abra seu coração e siga os ensinamentos do camaleão. 



Afinal, quem é esse Camaleão? 

Observe e tire suas conclusões. 


LIÇÃO 1:  

Quando o camaleão segue numa determinada direção, ele jamais gira a cabeça para trás.  

Então: Tenha um objetivo bem definido na vida e, por nada neste mundo desvie-se de sua rota. 

LIÇÃO 2 : 

Mas, o que faz o camaleão? 

Ele não gira a cabeça para trás. São seus olhos que se movimentam. Os olhos do camaleão podem ser independentes um do outro ou não, ter movimentos independentes ou sincronizados. 

Cada olho, de forma independente, olha para a frente, olha para trás, olha para cima, olha para baixo, olha para os lados.  

Então: Evite improvisar. Toda improvisação termina mal. Prepare-se. Recolha o máximo de informações possíveis.  Você não é o único ser vivente sobre a Terra.  Existe todo um sistema ambiental no entorno de sua pessoa. 

LIÇÃO 3:  

Quando o camaleão chega num local, atinge um determinado objetivo, ele assume as cores desse local. Ele não faz isso por hipocrisia. É antes por uma questão de adaptação ao novo meio ambiente, uma maneira de desenvolver a tolerância e o saber viver. Chama-se mimetismo. Brigar com os outros não leva a lugar nenhum. Nada se constrói na hostilidade.  As brigas só desconstroem. 

Então: Desenvolver a empatia, a mútua compreensão é uma questão de sabedoria. Aja com diplomacia e tente compreender as razões do outro. Coloque-se no lugar do outro. Entenda o ponto de vista do outro. Se você existe, admita que o outro também existe.  

LIÇÃO 4: 

O que faz o camaleão para se deslocar? Primeiro ele levanta uma patinha. Depois a outra. A seguir balança o corpo para saber se os dois pés estão bem assentados. Depois ele repete o procedimento com os dois outros pés: balança, levanta...

Então: isso significa ter prudência antes de avançar. 

Além disso, a cauda do camaleão funciona como uma arma eficaz. Ela tem a faculdade de derrubar e  pegar presas.  O camaleão  não se desloca sem os devidos cuidados.  Se a frente parece ameaçadora, ele se levanta sobre os quatro pés. não se desloca sem uma cuidadosa verificação do ambiente à sua volta. Significa investigar a retaguarda para não ser pego de surpresa.   Jamais seja imprudente!

LIÇÃO 5

E o que faz o camaleão antes de  atacar uma presa? Ele não se precipita.  Ele estira a língua, que pode chegar ao comprimento de 1 metro. . É a língua que vai buscar a presa. É uma forma de proteção, pois não é o tamanho da presa que vai determinar se ela é ou não  mortalmente perigosa. Ele lança a língua à frente, envolve a presa, imobiliza-a e a arrasta para a boca. No caso de haver qualquer perigo, há sempre o recurso de rejeitar a presa, recolher a língua e evitar o mal.  

Então: aja sempre em todas as suas ações com diplomacia. Ou seja, com equilíbrio. Isso significa ter, ritmo, ponderação  e equilíbrio. E sobretudo, paciência. 


CONCLUSÃO: 

Se você quer construir uma obra durável, seja paciente, seja prudente, seja bom, seja  alerta, seja humano.  

Manifeste ternura no olhar, bondade na voz e amor no coração. 

Jamais aja com agressividade.  

Seja manso e humilde, como foi Jesus Cristo. 

Use os recursos do camaleão: mimetismo,  disfarce, dissimulação, e camuflagem.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

CARTA DO CORONEL CESAR REIS

Carta do coronel Cesar Reis. 

Rio de Janeiro, 8 de janeiro de 2023. 

Meu caro Alberto.

Ass: O Prof Torres Pastorino



Muita paz!

Ao receber o livro que você generosamente me enviou, vi imediatamente que temos muito em comum. Também fui rotariano. Quando servia em Três Corações, os companheiros tiveram a bondade de me convidar. Naquele tempo, idos dos anos 60 do século passado, fazíamos parte do distrito 459. Conheci as propostas, participei das ações sociais, conheci cidadãos de excelente nível. Foi um tempo bom. Com minha transferência para a EsAO e subsequentes tarefas, perdi o contato. O Rotary foi tempo importante em minha vida. Tem meu respeito, minha admiração.


Tive contatos frutuosos com o professor Pastorino. Ele orientava um grupo de estudos do Evangelho em seu apartamento-biblioteca na rua 7 de Setembro aqui no centro do Rio. Era um sábio. Conhecia os termos do Evangelho e seu significado naquele tempo em que foram escritos os textos. Publicava uma revista mensal extraordinária chamada Sabedoria. Anualmente editava a Sabedoria do Evangelho. Tenho comigo sete volumes. Trata-se de obra ímpar, verdadeiro patrimônio da humanidade. Segundo soube há ainda vários volumes a serem publicados, aguardando autorização da família e editora que se disponha a investir. São textos em vários idiomas, referências eruditas. Preço elevado por certo. Quando estivemos na direção da Capemi tentamos promover a edição mas a família não concordou. Pastorino foi o fundador do Lar Fabiano de Cristo do qual fazemos parte até hoje. Ele também dirigiu a sessão de inauguração da Casa da Fraternidade que nós dirigíamos em Três Corações. Ao falecer disse que ia estudar na espiritualidade para, depois, apresentar as pesquisas sobre o Apocalipse.


Não sei se você soube quando ele fez concurso para professor do Colégio Militar, o seu exame oral ficou famoso. Era prova de Latim. Ele e o examinador falavam fluentemente como se o Latim fosse uma língua viva. Juntou gente, faz parte dos anais. 


Era homem de simplicidade exemplar. Diariamente pegava o bonde para fazer seu programa na rádio. Fazia uma oração pedindo apoio espiritual. Anotava numa caderneta a inspiração que lhe chegava. Quando retornava ao escritório na rua Senador Dantas, destacava o papel da caderneta e deixava sobre a mesa. Os tempos eram difíceis e a editora Sabedoria passava por dificuldades. Pastorino pediu ajuda ao Coronel Jaime Rolemberg que dirigia a Capemi naquela época. Rolemberg enviou uma funcionária, dona Maria de Belém, contadora, para analisar as dificuldades do amigo. D. Maria viu sobre a mesa as folhas soltas das inspirações diárias de Pastorino. Entendeu o que ali estava um tesouro. Foi assim que surgiu o livro best-seller Minutos de Sabedoria. Todas as edições iniciais foram feitas pela Capemi. Depois que ele faleceu sua viúva passou os direitos para a Editora Vozes. Agora no século XXI, através da mediunidade de Divaldo Franco, Pastorino nos deu outro livro admirável sobre a impermanência. Maravilha!


Também convivi com Hermógenes. Ele era associado efetivo do lar Fabiano. Frequentava nossas reuniões de estudo e de meditação. Fazia palestras para nossos funcionários. Gostava de contar anedotas. Tinha um bom humor permanente. Era o maior vendedor de livros da sua editora. Graças a ele também consegui editar um livro de nossa autoria. Viajamos juntos algumas vezes. Ele promovia viagens à Índia. Levava grupos para que conhecessem o admirável Say Baba. Lá na Índia sua esposa foi atropelada por um caminhão. Deu um trabalhão trazê-la para o Brasil. Foi a primeira vez que vi Hermógenes preocupado. Hermógenes foi um privilégio em minha vida. Morava na Urca. Era delicioso conversar com ele em sua casa, sentado na mureta de frente para o mar.


Fui professor do Colégio Militar, como você. Convivi com grandes mestres como Walter Shaeffer, Ruy Kremer, Ribeiro. Acho que Danilo e Eloy Villela são seus colegas de turma e eram meus companheiros no CMRJ. Não fui aluno do CM. Fiz antiga Escola Preparatória de Fortaleza. De lá fui para a AMAN, turma de 1959. Dois dos meus filhos estudaram lá. Eram da cavalaria. 


Outra afinidade: fui vegetariano durante anos da juventude. Ao sair aspirante, fui para Vacaria. Lá o Exército participava do realinhamento do Tronco Principal Sul, uma estrada de ferro que ligava São Paulo a Porto Alegre. A estrada antiga foi construída pelos ingleses obedecendo às curvas de nível. Eram quatro noites e três dias de viagem. Lá no interior de Vacaria construíamos uma ponte sobre o rio Pelotas. Não havia nada para comer, exceto frangos e carne de gado ou porco. Apesar dos meus protestos, o cardápio era somente aquilo. Tive que me readaptar ao regime não vegetariano. Confesso que até hoje tenho minhas dificuldades com carne. Interessante, quando era cadete meu comandante de companhia ficou cismado com o meu regime alimentar. Encaminhou-me ao médico que me aconselhou, dizendo que vegetarianos por falta de proteína animal poderiam ficar estéreis. Não procede. Temos sete filhos saudáveis, graças a Deus. 


Então meu amigo, está bem claro que temos bastante em comum e isso inclui ação social então cara ao meu coração. 


Quero agradecer muito espaço pelo livro que você teve a gentileza de me remeter, com expressiva dedicatória. Ainda vou refletir bastante sobre as suas experiências que dão qualidade não só a sua vida mas às vidas de todos nós.


Muita paz e alegrias permanentes. Que sua vida permaneça estruturada em bons pensamentos, bons sentimentos e boas atitudes, como sempre.


Um grande abraço agradecido. Cordialmente,

César Reis




segunda-feira, 17 de junho de 2024

INQUIETUDES DE UM JOVEM

 

O ROTARY E A JUVENTUDE

Entrevista com Alberto Bittencourt


1) Qual o seu envolvimento com a juventude rotária e que boas experiências desse convívio o senhor pode compartilhar?

Durante dez anos, de 1995 a 2005, o meu Rotary Club do Recife-Boa Viagem foi padrinho de um Rotaract e de um Interact Clubs, coordenados por duas rotarianas dedicadas e atuantes, Vânia Amorim e Maria Ednice. Elas estavam sempre presentes às reuniões, atividades, eventos patrocinados por esses clubes de jovens. Dava gosto ver o entusiasmo com que os jovens planejavam e discutiam formas de ação. Incontáveis foram as realizações nesses dez anos de atividades. Os dois clubes sempre trabalhavam integrados, fosse na arrecadação de cestas básicas, fosse ajudando nas ações do clube padrinho, como por exemplo, nas carreatas para angariar donativos para vítimas de enchentes e deslizamentos de barreiras, realizadas aos domingos no bairro de Boa Viagem. 

Posteriormente, como governador do Distrito 4500, ano 2004-05, trabalhei em conjunto com os clubes de jovens do Distrito 4500. Pude constatar que se trata de verdadeiras escolas de liderança, onde líderes incontestes despontam a todo instante. 

Todos são importantes, mas me marcaram especialmente os clubes do interior dos três estados, PE, PB e RN. Muitas cidades que visitamos, possuem três marcos rotários em praças públicas e locais de visibilidade, um do Rotary, outro do Rotaract e o outro do Interact, cada um posto em destaque, como se quisesse ser o mais bonito. Numa pequena cidade do interior da Paraíba, o Rotary Club tinha desaparecido há alguns anos, mas o Interact Club continuava ativo, sem perder o entusiasmo, com mais de 20 membros, mesmo sem ter clube padrinho, pois o mais próximo ficava distante cerca de cem quilômetros. 

Os jovens constituem uma força de trabalho insubstituível. Nas conferências, assembleias, seminários, são quem recebem as inscrições, distribuem as pastas, organizam a mesa diretora, chegam até a servir água e café. Na minha Conferência do Centenário reservei espaços para os representantes dos Rotaract e dos Interact Clubs. Líderes dos clubes de jovens puderam apresentar ao distrito suas realizações e seus planos de ação e o fizeram com o maior desenvoltura, sem ficar nada a dever aos palestrantes mais experimentados. Nos RYLA, a participação dos clubes de jovens é fundamental. 

Inesquecíveis são as ações cívico-sociais, iniciativas dos jovens, onde em praças públicas, montam oficinas de trabalho para atividades diversas com a população. São instalados postos para verificar a pressão sanguínea e fazer testes de glicemia, dar aulas de desenho, de corte e costura, de noções de higiene. Fazem oficinas de leitura, proporcionam à população corte de cabelo gratuito, e serviços como tirar identidade entre outros. 

Nos hospitais constatamos a atuação de inúmeros clubes de jovens como "doutores da alegria" a divertir e brincar com adultos e crianças internadas. Palhaços, emílias, mickeys, levam o alívio e porque não dizer até um novo alento de vida aos pacientes. 

O Rotarct Club de Igarassu, PE, montou um cursinho pré-vestibular onde os próprios jovens preparam alunos das escolas públicas, numa ação contínua que de vários anos, com resultados animadores. 

O que mais os jovens reclamam é da ausência dos rotarianos. O diretor Hallage, disse na REGONNE- 2009 que quando um membro de um clube de jovem comparece a uma reunião rotária, em geral os rotarianos põem a mão no bolso, pensando que eles vão pedir dinheiro, mas o que eles querem é o apoio, a participação e a orientação dos clubes padrinhos, frisou o diretor. 

Lamentavelmente, no meu Rotary Club, quando as duas companheiras tiveram que se afastar, não houve quem as substituísse e os dois clubes se dispersaram e desapareceram. Fazem uma falta enorme. 

 

2) O senhor acha que há resistência por parte de alguns clubes na admissão de associados mais jovens ou já ouviu alguma queixa nesse sentido? Por quê?

Não acredito que exista esse tipo de preconceito em algum clube do Brasil. Acho que a questão maior talvez seja a falta de interesse dos rotarianos em convidar os jovens. A prova é que são muito poucos os filhos de rotarianos que se associam a um Rotary Club. O que existe são clubes acomodados a uma situação, o que os torna mais ou menos fechados ao ingresso de novos sócios. Na frequência, podem ser 100%, mas são antes clubes de amigos do que de prestação de serviços.


3) O Rotary ainda é uma ideia capaz de atrair e motivar nossos jovens?

Eu não tenho a menor dúvida de que sim. Há exemplos de rotarianos que entraram muito cedo em Rotary. O ex-presidente de RI, Luiz Vicente Giay, associou-se ao RC de Arrecifes, AR, aos 22 anos de idade, embora, hoje em dia seja difícil tal acontecer.

Em geral, a falta de tempo, por motivos profissionais, é o fator mais alegado pelos jovens para recusar um convite ou mesmo sair de um clube.

Hoje, a idade média do quadro social é elevada, o que torna ainda mais difícil o ingresso de sócios mais jovens. A solução é convidá-los em grupos, onde o jovem leve seus amigos, seus colegas de trabalho e dos tempos da faculdade. Só assim ele encontrará ambiente para permanecer, só assim ele se sentirá à vontade para conversar sobre assuntos de seu interesse, para propor novos projetos, tomar iniciativas.

Há um clube de Rotary do meu distrito que adotou uma mensalidade diferenciada para que os filhos dos rotarianos se associassem. Outro fez o mesmo com os menores de 35 anos. Mas eu acho que o fator financeiro não é determinante. Veja o caso do RC Recife-Novas Gerações, constituído pelos egressos dos Rotaract Clubs. A mensalidade é a mais baixa possível. Cobre apenas os custos das per-capitas de RI e do governador. Mesmo assim o número de sócios não consegue chegar a 20, muito embora sejam atuantes e partícipes de todos os eventos rotários.

 

4) Como vender uma experiência como o Rotary, moldado há mais de cem anos, para uma geração que já nasceu num mundo tão diferente daquele em que Paul Harris criou o Rotary?

Para atrair e manter o jovem, é preciso que eles se sintam importantes, valorizados. Um instrumento é a internet. Criar um canal de comunicação e informação, especialmente com os novos, enviar artigos e matérias de ações rotárias no mundo, convidá-los para os eventos, sejam de serviço, sejam de companheirismo. Oferecer sempre alternativas de hospedagem mais em conta, em pousadas próximas, ou nas casas dos companheiros. Demonstrar as qualidades das informações trocadas, das apresentações artísticas, as confraternizações e amizades daí decorrentes.

O novo sócio, jovem ou não, quer se sentir útil. Quer sentir que pode ajudar a mudar o mundo. Quer encontrar um canal para manifestar sua opinião, sentir-se respeitado como cidadão.

O que falta, repito, é maior eficiência por parte de nós mesmos, os mais antigos. Afinal, o futuro do Rotary está em nossas mãos, do contrário, assistiremos passivamente os clubes envelhecerem, declinarem e acabarem morrendo junto conosco.



INQUIETUDES DE UM JOVEM. 

Alberto Bittencourt – junho 2017


Por favor, não me instruam, não me ensinem, nem me mostrem regras. Eu preciso me situar, conhecer terrenos, conhecer pessoas.

Não me venham com lições, nem regulamentos. Estou cheio de teorias. Quero ver as coisas de forma prática, simples e objetivas.

Quero ser contaminado pelo entusiasmo. O entusiasmo é que faz as coisas boas acontecerem.

Ensinem-me a sentir o encantamento das pequenas descobertas.

Eu não quero receber respostas prontas, nem frases feitas. Quero apenas que me revelem as questões. As respostas eu descubro. 

Acolham de boa vontade as minhas dúvidas e inquietações.

Mostrem-me primeiro os pontos fracos. Depois os pontos fortes.

Não me digam o que esperam de mim. Digam o que vocês podem fazer por mim.

Ensinem-me a enriquecer a vida em mim, nas pessoas e na natureza.

Façam-me entrar na vida de forma ardente, com mais paixão.

Ajudem-me a respeitar e louvar a vida como ela deve ser.

Capacitem-me a trocar, compartilhar, dialogar.

Ensinem-me as possibilidades da mútua colaboração, da solidariedade, da doação.

Não tragam apenas suas habilidades, nem sua cultura.

Não venham com seus títulos, nem com suas experiências.

Mostrem-me a sua vontade de ser e de fazer.

Acolham as minhas contradições e as minhas buscas.

Mostrem-me como encontrar o meu melhor.

Ensinem-me a olhar, a explorar, a tocar.

Revelem-me o gosto pelo engajamento voluntário, pelo comprometimento, pela cumplicidade.

Despertem em mim o discernimento e criatividade para delimitar deveres e ações.

Ensinem-me a me reencontrar com o mundo.

Mostrem-me como enxergar por trás das vaidades e aparências.

Não tragam apenas fragmentos de verdade nem incoerências.

Despertem em mim a conquista dos valores e sentimentos mais nobres.

Acolham com bondade minhas falhas, meus desacertos, meus desajustes.

Ensinem-me a estar preparado para agir, a tomar iniciativas.

Preciso muito de sua atenção e de sua urgência. Um minuto perdido, é um minuto que não volta mais.

POR FAVOR!

sábado, 8 de junho de 2024

GRAVIDEZ – DÁDIVA DE AMOR E CARINHO

 

GRAVIDEZ – DÁDIVA DE AMOR E CARINHO

Alberto Bittencourt - 2008

 

Como parte das atividades da visita do Governador Aluísio de Freitas Almeida e sua IEDA ao nosso querido RC do Recife-Boa Viagem, dia 31 de outubro de 2007, realizou-se a cerimônia de encerramento do projeto GRAVIDEZ – DÁDIVA DE AMOR E CARINHO, uma importante ação na área de “População e Desenvolvimento” do Rotary International.

A jornada começou com um delicioso almoço no LAR DE CÁRITAS, oferecido aos rotarianos por VERA LUCIA MARTINS, a dinâmica presidente da creche que, desde a sua fundação, é assistida pelo RC do Recife-Boa Viagem.

A comitiva foi composta pela Presidente Núbia Mesquita, pela governadora assistente, Isabella Jarocki, pelo diretor de RI, Mário Antonino e sua Celma, pelo EGD Reinaldo de Oliveira, além dos sócios Alberto e Helena Bittencourt, Evaldo Amorim e José Corsino Dantas, do RC Boa Viagem.

GRAVIDEZ – DÁDIVA DE AMOR E CARINHO é o nome do projeto de Subsídios Equivalentes da Fundação Rotária, de número 57425, no valor total correspondente à US$ 5.000, tendo como parceiro internacional o RC ROCKVILLE, D-6560, USA.

Esse foi o terceiro projeto do tipo “População e Desenvolvimento”, realizado no Distrito 4.500. Os dois primeiros, já encerrados, foram patrocinados pelo RCR-Encruzilhada, em parceria com a ONG Coletivo Mulher-Vida e pelo RCR- Largo da Paz, em parceria com a OAF – Organização do Auxílio Fraterno. Cada um deles, no valor total correspondente a US$ 5000, atendeu de 30 a 40 gestantes jovens. Quem propiciou a oportunidade desses projetos ao D-4500, foi a ex-governadora do D-4470, no Rio de Janeiro, Adélia Villas. De uma reunião do Rotary International realizada no Cairo, Egito, sobre População e Desenvolvimento, ela telefonou ao nosso Distrito, oferecendo a oportunidade e as parcerias internacionais.

O projeto do Boa Viagem teve início em março de 2007, em parceria com o Lar de Cáritas, creche situada no Jardim Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, que atende a cerca de 300 crianças da comunidade a mais carente.

Duas vezes por semana, 32 gestantes jovens ali se reuniam no horário das 14h às 17h para uma série de atividades educativas, de instrução, de acompanhamento, inclusive de recreação, após se regalarem com farta e nutritiva refeição. A cada mês elas levavam para casa uma cesta básica. As futuras mamães tiveram aulas ministradas por médicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos, tudo sob a coordenação da secretária do Lar de Cáritas, senhora Alci e da professora Jacineide.

Gradualmente, ao longo dos seis meses em que se desenvolveu o projeto, os bebês foram nascendo, ao tempo em que suas mamães recebiam um lindo e completo enxoval, dentro de uma banheirinha de plástico, gesto simples, mas composto de muito amor e carinho. Das 32 participantes do projeto, três foram barrigas gêmeas. Por ocasião do encerramento, compareceram 29 novas mamães, bebês nos colos, alguns recém-nascidos, restando apenas três ainda gestantes, posto terem entrado mais tarde no projeto. Essas também receberam as suas banheirinhas com enxovais. Todos os participantes do projeto estavam felizes. Foram emocionantes os depoimentos das coordenadoras, facilitadoras, instrutoras, palestrantes, inclusive das mamães. Enquanto isso, a companheira Celma Antonino embalava carinhosamente um dos pequeninos gêmeos recém-nascidos.

O programa abrangeu palestras educativas de planejamento da natalidade, prevenção de DST, nutrição, higiene, amamentação, valorização da família, doenças infantis, vacinação. Teve ainda acompanhamento pré-natal, exames de saúde, orientação familiar, conciliação trabalho/estudo, entre outras atividades. Muito importante foi a interação e as informações trocadas entre as participantes do programa.

Um dos objetivos do projeto foi que todas se tornassem multiplicadoras, transmitindo os conhecimentos adquiridos aos seus círculos de relacionamentos, nas comunidades em que vivem.

Segundo a governadora assistente Isabella Jarocki, foi gratificante ir pela primeira vez ao Lar de Cáritas, instituição de que tanto já tinha ouvido falar e ver aquelas 32 mães cheias da esperança de poder proporcionar uma vida melhor para seus filhos. Isso é Rotary, completou a governadora assistente, os clubes fazendo pequenas coisas e a gente fazendo a diferença para as comunidades, com a ajuda e o auxílio da Fundação Rotária. Por isso, disse Isabella, não podemos deixar de contribuir para a Fundação Rotária.

Alberto Bittencourt, responsável pelo projeto, disse que aqueles seis meses em que o curso transcorreu tiveram um objetivo transcendental. Foi um curso em que se procurou transmitir muito amor e carinho às futuras mamães. Buscou-se aproveitar a fase da mulher-gestante, em que, além de ser coberta das bênçãos e da proteção divina, ela tem maior afetividade nos relacionamentos, maior abertura ao amor, maior receptividade ao bom, ante o milagre da vida que se processa em seu corpo. É a oportunidade de se tocar sua mente e seu coração, falou Alberto.

Ao longo do curso, prosseguiu Alberto, procurou-se dar ênfase à importância da ligação amorosa com o bebê. Está provado, que quanto mais amor, mais carinho, mais aconchego o bebê receber em seus primeiros meses de vida, mais a mamãe estará cultivando naquele pequeno ser a semente do bem.

Todos os seres humanos ao nascerem, disse Alberto, trazem dentro de si a semente do bem. Todos, de início, são naturalmente bons, mas também, todos trazemos latentes, dentro de nós, a natural agressividade, proveniente do instinto animal, de sobrevivência. Essas duas sementes, a do bem e a do mal, se desenvolverão face a vários fatores, inclusive hereditários. Se o meio em que uma criança se desenvolve é um meio deturpado pela miséria, pela violência, pela exploração, pela falta de higiene, pela falta de amor, pela falta de tudo, o que vai prevalecer é a agressividade. 

Por sua vez, se a criança tem o carinho de sua mãe, o amor, o contato físico da amamentação, a doação, desde os primeiros dias de vida, então a semente do bem, tende a se desenvolver com mais força que a semente do mal. É o que a gente procurou enfatizar nos relacionamentos mãe/filho, disse Alberto. Tudo o que as participantes do programa receberam foi ministrado com muito amor e carinho.

Por isso, foram tão importantes as lições aprendidas neste projeto GRAVIDEZ – DÁDIVA DE AMOR E CARINHO, um nome tão bonito, escolhido pelas próprias gestantes. A cada dia, a cada jornada, elas vinham para o Lar de Cáritas com amor e esperança no coração, com alegria, as mãos estendidas, receptivas, os corações abertos, finalizou Alberto.

Fazendo uso da palavra, o Diretor de RI Mário Antonino, chamou à frente os novos papais, presentes à cerimônia.  Os jovens apresentaram-se orgulhosos. Mário falou da importância da família constituída, na criação e educação dos filhos. Disse que, como a mãe, a presença paterna é um fator de equilíbrio importante para o crescimento e desenvolvimento das crianças. Numa sociedade em que tudo é muito permissivo prosseguiu, só a presença do pai já impõe os necessários limites. Educar com responsabilidade aquelas crianças recém-nascidas, disse Mário, é uma missão importante, da qual dependerá o futuro dessas novas gerações. Saber dar limites com amor, saber dizer não com ternura, evitar o espancamento inútil, a falta de paciência, cuidar bem dos pequenos, com atenção e dedicação, fará deles, no futuro, cidadãos úteis, que aprenderão, de maneira honesta, a ganhar o pão de cada dia, sem apelar para a violência, para a agressividade, ou mesmo cair na marginalidade, no vício, no crime.

Parabéns ao RC do Recife Boa Viagem. Está lançada a semente da paz, com esse projeto GRAVIDEZ – DÁDIVA DE AMOR E CARINHO. Obrigado aos rotarianos. Obrigado à Adélia Villas. Obrigado à Fundação Rotária do Rotary International.

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 4 de junho de 2024

CARTA A UM GOVERNADOR DE DISTRITO

 CARTA A UM GOVERNADOR DE DISTRITO  

Alberto Bittencourt - 2006

 

Fico sempre triste quando tenho notícia do afastamento de algum rotariano, mesmo para mim desconhecido.

Ao receber sua carta na qual você comunica seu desligamento do Rotary, não pude conter a emoção. Lágrimas vieram-me aos olhos.

Trata-se da saída de um amigo, de um companheiro que aprendi a admirar e estimar, desde o nosso treinamento no Instituto Rotário de Aracaju, em setembro de 2003. A partir daí nós, 38 governadores brasileiros, juntamente com os dois governadores portugueses, Conde e Diamantino, passamos a formar um grupo coeso, unido, perfeitamente integrado.

Da Assembléia Internacional de Anaheim, marcada pela pluralidade de costumes e tradições dos povos ali representados, os 529 Governadores do Centenário saíram perfeitamente sintonizados com os objetivos do presidente do Rotary International, Glenn Estess, e motivados para Celebrar Rotary no ano de seu centenário. O sucesso de tantos e tão importantes eventos acontecidos no período rotário 2004-2005, as homenagens recebidas de todos os setores da sociedade, são o resultado da dedicação e trabalho de rotarianos no mundo inteiro, liderados pelos Governadores do Centenário.

O conhecimento que eu e Helena travamos com vocês ficou gravado em nossos corações pela identidade de pontos de vista, pela afinidade na vontade de inovar, de construir um Rotary mais participativo, mais dinâmico, inclusive com a quebra de paradigmas, se necessário.

Um rotariano, seja ele dos mais simples, do mais longínquo dos clubes, encerra dentro de si um universo. É ele que faz o Rotary e por isso, ele é o elo mais importante de nossa Instituição.

O Rotary só é o que é porque tem morada permanente no altar do pensamento, sentimento e vontade de cada um dos rotarianos do mundo.

Perder um rotariano é perder uma parte do todo, é ficar bem mais pobre. Imagine RI perder você - um Governador do Centenário - que tanto fez para elevar nossa roda dentada aos mais altos pódios!

Nós, Governadores do Centenário, não pertencemos mais nem a Clubes nem a Distritos. Somos patrimônio de um movimento que trabalha pela Paz entre homens e nações do mundo inteiro e por isto, essencial ao futuro da Humanidade.

Nós somos do Brasil e do mundo.

Temos que ter sempre em mente, que fomos treinados para, não apenas representar o presidente do Rotary Internacional em nossos Distritos, transmitir suas mensagens, suas metas e ênfases, mas, sobretudo, para conduzir com alegria e felicidade toda a Família Rotária na direção da solidariedade, do amor e da ajuda aos mais carentes.

Fomos preparados para administrar Rotary através dos clubes, na busca de um mundo melhor, mais justo, mais humano.

Nossa preparação começou muito antes de nossa posse. Consumiu enorme soma de investimentos em recursos humanos e materiais. Pense na grande mobilização de pessoal, a maioria rotarianos, empenhados em horas e horas de trabalho de variadas equipes. Pense nos recursos financeiros aplicados. Pense que tudo isso foi feito tendo nós, os Governadores do Centenário como centro.

Sei do muito que investimos para chegar lá. Sei também que pagamos tudo isso com o sacrifício de nossas famílias, de nossos negócios, de nosso lazer, inclusive com prejuízo financeiro, mas tudo fizemos com alegria no coração, na certeza de estar colaborando para a construção de um mundo melhor.

Reflita agora, caro companheiro. Faça um balanço das pessoas que cativamos ao longo de nossa jornada de Governadores do Centenário, das incontáveis amizades que conquistamos. Rememore as inúmeras portas que carinhosamente se abriram para nos acolher. Visualize as sementes que deixamos plantadas em cada coração que certamente ainda germinam, crescem e frutificam, em amor, compaixão e amizade. Segundo Saint Exupéry, somos responsáveis pelas pessoas que cativamos. Elas precisam, elas dependem da gente.

Fomos escolhidos Governadores do Centenário por conta de nossas qualidades de liderança. Todo líder que se projeta, por estar em evidência em dado momento, sob as luzes dos holofotes naquele ano, desperta um quê de ciúme. Faz parte da natureza humana.

É importante que o líder tenha a consciência de que jamais obterá a unanimidade. Sempre haverá alguém para contestar, para dizer que de outro modo seria melhor. É a diversidade de pensamentos que engrandece todo grupo e principalmente em Rotary, onde todos são líderes.  

Mesmo que surjam formas mais agressivas de expressão um dos primeiros ensinamentos que recebi foi de que todo líder deve “ter jogo de cintura e aprender a engolir sapos”.

Para isso, cada um deve construir em torno de si, um círculo de proteção, como uma bolha blindada a nos envolver, na qual as agressões, as malevolências, as calúnias, batem, ricocheteiam ou resvalam sem nos atingir como pessoa e muito menos à nossa obra.

Não devemos responder, nem revidar.

"Nunca se justifique. Os amigos não precisam, os inimigos não acreditam" (li por aí).

Basta seguirmos o nosso caminho, com a consciência tranqüila e a convicção do dever cumprido.

Se alterarmos nosso comportamento em função das ações adversas dos outros, estaremos contribuindo para a divisão e desentendimento dentro do Distrito, estaremos construindo muros de separação. Ao contrário, nossa missão de governadores e de líderes é construir pontes de amizade.

Procure entender, coloque-se do outro lado, no lugar de quem nos agride. Você verá as razões do outro. Verá que o outro lado está certo, do ponto de vista dele. É o que nos ensinou Ragendra Saboo com o lema: Olhe mais além de si mesmo.

Assim, devemos continuar nossos caminhos, com a convicção de que somos o que somos, sem submissão, sem arrogância, mas com firmeza de propósitos, tratando a todos da mesma maneira, sem permitir que a divisão se instale, com desejo de contribuir, de somar, de agregar, pensando sempre positivamente.

Por isso eu lhe peço, caro amigo, reconsidere, por favor, a sua decisão. Não desista nunca, jamais. O Rotary precisa de você.

Existe uma palavra em psicologia, cujo significado vai além da física, constante dos dicionários: RESILIÊNCIA ― recuperar-se de traumatismos, superar golpes, “dar a volta por cima”.

É a mais importante qualidade intrínseca dos grandes homens. Os exemplos não faltam na história e na vida.

Esperamos você, RESILIENTE, de volta ao nosso meio.

Você faz falta, muita ... muita falta!

 

Do seu amigo e companheiro,

Alberto Bittencourt

Rotary Club do Recife – Boa Viagem

Governador do Centenário, D-4500

Classificação: engenharia civil

CARTA A UM COMPANHEIRO

 

CARTA A UM COMPANHEIRO

Alberto Bittencourt - abril 2005

 

Caro companheiro               

 

Tomei conhecimento, com pesar, de seu desligamento do clube. Para nós, militantes rotários, a perda de um companheiro é sempre momento penoso, mormente nestes tempos em que o sofrimento da humanidade aumenta, quando o trabalho dos rotarianos é cada vez mais requisitado.

Desconheço se suas motivações foram de natureza rotária, particular ou profissional. A comunicação pública, seca e direta, abre caminho à especulações. Nas entrelinhas notei um certo amargor que deixou dúvidas quanto aos relacionamentos no seu clube.

Foi falta de companheirismo? A prestação de serviços, sem a contrapartida do companheirismo, é sempre precária. Talvez tenha faltado liderança da parte dos dirigentes. Pode não ter havido instrução rotária suficiente.

Os companheiros de seu clube talvez tenham perdido a oportunidade de fazer de cada reunião plenária um momento agradável, onde a Família Rotária comparece pelo simples prazer de estar junto e não para cumprir uma obrigação rotineira.

Infelizmente, ao deixar o Rotary Club, o companheiro perdeu uma rara oportunidade - a chance do convívio fraterno, amigável, caloroso, que aproxima pessoas de categorias profissionais distintas, que, de outra maneira, jamais se tornariam sequer conhecidas.

Quem já viu um engenheiro bater no ombro de um juiz, chamá-lo pelo prenome ou apelido, no lugar do tratamento formal dado nos tribunais, de Vossa Excelência, Excelentíssimo? Quem já viu um jovem de 20 e poucos anos tratar por você a um circunspeto senhor, com anos de experiência, no final de carreira, ou aposentado? Pois em Rotary tudo isso acontece, sem que se perca o respeito e a consideração.

Alguns clubes não escolhem com o devido cuidado seus integrantes. O fazem mais para preencher números do que para buscar pessoas de qualidade, com vontade de trabalhar, líderes em suas comunidades. Todo clube é o reflexo de seus sócios. Clubes de qualidade correspondem a homens de qualidade, devotados ao ideal de servir.

É preciso municiar sempre o novo sócio de literatura, artigos, folhetos, informações que esclareçam o verdadeiro papel dos rotarianos no mundo. As obrigações financeiras devem ser sempre bem esclarecidas e conscientizadas. Da mesma forma quanto ao papel da Fundação Rotária, braço financeiro do Rotary International, que tem aquinhoado os distritos do Brasil com mais do dobro de suas contribuições anuais, voluntárias.

É preciso que se tenha consciência que a condição de ser rotariano não é para um cidadão qualquer, eu diria que é mesmo para uma elite, no bom sentido. Uma elite voltada para o serviço voluntário, capaz de disponibilizar parte de seus momentos de lazer em favor do próximo, uma elite que “dá de si, antes de pensar em si”.

Que podemos fazer sozinhos? Pouco ou quase nada. Como podemos legar aos nossos filhos e netos, um mundo melhor que o atual? Dom Helder, o nosso grande arauto da Paz, respondeu, num programa de tv a que assisti: “Não fique só”, disse apenas. Juntos, unidos, podemos sonhar o sonho impossível, realizar milagres, mudar o futuro de muita gente.

Esse é o papel dos rotarianos, o de reunir pessoas de bem, dispostas a ajudar o próximo, para fazer a diferença, num mundo de violência, miséria, exploração, injustiça social.

A doação pura e simples do que nos sobra, dinheiro, roupas, objetos usados, certamente tem o seu valor para os despojados de tudo, mas não tem méritos. O mérito está na doação de si próprio, na doação de seu tempo, de sua energia, de sua atenção. Aí está a verdadeira vocação dos rotarianos e é isso que os faz serem diferentes.

Ao deixar o trabalho voluntário, ao deixar “de olhar além de si mesmo”, o companheiro está dizendo não à vida, não à esperança, não ao amor.

O Rotary só chegou aos cem anos, porque é importante para o mundo. Graças a Deus, a consciência do serviço voluntário tem aumentado substancialmente no Brasil.

Queira Deus que os jovens, os líderes, os profissionais de todas as estirpes, tenham a visão maior de que não podemos ficar só na esperança, nem apenas na fé.  “Fé sem obras é morta”, disse Madre Tereza de Calcutá.

É preciso agir, aqui e agora, sair na frente, tomar iniciativas, liberar o grito incontido de nossa indignação, bradar aos quatro ventos toda a nossa revolta, manifestar toda a nossa inquietude, arregaçar as mangas, trabalhar cônscios de que juntos, unidos, como um “Feixe de Varas”, tudo será mais fácil.

Que Deus proteja a você e a todos os companheiros de boa vontade de seu Rotary Club. Quem sabe, um dia, o teremos de volta, com o raiar de uma nova esperança?

Conte sempre com este seu amigo. Com um abraço fraterno,

 

Alberto Bittencourt

Governador do Centenario D-4500