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sábado, 11 de junho de 2011
DESARMAMENTO
O Brasil, é um dos países em que a violência tem crescido em índices de 5,5 % ao ano. Se esse índice significasse desenvolvimento, estaríamos no patamar das nações mais desenvolvidas do mundo.
Lamentavelmente a nossa imagem não é das melhores. Temos entre 2 a 3% da população mundial e entre 12 e 13% das vítimas mundiais por armas de fogo. São dados da Campanha da Fraternidade de 2005, que não nos deixam mentir.
Triste imagem a do Brasil, campeão de índices de morte por armas de fogo. A cada 13 minutos um nosso irmão está morrendo, vítima de arma de fogo.
Em média, são 50 mil vítimas por ano, a maioria com idade entre 18 e 24. Um verdadeiro genocídio. A população jovem masculina neste país está sendo dizimada, a tal ponto que, segundo o IBGE, mudou o perfil populacional do País, reduzindo o número de homens em relação ao de mulheres. É uma situação similar à de um país em guerra, quando a grande mortalidade de homens jovens altera o equilíbrio numérico entre os sexos. E em conseqüência, os costumes.
Um jovem de 20 e poucos anos que morre vítima de arma de fogo, leva consigo todo um investimento do estado, em educação, em saúde, todo esse dinheiro escoa pelo ralo, nas guerras entre grupos de traficantes, nos embates com a polícia, numa sociedade em que as opções de vida honesta são poucas, onde permeia o desemprego onde a juventude se afunda na miséria, na falta de oportunidades.
Nos últimos 10 anos, 500.000 pessoas foram assassinadas neste país. Quase 10 vezes mais do que em 12 anos de guerra do Vietnan, quando morreram 58.000 soldados norte-americanos. Mata-se mais neste país que nos EUA, que é considerado um país armado. Mata-se mais neste país que na China, com 1,3 bilhões de habitantes. Mata-se mais neste país que na Índia, que tem 1,2 bilhões de habitantes.
Não podemos nos conformar. Não temos o direito de ficar omissos ou indiferentes.
O contrário de paz não é a guerra, o contrário de paz é a omissão e a indiferença.
Martin Luther King, prêmio Nobel da Paz, disse:
"O que me assusta não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos homens de bem"
Os homens do bem são tímidos, os homens do mal são ousados. Quatro homens do mal trocam dois olhares e formam uma quadrilha para praticar assaltos. Os homens de bem ficam conjeturando, enrolados em burocracia, fazendo discursos. Citam estatísticas em intermináveis reuniões mas esquecem tudo quando termina o evento. Não nos mobilizamos para a ação, para fazermos o que é preciso para mudar esse quadro de violência. Nós temos que levar adiante tudo o que se apregoa nas plenárias rotárias, em fóruns, seminários, conferências, não podemos ficar só nos palavrórios, nas boas intenções, sem sair da inércia.
Temos que deixar de lado os discursos teóricos e passar da retórica à ação. É preciso fazer alguma coisa, já, aqui e agora. Não podemos nos conformar, não podemos permanecer acomodados, enquanto nossos irmãos estão morrendo lá fora. Temos que mudar esse quadro, deter essa violência crescente que ameaça a todos. Precisamos voltar a olhar para as pessoas nas ruas, para as crianças nos cruzamentos, como seres humanos que são e não como ameaças potenciais.
Como dlsse Martin Luther King:
"Não podemos saciar a sede de justiça no cálice do ódio".
Eu quero fazer um apelo a todos vocês. Vem aí o segundo plebiscito do desarmamento que visa proibir o comércio de armas de fogo no país. Considerando que 57% dos criminosos, autores de assassinatos por arma de fogo nunca tiveram antecedentes criminais (dados da Campanha da Fraternidade), que 57% dos criminosos matam numa discussão de bar, de futebol, em crimes passionais, ou mesmo por descuido ou acidente, o que vemos diariamente nos jornais, se houver o desarmamento da população esses índices cairão para metade. Então nós temos que nos levantar em favor do SIM no referendo.
Existem companheiros, quase 20 milhões de armas de fogo nas mãos da população. A primeira campanha do desarmamento arrecadou 300 mil. Não é nada, e como não existe dinheiro para pagar essas 20 milhões de armas, nós vamos ter que fazer uma campanha, para que haja o desarmamento espontâneo pela própria população, e que o ferro dessas armas seja transformado em matéria prima para fabricação de equipamentos hospitalares, como camas, mesas, utensílios e por que não dizer, na fabricação de distintivos rotários, que são o símbolo da paz?
Vamos nos unir em favor da paz, precisamos nos mobilizar a favor da paz.
Entretanto, não falemos apenas no que se refere aos excluídos, às populações miseráveis, aos marginais. Não nos esqueçamos principalmente do homem que freqüentou escola, que teve instrução, que aprendeu a distinguir entre o bem e o mal, do homem de nível universitário, profissional de carreira, executivo, empresário, juíz, político, banqueiro e todos aqueles que usam colarinho branco, ostentam anel de grau no dedo anular, e que vemos diariamente na televisão responderem por atos lesivos ao bem comum. Talvez sejam eles os maiores culpados pela triste realidade do Brasil de hoje.
Contra esse estado de coisas, se insurge o ROTARY.
É chegada a hora de mostrar a todos que o Rotary é capaz de mudar essa situação.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
TRANSFORME-SE NUM PACIFISTA
TRANSFORME-SE NUM PACIFISTA
Há hoje, no mundo, 14 guerras e conflitosarmados em andamento, que matam centenas de pessoas em diferentes países.
Após um século em que duas guerras mundiais e centenas de outras menores produziram 60 milhões de mortos, deveríamos ser, mais do que nunca, atentos à vida e aos direitos do homem.
Se a paz mundial ainda não chegou, é porque os líderes mundiais ainda não elevaram suas consciências para, em conjunto, numa mútua cooperação, trabalhar pela paz.
O grande objetivo do Rotary é criar a paz,sabendo que ela é possível.
O Rotary trabalha pela paz interior, na razão de ser um instrumento de crescimento e desenvolvimento pessoal, através de seus programas educacionais.
O Rotary trabalha pela paz social, na minoração do sofrimento do próximo, na ajuda a quem precisa, nas famílias, nas comunidades e no mundo, através deseus programas humanitários.
O Rotary trabalha pela paz ambiental, em defesa do meio ambiente, na preservação dos recursos naturais.
Cabe a você, jovem estudante, a você,militante do terceiro setor, a você, membro da sociedade civil organizada, a você profissional, cobrar das instituições e dos governos as ações que se fizerem necessárias para encontrar a paz.
Há cinco maneiras de se transformar numpacifista:
1.Aplique a Prova Quádrupla Rotária.
A maneira mais simples de percorrer oCaminho da Paz é vivenciar e praticar a Prova Quádrupla Rotária, seja notrabalho, na empresa, na família, em sociedade:
“Do que nós pensamos, dizemosou fazemos:
É a verdade?
É justo para todos os interessados?
Criará Boa Vontade e melhores amizades?
Serábenéfico para todos osinteressados?”
2. Seja um ativista social.
É o engajamento político. Participe da política partidária, exerça pressão sobre autoridades, governos, políticos. Participe de manifestações públicas de protesto, campanhas e marchas da Paz. Envie artigos e cartas para jornais, revistas, autoridades. Denuncie os casos de malversação de recursos públicos.
3. Seja um humanitarista.
Trabalhe em apoio às creches e instituições que tiram as crianças da rua, em apoio aos abrigos de idosos, aos centros profissionalizantes, aos centros de deficientes, de recuperação de drogados, aos hospitais, às comunidades carentes. Trabalhe contra a fome, a miséria, o analfabetismo, a ignorância.
4. Realize a transformação pessoal.
Nando Cordel ensinou: “A paz no mundo começa em mim”. A transformação pessoal é adquirir a consciência da paz. É quando você resolve acabar com a guerra pessoa por pessoa.
Deepack Chopra, em seu livro “O Caminho da Paz”, disse; “A tradição religiosa de rezar pela paz começa por acabar com aguerra dentro do coração. Depois, como uma onda de luz, extravasa para a nossa família, para os nossos amigos, para os nossos círculos de relações, alcança os dirigentes de nossa cidade, dos países, do mundo. Se um número suficiente depessoas no mundo se transformarem em pacifistas, teremos uma massa crítica que pode mudar o mundo. A guerra acabaria”.
Foi uma massa crítica de seres humanos que formou as religiões, que aboliu a escravatura do mundo, que acabou com o apartheid e com a discriminação racial.
A eliminação da poliomielite da face daTerra só é possível porque o Rotary formou uma massa crítica que há mais de vinte anos trabalha diuturnamente com esse objetivo.
Todas as tradições espirituais acreditam que a paz precisa viver no coração das pessoas antes que possa existir no mundo exterior.
5. Compartilhesua experiência de paz.
- Compartilhe seu sonho de paz. Converse sobre a paz. Na medida em que um número cada vez maior depessoas participarem desse compartilhamento, sua massa crítica surgirá.
- Compartilhe sua experiênciade paz por e-mail, por telefone, nos jornais, revistas, na mídia.
- Compartilhe a consciência da paz com outras pessoas, na família, na escola, no trabalho.
- Compartilhe sua gratidão pelo fato de outra pessoa encarar a paz com tanta seriedade quanto você.
- Compartilhe suas idéias para ajudar o mundo a ter paz.
- Compartilhe sua energia, sua força, sua abundância para ajudar qualquer pessoa que deseje se tornar um pacifista.
Organize fóruns de discussões. Transforme seu Rotary Club em círculos no qual todos tenham a chance de falar no seu desejo de promover a paz. Que cada clube se transforme numa “Célula da Paz”, num grupo que deseja promover a paz nas ruas, nas escolas, nascomunidades.
A paz é uma visão íntima, de cada um, invisível, oculta. No momento, é apenas uma centelha que queima em nosso peito. Em algum momento essa centelha se incendiará e juntará com outras centelhas que também se incendiarão e teremos então a grande chama. A chama da Paz Universal.
terça-feira, 29 de março de 2011
INCOMPATIBILIDADE FATAL
Nesse período eleitoral, percorremos clubes inteiramente desagregados, divididos, perdidos.
Vimos clubes que suspenderam todas as atividades meses antes do pleito e que, somente por um milagre conseguiram retomar, posteriormente. O que restou foram escombros, restos recompostos do que antes fora um pujante Rotary Club
Encontramos clubes que nunca mais se recuperaram. Perderam-se definitivamente para o trabalho rotário.
Há o caso daquele tesoureiro de clube que se candidatou a vereador da pequena cidade, sem ter se desvinculado das funções rotárias. Perdeu a eleição e o clube perdeu o companheiro, as finanças, talões de cheques e documentos. Até hoje chora a ética esquecida.
E pior. Quando um presidente de clube candidatou-se a prefeito, escreveu-se a crônica da morte anunciada. Havia nesse clube outros companheiros candidatos a vereadores. O presidente não se elegeu, gastou o que podia e o que não podia. Botou a culpa nos rotarianos, divididos, que não o apoiaram. Rotary? Perda de tempo, gasto inútil de dinheiro que não tenho mais. Não quero nem saber. E os companheiros, desagregados, perderam a fé e a esperança. Nunca mais se reuniram.
Quando a política partidária permeia o clube, quando rotarianos levam para reuniões rotárias suas preferências, a divisão se instala. Desinstala-se a unidade, o companheirismo, a harmonia. A filosofia do Rotary é incompatível com os ânimos acirrados das campanhas eleitorais, principalmente nas cidades do interior.
E por que isso ocorre? Simplesmente porque o que move os homens, o instinto mais forte, é a fome de PODER. É da natureza humana. Todos querem sentir o gosto do poder, ter um poder cada vez maior, se lambuzar de poder e de autoridade.
Aí está a grande diferença: Em Rotary, ninguém tem poder ninguém tem autoridade. O que nós temos em Rotary são diferentes níveis de responsabilidade, disse-nos Jonatham Magyiabe, ex presidente de RI.
Mas não é apenas isso. Há muitas outras diferenças.
Um rotariano não pode ter inimigos, nem adversários. O rotariano é amigo e companheiro de todos, indistintamente. Já ao contrário, todo candidato político, seja ele de bom ou mau caráter, é uma usina de desafetos. São as pessoas interessadas em derrubá-lo, em usurpar fatia de seu poder, em não deixar que cresça. São “amigos” que muitas vezes agem na surdina, sem se mostrarem, sem aparecerem, sem se declararem como tal.
Além disso, o rotariano vivencia a prestação de serviço voluntário, o trabalho desinteressado em favor do próximo. Já o candidato político visa o interesse próprio, arranjar votos, aliciar novos eleitores.
O rotariano prega e pratica sempre a verdade, como um código de ética, em tudo o que pensa, diz e faz. O candidato tem a palavra fácil para prometer o que nem sempre pode cumprir. Em princípio, não se norteia pela Prova Quádrupla, quando coloca a verdade ao sabor dos interesses eleitoreiros. Como dizia Roberto Campos: Em política o que importa não é o fato, mas a versão.
O rotariano valoriza o trabalho em equipe e para tanto organiza-se em comissões, em grupos de trabalho. O candidato político articula-se conforme os interesses do momento. São as famosas alianças políticas. Os que ontem eram inimigos, adversários ferrenhos, de um dia para o outro passam a ser confrades, amigos íntimos, sinceros correligionários.
Pelo dito, estou mais do que convicto que, se alguém, em algum clube de Rotary, tiver a pretensão de concorrer a qualquer cargo político, deve se desvincular do clube antes da campanha eleitoral.
Não quer dizer que, fora do período eleitoral, o político eleito, consagrado por seus ideais, não possa ser sócio de um Rotary Club. Conhecemos homens públicos, políticos, em nosso distrito, que são excelentes e exemplares rotarianos.
sexta-feira, 11 de março de 2011
O ROTARY DO SEGUNDOS SÉCULO
sábado, 5 de março de 2011
COMENTÁRIOS DE COMPANHEIROS
Quadro Social – Reflexões
Alguns companheiros, utilizando o texto recebido, teceram considerações abordando a realidade de seus clubes. De tão ricas as reflexões, e por serem muitas vezes complementares ao artigo, resolvemos sintetizá-las num texto único, à guisa de auxílio aos clubes.
Segue-se abaixo um extrato resumido dos comentários recebidos dos seguintes companheiros:
• Carlos A. Marangone - Rotary Club de Presidente Prudente
• Roberto Flávio - Rotary Club RJ Rio Comprido
• Paulo Ricardo - Rotary Club do Recife Brum
Nossos agradecimentos sinceros a estes diletos pensadores e líderes, formadores de opinião.
Qual é nosso objetivo como clube de Rotary?
Promover (que significa criar condições para) e Participar de empreendimentos dignos, voltados para a melhoria do Planeta (desenvolvimento sustentável), partindo da região que acolhe cada clube, Proceder um contínuo estímulo e fomento do ideal de servir e Procurar apoio no companheirismo, elemento capaz de Proporcionar oportunidades de servir e Produzir a divulgação da ética profissional.
Dessa forma estaremos contribuindo: com nosso exemplo de vida, pública e privada, para a melhoria das comunidades; com nossa atitude de aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando, pelo intercâmbio de relações, a paz entre as nações.
Sem observar nosso objetivo, os clubes se enfraquecem.
Como está o jardim do nosso clube?
O verde do nosso jardim significa assumirmos nossa importante posição diante da região que nos acolhe. Somos uma instituição centenária, voluntária, fortíssima, reconhecida mundialmente e com um enorme capital intelectual.
Precisamos aprender a cultuar estas qualidades e usá-las em proveito de nossos serviços, de nossa comunidade.
Quem convidar para fazer parte de nossa equipe?
Voltemos nossa atenção para a nossa região, nosso território de atuação.
Lá estão todas as forças que de que necessitamos, personalidades com ética, inteligência, sensibilidade, altruísmo, responsabilidade, verdadeiros vencedores, prontos a colaborar no servir.
Como sabiamente Rotary preconiza, alcemos desta enorme plêiade de profissionais escolhidos, nomes de diferentes áreas de atuação, para que tornemos visíveis nossos objetivos e fortes nossas ações.
Continuamente devemos nos perguntar :
• Por que sou rotariano?
• O que tenho feito para desempenhar o papel que me cabe nesta organização?
• Como vejo o Rotary em minha vida?
• Qual a cota de satisfação que este vínculo trás para o meu dia a dia?
• Como me comporto na vida pessoal em correlação com os princípios que assumi ao me integrar ao Rotary?
• Qual a minha contribuição para o fortalecimento, ampliação, manutenção e revitalização do nosso Quadro Social?
Há anos, o Rotary internacional patina sobre um número imutável de 1.200.000 associados.
Por que?
Fala-se muito em expandir e manter o Quadro Social, mas o que de produtivo se tem feito nesse sentido?
Esforçamo-nos para trazer novos companheiros, especialmente companheiros novos, e logo eles se vão. Qual a razão?
Cumprimos nossa obrigação de acompanhamento próximo, atribuímos-lhes missões, interessamo-nos em conhecer suas pretensões, esforçamo-nos para mostrar-lhes o Rotary e a profundidade e importância de suas ações no Mundo, a começar pela apresentação de nossos projetos e imediatamente neles os envolvendo?
Sim, companheiros, Rotary exige algo especial, esforço além do possível, grandeza de coração, respeito às qualidades e defeitos das pessoas, ausência de discriminação, ouvidos surdos e bocas caladas a boatos e fofocas, humildade, muita vontade de contribuir para um mundo melhor.
Mais uma vez, voltando os olhos de jardineiro para o nosso jardim, observemos :
∙ Quais de nós frequentamos as plenárias sem efetivamente estarmos presentes a elas?
∙ Quantos de nós assistimos, concentrados, às palestras conseguidas, com muito esforço, pelo companheiro da Comissão de Programa?
∙ Quantos de nós participamos eficazmente dos programas e projetos do clube?
∙ Em nosso meio, quantos de nós somos rotarianos na essência, na filosofia rotária, de ser e proceder?
Para estar verde e crescendo, é necessário que o clube esteja eficiente e eficaz, atuante e determinado, consciente de sua força e de sua grandeza.
Como estamos nós no envolvimento em projetos?
Quais são nossos projetos? Relembrando, quantos projetos foram executados nos últimos 10 anos?
Alguns clubes, até muitos de menor porte, pela envolvência e conhecimento dos objetivos de Rotary, por uma eficiente engrenagem formada pela coincidência de objetivos, pela construção do companheirismo, pela eficácia de seu quadro profissional diversificado e motivado, pelos mesmos ideais de construção da paz mundial, através do servir, conseguem fazer muito mais em prol da região em que operam e se tornam eficazes em suas ações.
Incentivo é a palavra de ordem para este fim.
A partir de uma idéia, de uma vontade manifestada, de uma necessidade da comunidade, somos tocados em nosso âmago. Cada um de nossos motivos pessoais (motivação), diferentes na essência de cada um, se congrega na origem geradora, traduzida pela força conjunta que move cada uma das engrenagens que movimentam a nossa roda dentada, símbolo dos clubes de Rotary.
Motivação - todos nós a temos, pois foi nossa livre e espontânea vontade que nos trouxe a Rotary.
Incentivo – este, requer Trabalho, Liderança, Companheirismo, Convencimento e, sobretudo, Pesquisa (conhecimento do assunto) e Planejamento na abordagem e na Execução dos propósitos.
Por tudo isto que foi dito e sentido, a receita para fortalecer nossos clubes é simplesmente:
- O crescimento na diversidade, na quantidade e na qualidade do quadro associativo dos clubes
- No aumento de atividades, de realizações, de projetos e na participação em programas
- No envolvimento do clube com a sociedade que o insere, buscando usufruir experiências, compartilhar idéias, contribuir em ações e atitudes, influir, levando nossos valores morais e éticos ao meio em que vivemos.
A estas premissas se seguirão muitas outras, como:
Tornar nossas reuniões atraentes e produtivas, serem objeto de desejo para nós e para o próximo, observarmos a pontualidade às reuniões, buscarmos a assiduidade, colaborarmos sempre com os companheiros e procurarmos espontaneamente o companheirismo e a solidariedade entre os membros. Surgirá então a sinergia que faz com que cada sócio pense primeiro no clube, em seus objetivos maiores, para depois pensar em si próprio, nas regras de convivência harmônica, que devem manter a distância do Rotary qualquer forma de arrogância, de preconceito e de intolerância.
Muito obrigado.
Recebam nosso abraço com carinho e votos de clubes cada vez melhores, mais fortes e mais ousados.
Alberto e Helena Bittencourt
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
PERSONAGEM PROBLEMA X PERSONAGEM SOLUÇÃO
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
A violência doméstica é um dos temas mais debatidos na mídia e um dos que mais aparecem nas páginas policiais. Não faltam dispositivos legais para coibir agressões físicas contra mulheres e crianças. Temos a lei Maria da Penha e as especializadas DPCA – Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente e a Delegacia da Mulher. Era de se esperar, portanto, que os índices de violência e agressividade tendessem a diminuir. Na prática, entretanto, tal não acontece, continuam crescendo.
A violência contra crianças acontece em escala maior nas classes menos favorecidas. É freqüente vermos nas ruas, praias, shoppings, mães esbravejarem contra filhos, arrastá-los pelos braços, como sacos de pancadas, quando não, desfechando tapas na cabeça, beliscões, sem nenhuma psicologia, nenhum diálogo.
A criança pode até ter dado causa. Por mais inocente e ingênua que pareça, de repente, quando menos se espera, vira um monstrinho de teimosia e intransigência.
Vi numa loja. Devia ter uns quatro aninhos, no máximo. Atirou-se no chão. Chorava e berrava que queria porque queria, o quê, não sei. Mas eu quero, não parava de repetir. Mas eu quero, respondia prontamente aos mais variados argumentos. A mãe, aos poucos foi perdendo o controle. Tentou arrastar, puxar, empurrar, inutilmente. Fingiu chamar o guarda, não adiantou. Por fim, esgotada, pegou a sandália e partiu para a ignorância. Desferiu a primeira, pegou nas coxas. A criança agora tinha razão para chorar, chorava de dor. A segunda pegou na bunda. O choro agora era de terror. Os olhos esbugalhados, as mãos agitando-se freneticamente, a cor lívida. As pessoas começaram a parar, num misto de sadismo e masoquismo. A certa altura, a mãe havia se transformado em megera. Agarrava o menino pelo braço, virava-lhe a sandália, surda para o berreiro, cega para o mundo. Sua peste, seu moleque, toma aqui seu isso, seu aquilo. A vitória finalmente sorriu. A maquiavélica mamãe saiu da loja com a criança pelo braço, enquanto, apontando o dedo, lhe dizia ríspida: engole o choro! Nota zero para a paciência, nota zero para a psicologia, nota zero para o amor e a tolerância. Pode parecer um horror, mas é mais comum do que se possa imaginar.
Há o caso daquele menino, de seis anos que, inocente, contou para a mãe o abuso sexual que sofrera, cometido por um visinho de treze. A mãe foi ficando branca à medida que ouvia. No fim, pegou o pobre do menino e baixou o cacete, sem dó nem piedade. Queria ensinar que aquilo era errado, uma coisa que não se comenta. Seu instinto primário transformara a vítima em ré. Aqueles eram os argumentos a que estava acostumada. A mulher crescera apanhando, aprendera a lição e a aplicava, como se fosse o único remédio, ou única maneira que conhecia de educar, de ensinar o que fosse.
Infelizmente não são apenas mães desequilibradas que espancam crianças. Há casos de pais, geralmente bêbados, que se tornam extremamente agressivos com explosões de machismo desenfreado contra a mulher, filhos, enteados.
Aquele é meu pai, disse a menininha. Ele bebe, completou chorosa, lacrimejante. Faltou dizer que espancava a mãe todas as tardes, quando chegava em casa. O pobre desempregado passava o dia biritado.
Existe uma categoria de mulheres verborrágicas. Arrasam, aos gritos, com a auto-estima do companheiro. Não dão a menor chance. Ferem mortalmente com língua ferina, esculhambam, reduzem a pó. Não raro, termina em crime. Assassinato passional, estampam as manchetes.
Essas crianças, vítimas de violência doméstica, em geral tornam-se adolescentes inseguros, tímidos, complexados com o medo de tudo e de todos, incapazes, até de enfrentar as dificuldades da vida. São alvo de chacotas, sentem-se inferiores, não conseguem ter uma integração social plena, ter amigos, enfim, a vida, para eles, torna-se um fardo penoso e desconfortável. Vivem estressados consigo mesmo, sem a alegria espontânea, natural dos jovens.
É a violência doméstica, fruto de uma cultura, de um meio, de uma criação.
Ensinar as pessoas a amar, respeitar, dar um tratamento carinhoso é a nossa missão. Para que elas pratiquem o diálogo, transmitam amor, cultivem a paciência, a compreensão e a compaixão, é missão de todos nós. A recompensa é a alegria do filho, da esposa ou do marido saberem que podem contar uns com os outros. Que podem confiar uns nos outros, porque unidos, estarão felizes sempre prontos a ajudar, a se apoiar mutuamente, toda vez que alguém necessite.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
ONDE NÃO EXISTE AMANHÃ
domingo, 3 de outubro de 2010
JUERG HUERLIMANN
| Juerg e Núbia no Espaço da Criança |
Juerg Huerlimann começou a me enviar e-mails em fevereiro de 2010. Encontrou meu endereço na internet, ao procurar contato para projetos da Fundação Rotária no Brasil.
Sendo do Rotary Club de Laufen, cantão alemão da Suíça, Distrito 1980, manifestou o propósito de visitar o Brasil em agosto e setembro, para gozar o “sabbatical”, uma espécie de licença-prêmio de três meses, a que tinha direito por haver completado dez anos de trabalho em banco. Aproveitaria para conhecer o país, praticar a língua portuguesa, participar de um trabalho social, conhecer novas pessoas.
Juerg fala bem nosso idioma, pois tem esposa portuguesa, é pai de dois meninos, de onze e de nove anos e cursou a Universidade de Coimbra, em Portugal. Disse que gostaria estabelecer parceria entre o seu clube e o Boa Viagem, num projeto em favor das crianças.
Trocamos e-mails ao longo de seis meses, estudamos várias possibilidades. A parceria num projeto da Fundação Rotária tornou-se inviável pelo fato do D-1980 não fazer parte do Plano Visão de Futuro, como o D-4500.
Como ele disse que havia conseguido dez mil dólares para o projeto, ofereci-lhe de pronto a Associação para Restauração do Homem, também conhecida como Espaço da Criança.
A creche, situada no bairro da Boa Vista, assiste à 100 crianças, metade pela manhã e metade à tarde. Funciona há 20 anos numa casa alugada. Acontece que o proprietário pediu a desocupação do imóvel, que se situa numa zona valorizada, pois pretende edificar no local um predio de apartamentos residenciais.
A diretora, ex-presidente do RC Boa Viagem, Núbia Mesquita, adquiriu há cerca de oito anos, um terreno nas proximidades, onde pretende edificar uma nova sede, que deverá estar concluída no prazo de um ano. Os projetos já estão prontos. Será uma construção em concreto pré-moldado, simples, de forma a abrigar as crianças em 4 salas de aulas, a um custo estimado em R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais).
O programa de viagem de Juerg, inclui duas semanas na China, dez dias no Recife, além de Rio de Janeiro, Brasília e Foz do Iguaçu. Viaja sozinho, pois a esposa e os filhos, não puderam tirar férias nesse período.
Fui recebê-lo no aeroporto. É um homem jovem, de quarenta e dois anos, alto, magro, cabelos claros e rosto sardento.
Estabeleci um programa de passeios turísticos e prestação de serviços humanitários. Visitou os principais pontos do Recife, Olinda e arredores, como Itamaracá e Porto de Galinhas.
Depois de conhecer a creche e o terreno da nova sede, Juerg me disse que queria passar três dias com as crianças. Assim fez. Conversou, brincou, jogou, ensinou geografia, mostrou o país de onde veio em um mapa da Europa.
Ao final, manifestou o desejo de conhecer as casas das crianças.
As funcionárias da creche contataram as mães para obter o salvo conduto e poder entrar na favela dos Coelhos. Fomos, Juerg, eu, uma funcionária e duas mães de alunos.
O impacto foi violento. Mal entramos e nos deparamos com uma pequena multidão nas ruelas estreitas, à porta de barracos. Homens, mulheres, adolescentes de ambos os sexos, formavam uma espécie de fila. Entravam contando dinheiro e saíam carregando pacotes de droga, crack, maconha ou papelotes de cocaína, abertamente, alheios à nossa presença.
Deixamos o ponto de venda e entramos num pequeno beco sobre palafitas à margem do rio Capibaribe.
O quadro é chocante. Começa pelos ambientes sem janela dos barracos de madeira podre, colados uns aos outros, sem espaço, nem ventilação. Não existem instalações sanitárias, as necessidades são despejadas in natura no rio.
Perguntei a três meninos que estavam sentados em um pedaço de tábua, os pés a balançar sobre as águas: Vocês não tomam banho nessa água, não é?
Só quando a maré está cheia, responderam, como se tal significasse a redenção dos pecados.
Alguns ambientes, apesar da pobreza extrema, eram limpos e arrumados. Em outros, o mau cheiro impregnava. Em todos, o calor que irradiava das telhas onduladas era insuportável. Vimos bebês misturados a gatos recém nascidos, embolados na mesma cama. Cinquenta reais é o preço de aluguel de um barraco desses.
À nossa passagem muitas pessoas desocupadas nos espreitavam, desconfiadas.
Juerg Huerlimann pode constatar o quanto é necessária uma creche como o Espaço da Criança, onde, alternando com a escola regular, as crianças recebem reforço escolar, atividades recreativas, alimentação, aulas de informática, tudo de forma gratuita. Os menores, dos cinco aos dezesseis anos, ficam longe das ruas, do tráfico e aprendem os verdadeiros valores morais, para se tornarem cidadãos úteis e produtivos, capazes de constituírem família e ganharem honestamente o pão de cada dia.
Obrigado, Juerg.
Nossas crianças agradecem poder sonhar com um amanhã radiante e pacífico.