Núbia Mesquita e Alberto Bittencourt |
ARH_ Associação para Restauração do Homem Espaço da Criança |
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Não
há lugar para a prática de política partidária no movimento rotário. Qualquer
cidadão, sendo político, deve se desligar do Rotary, ou sendo rotariano, deve
se desligar da política.
O
Rotary, desde a sua concepção, é um movimento apolítico. Não tem, nem pode ter,
afiliação partidária, tampouco adota credo religioso, nem faz distinção de
raças, classes sociais, ou alimenta sectarismos, sejam eles de que natureza
forem.
Após havermos visitado os 91 Rotary Clubs do Distrito 4500 no segundo semestre de 2004,
ano essencialmente político, com eleições para prefeitos e vereadores
transcorridas no dia 3 de outubro passado, chegamos à conclusão, Helena e eu,
que a filosofia do Rotary está mais certa do que nunca. Ser apolítico como
instituição, é um princípio ético existente desde que o Rotary é Rotary e isso
não pode mudar.
Percorremos
clubes inteiramente desagregados, divididos, perdidos, que praticamente
desapareceram nos meses que antecederam às eleições e, mesmo depois delas
levaram tempo para se recomporem, na tentativa de se recuperarem dos traumas
sofridos.
Vimos
clubes que suspenderam todas as atividades meses antes do pleito e que, somente
por um milagre conseguiram retomar as rotinas normais.
Vimos clubes, que, a
pretexto das eleições, deixaram de funcionar, de cumprir compromissos e nunca
mais se recuperaram, desagregando-se, desmobilizando-se, perdendo-se
definitivamente para o trabalho voluntário do Rotary.
Há
clubes que antes das eleições eram médios, com 20 ou 30 sócios. Depois, o que
restou foram escombros. Restos recompostos do que antes fora um pujante Rotary
Club.
Há
o caso, verídico, daquele tesoureiro de clube, que se candidatou a vereador da
pequena cidade, sem se desincompatibilizar. Perdeu a eleição e o clube perdeu o
companheiro, as finanças e até talões de cheques. Até hoje chora o leite derramado.
O
presidente de outro clube em nosso Distrito foi candidato a prefeito. Então
estava escrita a crônica da morte anunciada. Vinte e quatro sócios, situação
financeira estável,
Quando
a política partidária permeia o clube, quando rotarianos levam para reuniões rotárias suas
preferências eleitorais, a divisão se instala. Desinstala-se a unidade, o
companheirismo. A sobrevida passa a ser curta. Está decretada a morte para mais
cedo ou mais tarde.
E por que isso ocorre?
Simplesmente porque a filosofia do Rotary é incompatível com a política
partidária, nos moldes como ela se desenrola em nosso país, muito
principalmente no interior do nordeste. Estou mais do que convicto dessa
incompatibilidade. Tenho a mais plena certeza de que ou é um, ou é outro. Os
dois, rotariano e político não coexistem. A razão? É que o Rotary prega a
união, enquanto a política divide.
Mas,
por que, essa instituição centenária que, ao completar 100 anos de existência
dá ao mundo uma prova, de sua força e de sua importância, por que, essa
instituição, dinâmica, ágil, evoluída, que não é estática, nem acomodada,
torna-se, de repente, frágil ante as lides e disputas eleitorai?
Creio
que a resposta, simples, é porque a eterna obsessão do ser humano, a mais
louca, mais forte, mais constante paixão que acomete o homem, não é o trabalho
voluntário, muitas vezes anônimo, não é a fraternidade, o amor ao próximo. O
que move os homens, mais até do que o sexo, é a disputa pelo poder. É da
natureza humana. Todos querem sentir o gosto do poder, ter poder, cada vez
mais, definitivamente, sentir-se poderoso, sentir-se autoridade.
Aí está a grande diferença. Segundo afirmou o ex-presidente do Rotary, Jonatan Magiaby:
Em Rotary, ninguém tem poder,
ninguém tem autoridade. O que nós temos em Rotary são diferentes níveis de
responsabilidade.
É essa a principal
diferença entre o ser rotariano, e o ser político.
Mas não é apenas isso. Há
muitas outras diferenças.
Um
rotariano não pode ter inimigos, nem adversários. O rotariano é amigo e
companheiro de todos, indistintamente. Já ao contrário, todo político, seja ele
de bom ou mau caráter, tem inimigos. Mesmo o mais honesto, o mais correto, o
mais devotado à causa pública, o mais voltado para o social, para o povo, nem
por isso vai deixar de ter seus inimigos. São as pessoas interessadas em
derrubá-lo, em usurpar uma fatia de seu poder, em não deixar que cresça, para
que não se transforme
Além
disso, o rotariano, prega a prestação de serviço voluntário, o trabalho
desinteressado em favor do próximo, a ajuda a quem precisa, o fazer o bem sem
olhar a quem, o Olhe mais além de si mesmo. Já o político, tudo o que faz
visa o interesse próprio, visa arranjar votos nas eleições seguintes, aliciar sempre
novos eleitores.
O rotariano prega e pratica sempre a verdade, como um código de ética, em tudo o que pensa, diz e faz. Já no político não se pode confiar. Tem a palavra fácil para prometer o que não cumpre, a parte mais difícil. Todo político, em princípio, não reza pelo primeiro quesito da prova quádrupla, posto que, sempre distorce a verdade dos fatos, colocados ao sabor de seus interesses eleitoreiros.
Já dizia Roberto Campos: Em política o que importa não é o
fato, mas a versão.
O rotariano valoriza o trabalho
em equipe e para tanto, organiza-se em comissões, em grupos de trabalho, para
melhor alcançar os objetivos e metas. Já o político faz complôs. Articula-se em
grupos e grupelhos que variam conforme os interesses do momento. São as famosas
alianças. Os que ontem eram inimigos, adversários ferrenhos, hoje são
confrades, amigos, íntimos e sinceros, verdadeiros “irmãos”.
Assim, o político
conspira, age nos bastidores, na surdina, nas sombras, procura sempre solapar
as bases adversárias, mesmo que, para tanto, precise empregar recursos
fabricados, fictícios, falsos. E ainda se aproveita da mídia, para propalar
inverdades.
Mas a principal diferença é quanto à honestidade. O ex-presidente do Rotary Internacional, mestre Luís Vicente Giay, talhou uma frase lapidar e definitiva.
Disse que a diferença entre o rotariano e o político é que o político privatiza recursos que são públicos, enquanto o rotariano torna
públicos recursos que são privados.
Os
políticos, com raras e honrosas exceções são desonestos. Legislam em causa
própria. Recebem vantagens, propinas, privilégios, para votarem em projetos de
interesses setoriais.
E
ainda há os famosos “fundos de campanha”, chamados FC, um verdadeiro promotor
de enriquecimentos. Esses não se limitam ao período eleitoral, subsistem
durante toda a duração dos mandatos, sejam de que nível forem. Funcionam na
base dos achaques a fornecedores, empreiteiros, prestadores de serviços.
Pelo
dito, estou mais do que convicto que não pode haver político nas fileiras do
Rotary. O político não abraça o ideal, nem a filosofia do Rotary de Dar de si
antes de pensar em si.
Então,
se alguém, em algum clube de Rotary tiver a pretensão de concorrer a qualquer
cargo político, que se desvincule no ano da eleição. Se for eleito, não deve
voltar ao clube. Se perder, talvez, avaliadas as circunstâncias.
Chego a vaticinar: que se
desliguem os políticos, ou algo de muito ruim pode acontecer com os clubes. Os
clubes de Rotary devem afastar, eliminar tudo o que divide, tudo o que separa.
Trazer candidatos para
exporem suas plataformas nas plenárias do clube, como sói acontecer, também
pode ser um equívoco, pode dividir, separar.
Não
quer dizer que, fora do período eleitoral, o político, eleito, consagrado por
seus ideais, não possa vir ao clube como convidado, apresentar seu trabalho em
prol da causa pública.
O Rotary, sendo apolítico, tem credenciais para se aproximar de qualquer governo, seja de que partido for, para pedir e oferecer parceria, visando unicamente, o bem público, ajudar a quem precisa, crianças, jovens em situação de risco, idosos, enfermos, deficientes, comunidades carentes.
O
rotariano alavanca políticas públicas construtivas e age como um fiscal. Onde
houver sinal de malversação de recursos públicos ele usa as ferramentas de que
dispõe: denúncias as Ministério Público, aos Tribunais de Conta, à imprensa.
O
rotariano é um cavaleiro andante na luta contra a concentração de renda neste
país, em que a miséria é uma chaga crescente, exposta. Ele investe contra os
maus políticos e maus administradores públicos, qual Dom Quixote, na luta do
bem contra o mal. Que cada rotariano seja um Dom Quixote, com toda a sua pureza
de intenções e de propósitos, no combate à desonestidade, bradando como no
musical “O Homem de
Sonhar
o sonho impossível
Vencer
o inimigo invencível
Chegar
aonde nem os mais fortes ousaram chegar