ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal
ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

sábado, 11 de junho de 2011

DESARMAMENTO




O Brasil, é um dos países em que a violência tem crescido em índices de 5,5 % ao ano. Se esse índice significasse desenvolvimento, estaríamos no patamar das nações mais desenvolvidas do mundo.

Lamentavelmente a nossa imagem não é das melhores. Temos entre 2 a 3% da população mundial e entre 12 e 13% das vítimas mundiais por armas de fogo. São dados da Campanha da Fraternidade de 2005, que não nos deixam mentir.

Triste imagem a do Brasil, campeão de índices de morte por armas de fogo. A cada 13 minutos um nosso irmão está morrendo, vítima de arma de fogo.
Em média, são 50 mil vítimas por ano, a maioria com idade entre 18 e 24. Um verdadeiro genocídio. A população jovem masculina neste país está sendo dizimada, a tal ponto que, segundo o IBGE, mudou o perfil populacional do País, reduzindo o número de homens em relação ao de mulheres. É uma situação similar à de um país em guerra, quando a grande mortalidade de homens jovens altera o equilíbrio numérico entre os sexos. E em conseqüência, os costumes.

Um jovem de 20 e poucos anos que morre vítima de arma de fogo, leva consigo todo um investimento do estado, em educação, em saúde, todo esse dinheiro escoa pelo ralo, nas guerras entre grupos de traficantes, nos embates com a polícia, numa sociedade em que as opções de vida honesta são poucas, onde permeia o desemprego onde a juventude se afunda na miséria, na falta de oportunidades.

Nos últimos 10 anos, 500.000 pessoas foram assassinadas neste país. Quase 10 vezes mais do que em 12 anos de guerra do Vietnan, quando morreram 58.000 soldados norte-americanos. Mata-se mais neste país que nos EUA, que é considerado um país armado. Mata-se mais neste país que na China, com 1,3 bilhões de habitantes. Mata-se mais neste país que na Índia, que tem 1,2 bilhões de habitantes.

Não podemos nos conformar. Não temos o direito de ficar omissos ou indiferentes.
O contrário de paz não é a guerra, o contrário de paz é a omissão e a indiferença.
Martin Luther King, prêmio Nobel da Paz, disse:

"O que me assusta não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos homens de bem"

Os homens do bem são tímidos, os homens do mal são ousados. Quatro homens do mal trocam dois olhares e formam uma quadrilha para praticar assaltos. Os homens de bem ficam conjeturando, enrolados em burocracia, fazendo discursos. Citam estatísticas em intermináveis reuniões mas esquecem tudo quando termina o evento. Não nos mobilizamos para a ação, para fazermos o que é preciso para mudar esse quadro de violência. Nós temos que levar adiante tudo o que se apregoa nas plenárias rotárias, em fóruns, seminários, conferências, não podemos ficar só nos palavrórios, nas boas intenções, sem sair da inércia.

Temos que deixar de lado os discursos teóricos e passar da retórica à ação. É preciso fazer alguma coisa, já, aqui e agora. Não podemos nos conformar, não podemos permanecer acomodados, enquanto nossos irmãos estão morrendo lá fora. Temos que mudar esse quadro, deter essa violência crescente que ameaça a todos. Precisamos voltar a olhar para as pessoas nas ruas, para as crianças nos cruzamentos, como seres humanos que são e não como ameaças potenciais.
Como dlsse Martin Luther King:

"Não podemos saciar a sede de justiça no cálice do ódio".

Eu quero fazer um apelo a todos vocês. Vem aí o segundo plebiscito do desarmamento que visa proibir o comércio de armas de fogo no país. Considerando que 57% dos criminosos, autores de assassinatos por arma de fogo nunca tiveram antecedentes criminais (dados da Campanha da Fraternidade), que 57% dos criminosos matam numa discussão de bar, de futebol, em crimes passionais, ou mesmo por descuido ou acidente, o que vemos diariamente nos jornais, se houver o desarmamento da população esses índices cairão para metade. Então nós temos que nos levantar em favor do SIM no referendo.

Existem companheiros, quase 20 milhões de armas de fogo nas mãos da população. A primeira campanha do desarmamento arrecadou 300 mil. Não é nada, e como não existe dinheiro para pagar essas 20 milhões de armas, nós vamos ter que fazer uma campanha, para que haja o desarmamento espontâneo pela própria população, e que o ferro dessas armas seja transformado em matéria prima para fabricação de equipamentos hospitalares, como camas, mesas, utensílios e por que não dizer, na fabricação de distintivos rotários, que são o símbolo da paz?

Vamos nos unir em favor da paz, precisamos nos mobilizar a favor da paz.
Entretanto, não falemos apenas no que se refere aos excluídos, às populações miseráveis, aos marginais. Não nos esqueçamos principalmente do homem que freqüentou escola, que teve instrução, que aprendeu a distinguir entre o bem e o mal, do homem de nível universitário, profissional de carreira, executivo, empresário, juíz, político, banqueiro e todos aqueles que usam colarinho branco, ostentam anel de grau no dedo anular, e que vemos diariamente na televisão responderem por atos lesivos ao bem comum. Talvez sejam eles os maiores culpados pela triste realidade do Brasil de hoje.

Contra esse estado de coisas, se insurge o ROTARY.
É chegada a hora de mostrar a todos que o Rotary é capaz de mudar essa situação.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

TRANSFORME-SE NUM PACIFISTA




TRANSFORME-SE NUM PACIFISTA

Há hoje, no mundo, 14 guerras e conflitosarmados em andamento, que matam centenas de pessoas em diferentes países.

Após um século em que duas guerras mundiais e centenas de outras menores produziram 60 milhões de mortos, deveríamos ser, mais do que nunca, atentos à vida e aos direitos do homem.

Se a paz mundial ainda não chegou, é porque os líderes mundiais ainda não elevaram suas consciências para, em conjunto, numa mútua cooperação, trabalhar pela paz.

O grande objetivo do Rotary é criar a paz,sabendo que ela é possível.

O Rotary trabalha pela paz interior, na razão de ser um instrumento de crescimento e desenvolvimento pessoal, através de seus programas educacionais.

O Rotary trabalha pela paz social, na minoração do sofrimento do próximo, na ajuda a quem precisa, nas famílias, nas comunidades e no mundo, através deseus programas humanitários.

O Rotary trabalha pela paz ambiental, em defesa do meio ambiente, na preservação dos recursos naturais.

Cabe a você, jovem estudante, a você,militante do terceiro setor, a você, membro da sociedade civil organizada, a você profissional, cobrar das instituições e dos governos as ações que se fizerem necessárias para encontrar a paz.

Há cinco maneiras de se transformar numpacifista:

1.Aplique a Prova Quádrupla Rotária.

A maneira mais simples de percorrer oCaminho da Paz é vivenciar e praticar a Prova Quádrupla Rotária, seja notrabalho, na empresa, na família, em sociedade:

“Do que nós pensamos, dizemosou fazemos:

É a verdade?

É justo para todos os interessados?

Criará Boa Vontade e melhores amizades?

Serábenéfico para todos osinteressados?”

2. Seja um ativista social.

É o engajamento político. Participe da política partidária, exerça pressão sobre autoridades, governos, políticos. Participe de manifestações públicas de protesto, campanhas e marchas da Paz. Envie artigos e cartas para jornais, revistas, autoridades. Denuncie os casos de malversação de recursos públicos.

3. Seja um humanitarista.

Trabalhe em apoio às creches e instituições que tiram as crianças da rua, em apoio aos abrigos de idosos, aos centros profissionalizantes, aos centros de deficientes, de recuperação de drogados, aos hospitais, às comunidades carentes. Trabalhe contra a fome, a miséria, o analfabetismo, a ignorância.

4. Realize a transformação pessoal.

Nando Cordel ensinou: “A paz no mundo começa em mim”. A transformação pessoal é adquirir a consciência da paz. É quando você resolve acabar com a guerra pessoa por pessoa.

Deepack Chopra, em seu livro “O Caminho da Paz”, disse; “A tradição religiosa de rezar pela paz começa por acabar com aguerra dentro do coração. Depois, como uma onda de luz, extravasa para a nossa família, para os nossos amigos, para os nossos círculos de relações, alcança os dirigentes de nossa cidade, dos países, do mundo. Se um número suficiente depessoas no mundo se transformarem em pacifistas, teremos uma massa crítica que pode mudar o mundo. A guerra acabaria”.

Foi uma massa crítica de seres humanos que formou as religiões, que aboliu a escravatura do mundo, que acabou com o apartheid e com a discriminação racial.

A eliminação da poliomielite da face daTerra só é possível porque o Rotary formou uma massa crítica que há mais de vinte anos trabalha diuturnamente com esse objetivo.

Todas as tradições espirituais acreditam que a paz precisa viver no coração das pessoas antes que possa existir no mundo exterior.

5. Compartilhesua experiência de paz.

- Compartilhe seu sonho de paz. Converse sobre a paz. Na medida em que um número cada vez maior depessoas participarem desse compartilhamento, sua massa crítica surgirá.

- Compartilhe sua experiênciade paz por e-mail, por telefone, nos jornais, revistas, na mídia.

- Compartilhe a consciência da paz com outras pessoas, na família, na escola, no trabalho.

- Compartilhe sua gratidão pelo fato de outra pessoa encarar a paz com tanta seriedade quanto você.

- Compartilhe suas idéias para ajudar o mundo a ter paz.

- Compartilhe sua energia, sua força, sua abundância para ajudar qualquer pessoa que deseje se tornar um pacifista.

Organize fóruns de discussões. Transforme seu Rotary Club em círculos no qual todos tenham a chance de falar no seu desejo de promover a paz. Que cada clube se transforme numa “Célula da Paz”, num grupo que deseja promover a paz nas ruas, nas escolas, nascomunidades.

A paz é uma visão íntima, de cada um, invisível, oculta. No momento, é apenas uma centelha que queima em nosso peito. Em algum momento essa centelha se incendiará e juntará com outras centelhas que também se incendiarão e teremos então a grande chama. A chama da Paz Universal.

terça-feira, 29 de março de 2011

INCOMPATIBILIDADE FATAL

Após termos visitado os 92 Rotary Clubs do Distrito 4500 no segundo semestre de 2004, ano essencialmente político, chegamos à conclusão, eu e Helena, que a filosofia do Rotary, de ser apolítico como instituição, é um princípio ético que não pode mudar.
Nesse período eleitoral, percorremos clubes inteiramente desagregados, divididos, perdidos.

Vimos clubes que suspenderam todas as atividades meses antes do pleito e que, somente por um milagre conseguiram retomar, posteriormente. O que restou foram escombros, restos recompostos do que antes fora um pujante Rotary Club
Encontramos clubes que nunca mais se recuperaram. Perderam-se definitivamente para o trabalho rotário.

Há o caso daquele tesoureiro de clube que se candidatou a vereador da pequena cidade, sem ter se desvinculado das funções rotárias. Perdeu a eleição e o clube perdeu o companheiro, as finanças, talões de cheques e documentos. Até hoje chora a ética esquecida.

E pior. Quando um presidente de clube candidatou-se a prefeito, escreveu-se a crônica da morte anunciada. Havia nesse clube outros companheiros candidatos a vereadores. O presidente não se elegeu, gastou o que podia e o que não podia. Botou a culpa nos rotarianos, divididos, que não o apoiaram. Rotary? Perda de tempo, gasto inútil de dinheiro que não tenho mais. Não quero nem saber. E os companheiros, desagregados, perderam a fé e a esperança. Nunca mais se reuniram.

Quando a política partidária permeia o clube, quando rotarianos levam para reuniões rotárias suas preferências, a divisão se instala. Desinstala-se a unidade, o companheirismo, a harmonia. A filosofia do Rotary é incompatível com os ânimos acirrados das campanhas eleitorais, principalmente nas cidades do interior.
E por que isso ocorre? Simplesmente porque o que move os homens, o instinto mais forte, é a fome de PODER. É da natureza humana. Todos querem sentir o gosto do poder, ter um poder cada vez maior, se lambuzar de poder e de autoridade.
Aí está a grande diferença: Em Rotary, ninguém tem poder ninguém tem autoridade. O que nós temos em Rotary são diferentes níveis de responsabilidade, disse-nos Jonatham Magyiabe, ex presidente de RI.

Mas não é apenas isso. Há muitas outras diferenças.
Um rotariano não pode ter inimigos, nem adversários. O rotariano é amigo e companheiro de todos, indistintamente. Já ao contrário, todo candidato político, seja ele de bom ou mau caráter, é uma usina de desafetos. São as pessoas interessadas em derrubá-lo, em usurpar fatia de seu poder, em não deixar que cresça. São “amigos” que muitas vezes agem na surdina, sem se mostrarem, sem aparecerem, sem se declararem como tal.
Além disso, o rotariano vivencia a prestação de serviço voluntário, o trabalho desinteressado em favor do próximo. Já o candidato político visa o interesse próprio, arranjar votos, aliciar novos eleitores.
O rotariano prega e pratica sempre a verdade, como um código de ética, em tudo o que pensa, diz e faz. O candidato tem a palavra fácil para prometer o que nem sempre pode cumprir. Em princípio, não se norteia pela Prova Quádrupla, quando coloca a verdade ao sabor dos interesses eleitoreiros. Como dizia Roberto Campos: Em política o que importa não é o fato, mas a versão.
O rotariano valoriza o trabalho em equipe e para tanto organiza-se em comissões, em grupos de trabalho. O candidato político articula-se conforme os interesses do momento. São as famosas alianças políticas. Os que ontem eram inimigos, adversários ferrenhos, de um dia para o outro passam a ser confrades, amigos íntimos, sinceros correligionários.

Pelo dito, estou mais do que convicto que, se alguém, em algum clube de Rotary, tiver a pretensão de concorrer a qualquer cargo político, deve se desvincular do clube antes da campanha eleitoral.

Não quer dizer que, fora do período eleitoral, o político eleito, consagrado por seus ideais, não possa ser sócio de um Rotary Club. Conhecemos homens públicos, políticos, em nosso distrito, que são excelentes e exemplares rotarianos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O ROTARY DO SEGUNDOS SÉCULO


O ROTARY DO SEGUNDO SÉCULO
Alberto Bittencourt

Quando me perguntam como será o Rotary do futuro, eu não hesito em responder que o Rotary do segundo século de existência é o que nós estamos construindo hoje. Ele se baseia em três palavras de ordem, três tarefas principais que ocupam todos os momentos e energias do líder rotariano do presente. São elas: visibilidade, integração e mobilização.
 I) VISIBILIDADE
Seja a nossa primeira tarefa, a de dar visibilidade a todo o bem que o Rotary faz no mundo.
O presidente Glenn disse que o Rotary nada tem a esconder. Não tem senhas nem códigos secretos. Tudo é claro e transparente, para ser compartilhado com a humanidade.
O Rotary de hoje não se cala, nem fica quieto. O Rotary de hoje faz e mostra o que faz. O Rotary de hoje prima pela visibilidade, para que todos saibam da existência de pessoas irmanadas, de braços dados, integradas, ajudando a mudar este Brasil e a mudar o mundo.
Para divulgar Rotary, podemos usar recursos de marketing, da mídia, o que estiver ao nosso alcance para que todos o conheçam e aprendam a admirá-lo. Devemos levar o nome do Rotary ao nosso ambiente de trabalho, às nossos profissões, aos nossos círculos de amizades, à nossa casa, mostrar as ações, os feitos, as realizações de nossos clubes.
É preciso dar visibilidade a tudo o clube faz, mostrar para sociedade os seus trabalhos, divulgar para o povo todo o bem que esse grupo de voluntários pratica. Só assim o Rotary Club terá credibilidade, fazendo e mostrando o que faz. Não é a toa que o novo Plano de Liderança de Clubes, recém instituído, preconiza a Comissão de Relações Públicas como uma das comissões permanentes.
Visibilidade é primeira palavra de ordem neste segundo século da existência do Rotary.
II) INTEGRAÇÃO
A segunda tarefa do rotariano é a integração.  Integrar é desenvolver e motivar as pessoas. É ensinar ao novo companheiro, como ser um autêntico rotariano, despertando-lhe a vocação de serviço. É transformar o velho companheiro, já cansado e desestimulado, em autêntico homem de ação, verdadeiro líder, reacendendo em seu coração a chama da amizade, da boa vontade, da paz e compreensão.
É a integração da Família Rotária na vida do clube. A Família Rotária integrada, unida como um FEIXE DE VARAS. As esposas ao lado dos maridos nas sessões plenárias, os filhos, os parentes, os clubes de jovens, Rotaract e Interact Clubs, os ex-integrantes do Intercâmbio de Jovens, os ex-participantes dos programas da Fundação Rotária, os familiares de rotarianos já falecidos, os amigos do Rotary, os "Rotarianos de Coração", tudo isso faz parte da Família Rotária. Integrados, unidos, trabalhando junto, freqüentando os clubes, as reuniões plenárias, dando opiniões, palpites, sugerindo programas, não apenas em companheirismo mas em todos os momentos de trabalho e de atividades do clube. O cônjuge pode estimular, ajudar muito a levantar os clubes. O cônjuge muitas vezes é quem puxa o rotariano cansado, acomodado, para vir a uma reunião plenária.
A integração, é a busca de parcerias, no que se chama de mútua cooperação, porque um clube sozinho faz muito menos do que a soma de vários clubes. São como brasas isoladas, são limitados. Se nós unirmos essas brasas, podemos ter uma grande fogueira resultante. Integração de um Rotary Club com outro Rotary Club, integração com outros clubes de serviços, integração com empresas privadas, com órgãos públicos, autoridades municipais, secretarias de governo, Polícia Militar, com entidades de classe, associações comerciais.
Integração é a segunda palavra de ordem neste segundo século da existência do Rotary.
 III) MOBILIZAÇÃO
A terceira tarefa do rotariano é a Mobilização do Quadro Social, para atender ao chamamento do serviço. Mobilizar todos os sócios, a Família Rotária, esposas, filhos, parentes, amigos, parceiros.
Mobilizar para o trabalho, é fazer com que todos os rotarianos sejam cúmplices uns dos outros, na busca dos ideais rotários.
Disse o ex-presidente de RI, Luís Vicente Giay: “cada clube é a soma de seus membros, o reflexo de seus sócios, quanto mais eficientes formos, maior eficiência terá o clube. Clubes de qualidade correspondem a homens dispostos, devotados ao ideal de servir, consagrados à ação como produto de sua fé”.
O Rotary de hoje é um Rotary composto de pessoas que não são apenas comprometidas. Ser comprometido só não é suficiente, ser comprometido não muda a vida das pessoas, não muda o futuro de ninguém, não muda essa situação crescente de sofrimento. É preciso que nós sejamos cúmplices uns dos outros. Cúmplices das metas e sonhos do ideal rotário para que todos nós sejamos envolvidos e responsáveis, verdadeiros militantes rotários. Sim, posto que os idosos desamparados, os enfermos desassistidos, as crianças deficientes, pobres, nas ruas, as pessoas que não têm onde morar, as comunidades carentes, não precisam de simpatizantes. É isso que nós temos que ser, militantes rotários, para mudar um pouco esse quadro de violência que permeia a sociedade, para mudarmos o nosso Brasil. É com realizações concretas de nossos Rotary Clubs que podemos elevar a imagem do Rotary ante tantos que nos rodeiam, em nossas comunidades e no mundo. Mobilização é a terceira palavra de ordem neste segundo século da existência do Rotary.




sábado, 5 de março de 2011

COMENTÁRIOS DE COMPANHEIROS

Comentários de Companheiros sobre o artigo de Alberto Bittencourt
Quadro Social – Reflexões

Alguns companheiros, utilizando o texto recebido, teceram considerações abordando a realidade de seus clubes. De tão ricas as reflexões, e por serem muitas vezes complementares ao artigo, resolvemos sintetizá-las num texto único, à guisa de auxílio aos clubes.

Segue-se abaixo um extrato resumido dos comentários recebidos dos seguintes companheiros:
• Carlos A. Marangone - Rotary Club de Presidente Prudente
• Roberto Flávio - Rotary Club RJ Rio Comprido
• Paulo Ricardo - Rotary Club do Recife Brum
Nossos agradecimentos sinceros a estes diletos pensadores e líderes, formadores de opinião.

Qual é nosso objetivo como clube de Rotary?
Promover (que significa criar condições para) e Participar de empreendimentos dignos, voltados para a melhoria do Planeta (desenvolvimento sustentável), partindo da região que acolhe cada clube, Proceder um contínuo estímulo e fomento do ideal de servir e Procurar apoio no companheirismo, elemento capaz de Proporcionar oportunidades de servir e Produzir a divulgação da ética profissional.
Dessa forma estaremos contribuindo: com nosso exemplo de vida, pública e privada, para a melhoria das comunidades; com nossa atitude de aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando, pelo intercâmbio de relações, a paz entre as nações.
Sem observar nosso objetivo, os clubes se enfraquecem.

Como está o jardim do nosso clube?
O verde do nosso jardim significa assumirmos nossa importante posição diante da região que nos acolhe. Somos uma instituição centenária, voluntária, fortíssima, reconhecida mundialmente e com um enorme capital intelectual.
Precisamos aprender a cultuar estas qualidades e usá-las em proveito de nossos serviços, de nossa comunidade.

Quem convidar para fazer parte de nossa equipe?
Voltemos nossa atenção para a nossa região, nosso território de atuação.
Lá estão todas as forças que de que necessitamos, personalidades com ética, inteligência, sensibilidade, altruísmo, responsabilidade, verdadeiros vencedores, prontos a colaborar no servir.
Como sabiamente Rotary preconiza, alcemos desta enorme plêiade de profissionais escolhidos, nomes de diferentes áreas de atuação, para que tornemos visíveis nossos objetivos e fortes nossas ações.

Continuamente devemos nos perguntar :
• Por que sou rotariano?
• O que tenho feito para desempenhar o papel que me cabe nesta organização?
• Como vejo o Rotary em minha vida?
• Qual a cota de satisfação que este vínculo trás para o meu dia a dia?
• Como me comporto na vida pessoal em correlação com os princípios que assumi ao me integrar ao Rotary?
• Qual a minha contribuição para o fortalecimento, ampliação, manutenção e revitalização do nosso Quadro Social?


Há anos, o Rotary internacional patina sobre um número imutável de 1.200.000 associados.
Por que?

Fala-se muito em expandir e manter o Quadro Social, mas o que de produtivo se tem feito nesse sentido?
Esforçamo-nos para trazer novos companheiros, especialmente companheiros novos, e logo eles se vão. Qual a razão?

Cumprimos nossa obrigação de acompanhamento próximo, atribuímos-lhes missões, interessamo-nos em conhecer suas pretensões, esforçamo-nos para mostrar-lhes o Rotary e a profundidade e importância de suas ações no Mundo, a começar pela apresentação de nossos projetos e imediatamente neles os envolvendo?

Sim, companheiros, Rotary exige algo especial, esforço além do possível, grandeza de coração, respeito às qualidades e defeitos das pessoas, ausência de discriminação, ouvidos surdos e bocas caladas a boatos e fofocas, humildade, muita vontade de contribuir para um mundo melhor.

Mais uma vez, voltando os olhos de jardineiro para o nosso jardim, observemos :
∙ Quais de nós frequentamos as plenárias sem efetivamente estarmos presentes a elas?
∙ Quantos de nós assistimos, concentrados, às palestras conseguidas, com muito esforço, pelo companheiro da Comissão de Programa?
∙ Quantos de nós participamos eficazmente dos programas e projetos do clube?
∙ Em nosso meio, quantos de nós somos rotarianos na essência, na filosofia rotária, de ser e proceder?

Para estar verde e crescendo, é necessário que o clube esteja eficiente e eficaz, atuante e determinado, consciente de sua força e de sua grandeza.
Como estamos nós no envolvimento em projetos?
Quais são nossos projetos? Relembrando, quantos projetos foram executados nos últimos 10 anos?


Alguns clubes, até muitos de menor porte, pela envolvência e conhecimento dos objetivos de Rotary, por uma eficiente engrenagem formada pela coincidência de objetivos, pela construção do companheirismo, pela eficácia de seu quadro profissional diversificado e motivado, pelos mesmos ideais de construção da paz mundial, através do servir, conseguem fazer muito mais em prol da região em que operam e se tornam eficazes em suas ações.

Incentivo é a palavra de ordem para este fim.
A partir de uma idéia, de uma vontade manifestada, de uma necessidade da comunidade, somos tocados em nosso âmago. Cada um de nossos motivos pessoais (motivação), diferentes na essência de cada um, se congrega na origem geradora, traduzida pela força conjunta que move cada uma das engrenagens que movimentam a nossa roda dentada, símbolo dos clubes de Rotary.

Motivação - todos nós a temos, pois foi nossa livre e espontânea vontade que nos trouxe a Rotary.
Incentivo – este, requer Trabalho, Liderança, Companheirismo, Convencimento e, sobretudo, Pesquisa (conhecimento do assunto) e Planejamento na abordagem e na Execução dos propósitos.

Por tudo isto que foi dito e sentido, a receita para fortalecer nossos clubes é simplesmente:
- O crescimento na diversidade, na quantidade e na qualidade do quadro associativo dos clubes
- No aumento de atividades, de realizações, de projetos e na participação em programas
- No envolvimento do clube com a sociedade que o insere, buscando usufruir experiências, compartilhar idéias, contribuir em ações e atitudes, influir, levando nossos valores morais e éticos ao meio em que vivemos.

A estas premissas se seguirão muitas outras, como:
Tornar nossas reuniões atraentes e produtivas, serem objeto de desejo para nós e para o próximo, observarmos a pontualidade às reuniões, buscarmos a assiduidade, colaborarmos sempre com os companheiros e procurarmos espontaneamente o companheirismo e a solidariedade entre os membros. Surgirá então a sinergia que faz com que cada sócio pense primeiro no clube, em seus objetivos maiores, para depois pensar em si próprio, nas regras de convivência harmônica, que devem manter a distância do Rotary qualquer forma de arrogância, de preconceito e de intolerância.

Muito obrigado.
Recebam nosso abraço com carinho e votos de clubes cada vez melhores, mais fortes e mais ousados.
Alberto e Helena Bittencourt

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

PERSONAGEM PROBLEMA X PERSONAGEM SOLUÇÃO


PERSONAGEM PROBLEMA 
PERSONAGEM SOLUÇÃO

Alberto Bittencourt





Em todo grupo marcado pelo grande número de pessoas, seja nas grandes empresas, órgãos públicos, associações ou sociedades, podemos distinguir dois tipos de personagens: as que são problema e as que são solução.

O que vem a ser um personagem problema?

Quais são as características de um personagem solução?

Antes de mais nada, é preciso compreender que ser um personagem problema ou um personagem solução constitui apenas uma tipificação simples, dentro de uma multiplicidade de caracteres, que distinguem cada ser humano e os torna diferentes, pois não existem duas pessoas com igual personalidade.

O personagem problema transforma uma pequena dificuldade num obstáculo intransponível. Ao receber qualquer missão, em geral, ele procura pequenas divergências, as mais simples incoerências, e então, o que seria facilmente contornável, se transforma numa dificuldade de tamanha ordem que inviabiliza a continuação e adequação do projeto. Se você precisar do apoio ou ajuda de um personagem problema, ele imediatamente apresenta mil dificuldades e vem com mil e um argumentos contrários.

O personagem problema é incapaz de enxergar uma solução por mais fácil e evidente que seja, tem a capacidade de transformar um pequenino grão de areia em uma montanha de embaraços e de motivos para nada fazer, para não agir.

O personagem problema gosta de se escudar em títulos, cargos e vivências para mostrar a sua superioridade, ostentar todo um poder que pensa que tem, como se disputasse um concurso de títulos, tudo para justificar a inércia, a ausência de projetos e de atuações que demandem trabalho - seu nome é inércia.

O personagem solução, pelo contrário, é o carregador de piano. Participa com interesse de todos os eventos, é sempre disponível, motivado, companheiro, amigo, agindo com simplicidade, ele é a peça mais importante no tabuleiro das atividades e relações, seja em seu meio, seja fora dele, na sua comunidade e no mundo.

O personagem solução integra sempre as mais importantes comissões de trabalho, ele não faz questão de aparecer, de ter seu nome em destaque. Ele é simplesmente aquele que faz.

O personagem solução está mais interessado nos resultados. Quando há problemas, ele não perde o interesse e se concentra em resolvê-los. Sendo assim, sempre é ele quem cresce e aparece, sem auto propaganda, como consequência de uma atitude positiva e construtiva - seu nome é ação

E você, é um personagem problema ou um personagem solução?


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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A violência doméstica é um dos temas mais debatidos na mídia e um dos que mais aparecem nas páginas policiais. Não faltam dispositivos legais para coibir agressões físicas contra mulheres e crianças. Temos a lei Maria da Penha e as especializadas DPCA – Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente e a Delegacia da Mulher. Era de se esperar, portanto, que os índices de violência e agressividade tendessem a diminuir. Na prática, entretanto, tal não acontece, continuam crescendo.

A violência contra crianças acontece em escala maior nas classes menos favorecidas. É freqüente vermos nas ruas, praias, shoppings, mães esbravejarem contra filhos, arrastá-los pelos braços, como sacos de pancadas, quando não, desfechando tapas na cabeça, beliscões, sem nenhuma psicologia, nenhum diálogo.

A criança pode até ter dado causa. Por mais inocente e ingênua que pareça, de repente, quando menos se espera, vira um monstrinho de teimosia e intransigência.

Vi numa loja. Devia ter uns quatro aninhos, no máximo. Atirou-se no chão. Chorava e berrava que queria porque queria, o quê, não sei. Mas eu quero, não parava de repetir. Mas eu quero, respondia prontamente aos mais variados argumentos. A mãe, aos poucos foi perdendo o controle. Tentou arrastar, puxar, empurrar, inutilmente. Fingiu chamar o guarda, não adiantou. Por fim, esgotada, pegou a sandália e partiu para a ignorância. Desferiu a primeira, pegou nas coxas. A criança agora tinha razão para chorar, chorava de dor. A segunda pegou na bunda. O choro agora era de terror. Os olhos esbugalhados, as mãos agitando-se freneticamente, a cor lívida. As pessoas começaram a parar, num misto de sadismo e masoquismo. A certa altura, a mãe havia se transformado em megera. Agarrava o menino pelo braço, virava-lhe a sandália, surda para o berreiro, cega para o mundo. Sua peste, seu moleque, toma aqui seu isso, seu aquilo. A vitória finalmente sorriu. A maquiavélica mamãe saiu da loja com a criança pelo braço, enquanto, apontando o dedo, lhe dizia ríspida: engole o choro! Nota zero para a paciência, nota zero para a psicologia, nota zero para o amor e a tolerância. Pode parecer um horror, mas é mais comum do que se possa imaginar.

Há o caso daquele menino, de seis anos que, inocente, contou para a mãe o abuso sexual que sofrera, cometido por um visinho de treze. A mãe foi ficando branca à medida que ouvia. No fim, pegou o pobre do menino e baixou o cacete, sem dó nem piedade. Queria ensinar que aquilo era errado, uma coisa que não se comenta. Seu instinto primário transformara a vítima em ré. Aqueles eram os argumentos a que estava acostumada. A mulher crescera apanhando, aprendera a lição e a aplicava, como se fosse o único remédio, ou única maneira que conhecia de educar, de ensinar o que fosse.

Infelizmente não são apenas mães desequilibradas que espancam crianças. Há casos de pais, geralmente bêbados, que se tornam extremamente agressivos com explosões de machismo desenfreado contra a mulher, filhos, enteados.

Aquele é meu pai, disse a menininha. Ele bebe, completou chorosa, lacrimejante. Faltou dizer que espancava a mãe todas as tardes, quando chegava em casa. O pobre desempregado passava o dia biritado.

Existe uma categoria de mulheres verborrágicas. Arrasam, aos gritos, com a auto-estima do companheiro. Não dão a menor chance. Ferem mortalmente com língua ferina, esculhambam, reduzem a pó. Não raro, termina em crime. Assassinato passional, estampam as manchetes.

Essas crianças, vítimas de violência doméstica, em geral tornam-se adolescentes inseguros, tímidos, complexados com o medo de tudo e de todos, incapazes, até de enfrentar as dificuldades da vida. São alvo de chacotas, sentem-se inferiores, não conseguem ter uma integração social plena, ter amigos, enfim, a vida, para eles, torna-se um fardo penoso e desconfortável. Vivem estressados consigo mesmo, sem a alegria espontânea, natural dos jovens.

É a violência doméstica, fruto de uma cultura, de um meio, de uma criação.

Ensinar as pessoas a amar, respeitar, dar um tratamento carinhoso é a nossa missão. Para que elas pratiquem o diálogo, transmitam amor, cultivem a paciência, a compreensão e a compaixão, é missão de todos nós. A recompensa é a alegria do filho, da esposa ou do marido saberem que podem contar uns com os outros. Que podem confiar uns nos outros, porque unidos, estarão felizes sempre prontos a ajudar, a se apoiar mutuamente, toda vez que alguém necessite.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ONDE NÃO EXISTE AMANHÃ




ONDE NÃO EXISTE AMANHÃ

Alberto Bitttencourt - 2010, out


Não conheço nada comparável. As casas, de vão único, feitas de restos de madeira e plástico, infectas, promíscuas, se equilibram sobre palafitas fincadas no lodaçal. Não têm água encanada, nem banheiros, nem geladeiras, mas, paradoxalmente, não falta televisão, DVD, ou mesmo vídeo game. 

O lixo se espalha, vindo da maré ou do rio, a prefeitura nunca recolhe. O esgoto está nas portas, no chão, por onde se anda. 

A favela dos Coelhos é apenas uma, entre tantas do Grande Recife. Situa-se no centro, em área nobre, ao lado de edifícios empresariais modernos, perto de hospitais que, como se diz, fazem do Recife o segundo maior pólo médico do país. Aí habita uma população marginalizada, abandonada, refém da droga, do crack, onde adolescentes dos 13 aos 18 anos trabalham como avião.

Ninguém se lembra de construir moradias dignas e humanas para essa gente esquecida. 

Só na catástrofe a solidariedade se manifesta. Quando as enchentes, os deslizamentos ceifam vidas, destroem moradias, todos se mobilizam. A sociedade recolhe doações, o governo começa a construir novas casas, em locais mais seguros, em ritmo eleitoreiro. 

Nem no Rio de Janeiro, onde estão as maiores favelas da América do Sul, subjugadas por traficantes e milícias, a degradação é tamanha. Lá, a maior parte dos barracos é de alvenaria, de tijolo nu, sem revestimento, dizem, para não pagar imposto à prefeitura.

Nessas comunidades o comércio da droga floresce, se desenvolve abertamente, à luz do dia. 

Quando a polícia aparece, com seu aparato de uniformes, viaturas, sirenes, os traficantes se enfiam nas tocas como um bando de ratos. Terminada a incursão, tudo continua como dantes.

O Rio de Janeiro mostrou que pode ser diferente. Lá as favelas podem sonhar com amanhãs radiantes de paz.

A partir de 2008 o Estado decidiu reconquistar comunidades há muito dominadas por traficantes e milícias. A ação se dá em três etapas. Primeiro tropas de choque da Polícia Militar invadem o morro, expulsam os traficantes, de forma a garantir a segurança local. Três meses depois, as UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora, se instalam de modo permanente e preparam a terceira fase, o restabelecimento do poder público com seus serviços econômicos e sociais. 

Até o momento, oito UPPs já foram instaladas e quarenta outras estão programadas para os próximos quatro anos. Em 2011 será a vez da favela da Rocinha, anunciou o governo do Rio de Janeiro.

A presença contínua da Polícia muda significativamente a vida dos habitantes das favelas. Os traficantes desaparecem, vão embora, a violência diminui. 

Está provado que só a ocupação permanente nos morros cariocas, foi capaz de livrar em definitivo os habitantes das mãos dos traficantes e das milícias.

Incursões esporádicas, não levam a nada. A Polícia chega, eles se entocam e, quando ela sai, eles retornam. Com a ocupação permanente realizada pelas UPPs, da Polícia Militar, as coisas mudaram.

Há uma grande diferença no Rio, entre os traficantes e as milícias. Os traficantes não são guerrilheiros, são vendedores de drogas, capazes de agir com violência para preservar seu negócio. As milícias são grupos de bandidos, interessados em extorquir a população, agindo com extrema violência. Os dois são perigosos, os dois fazem parte do crime organizado. Somente a expulsão desses indivíduos é capaz de trazer e implantar a paz.

O que é preciso para que a paz reine em definitivo nas comunidades?

Em primeiro lugar, uma política permanente de construção de moradias dignas, decentes, de erradicação de palafitas, de favelas insanas. Estes novos bairros devem ser aquinhoados com redes de água e esgoto, com projeto urbanístico funcional, providos de áreas de lazer e equipamentos comerciais e comunitários essenciais, servidos por linhas de transportes coletivas acessíveis e integrados à malha viária urbana.

Em seguida, uma política educacional séria, em que os alunos, crianças e adolescentes, fiquem em regime de tempo integral nas escolas, que aí recebam refeições, com atividades escolares, culturais e esportivas e, inclusive, formação profissional, tudo isto a partir de professores capacitados e avaliados sistematicamente, com proventos condizentes com seus esforços e resultados.

Em terceiro lugar, com a ocupação permanente das comunidades pela polícia, como no Rio, com as UPPs.

E, finalmente, com uma política de planejamento familiar que incentive o controle efetivo da natalidade, com orientação permanente, educação para a conscientização dos riscos e responsabilidades pela vida sexual promíscua, com ênfase nos deveres e na responsabilidade de gerar, prover e educar um novo ser. 

Somente assim, garantindo o amanhã dessas comunidades, poderemos ter a certeza de que estaremos garantindo o amanhã de nossos filhos e netos e do nosso Brasil.


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domingo, 3 de outubro de 2010

JUERG HUERLIMANN


Juerg e Núbia no Espaço da Criança



Juerg Huerlimann começou a me enviar e-mails em fevereiro de 2010. Encontrou meu endereço na internet, ao procurar contato para projetos da Fundação Rotária no Brasil.

Sendo do Rotary Club de Laufen, cantão alemão da Suíça, Distrito 1980, manifestou o propósito de visitar o Brasil em agosto e setembro, para gozar o “sabbatical”, uma espécie de licença-prêmio de três meses, a que tinha direito por haver completado dez anos de trabalho em banco. Aproveitaria para conhecer o país, praticar a língua portuguesa, participar de um trabalho social, conhecer novas pessoas.

Juerg fala bem nosso idioma, pois tem esposa portuguesa, é pai de dois meninos, de onze e de nove anos e cursou a Universidade de Coimbra, em Portugal. Disse que gostaria estabelecer parceria entre o seu clube e o Boa Viagem, num projeto em favor das crianças.

Trocamos e-mails ao longo de seis meses, estudamos várias possibilidades. A parceria num projeto da Fundação Rotária tornou-se inviável pelo fato do D-1980 não fazer parte do Plano Visão de Futuro, como o D-4500.

Como ele disse que havia conseguido dez mil dólares para o projeto, ofereci-lhe de pronto a Associação para Restauração do Homem, também conhecida como Espaço da Criança.

A creche, situada no bairro da Boa Vista, assiste à 100 crianças, metade pela manhã e metade à tarde. Funciona há 20 anos numa casa alugada. Acontece que o proprietário pediu a desocupação do imóvel, que se situa numa zona valorizada, pois pretende edificar no local um predio de apartamentos residenciais.

A diretora, ex-presidente do RC Boa Viagem, Núbia Mesquita, adquiriu há cerca de oito anos, um terreno nas proximidades, onde pretende edificar uma nova sede, que deverá estar concluída no prazo de um ano. Os projetos já estão prontos. Será uma construção em concreto pré-moldado, simples, de forma a abrigar as crianças em 4 salas de aulas, a um custo estimado em R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais).

O programa de viagem de Juerg, inclui duas semanas na China, dez dias no Recife, além de Rio de Janeiro, Brasília e Foz do Iguaçu. Viaja sozinho, pois a esposa e os filhos, não puderam tirar férias nesse período.

Fui recebê-lo no aeroporto. É um homem jovem, de quarenta e dois anos, alto, magro, cabelos claros e rosto sardento.

Estabeleci um programa de passeios turísticos e prestação de serviços humanitários. Visitou os principais pontos do Recife, Olinda e arredores, como Itamaracá e Porto de Galinhas.

Depois de conhecer a creche e o terreno da nova sede, Juerg me disse que queria passar três dias com as crianças. Assim fez. Conversou, brincou, jogou, ensinou geografia, mostrou o país de onde veio em um mapa da Europa.

Ao final, manifestou o desejo de conhecer as casas das crianças.

As funcionárias da creche contataram as mães para obter o salvo conduto e poder entrar na favela dos Coelhos. Fomos, Juerg, eu, uma funcionária e duas mães de alunos.

O impacto foi violento. Mal entramos e nos deparamos com uma pequena multidão nas ruelas estreitas, à porta de barracos. Homens, mulheres, adolescentes de ambos os sexos, formavam uma espécie de fila. Entravam contando dinheiro e saíam carregando pacotes de droga, crack, maconha ou papelotes de cocaína, abertamente, alheios à nossa presença.

Deixamos o ponto de venda e entramos num pequeno beco sobre palafitas à margem do rio Capibaribe.

O quadro é chocante. Começa pelos ambientes sem janela dos barracos de madeira podre, colados uns aos outros, sem espaço, nem ventilação. Não existem instalações sanitárias, as necessidades são despejadas in natura no rio.

Perguntei a três meninos que estavam sentados em um pedaço de tábua, os pés a balançar sobre as águas: Vocês não tomam banho nessa água, não é?

Só quando a maré está cheia, responderam, como se tal significasse a redenção dos pecados.

Alguns ambientes, apesar da pobreza extrema, eram limpos e arrumados. Em outros, o mau cheiro impregnava. Em todos, o calor que irradiava das telhas onduladas era insuportável. Vimos bebês misturados a gatos recém nascidos, embolados na mesma cama. Cinquenta reais é o preço de aluguel de um barraco desses.

À nossa passagem muitas pessoas desocupadas nos espreitavam, desconfiadas.

Juerg Huerlimann pode constatar o quanto é necessária uma creche como o Espaço da Criança, onde, alternando com a escola regular, as crianças recebem reforço escolar, atividades recreativas, alimentação, aulas de informática, tudo de forma gratuita. Os menores, dos cinco aos dezesseis anos, ficam longe das ruas, do tráfico e aprendem os verdadeiros valores morais, para se tornarem cidadãos úteis e produtivos, capazes de constituírem família e ganharem honestamente o pão de cada dia.

Obrigado, Juerg.

Nossas crianças agradecem poder sonhar com um amanhã radiante e pacífico.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

COMO IMPLEMENTAR O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE SEU CLUBE




COMO IMPLEMENTAR O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE SEU CLUBE

Palestra de Alberto Bittencourt




I – INTRODUÇÃO


1. Experiência pessoal

O presente trabalho é fruto de minha experiência como presidente da Comissão Distrital de Planejamento Estratégico do distrito 4500, na gestão do gov Leandro Araújo, 2009-10.

Nesse ano rotário tive oportunidade de fazer palestras e vivenciar o Planejamento Estratégico em diversos Rotary Clubs, PETS, Assembléia distrital, Represes, interclubes, e seminários.

Verifiquei que a maioria dos clubes não sabe por onde começar. Muitos confundem Planejamento Estratégico com Plano de Atividades ou com PLD.

Destaco, como exemplos a serem seguidos, os trabalhos do RC Recife-Casa Amarela, tendo à frente o companheiro Girley Brasileiro e da Represe de João Pessoa, conduzido pelo comp João Bosco, ambos facilitadores competentes e experimentados.

2. Referências bibliográficas

Inicialmente recomendo a leitura da revista Brasil Rotário de dezembro de 2009. A partir da página 25 há três artigos de fundo sobre planejamento estratégico. É a transcrição de palestras apresentadas no Instituto XXXII Rotary Brasil de Gramado, RS, em setembro de 2009. 

O primeiro artigo é do EGD Mário César Martins de Camargo, (D.4420). Sendo empresário atuante em importantes órgãos de classe, como a FIESP, Federação das Indústrias de São Paulo, da qual é o vice-presidente e a ABRIGRAF, Associação Brasileira das Indústrias Gráficas, da qual é presidente, ele apresenta uma visão dos pontos fortes e fracos do Rotary no mundo, sob a ótica empresarial.

As duas palestras seguintes foram dos ex-governadores Márcio Pereira Ribeiro (D.4750) e Raul Casanova Junior (D.4610).

É importante conhecer a experiência do Distrito 4610. O Governador Casanova reuniu os principais líderes do distrito, dois ou três por clube, e convocou facilitadores não rotarianos, especialistas em Planejamento Estratégico. Ele relata que o grupo se constituiu num Rotary Club hipotético, com o qual foram realizadas reuniões temáticas mensais, em número de cinco ou seis, os participantes divididos em oficinas de trabalho. As conclusões dos grupos foram lidas e consolidadas na elaboração do documento final. Todos se comprometeram a repetir em seus clubes esses mesmos trabalhos e dinâmicas vividas.

3. Importância

Paul Harris disse:

“Esse é um mundo que muda, o Rotary terá que acompanhar estas mudanças. A história do Rotary será escrita muitas vezes.”

À sua época, Paul Harris pressentia que, para sobreviver, o Rotary teria que se adequar às mudanças do mundo. Mesmo sem ter usado a expressão, o que ele disse revela uma premonição do que seria mais tarde chamado de planejamento estratégico.

Hoje todos aplicam o Planejamento Estratégico, seja em órgãos de governos, bancos, tribunais, cartórios, redes de supermercados, ONGs, etc..

O Planejameto Estratégico implica numa mudança de atitude e de comportamento, em que a empresa passa a ter o foco principal nos resultados.


II - DESENVOLVIMENTO

Para implementar o planejamento estratégico num Rotary Club, é importante que os três presidentes participem: o atual, o próximo e o futuro, pois só assim as ações terão a continuidade necessária.

O Planejamento Estratégico de um Rotary Club pode ser implementado em duas partes:

1. Uma parte teórica, constando de uma exposição com 40 minutos de duração, apoiada por um roteiro em Power Point.

2. Uma parte prática, na forma de discussão dirigida, com metodologia de dinâmica de grupo, conduzida por facilitador experimentado. Há companheiros em nossos clubes que já tiveram essa experiência em seus trabalhos e que podem muito bem atuar como facilitadores. 

As dinâmicas pressupõem uma tempestade de idéias, sob a forma de discussão dirigida. Podem ser realizadas em cerca de 5 ou 6 seções de 40 minutos cada, nas próprias plenárias dos clubes.

Dependendo do número de participantes, eles podem ser divididos em subgrupos ou oficinas de trabalho, ou serem mantidos num grupo único. O facilitador dirige as discussões dos diversos temas, buscando o consenso. As opiniões são consolidadas em poucas palavras, e registradas em um quadro branco, ou num flip-chart.

Ao fim dos trabalhos, terá sido produzido um documento intitulado Planejamento Estratégico do Clube, o qual substituirá o Plano de Atividades do Clube. A grande diferença é que o Planejamento Estratégico é feito de baixo para cima, numa tempestade de idéias e não de cima para baixo, como é usualmente feito o Plano de Atividades do Clube, e que, na maior parte das vezes, não funciona.

É importante ressaltar que o planejamento estratégico não é uma coisa rígida, fechada. Existem muitos modelos diferentes de planejamento estratégico. Cada empresa, cada órgão adota o seu, à sua maneira. Até de um Rotary Club para outro pode haver diferenças.


AS ETAPAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

A implementação do Planejamento Estratégico deve ser realizada por etapas sucessivas, a saber:

1. Diagnóstico
2. Objetivos e metas
3. Tática
4. Programação
5. Execução
6. Acompanhamento e controle.

Primeira etapa: Diagnóstico

A primeira dinâmica servirá para traçar o diagnóstico do clube. Os aspectos a serem discutidos são: visão, missão e valores (opcional).

1.1 - Visão
Cada companheiro vai manifestar sua visão.
Visão é a manifestação do pensamento e do sentimento de cada um a respeito do clube.
Os aspectos a serem abordados são: pontos fortes, pontos fracos, ameaças e oportunidades. Os participantes devem responder a perguntas do tipo:

· Quais são os pontos fortes do clube?
· Quais são os pontos fracos do clube?
· Que fatores nos ameaçam?
· Que oportunidades se apresentam?

Pontos fortes e fracos são fatores internos, enquanto ameaças e oportunidades são fatores externos. O envolvimento, o engajamento de todos os companheiros, é essencial. Tudo isso é para ser debatido, na tempestade de idéias, sob a liderança do facilitador. Muitas vezes ele precisará ir de pacificador a estimulador.

Para completar a visão do clube, cada um será chamado a opinar sobre:

· O que você acha do seu clube?
· Como você se sente dentro do clube?
· Como você vê o clube, dentro de um ano? Dentro de dois anos? Dentro de três anos?

1.2 - Missão

A missão é um valor presente. Refere-se às ações do clube, hoje. Deve expressar o que, como o clube faz, por que e para que.
O facilitador estimula os companheiros a colocar no quadro, em poucas palavras, em apenas um parágrafo, se possível, qual é a missão do clube, procurando, palavra por palavra, a que represente o consenso da maioria. A título de exemplo, pode ser citada a missão do Rotary International.

Segunda etapa: Objetivos e metas

Objetivos são valores futuros. 
O Objetivo é algo que você joga lá na frente e depois corre atrás. Deve sempre ser estabelecido a partir da missão do clube, com a qual deve estar em sintonia.

Estabelecidos os objetivos, definem-se as metas. Meta é a quantificação dos objetivos, expressa por unidades mensuráveis.
Aqui serão realizadas cinco ou seis dinâmicas de grupo para discutir as metas e objetivos das comissões permanentes, a saber: Fundação Rotária, Quadro Social, Projetos de Serviços, Administração, Imagem Pública entre outras que o clube tenha.

O estabelecimento dos objetivos e metas das comissões permanentes do clube deve ser feito na mesma metodologia da dinâmica de grupo. É a totalidade do quadro social quem vai definir, de baixo para cima, numa tempestade de idéias, os objetivos e metas de cada comissão, sob a direção do facilitador que, agora pode ser o próprio presidente da comissão, designado pelo presidente do clube.

É diferente do que era feito anteriormente, na elaboração do Plano de Atividades. Antes, o presidente de cada comissão estabelecia as suas metas, muitas vezes copiava de anos anteriores e as impunha de cima para baixo, sem discussão nem debates. Na maioria dos clubes, esse sistema simplesmente não funciona. É letra morta. Só serve para ser mostrado no dia da visita do governador, para depois ser novamente engavetado e esquecido. 

Por exemplo: o presidente da comissão da Fundação Rotária vai fazer a dinâmica para estabelecimento das metas de arrecadação para a FR em um ano, dois anos e três anos. O clube é quem vai dizer quanto vai contribuir em cada ano para a Fundação Rotária, como vai atingir aquela meta, que táticas e programas vai empregar. Sugiro que o ponto de partida seja o programa “Todos os rotarianos todos os anos”, ou seja, alcançar a meta da contribuição média de cem dólares por rotariano por ano.

A Comissão do Quadro Social, deve estabelecer metas de crescimento líquido durante os três anos seguintes. Por exemplo, qual a meta do clube daqui a um ano? E daqui a dois anos? E daqui a três anos?

As demais comissões vão fazer a mesma coisa: relacionar seus objetivos e traçar suas metas que devem ser fáceis de alcançar, mensuráveis, simples e moduladas crescentemente.

Essas dinâmicas devem abranger não somente as metas e objetivos de cada comissão, mas também a parte tática, a programação e a execução para alcançar as metas.
O estabelecimento de metas deve ser sempre modulado, para ser alcançado progressivamente, representando cada módulo, sempre um desafio a ser conquistado. 
As metas e objetivos do clube devem ser fáceis de alcançar, sem complicação, simples, do contrário, ninguém vai entender, ninguém vai conseguir executar.

Com relação à simplicidade do plano estratégico, cito a história de um cidadão recém admitido numa empresa. Ao chegar recebeu logo um calhamaço de 5 cm de espessura. Disseram-lhe: _ Aqui está o nosso plano estratégico. Estude-o, pois assim você terá uma visão global de toda a empresa e se integrará melhor ao seu setor.
Apesar de ler e reler várias vezes, o novo funcionário não conseguiu entender nada, pois o plano era muito complexo e ainda por cima usava e abusava do português corporativo, um tipo de linguagem usada no meio empresarial, semelhante ao economês, ou juridiquês. Exemplo, de português corporativo: substituir dispositivo periférico para melhoria das condições ambientais de iluminação e conforto. Traduzindo, isso quer dizer, simplesmente, trocar a lâmpada.

Terceira etapa: Tática

Tática, linha estratégica, ou estratégia, é a etapa em que escolhemos os caminhos para alcançar as metas. Para cada meta, imaginamos alguns eventos, estabelecemos atitudes e priorizamos ações a fim de alcançá-las, tudo com datas e prazos bem definidos, para não se perder o foco. Um exemplo de tática é organizar um desfile de modas para arranjar recursos para Fundação Rotária.

Quarta etapa: Programação

Definidos os eventos, entramos na fase em que programamos os eventos a serem realizados e definimos os recursos físicos, humanos e financeiros com que podemos contar.

Quinta etapa: Execução

É a utilização dos meios e recursos para realização dos eventos programados.

Sexta etapa: Acompanhamento e controle

Não podemos esquecer que cada etapa deve ser sempre acompanhada de uma avaliação, propiciando assim a devida correção de rumos, bem como os ajustes necessários. Sem essa avaliação sistemática, o clube nunca alcançará plenamente o que planejou.

Agora, nada disso vai funcionar, tudo isso vai ser em vão, se não houver o envolvimento de todos os rotarianos, de todos os companheiros do clube. A totalidade do quadro social tem que participar das dinâmicas, em todas as suas etapas. Do comprometimento de cada companheiro que participou e contribuiu com suas idéias, depende o sucesso do Plano.

O planejamento estratégico do clube agora vai funcionar, porque ele está sintonizado com a sinergia do clube.


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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MENINAS DO CRACK




MENINAS DO CRACK


Alberto Bittencourt


Patrícia tem vinte anos. Há dois está reclusa na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, onde aguarda julgamento por tráfico de entorpecentes. 

Aos quinze entrou para o submundo das drogas, através do relacionamento com Marcão, um manda chuva da favela. Conhecera-o, quando, iniciada como avião, aguardava sua vez de receber mercadoria em consignação. Descalça, usava short e sutiã sem blusa. Era só o que possuía. Pele morena, cabelos compridos e lisos, certo ar rebelde, de moleca desafiadora.

Filha única entre quatro irmãos, pai desconhecido, mãe viciada, prostituída, Patrícia cresceu a esmolar pelas ruas. Não frequentou regularmente a escola, mas conseguiu se alfabetizar com certa facilidade. 

O dinheiro da droga trouxe benefícios para sua casa. Já nem se lembrava dos tempos de penúria. Marcão lhe dava além da proteção, tudo o que ela precisava e queria: roupas, drogas, celular, dinheiro, som, até uma moderna TV de 42 polegadas.

A mãe sentia orgulho da filha ser mulher de bandido.

Patrícia era feliz. Mandou gravar uma tatuagem, no cangote, com o nome do amante, Marcos, dentro de um coração vermelho, cercado de anjos, expressão de seu amor eterno.

Após alguns meses de relacionamento, descobrira-se grávida. Logo soube que era menino. Depois veio a notícia trágica.

Em plena luz de um dia de movimento, Marcão deixara a boca e se dirigia para casa. Vieram os motoqueiros, tentou fugir, quatorze disparos encerraram uma carreira mal começada, aos 26 anos de idade.

Patrícia atirou-se sobre o corpo inerte. No desespero, o queria de volta, não podia ficar sem o amante e protetor. O que seria dela e do filho, ainda por nascer?

Ao enterro compareceram as meninas do crack, adolescentes como ela, encarregadas de buscar pedras para usuários. As idades podiam variar dos 13 aos 18. 

Confirmando o que fingia não saber, lá estavam mais duas meninas grávidas, se dizendo mulheres de Marcão e outras chorando a perda do namorado traficante.

A mãe de Marcão disse que cuidaria dos três bebês.

O meu eu não dou! Patrícia prosseguiu na tarefa de pegar pacotes de crack, levar para os consumidores, repor o dinheiro. O lucro mal dava para o mínimo, o leite, recebia do governo.

Graças a uma disciplina férrea, Patrícia não consumia drogas. Sabia que, se o fizesse, terminaria por voltar à mendicância, como acontecia com outras meninas do crack, de crianças à tiracolo. 

E agora? Seu irmão, viciado, roubara a feira do dia. Não tinha como repor. Desesperada, arrumou a trouxinha do bebê a quem batizara de Marcos – pelo menos assim aproveitaria a tatuagem, não ficaria inútil – e o levou para a casa da sogra. Adeus, meu bebê. Mainha vai viajar, minha vida!

Chorando, Patrícia entrou na delegacia. Seu delegado me prenda, pelo amor de Deus. Na minha bolsa tem pedra, sou traficante, o Sr pode conferir. Por favor, não me deixe voltar, eu tenho um filhinho de seis meses, eles vão me matar, vão matar meu bebê.

O delegado mandou lavrar o flagrante e Patrícia, ré confessa, está há dois anos recolhida, ainda sem culpa formada.

A vida continua nos barracos podres de madeira, palafitas fincadas na maré, sem ventilação, telhas onduladas de calor insuportável e cheiro cloacal, onde impera o comércio do crack, cocaína, maconha. A droga chega, pequena multidão acorre, crianças e adolescentes aparecem, a droga traz dinheiro.

A gata teve a ninhada na mesma cama onde agora se misturam a avó, as três crianças e cinco gatinhos. Como sair dessa? Seu delegado, me ajude!

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