O Rotary de hoje.
Alberto Bittencourt - 30 jun 2020
Você já deve ter ouvido a frase:
"O Rotary só tem conversa".
Pois é. A cada dia que passa, mais me convenço da veracidade de tal afirmativa.
São milhões de horas gastas em seminários, conferências, assembleias, convenções, interclubes, RYLAS, palestras, discursos, e muito mais. Muita verborragia e pouca ação.
Concorda?
Esses eventos são necessários para manter acesa a chama do Rotary nos corações de rotarianos ou não.
Pergunto:
_Espremendo o que ficou?
_Pra que serviu?
_O que é que os rotarianos pensam, fazem ou desejam do Rotary?
_Como é que os rotarianos se sentem, como voluntários do Rotary?
O mundo de hoje está cada vez mais violento, a sociedade cada dia mais permissiva. Sobram as faltas de ética, civismo, cidadania, educação, respeito.
A fama do Rotary é ter muita conversa e pouca ação.
Tirando os que são movidos pela vaidade e desejo de aparecer, alguns sentem até vergonha de se intitularem rotarianos.
Já vi esse filme.
Nem mesmo o título de "Presidente do Rotary Club" produz efeitos.
Desprestigiados pelos próprios companheiros, os presidentes não raro abandonam o clube após o término de seu mandato.
Pensando nisso, na condição de presidente do meu clube, resolvi o seguinte: vou continuar a fazer o que sempre fiz, independente da condição de ser rotariano ou não. Simplesmente vou lá e faço.
Foi assim que cheguei às creches. Foi assim que fiz vivências e apresentações em escolas, quartéis, com dinâmicas, oficinas de trabalho e outros métodos interativos.
Sai na frente, na maioria das vezes sozinho, sem pedir ajuda. Sacrifiquei meu lazer e minhas empresas, mas valeu a pena.
Tenho feito apresentações em escolas públicas para cerca de 60 alunos e grupos de professores, com duração de 1h30, em dois tempos de 45 min cada, sobre liderança, valores morais e cultura da paz. Não é RYLA.
Fui sozinho, sem diplomas para distribuir, crachás ou pastas.
Em dia de aula normal. Combino com a diretora, vou lá e faço.
Funciona.
Meu projeto agora é continuar esse trabalho quinzenalmente, nas mesmas escolas. Conversar com os mesmos alunos sobre assuntos variados. Sentir-lhes o pulso.
O objetivo é tentar diminuir a violência e criar uma cultura da paz.
Vou começar por Igarassú, com apoio do prefeito Mário Ricardo que é rotariano e com apoio dos rotarianos de lá.
Tentei em Olinda, com o prefeito Lupercio Carlos, mas a Secretaria de Educação vetou. Está contaminada pelo populismo dos prefeitos anteriores.
Carpina tem 8 mil alunos nas escolas municipais. O prefeito Manoel Botafogo, a secretaria de educação e o RC de Carpina apoiam o projeto.
Só precisa começar.
Temos que atuar na mente dessa juventude, do contrário, vamos perdê-la para o crime e a violência.
Como disse a Madre Teresa de Calcutá:
_ Se resgatarmos a alma de um jovem do pecado, nossa missão estará cumprida.
Assim seja.
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terça-feira, 30 de junho de 2020
ROTARY - TESOURO DE INFORMAÇÕES E DE AMIZADES
ROTARY - TESOURO DE INFORMAÇÕES E DE AMIZADES
Alberto Bittencourt
Sim, queridos amigos.
Agradeço todos os dias ao Rotary a oportunidade de ter amigos como vocês.
Agradeço todos os dias ao Rotary a oportunidade de ter tantos amigos espalhadas pelo mundo, unidos pelo amor como comportamento, pela boa vontade, pela solidariedade reciproca.
Estamos aqui, unidos, sob o signo do Rotary, porque assumimos um compromisso no dia em que dissemos SIM ao convite que recebemos de alguém.
Estamos aqui para abraçar uma causa: a causa Rotária.
Estamos aqui para transformar o mundo através do servir.
Qualquer projeto de prestação de serviços precisa de três coisas básicas:
trabalho, tempo e dinheiro.
Sem esses três ingredientes, nenhum projeto vai para a frente.
O trabalho é de equipe. Precisa de lideres eficazes que deleguem, corrijam rumos, e não percam o foco.
O tempo é necessário para planejar, preparar, pensar nos detalhes e em todas as circunstâncias.
Por fim, o dinheiro é exigido para agir e executar. Parabéns. Vocês conseguiram;
Estamos aqui porque acreditamos que o homem se realiza em três verbos:
ser, fazer e ter.
Só o fazer rejuvenesce e nos faz crescer. Só o fazer nos dá créditos para o encontro final.
Só o fazer muda o futuro das crianças, dos enfermos, dos desvalidos, dos droga adictos e tantos outros. Só o fazer transforma o mundo
domingo, 28 de junho de 2020
VINTE CONSELHOS AO NOVO ROTARIANO
VINTE CONSELHOS AO
NOVO ROTARIANO
Alberto
Bittencourt - dez 2012
Ao tomar posse no Rotary, seu padrinho certamente informou-lhe que os
compromissos mais importantes são a frequência e o pagamento correto das
mensalidades. Ninguém duvida, porém ser rotariano é muito mais.
Antes de mais nada, é preciso manter viva a consciência de que você está
entrando para um grupo de voluntários motivados exclusivamente pela alegria de
seu coração e pela vontade de compartilhar uma visão comum. Visão, no sentido
figurado, é tudo o que pensamos e sentimos a respeito de algo.
Ao se incorporar a este grupo, você se apresenta como mais um voluntário
para ajudar na consecução dos objetivos, seus e do grupo.
Aqui vão algumas dicas para trazer alegria e sentido à sua presença física
no Rotary:
1 – Procure conhecer o Rotary, sua missão, seus objetivos. Estude as metas e sonhos do seu clube e as ênfases e
objetivos do Presidente do Rotary International.
2 – Juntamente com seu cônjuge, procure conhecer os companheiros, se
integrar à Família Rotária. Preste a atenção nas pessoas, pois todos têm um
papel a desempenhar, um talento com que contribuir. Não procure “reinventar a
roda”, utilize os dons, talentos e a experiência de cada um para o
fortalecimento do coletivo.
3 – Conecte-se consigo mesmo e com o seu Mestre Interior para identificar o
seu papel. Reflita sobre o que você está fazendo. Pense em como você se sente e
nas razões que o levaram a entrar no Rotary.
4 – Concentre-se mais na qualidade das informações trocadas, do que nas
aparências externas.
5 – Abra-se para cooperação, não para a competição, pois esta promove a
separação; a cooperação leva à unidade.
6 – Verifique a pertinência de todas as orientações. Receba-as com alegria
no coração.
7 – Seja ilimitado em seu pensamento. Pensamento de qualidade leva a uma
vida de qualidade.
8 – Deixe a sua imaginação fluir. Lembre-se que a imaginação é o primeiro
passo para realizar um sonho.
9 – Manifeste sua visão. Procure ser claro e objetivo. Use a tribuna e o
boletim do clube para partilhá-la. Lembre-se do poder da palavra . Desenvolva
seus dotes de orador e de escritor. Empregue sempre a linguagem positiva do
paradigma da unidade para incrementar a integração.
10 – Faça o que diz – seja um exemplo vivo
11 – Dê todas as informações, tempo, energia e recursos de que dispuser. Esteja
sempre disponível para o trabalho.
12 – Seja fluido e flexível. Não tenha medo de mudar.
13 – Prefira interpretar tudo em sua vida de uma forma positiva. Seja um
otimista, encare as dificuldades e problemas como desafios.
14 - Sintonize e potencialize a sinergia do grupo. Idéias e ações nascerão
espontaneamente.
15 – Cultive as amizades, crie relações afetivas para que todos queiram estar
juntos pelo simples prazer de estarem juntos.
16 – Compartilhe Rotary com seus colegas de profissão, sua família,
seus círculos de amizade. Traga novos companheiros.
17 – Compareça aos locais de trabalhos de seu clube, participe dos eventos,
marque sua presença.
18 – Tome iniciativas, proponha novos projetos, busque parcerias. Mecha-se, não fique na expectativa.
19 – Seja mais do que simpatizante, seja um militante, capaz de correr
riscos, lançar-se na incerteza sem temer o fracasso na busca do sucesso.
20 – Relaxe e deixe brotar em seu coração a
semente do amor.
x-x-x-x-x-x
EDUCAÇÃO, DEVER DE TODOS
EDUCAÇÃO, DEVER DE TODOS
(EXCERTOS
de palestra realizada em set 2007)
Companheiros,
quero aqui ressaltar um dos nossos maiores problemas: a educação escolar. Acho
que cada rotariano tem o dever de zelar pela boa e correta educação das nossas
crianças, nas escolas públicas, sejam estaduais ou municipais.
Há
muito tempo, mais de 30 anos, 25 Rotary Clubs do Distrito 4500, construíram
escolas, escolas com salas de aulas feitas de cimento e tijolo, bem equipadas,
que ainda hoje funcionam. São as Rotary. Há 25 Escolas Rotary em nosso Distrito. Deve
haver centenas espalhadas Brasil afora, vale a pena fazer o levantamento. Todas
construídas com a dedicação, trabalho, esforço, abnegação e sacrifício de
incansáveis companheiros, que nos antecederam em Rotary, os pioneiros de
nossos clubes, que doaram os terrenos, que se esforçaram por edificar neles
instalações, as melhores possíveis, para a educação de nossas crianças.
São
prédios muito bem construídos, em terrenos excelentes, muito bem localizados,
que eles conseguiram e doaram, para que o Rotary construísse essas escolas,
numa época em que o Rotary mesmo é que tinha que prover os professores, os
funcionários, o material didático.
Hoje,
todas essas Escolas Rotary, estão conveniadas com as secretarias de educação
estaduais ou municipais, que, além dos professores e do material didático,
fornecem a merenda escolar,
Foi
a forma de viabilizar essas escolas. O Rotary as entregou para as secretarias
de educação e... lavou as mãos! Não é mais com o Rotary. Agora o problema é da
Secretaria de Educação. Não interessa se funciona bem ou mal. O fardo foi
tirado de nossas costas.
Eu
visitei com Helena, todas as Escolas Rotary do Distrito 4500, além de outras
assistidas pelos clubes. Verificamos em algumas delas que crianças chegam à
quarta série do ensino fundamental e de lá saem sem saber ler, sem saber
escrever, sem saber interpretar o que lêem, mal fazendo as quatro operações.
Outras precisam de reformas urgentes no prédio e nas instalações. A secretaria
de educação diz que nada pode fazer porque o prédio não é dela e o Rotary não
concerta porque a escola está entregue ao município ou ao estado, não é com
ele.
Em
determinada escola do Recife, durante a visita oficial como governador, a
Bandeira do Brasil foi hasteada ao som do hino do colégio, posto que nunca
ensinaram às crianças o Hino Nacional.
Segundo
denúncias da ONG Novo Mundo, que trabalha em escolas do ensino público
fundamental, há educandários aqui no Recife que são antros de marginalidade. Alguns alunos se
organizam em gangues, e chegam até a ameaçar de morte, as pessoas que querem
melhorar as condições de ensino e de educação. São bandidos que se organizam,
chegou a esse ponto, com professores que
deviam estar na cadeia por não exercerem o seu papel de mestres nem de
educadores.
Também
vimos Escolas Rotary exemplares, bem cuidadas, as crianças alegres,
uniformizadas, orgulhosas ao cantarem o Hino Nacional, em que o ensino funciona
magistralmente, sob as vistas e a atenção de rotarianos dedicados.
É
preciso rever esses convênios que funcionam mal, cobrar responsabilidades, até
o aluguel, se for o caso, por que não?
Eu
pergunto: será que nós estamos agindo corretamente, deixando para lá?
O
que é que nós podemos fazer? Eu sugiro o seguinte, mas é preciso que todos os
companheiros participem: que o nosso clube de Rotary, como representante da
sociedade civil organizada, como instituição de utilidade pública que é, como a
maior ONG e de maior prestígio e credibilidade, mediante autorização, entre
naquela escola, que um companheiro entre numa sala e procure assistir às aulas.
Vá olhar, assistir, fique lá uma manhã, tome conhecimento do que se passa nas
salas de aulas, se as professoras comparecem, se ensinam, procure sentir na
pele os problemas. Só fazer uma visita, passando de passagem, meia hora, de
nada adianta. É ficando dentro da sala de aula, verificando como se comportam
aquelas professoras, como é que se comportam os alunos, só assim, só dessa
maneira, nós podemos mudar alguma coisa. Somente indo lá, onde estão as
crianças, vendo, vivendo e aprendendo, sentindo na pele, do contrário vai tudo
continuar como dantes, no quartel de Abrantes.
Constatadas
as deficiências ou irregularidades, o clube pode fazer um ofício ao Secretario
de Educação com cópia para o diretor da escola, mandar para o Ministério
Público, e até para imprensa, se entender, denunciando o que for necessário,
pedindo providências. Do contrário, aquelas crianças vão continuar ciscando a
terra, como galinhas, não vão se desenvolver, aprender a ganhar o pão de cada
dia de maneira honesta, exercer o seu papel de águias, divinas, participando do
mundo. Serão sempre galinhas a escavar a terra. E pior, muitas dela poderão ser
aliciadas pela marginalidade, pelo tráfico de drogas, e serem levadas ao
caminho da morte e da destruição.
Contudo,
se nós estivermos lá dentro da escola, vendo, vivendo e aprendendo,
então nós podemos fazer muito, em benefício de um número cada vez maior de
crianças.
DUAS MULHERES E AS NOVAS GERAÇÕES
DUAS MULHERES E AS
NOVAS GERAÇÕES
Alberto Bittencourt
Escrito em março de 2006, antes do terremoto
que devastou o Haiti e vitimou nossa Zilda Arns.
que devastou o Haiti e vitimou nossa Zilda Arns.
O dia 08 de março de cada ano é consagrado como Dia Internacional
da Mulher. Gostaria de render uma homenagem à mulher brasileira. Faço-o, na
pessoa de duas líderes femininas que
estão fazendo a maior diferença em nosso querido Brasil. São duas mulheres
merecedoras dos maiores encômios, das maiores reverências. Duas mulheres que,
pelo exemplo, pelo comportamento, pelas ações, dão uma prova contundente de que
é possível resgatar as crianças da encruzilhada da vida, mostrar-lhes o caminho do bem, dar-lhes a tão sonhada oportunidade
de crescer com dignidade, para que, no futuro, possam ganhar a vida de maneira
honesta.
Viviane Senna, a presidente do Instituto Ayrton Senna,
está mudando a face do ensino público no Brasil.
Zilda Arns, organizadora e coordenadora da Pastoral da
Criança, já reduziu em mais de 40% os índices de mortalidade infantil no
país.

Viviane Senna gerencia e aplica na melhoria do ensino
fundamental das Escolas Públicas o legado de Ayrton Senna, nosso tri-campeão
mundial de Fórmula 1, o herói que projetou o nome do Brasil para as gerações do
mundo inteiro.
O Instituto Ayrton Senna, com os programas "Se
Liga" e "Acelera Brasil" já beneficiou mais de 3 milhões
de crianças, com recursos aplicados de cerca de 36 milhões de dólares em 500
cidades brasileiras, em 24 estados da federação.
Ayrton Senna, neste 21 de março de 2006, completaria
46 anos de idade. Todo o país chorou naquele trágico 1. de maio de 1994, no
circuito de Ímola. Mas o homem que tanto orgulho trouxe a todos nós
brasileiros, não nos deixou. Está mais vivo do que nunca, presente no Brasil
inteiro. Pouco antes do acidente fatal, ele havia confiado à sua irmã, o desejo
de empreender uma obra de longo alcance pelas crianças desfavorecidas.
Viviane Senna, mãe de três crianças, que, dois anos
após a morte do irmão, perdera também tragicamente o marido num acidente de
moto, sufocou a depressão. Em lugar de se fechar em seu mundo, resolveu
consagrar a vida às crianças carentes, fazer a vontade de seu irmão.
Dentro do programa "Se Liga", do Instituto
Ayrton Senna, crianças em poucos meses aprendem a ler, interpretar textos,
escrever, fazer as operações aritméticas básicas. No "Acelera Brasil"
as que ficavam marcando passo, defasadas de 2 a 4 anos em relação à idade, em apenas 1 ano
se recuperam, passam a ter um progresso rápido.
O Instituto Ayrton Senna já firmou convênio com cinco
estados brasileiros, entre eles Pernambuco. Os resultados obtidos pela
atuação inovadora e eficaz são reconhecidos pela UNESCO.
Viviane Senna adquiriu tal competência em matéria de
desenvolvimento humano, que o presidente Lula quis fazer dela um de seus
ministros, mas Viviane prefere agir fora da burocracia, em total liberdade.
Agora pergunto: Por que a educação funciona com o
Instituto Ayrton Senna e não funciona com o chamado Ensino Regular das Escolas
Públicas? Se ambos utilizam os mesmos professores, as mesmas
instalações, as mesmas crianças , os mesmos meios, por que o Ensino Público não
consegue fazer o mesmo ?
A receita nós sabemos:
1. capacitação,adequada,
2. supervisão
permanente,
3. avaliação
constante.
4. motivação elevada.
Os ingredientes, nem sempre estão disponíveis:
1. seriedade,
2. patriotismo,
3. amor
4.
dedicação.
Zilda Arns, com as voluntárias da Pastoral da Criança,
já salvou a vida de mais de 2 milhões de crianças. Ela ensina e fornece
alimentação alternativa, transmite cuidados essenciais, como o soro caseiro, dá
noções de higiene às mães e filhos, promove inúmeras atividades educativas e de
recreação. Eu e Helena provamos da multimistura,
das maravilhosas receitas, tão simples, nutritivas, saborosas, na base de
cascas de melancia e outras frutas.
Os resultados da Pastoral da Criança tornaram Zilda
Arns merecedora de concorrer ao Prêmio Nobel da Paz em 2001, indicada que foi,
pelo governo brasileiro.
Uma coisa devemos refletir: o programa de Zilda Arns
tem a participação ativa, constante, dedicada, de mais de 250.000 voluntários,
a maioria mulheres. Elas estão presentes, trabalhando, ensinando às mães e às
crianças a forma correta de se alimentar, de preparar e aplicar o soro caseiro,
os cuidados a ter com a higiene pessoal. Elas estão mudando as condições de
vida daquelas famílias.
Agora, outra pergunta para reflexão: Como é que Zilda
Arns consegue mobilizar mais de 250.000 voluntários para um trabalho permanente
e constante e nós, do Rotary Club, temos às vezes a maior dificuldade em
conseguir 10 minutos que seja, de um companheiro? Os 250.000 voluntários
da Pastoral da Criança estão lá, dando seu tempo, sua energia, sem receber nada
em troca.
O comunicador e motivador, comp César Romão em
magnífica palestra-show no Instituto Rotário de Cuiabá, nos deu a resposta:
porque Zilda Arns transformou a missão em que acreditava e na qual mergulhou,
numa CAUSA. Ela abraçou, defendeu, lutou por essa CAUSA e
com isso ela foi seguida por uma legião de voluntários. Se nós não
transformarmos o nosso Rotary numa CAUSA
igual a essa, nós vamos permanecer marcando passo, sem sair do lugar, completou
César Romão.
Então, companheiros, as luzes se acendem, a esperança
está de volta.
Registro assim, nas pessoas de Viviane Senna e Zilda
Arns a minha homenagem à mulher brasileira pelo transcurso do seu Dia
Internacional da Mulher.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
A ÁGUIA E A GALINHA
A ÁGUIA E A GALINHA
(Parábola sobre as Novas Gerações)
Alberto Bittencourt - setembro de 2012
Leonardo Boff no livro “A Águia e a Galinha” relata uma das parábolas mais bonitas de
autoria de James Aggrey:
"Um fazendeiro encontrou na floresta um filhote
de águia. Recolheu, levou e colocou no galinheiro, junto com as galinhas, e
começou a alimentar com milho e ração de galinha. O filhote foi crescendo no
meio das galinhas, adquirindo seus hábitos, ciscando a terra como se fosse
galinha, embora a águia fosse o rei/ rainha de todos os pássaros.
Cinco anos depois, ela tinha o comportamento de
galinha, vivia como galinha, comia como galinha, inclusive cacarejava como
galinha.
Um dia um naturalista passou pela fazenda e observando
o galinheiro, disse: Esse pássaro aí não
é uma galinha, é uma águia.
De fato, disse
o fazendeiro, ela nasceu águia, mas hoje
é uma galinha. Foi criada como galinha, vive como galinha e se comporta como
galinha. Tem os hábitos de uma galinha.
Não, retrucou
o naturalista. Ela é e sempre será uma águia, pois tem o coração de águia e
ninguém pode contrariar a sua natureza. Esse coração a fará um dia voar às
alturas. Eu vou provar a você que ela é uma águia.
Não, não,
insistiu o fazendeiro. Não é possível.
Ela virou galinha e jamais voará como
águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou
a águia, ergueu-a bem alto e
desafiando-a, disse: Já que de fato você
é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e
voe!
A águia viu as galinhas no chão, pulou para junto
delas e voltou a ciscar os grãos.
O fazendeiro comentou: eu não falei que era uma galinha? Ela não é mais águia, ela virou uma
simples galinha!
Mas o naturalista tornou a insistir: Não, ela tem no coração a natureza da águia.
Vamos leva-la para cima de casa e você vai ver que ela vai se tornar águia
novamente.
Ele a levou para o telhado da casa e sussurrou-lhe: Águia, abra suas asas e voe! Mas quando a
águia viu lá em baixo as galinhas no chão, pulou e voltou a ciscar no meio
delas.
O fazendeiro disse: Tá vendo só o que eu disse? Ela é e sempre será uma galinha.
Mas o naturalista não se conformou. Não, afirmou. Amanhã nós vamos lá no alto daquela montanha e você vai ver que ela
não é uma galinha, é uma águia.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram
bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos
homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.
O naturalista ergueu a águia para o alto e
ordenou-lhe: Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia tremia feito vara verde, mas não voou. Então o
naturalista segurou-a firmemente bem na direção do sol, para que seus olhos
pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Você é uma águia,
voe! E a lançou contra o sol. Nesse momento a águia abriu
as suas asas de quase três metros de envergadura, grasnou como as águias e
ergueu-se soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a
voar cada vez para mais alto. Voou...voou... até confundir-se com o azul do
firmamento."
Esta parábola
ilustra que nós temos o dever como rotarianos de resgatar nos homens a
águia que existe dentro de cada um, para que eles não fiquem o resto de suas
vidas a ciscar a terra feito galinhas, para que eles possam exercer a sua
natureza divina e rica e desempenhem o seu verdadeiro papel na Terra.
Um jovem normal pode crescer num ambiente deturpado pela miséria, pela violência, pela marginalidade. É nosso dever, como rotarianos, trabalhar para libertar a águia que habita o coração desse jovem, para que ele possa ser liberto, atender ao chamado das alturas, voar em busca do sol, em lugar de passar a vida a ciscar a terra como as galinhas.
CIVISMO, CIVILIDADE, CIVILIZAÇÃO
CIVISMO, CIVILIDADE, CIVILIZAÇÃO
Alberto Bittencourt - novembro de 2012
Meu avô, que foi quem me criou, sempre dizia: "Os princípios de cidadania se aprendem e se praticam desde cedo, em casa, na escola, na sociedade".
Ele me ensinou, pelo exemplo, a respeitar o próximo, a seguir limites e regras do convívio social, a ter disciplina comigo mesmo.
De origem humilde, o general Amaro Bittencourt galgou os mais altos postos da carreira militar, desprovido de ambições pessoais, mas eivado de amor à Pátria, ao Exército, à Família. Em homenagem e agradecimento aos brasileiros de sua extirpe, para quem a prática da cidadania é algo normal e natural, dedico o presente artigo.
Alberto Bittencourt
Os princípios da cidadania constituem o conjunto dos direitos e deveres do homem. Eles formam o que se chama de cidadão. É onde a política se distancia da ética ou moral.
O que é ser cidadão? É ser membro de um Estado, ou de uma sociedade politicamente organizada. O cidadão participa do poder soberano do Estado, o que lhe confere direitos específicos e se mantém submisso a esse mesmo Estado, o que lhe confere deveres específicos.
Os deveres do cidadão se apóiam no tripé: civismo, civilidade, civilização.
Civismo é aquilo que cada um de nós deve ao Estado ou ao povo soberano do qual fazemos parte. O civismo está entre os mais importantes deveres do cidadão. Significa não apenas se submeter à lei, que é o mínimo que se poderia exigir, mas ainda zelar pela sua elaboração, pela sua aplicação, pela sua proteção. Todo cidadão deve lutar democraticamente para transformá-la caso a julgue má ou injusta. é o que se chama de civismo.
Civilidade é outra coisa: ela implica em se submeter às mínimas regras do convívio social. Está mais ligada à moral e à ética do que à política, o que a faz ser tão necessária. Ela não bastaria ao civismo, mas o civismo sem a civilidade, não seria senão uma abstração.
Civilização, aqui empregada no sentido de polidez, boas maneiras ou boa educação, se refere ao relacionamento entre indivíduos. Está ao lado do refinamento, da distinção, do comportamento cortês e atencioso. Ser uma pessoa respeitosa, responsável e uma companhia agradável é dever do ser civilizado. A polidez se situa nos encontros, é mais uma conduta moral que coloca o egoísmo no seu devido lugar,
Em resumo:
Civismo é o que se deve ao Estado, isto é, à sociedade politicamente organizada.
Civilidade é o que se deve à coletividade, a quem vive no Estado.
Polidez é o que se deve ao indivíduo.
Os deveres do cidadão nunca foram tão vilipendiados como nos dias de hoje:
_ O civismo necessita ser urgentemente restaurado.
_A palavra civilidade está cada vez mais rara.
_A falta de polidez se expande com grande velocidade.
São males de nossa época, sintomas de uma sociedade doente.
A falta de civismo é negar o estado de direito, pode ir do delito ao crime.
A falta de civilidade ou incivilidade é uma distorção comportamental. é negar os outros, negar a sociedade.
A falta de polidez ou impolidez não é senão a falta de educação. é no fundo a negação de si mesmo.
Enquanto a impolidez se expressa pela falta (de atenção, de respeito, de delicadeza, de educação), a incivilidade se expressa pelo excesso (de egoísmo, de vaidade, de violência, de brutalidade, de egocentrismo).
_Insultar o fiscal é falta de civilidade.
_Deixar de transmitir um recado é falta de polidez.
_Perturbar os vizinhos com um som ensurdecedor é falta de civilidade.
_Falar aos berros no celular dentro do elevador é falta de civilidade.
_Não se desculpar quando involuntariamente se esbarra em alguém é falta de polidez.
_Furar a fila de espera é falta de civilidade.
_Deixar de dizer "por favor" ou "obrigado" é falta de polidez.
_Avançar o carro pelo acostamento ou estacionar em locais reservados aos idosos é falta de civilidade.
_Estacionar o carro prendendo outros carros é falta de civilidade.
_Não respeitar os professores é falta de civilidade.
_Adquirir produtos contrabandeados ou pirateados é falta de civismo.
Vê-se que as fronteiras dos deveres da cidadania são tênues. Todas têm em comum deixar de manifestar o respeito que uns devem aos outros. Todas ultrapassam os limites do comportamento ético e responsável.
Civismo, civilidade, civilização: três deveres, três maneiras de viver em coletividade. Eles são muito necessários. É o que se chama, ou se resume como cidadania.
É na cidadania onde se encontram os direitos e deveres do homem. é na cidadania que se forma a base da civilização de hoje. O contrário da cidadania é a barbárie.
O que é ser cidadão? É ser membro de um Estado, ou de uma sociedade politicamente organizada. O cidadão participa do poder soberano do Estado, o que lhe confere direitos específicos e se mantém submisso a esse mesmo Estado, o que lhe confere deveres específicos.
Os deveres do cidadão se apóiam no tripé: civismo, civilidade, civilização.
Civismo é aquilo que cada um de nós deve ao Estado ou ao povo soberano do qual fazemos parte. O civismo está entre os mais importantes deveres do cidadão. Significa não apenas se submeter à lei, que é o mínimo que se poderia exigir, mas ainda zelar pela sua elaboração, pela sua aplicação, pela sua proteção. Todo cidadão deve lutar democraticamente para transformá-la caso a julgue má ou injusta. é o que se chama de civismo.
Civilidade é outra coisa: ela implica em se submeter às mínimas regras do convívio social. Está mais ligada à moral e à ética do que à política, o que a faz ser tão necessária. Ela não bastaria ao civismo, mas o civismo sem a civilidade, não seria senão uma abstração.
Civilização, aqui empregada no sentido de polidez, boas maneiras ou boa educação, se refere ao relacionamento entre indivíduos. Está ao lado do refinamento, da distinção, do comportamento cortês e atencioso. Ser uma pessoa respeitosa, responsável e uma companhia agradável é dever do ser civilizado. A polidez se situa nos encontros, é mais uma conduta moral que coloca o egoísmo no seu devido lugar,
Em resumo:
Civismo é o que se deve ao Estado, isto é, à sociedade politicamente organizada.
Civilidade é o que se deve à coletividade, a quem vive no Estado.
Polidez é o que se deve ao indivíduo.
Os deveres do cidadão nunca foram tão vilipendiados como nos dias de hoje:
_ O civismo necessita ser urgentemente restaurado.
_A palavra civilidade está cada vez mais rara.
_A falta de polidez se expande com grande velocidade.
São males de nossa época, sintomas de uma sociedade doente.
A falta de civismo é negar o estado de direito, pode ir do delito ao crime.
A falta de civilidade ou incivilidade é uma distorção comportamental. é negar os outros, negar a sociedade.
A falta de polidez ou impolidez não é senão a falta de educação. é no fundo a negação de si mesmo.
Enquanto a impolidez se expressa pela falta (de atenção, de respeito, de delicadeza, de educação), a incivilidade se expressa pelo excesso (de egoísmo, de vaidade, de violência, de brutalidade, de egocentrismo).
Exemplos:
_Fraudar o fisco é falta de civismo._Insultar o fiscal é falta de civilidade.
_Deixar de transmitir um recado é falta de polidez.
_Perturbar os vizinhos com um som ensurdecedor é falta de civilidade.
_Falar aos berros no celular dentro do elevador é falta de civilidade.
_Não se desculpar quando involuntariamente se esbarra em alguém é falta de polidez.
_Furar a fila de espera é falta de civilidade.
_Deixar de dizer "por favor" ou "obrigado" é falta de polidez.
_Avançar o carro pelo acostamento ou estacionar em locais reservados aos idosos é falta de civilidade.
_Estacionar o carro prendendo outros carros é falta de civilidade.
_Não respeitar os professores é falta de civilidade.
_Adquirir produtos contrabandeados ou pirateados é falta de civismo.
Vê-se que as fronteiras dos deveres da cidadania são tênues. Todas têm em comum deixar de manifestar o respeito que uns devem aos outros. Todas ultrapassam os limites do comportamento ético e responsável.
Civismo, civilidade, civilização: três deveres, três maneiras de viver em coletividade. Eles são muito necessários. É o que se chama, ou se resume como cidadania.
É na cidadania onde se encontram os direitos e deveres do homem. é na cidadania que se forma a base da civilização de hoje. O contrário da cidadania é a barbárie.
MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA
MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA
Resoluções de Ano Novo
Alberto Bittencourt - De meu diário, em
dezembro de 2007Resoluções de Ano Novo
Dentre minhas resoluções para este novo
ano, a mais importante, será mostrar realmente meu interesse pelos amigos e
parentes, os que me são caros.
Às vezes, um simples telefonema pode fazer
uma grande diferença. Não basta pensar neles apenas, nem simplesmente responder
convencionalmente a um e-mail, é preciso mostrar que me interesso. O saudoso
companheiro José Christóvam Guerra, do Rotary Club do Recife-Boa Viagem, dizia:
a distância nunca separa amigos que se
interessam. É uma grande verdade. É a única forma de manter os laços
apertados, aquecidos com amizade, com calor humano, com sentimentos de afeto. É
abrir o coração e mostrar nosso amor e respeito, para isso, é preciso tomar a
iniciativa, partir em direção aos amigos, à família. Foram tantos os que nos
telefonaram, de muitos, a gente nem esperava o gesto carinhoso, a atenção. Se
eu pudesse ainda escrever uma mensagem de Natal, eu diria: Mostre que você se interessa, parodiando o lema antigo de Rotary:
"Mostre que Rotary se interessa."
Mostrar aos amigos que você se interessa
por eles, significa que, mesmo os seus planos, podem ser modificados em favor
de cada um deles, que você está disponível para ajudá-los, que eles podem
contar com você, com sua atenção, com sua abundância e com o seu tempo. Que
prova maior de amizade pode haver do que você mudar sua rotina, alterar seus
planos, parar o que estava fazendo, enfim, mudar sua vida para ajudar e atender
um amigo? Tenham a certeza de que este gesto, mesmo que pequeno, fará uma
enorme diferença – faz com que você se torne realmente um amigo.
A verdadeira amizade vem da alma, do
interior de cada ser, lá do coração. É o encontro de dois espíritos afins que
se afinam em pensamentos, sentimentos e vontades. A verdadeira amizade
independe da razão, vem lá de dentro do nosso eu, superior, sensível e divino.
Nós crescemos junto com nossas amizades, a
cada gesto de interesse, de carinho. Em pouco tempo vemos transbordar nosso
sentimento e vai envolvendo todos aqueles que nos rodeiam, como uma onda
luminosa que emana de nosso coração.
Mostre
que você se interessa, pelos planos, pelas metas e objetivos
do outro, mostre que você é parte deles, só assim você realmente fará parte do
grupo. Mostre que nossa passagem em suas vidas não foi em vão, deixou uma marca
profunda, uma esteira de alegria, que nós os conquistamos e somos responsáveis
por essa conquista, tal qual o Pequeno Príncipe. Nada é mais importante que os
amigos e a família que Deus colocou em nosso caminho. É este o nosso verdadeiro
patrimônio, que devemos manter e revigorar, que devemos demonstrar que sempre
podem contar conosco, com nosso apoio e com nossa amizade.
Fica aqui registrada minha mais forte
resolução para 2007: Mostrar que me interesso pelos amigos e pessoas que amo.
Será que ainda dá tempo?
A CASA DE MEUS AVÓS
A CASA DE MEUS AVÓS
Alberto Bittencourt - Junho 2012
21 de janeiro de
1942. O jornal "Diário da Tarde", de Curitiba, PR, estampou na primeira página
entrevista com meu avô, general Amaro Soares Bittencourt, recém chegado dos
Estados Unidos, onde exercera as missões de chefe da Comissão de Compras, Adido
Militar da Embaixada do Brasil, chefe da Comissão Militar Brasileira e de
representante na Junta Interamericana de Defesa. Assim começa a entrevista, cujo teor
abordarei em outra oportunidade:
Reside o general
Amaro Bittencourt numa das ruas mais tranquilas do bairro da Tijuca, onde não
chegam os ruídos dos bondes. Lá, onde os ventos descem por todos os lados, a mata
próxima e o sossego guardam, na rua serena e deserta, um delicioso ar campestre.
A casa da rua
Raiz da Serra, 17, na Usina da Tijuca, mandada construir quando de seu retorno, reflete o temperamento reservado
de meu avô. Após sua passagem para a reserva do Exército, retirou-se em
definitivo da vida pública, tendo recusado inúmeros convites para se candidatar ou
mesmo assumir cargos executivos. A tranquilidade da nova casa deu-lhe a chance de se dedicar ao que mais gostava: o radioamadorismo.
Ainda hoje
existente, situa-se a casa no sopé da serra da Tijuca, onde o bonde
66 – Tijuca – fazia a volta, para iniciar a descida pela rua Conde de Bonfim.
No local existira outrora uma usina termoelétrica, origem do nome do bairro. Lá
começa a avenida Edison Passos, galgando a encosta, quase por dentro da
Floresta da Tijuca, até o Alto da Boa Vista. Nesse ponto onde termina a
avenida, começa a estrada das Furnas, em declive pelo outro lado do morro, até
desembocar nos areais de uma Barra da Tijuca ainda inexplorada. A casa de meus
avós é o retrato de uma época que não volta mais.
Construída em
terreno não muito grande, com dois pavimentos, tinha na frente jardins
gramados, onde pontificava um jasmineiro, sempre ornado de flores brancas de
aroma forte e adocicado, do qual minha mãe Elyette não podia se aproximar,
pois, alérgica, ficava com o corpo todo empolado. Minha avó Olga cultivava esses
jardins com o maior esmero. Quando algum neto arrancava uma folha, ela dizia
que as plantinhas eram como as pessoas, sofriam, sentiam dores. Com cuidado fazia mudas, plantava e
replantava, para exibir com orgulho às amigas. Samambaias choronas, pendentes
do teto ao chão, causavam a maior admiração. Dentes de leão, rainhas da noite (desabrochavam
esplendorosas no crepúsculo, para morrerem ao amanhecer), copos de leite, antúrios,
orquídeas, hortênsias, espadas de são Jorge, margaridas, violetas eram sua
paixão. Junto aos muros, emoldurando o quintal, a bela emília desprendia
pequeninas flores azuis que grudavam nas roupas. Havia ainda as coroas de
Cristo, espinhosas, de flores vermelhas, a delimitar os jardins.
No terraço dos fundos, à sombra da bela mangueira espada, pequeninas garrafas com água açucarada e bico em forma de flor serviam de bebedouros para beija-flores de variados matizes. Meu primo Amaro Hertz certa vez teve a ideia de misturar cachaça nessa água, para ver se os colibris ficavam doidões. Mas a experiência foi frustrada, pois as avezinhas, sabidas, sequer se aproximaram. Ficaram gravados em nossas mentes pueris a beleza das borboletas e, vez por outra, o voo atemorizante de abelhas e marimbondos.
No terraço dos fundos, à sombra da bela mangueira espada, pequeninas garrafas com água açucarada e bico em forma de flor serviam de bebedouros para beija-flores de variados matizes. Meu primo Amaro Hertz certa vez teve a ideia de misturar cachaça nessa água, para ver se os colibris ficavam doidões. Mas a experiência foi frustrada, pois as avezinhas, sabidas, sequer se aproximaram. Ficaram gravados em nossas mentes pueris a beleza das borboletas e, vez por outra, o voo atemorizante de abelhas e marimbondos.
Na varanda da
casa, chamavam a atenção dos visitantes duas portas em folhas duplas, com
postigos de cristal bisotê, um requinte para a época. Meu avô trouxera dos
Estados Unidos o que havia de mais moderno em maquinário doméstico, com
destaque para a calandra, máquina de passar roupas de rolo, que a vó Olga
operava usando os joelhos com destreza ímpar.
No andar superior
tinha a biblioteca, com muitos livros autografados, presentes dos autores.
Havia também um apartamento destinado a quebrar galhos de filhos e netos e o
escritório, onde funcionava o shack, estação de radioamadorismo. Era repleto
de equipamentos, como o moderno receptor transistorizado e um pesado transmissor
a válvulas, a principal, lembro bem, tendo o tamanho de uma garrafa. Projetado e
montado por meu avô, esse radiotransmissor resultara num livro didático, com fotos,
ábacos e explicações, cujos originais ainda guardo em meus arquivos e que,
infelizmente, não chegou a ser editado.
Pioneiro do radioamadorismo, meu avô tinha um nome conhecido e respeitado no Brasil, não apenas como chefe militar. Ele implantara e organizara no Exército Brasileiro o Serviço de Transmissão, embrião da arma de Comunicações. No shack empunhava o pesado microfone, para se comunicar com o mundo, identificando-se pelo prefixo PY-1AV que ele bramia por extenso:
PY-1
ANTENA–VÁLVULA chamando!
PY-1
AMÉRICA–VENEZUELA na escuta!
Aos que pensam que o radioamadorismo tornou-se obsoleto, vale dizer que, ainda hoje, ele é muito praticado e continua prestando grandes serviços à humanidade.
1947 - Almoço dominical. Da esq p dir: meu irmão Claudio, tio Hertz, tia Eny, vó Olga, primo Amaro Hertz, vô Amaro, eu, minha mãe Elyette, meu pai Kelvin e tio Ajax
Vó Olga reinava
absoluta nesse ambiente. Com ternura e energia ela comandava não somente as
empregadas, mas todos nós, marido, filhos, noras e netos. Com um avental, imprescindível
indumentária de trabalho, ela era onipresente. Usava o acessório para segurar
um prato quente, abanar o fogo, enxugar as mãos, limpar a face de um neto,
proteger, envolver e dar carinho, recolher e transportar frutas e legumes. Era
sempre ela quem, pessoalmente, preparava as deliciosas iguarias dominicais, a
família reunida, meu avô de terno e gravata à cabeceira da mesa. De suas mãos
saiam coisas que eu nunca mais esqueci: o peixe assado com recheio de farofa
úmida, o bife à milanesa, do tamanho de um prato. Em ocasiões especiais,
preparava quitutes mais complicados, sempre por intuição, sem precisar
consultar livros de receitas, como vatapá, rabada ou mocotó, isso, se deixarmos de lado as
sobremesas. A minha preferida era a ambrosia, verdadeiro néctar dos deuses.
Quando alguém lhe perguntava onde adquirira tamanha arte, respondia, com a simplicidade
dos mestres: a necessidade ensina.
Realmente, a história da moça carioca, casada aos quinze anos com um jovem tenente de engenharia, que foi para o meio do mato no interior do Rio Grande do Sul morar num acampamento de construção de estradas de ferro, certamente daria um bom romance.
Realmente, a história da moça carioca, casada aos quinze anos com um jovem tenente de engenharia, que foi para o meio do mato no interior do Rio Grande do Sul morar num acampamento de construção de estradas de ferro, certamente daria um bom romance.
Meu avô nunca metia a mão na cozinha.
Assim os homens da família foram criados: cozinha
é lugar de mulher! O resultado é que eu nem mesmo aprendi a fazer um
simples ovo frito. Bons tempos aqueles, da casa de meus avós.
SOCIEDADE MIDIÁTICA
SOCIEDADE MIDIÁTICA
Alberto Bittencourt - julho de 2009
Alberto Bittencourt - julho de 2009
Um boi indo beber água num charco pisou uma ninhada de rãs e esmagou uma delas.
A mãe das rãs veio e, dando pela falta de um dos seus filhos, perguntou aos seus irmãos o que havia acontecido.
- Ele foi morto mãe. Ainda há pouco uma grande besta com quatro enormes pés veio à lagoa e pisou-o com a sua pata que era rachada no meio.
A mãe, inchando-se toda perguntou:
- A besta era maior do que estou agora?
- Pare mãe, pare de se inchar - disse o seu filho - e não fique aborrecida, eu lhe asseguro que explodirá antes que consiga imitar o tamanho daquele monstro.
Moral da História:
Muitas vezes, coisas insignificantes desviam-nos a atenção do verdadeiro problema.
Fábula: O Boi e a Rã. Autor: Esopo
Há uma grande transformação no mundo. Vivemos hoje em dia numa sociedade midiática. A mídia hoje desempenha um papel muito mais importante que no passado.
O que tivemos nas últimas décadas, foi um desenvolvimento sem precedentes dos meios de comunicação e de informação. Uma carta, nos tempos de Júlio César, levava dois meses para chegar ao destino, se é que chegava. Há menos de um século, quem estava na França, por exemplo, nada sabia sobre o que se passava na China e vice-versa. Hoje, o que temos é o império das ondas, das redes, dos sites, dos blogs que fazem tour ao redor do mundo, instantaneamente. Um terremoto no Japão, um crash da bolsa do México, uma revolta na Síria, uma guerra aqui, um massacre acolá, a morte de um astro, o desaparecimento de um avião, o lançamento de uma moda, tudo é mostrado diretamente, instantaneamente, de perto. Tudo se instala em nossos monitores, em nossas telas, tudo se mescla em nossas mentes. A imagem da jovem no Iran, em seus momentos de agonia, mostrada pelas TVs do mundo resta viva em nossas consciências.
Dessa mistura de fatos e notícias, com frequência se denuncia a arbitrariedade, a desordem. Tudo o que pode ser moralmente condenável vem à tona. Voyeurismo, diriam uns. O homem passou a ser um espetáculo para o próprio homem. Quando certos interesses são expostos, cunham-se clichês do tipo: espetacularização da mídia, estado policialesco.
Acessos a sites de fontes confiáveis, como jornais, passam a ser cobrados para gerar recursos. Recentemente decidiram publicar na mídia as folhas de pagamentos de servidores públicos, com nomes, cargos e salários. Servirá para mostrar que um ascensorista do Senado pode ganhar mais do que um general de Exército. Ou que um motorista do Congresso pode valer mais do que um piloto de avião a jato. O povo, que paga a conta, tem o direito de saber.
Pelo menos essa mundialização e essa instantaneidade têm seu lado positivo. A verdade torna-se mais disponível, mais visível, mais transparente. Deixam de existir atos secretos, currículos maquiados. Mostrar os fatos como realmente aconteceram, é mais eficiente que a simples denúncia. Isso contraria os interesses dos opressores, dos aproveitadores, dos que se locupletam. É bom mostrar o que os incomoda. Tal aproxima os homens do lado de cá da mídia.
Quando um visinho pede socorro, quem não se sente culpado por não fazer nada? E quem são nossos visinhos de hoje, se as câmaras se multiplicam ao redor do mundo? Que tal constatação complica e torna mais pesada a nossa vida, é evidente.
Como ser feliz quando milhões de homens são oprimidos, deportados, roubados, quando centenas de milhares de homens e mulheres são massacrados, quase que diante de nossos olhos? Como ser feliz se extremistas e terroristas se imolam, levando consigo multidões de inocentes? Como ser feliz se uns são cada vez mais ricos e outros cada vez mais espoliados? Como ser feliz quando a jovem agoniza diante de nós?
Nós nos transformamos graças à mídia. Esta vem com tudo o que queremos e tudo o que não queremos. Somos contemporâneos de todos os acontecimentos. Habitamos no mesmo mundo, no mesmo tempo, no mesmo instante presente. Ter essa consciência nos impede de sermos mais egoístas, nos leva a sermos mais solidários uns com os outros. Graças à mídia.
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