ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

MEDITAÇÃO TRANSCENDENTAL


MEDITAÇÃO TRANSCENDENTAL 
Alberto Bittencourt - jan 2019



Marahish ensina a técnica de MT aos Beatles

Minha curiosidade quanto à prática da meditação remota a muitos anos. Sabia apenas que se tratava de um método para manter a mente concentrada, focada, afastando o afluxo dos pensamentos.
Ouvira falar de algumas técnicas, como a do budismo, focada na respiração e de outras, com foco em imagens, gravuras, paisagens e até na chama de uma vela.
Pratiquei um tempo a meditação guiada, comum no ocidente, em que o facilitador sugere visualizações mentais de imagens, lugares, estrelas, bolhas de paz e energia.

Finalmente conheci a Meditação Transcendental, ou MT, uma técnica fácil, simples e natural. Logo compreendi que era a melhor de todas. Foi trazida ao Ocidente, no início dos anos sessenta pelo mestre Maharishi Mahesh Yogi, o famoso guru dos Beatles. 

Durante o curso, com duração de uma semana, o aluno aprende a se conectar com o seu interior, com a fonte dos pensamentos, para expandir a consciência, até chegar, com a prática regular à consciência plena. Ao final do curso cada aluno recebe um mantra. 

Os mantras são palavras sagradas, em sânscrito. Tiveram origem nos Vedas. A repetição desses mantras durante cinco mil anos por homens sábios e santos, conferiu-lhes uma força extraordinária, um poder de cura e alívio para os males da alma e do corpo. 

Descobriu-se que, a prática diária da meditação, dividida em duas sessões de vinte minutos cada, separadas por algumas horas, é mais eficaz que uma sessão contínua de quarenta minutos. Tudo é feito da forma mais simples. Em ambiente silencioso, olhos cerrados, recostado no espaldar de uma cadeira ou poltrona, a cabeça deixada livre, para não dormir. 

A MT tem sido exaustivamente pesquisada em centros de estudos do mundo inteiro. A ressonância magnética provou que a mente pode chegar àquele estado de quietude, de calma, harmonia, embora simultaneamente alerta, dinâmica e desperta. 

Experiência inigualável é participar de um retiro de fim de semana, também chamado residencial, conduzido por Cyinthia Gerling, minha amiga, extraordinária instrutora de MT. 

Duas vezes por ano, Cynthia vem ao Recife, ministrar cursos e o residencial, no Hotel Campestre de Aldeia. Em ambiente de muita paz, dispondo de alimentação balanceada, clima ameno, junto à natureza, Cynthia reúne meditantes de sexta a domingo, para uma vivência de paz, harmonia e relaxamento. 

O dia começa cedo, antes do café, com a saudação ao sol, Surya Namaskar. Inicialmente, é preciso harmonizar a mente. Um exercício de pranayama, com a respiração polarizada e algumas ásanas, deixa todos prontos. 

Cynthia ensina a fazer a automassagem, chamada Abhyanga, com um óleo de gergelim, purificado. 
Além disso, nos intervalos entre duas sessões de meditação, promove caminhadas ecológicas, em trilhas no meio da mata. 

À noite, é bate papo, música e relaxamento. 

O residencial de MT no hotel Campestre de Aldeia, é uma grande oportunidade para se esvaziar o estresse acumulado e recarregar as baterias para novo período de atividades mundanas.


sábado, 26 de janeiro de 2019

OS PONTOS CRÍTICOS DO ROTARY 25/10/2011


OS PONTOS CRÍTICOS DO ROTARY

Alberto Bittencourt
(Trecho de palestra e debate apresentado na REPRESE dos clubes do Grande Recife, em outubro de 2011)




Companheiros.


Sinto que o Rotary de hoje possui quatro grandes pontos críticos.


São eles os pontos que mais têm atraído as atenções, mais têm sido abordados e enfatizados pelos dirigentes rotários de todos os níveis. É onde o Rotary mais tem concentrando as suas ações. É com esses pontos críticos que o Rotary vem se preocupando nos últimos tempos. Eles são constantemente temas de conferências distritais, seminários, fóruns.
Por que são pontos críticos? Porque mesmo com todo o esforço despendido, com todos os programas e recursos empregados, não se consegue eliminá-los, resolvê-los, nem mesmo abrandá-los.

Eles são críticos, porque apesar de tudo o que se fez e se faz, continuam desafiadores, intangíveis. Na minha opinião, o Rotary de hoje depende da resolução desses quatro pontos críticos.

Somente a você, rotariano e a ninguém mais, cabe a missão de levantar e identificar esses pontos críticos do Rotary, para estudá-los, compreendê-los e, finalmente, agir, no sentido de eliminá-los, para que o Rotary volte a crescer, livre, pujante, dinâmico, realizador, eficiente e eficaz.

São eles:

PRIMEIRO PONTO CRÍTICO:
Imagem Pública (visibilidade, transparência)


O primeiro ponto crítico é, sem dúvida, a imagem pública. 
Apesar de toda uma mudança de concepção, na prática o esforço despendido não tem surtido o efeito esperado. O Rotary precisa aparecer mais. O que percebemos é que o Rotary tem uma visibilidade muito limitada aí fora. Tudo o que fazemos hoje em nossos clubes, todo o trabalho dos rotarianos, seja nas creches, nos centros de apoio a deficientes, nas comunidades, tem tido uma repercussão muito restrita, muito limitada, entre o público que nos observa. De maneira geral, os rotarianos se omitem na divulgação dos feitos de seus clubes. Eles não repassam à mídia qualquer tipo de matéria. Bastaria uma pequena lauda com fotos, em linguagem bem atrativa, com a descrição dos trabalhos e do envolvimento do Clube. 
Precisamos criar mecanismos em nossos clubes, envolvendo os associados neste trabalho importantíssimo para a transparência do Rotary, principalmente, porque esta é a melhor forma de atrair futuros companheiros para nossas fileiras. Nossos clubes falham neste quesito, apesar da prioridade que o Rotary vem dando à Imagem Pública, transformando-a em uma das mais importantes ênfases presidenciais de RI nos últimos anos.


SEGUNDO PONTO CRÍTICO: 
Inovação. (Mudança, flexibilidade)

James Hunt, autor do livro "O Monge e o Executivo" disse: O cúmulo da insanidade é tentar obter resultados diferentes e continuar fazendo a mesma coisa, do mesmo jeito, sempre.

O segundo ponto crítico do Rotary, ao meu ver, é a inovação, que hoje também é uma das ênfases presidenciais em 2011-2012, trazida pelo Presidente Kalyan Banerjee. Inovação se consegue levando para nossos clubes a mudança de paradigmas e a quebra da rotina massacrante. O Rotary tem mudado bastante nesses últimos quinze anos. Ele fez uma verdadeira revolução, em se tratando de inovação.

Começou antes do ano 2000, criando o PLD (Plano de Liderança Distrital), o PLC (Plano de Liderança de Clube), e o Planejamento Estratégico. Somente estes três itens representaram uma enorme transformação em Rotary. Foram mecanismos muito úteis para barrar o marasmo e a acomodação que tomava conta dos clubes, que impedia o seu desenvolvimento. Seus resultados ainda não foram sentidos inteiramente, mas o principal benefício foi a continuidade das ações, das metas e objetivos, que passaram a ser de curto, médio e longo prazo.

O PLD trouxe uma profunda mudança nos distritos rotários, com a criação e estruturação das funções do Instrutor Distrital, dos Governadores Assistentes, dando uma ênfase especial aos Treinamentos, como PETS, GATS, Equipe Distrital, além do Seminário de Capacitação e dos Seminários da Fundação Rotária, Imagem Pública e Desenvolvimento do Rotary.

Na Fundação Rotária, o Plano Visão do Futuro também representa uma tremenda reformulação em seus programas, métodos e ações.

Ainda há muito a melhorar como, por exemplo, a pouca profundidade na abordagem dos seminários, devido à exiguidade do tempo disponível, pois, são geralmente feitos em conjunto. Apesar de realizados em várias cidades do Distrito 4500, falta avaliar e divulgar os resultados desses treinamentos. Qual foi efetivamente o alcance das informações recebidas, que mudanças acarretaram e qual foi o resultado das ações daí advindas?

Treinamento e capacitação são hoje fatores determinantes de sucesso.

O próprio PLC já sofreu mudanças em 2010, com a criação da Quinta Avenida de Serviços, dedicada Às Novas Gerações, de suma importância para o futuro do Rotary.

No Distrito 4.500, o meu clube, o RC do Recife-Boa Viagem fez parte do Programa Piloto de Rotary chamado Inovação e Flexibilidade. Foram apenas duzentos clubes no mundo inteiro e somente dois no Brasil. 
O que um clube de Rotary pode fazer dentro deste programa Inovação e Flexibilidade? Ele pode virar pelo avesso coisas que sempre foram sagradas em Rotary, como o Estatuto do Clube, antes só alterado mediante proposta aprovada no Conselho de Legislação e submetida à votação pelos delegados votantes dos clubes do mundo, de 3 em 3 anos. Como clube piloto deste programa, o RC Recife-Boa Viagem pode tentar novas experiências, buscar novos paradigmas, novas formas de se reunir e de agir, desde que, claro, fazendo os devidos relatórios.

Então, companheiros, uma das preocupações de RI é justamente a mudança para acompanhar as transformações da vida moderna.

Quando falamos em mudanças, nos referimos a transformações, não apenas a melhorias. A melhoria é como tornar um gato magro num gato gordo e bonito, mas ele continuará sendo sempre um gato. A transformação significa tornar o gato magro em um tigre, o que é radicalmente diferente. Essas transformações ainda precisam atingir a todos os clubes, com todos os associados trabalhando em conjunto, cada qual em sua comissão, fazendo com que as metas e objetivos sejam realmente alcançados e avaliados.


TERCEIRO PONTO CRÍTICO: 
Liderança (Integração, participação)

O terceiro ponto crítico em Rotary é a formação de novos líderes. Nunca o Rotary foi tão carente de lideranças. Se olharmos para nossos líderes, eles são, desde muito, aqueles de sempre, os mesmos. Nossos clubes precisam de líderes para mobilizar o quadro associativo. São esses líderes que integram os rotarianos dentro do clube, que fazem uns interagirem com os outros, que fazem com que todos participem e se envolvam nos programas, do clube e do Rotary. Assim, o Rotary depende dos líderes, precisa de lideres, são os líderes os responsáveis pelo dinamismo, pela pujança do clube e do Quadro Associativo.

Onde estão os novos líderes dos clubes? Eles deveriam estar presentes e alertas, incentivando e levando os companheiros para o caminho proposto pelo PLC, para que o clube cresça e alcance suas metas.

Onde estão os novos líderes? Eles estão fazendo muita, muita falta mesmo, nos clubes, nos Distritos e até em Rotary International.
A verdadeira liderança é aquela que forma novos líderes para abraçar e seguir seus ideais. É assim no Rotary.


A formação de novos líderes começa em nossos clubes, com a convocação de companheiros para trabalhos e apresentações, para palestras e exposições. O que muito ajuda na preparação e divulgação destas novas lideranças são as reuniões conjuntas de dois ou mais clubes, os interclubes temáticos e o intercâmbio de rotarianos em reuniões plenárias e palestras em outros clubes.


QUARTO PONTO CRÍTICO. 
Seriedade. (Comprometimento, ética)

Quando eu digo seriedade, eu falo em Comprometimento e Ética, e quando falo em Ética, falo em Prova Quádrupla.

Não é a totalidade, graças a Deus, mas podemos ter a certeza que para muitos dos rotarianos, falta seriedade com os compromissos rotários.

O que é seriedade? Seriedade é não ficar acomodado, não empurrar com a barriga as obrigações para com o grupo, nem os compromissos que, como rotariano assumiu.
Quem não tem seriedade, quem não vê o Rotary com seriedade, não comparece às reuniões, não assume funções e quando as tem, não se empenha no trabalho, não faz jus ao distintivo, nem ao título de rotariano.

CONCLUSÃO:

Esses Quatro Pontos Críticos aparecem nitidamente quando se faz uma análise a partir dos problemas que nossos clubes enfrentam. Eles precisam vencer e superar estes Quatro Pontos Críticos, para que nossa associação volte a crescer numericamente e possa produzir ações cada vez mais importantes para a humanidade.
Acredito que os CENTROS DE ESTUDOS ROTÁRIOS dos Distritos possam dar uma efetiva colaboração nesse sentido.
Precisamos fazer alguma coisa, começando dentro de nossa casa, para depois, fortalecidos e unidos como um FEIXE DE VARAS, defender um BRASIL cada vez melhor, alegre e feliz.


X-X-X-X-X-X


Alberto Bittencourt
E mail: abitt9@gmail.com
Blog: http://albertobittencourt.blogspot.com
Rotary Club do Recife-Boa Viagem; D-4500
Governador do Centenário 2004/05
Classificação: engenharia civil
Tel cel: +55 (81) 98844-8129
Tel res: +55 (81) 3204-1752o

sábado, 1 de dezembro de 2018

MINHA RELAÇÃO COM A FUNDAÇÃO ROTÁRIA



MINHA RELAÇÃO COM A FUNDAÇÃO ROTÁRIA
Alberto Bittencourt

Presidente do RCR-Boa Viagem 1996-97, D.4500
Presidente da Subcomissão Distrital da FR 1997-2000
Presidente da Comissão Distrital da FR, 2000-03
Líder do IGE-2002 no Distrito 5300, California e Nevada, USA
Major Donnor da FR, 2004
Governador do centenário do D.4500 em 2004-05
Presidente da Comissão Distrital da FR, para implantação do Plano Visão do Futuro,   2013-16
Coordenador Zonal da Campanha End Polio Now para a zona 22B, 2015-17.






                                                                                                           
1. COMO TUDO COMEÇOU

O começo de minha relação com a FUNDAÇÃO ROTÁRIA aconteceu no PETS - Seminário de Treinamento de Presidentes Eleitos, em Natal, RN, no mês de abril de 1996.
Numa inesquecível jornada de três dias no recém inaugurado hotel Ocean Palace, situado na Via Costeira, o então governador eleito do Distrito 4500, Arnaldo Neto Gaspar, empresário e proprietário do hotel, ensinava aos seus presidentes-plus, assim batizados pelo presidente eleito do Rotary International, Luis Vicente Giay, os caminhos para a realização de projetos de Subsídios Equivalentes da Fundação Rotária.
Dizia ele: o seu clube coloca mil dólares num projeto e recebe outros mil dólares de um Rotary Club parceiro internacional. A Fundação Rotária dobra a quantia doada pelos dois clubes e aporta mais dois mil dólares. Assim, a cada mil dólares doados por um clube local, o projeto recebe quatro mil

Ao final, Arnaldo Gaspar conclamava: Quero que cada clube de meu Distrito faça pelo menos um projeto de Subsídios Equivalentes. 
Minha primeira providência como presidente, 1996-1997, do Rotary Club do Recife Boa Viagem, foi convidar o chairman da Comissão Distrital da Fundação Rotária, saudoso e inesquecível companheiro, EGD Emerson Loureiro Jatobá, para uma palestra no clube.
Atendendo à sua sugestão, enviei pelos Correios, cartas de uma página, propondo parceria para projetos em favor das crianças, a 160 Rotary Clubs dos Estados Unidos, Canadá, e alguns da Europa, escolhidos aleatoriamente no Official Directory entre os clubes que tivessem mais de 120 sócios. Em 1996 não existia ainda a internet. Recebi cinco respostas, sendo duas negativas e três com pedidos de mais informações. Até então pouco sabia sobre a Fundação Rotária. Como se vê, comecei do zero e qualquer um poderia ter feito o mesmo.
Imediatamente comecei a trabalhar e consegui concretizar naquele ano de minha presidência, com os três clubes acima, três projetos de Subsídio Equivalentes em benefício de uma creche denominada Lar de Cáritas. Foram os projetos de ns. 07193, 07286 e 07410 da Fundação Rotária, em parceria com os Rotary Clubs de Calgary, no Canadá; Edmonton, no Canadá e Eureka, nos EUA.
Para obter os recursos necessários, organizei no meu clube um consórcio PAUL HARRIS, além de outros eventos, como leilão de artes, festa de São João (Forrotary), rifas. Desse modo, na posse de meu sucessor, comp. Joel Muricy, fiz a entrega de 15 títulos de companheiros Paul Harris, correspondentes à parte do clube nos três projetos de subsídios equivalentes, cujo valor somava US$ 60 mil. Adquirimos para a creche um veículo Kombi, uma cozinha industrial e uma lavanderia industrial.  Conseguimos recursos adicionais com outras ONGs internacionais para construção dos prédios e instalação dos equipamentos.

2. TRABALHANDO NOS PROJETOS.

Após o término da presidência de meu clube, fui convidado pelo saudoso comp EGD Emerson Jatobá, presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária, para ser o presidente da Subcomissão Distrital de Subsídios, cargo que exerci de 1997 a 2000.  
Por sugestão minha, de pronto acatada por Jatobá, montamos uma Central de Projetos, com o objetivo de melhor assessorar e ajudar aos clubes, principalmente na busca de parcerias no exterior, difícil ou mesmo quase impossível para clubes pequenos, do interior.
No ano de 2000, Emerson convidou-me para sucedê-lo na presidência da Comissão Distrital da Fundação Rotária. De 2000 a 2003 exerci essa importante função.
Ao todo, foram seis anos seguidos de  muito trabalho na ajuda aos clubes do distrito. Fizemos nesse período mais de 200 projetos, 105 dos quais concretizados, no valor aproximado de 2 milhões de dólares, o que levou o Distrito 4500 a uma posição de destaque nacional em se tratando de projetos da Fundação Rotária. Basta ver a edição da Revista Brasil Rotário, de novembro de 2005. Estamos atrás apenas do D-4570, RJ,  pioneiro no Brasil em projetos, sob a liderança do saudoso EGD Yutaka Okumura, e à frente dos demais distritos brasileiros. Somos o Distrito que mais recebeu recursos da Fundação Rotária no período.

3. SUSAN CLARKE.

Entretanto, sendo eu empresário da construção civil, meu tempo era exíguo para tratar de outros assuntos que não os de minhas empresas. Precisava de alguém que me auxiliasse, que facilitasse e agilizasse a comunicação com os clubes parceiros do exterior. A professora de inglês, Susan Clarke, de nacionalidade inglesa, foi indicada por minha filha Annie, proprietária no Recife de uma rede de escolas de idiomas.
A partir de 1998, deleguei à Susan os contatos com os rotarianos do Brasil e do exterior e com os funcionários da Fundação Rotária. Tudo o que Susan fez foi em meu nome, sob minha orientação, sob meu controle e cuidado. Alguém levantou a tese de que Susan, não era rotariana. Eu contra argumentei dizendo que os funcionários da FR, encarregados de receber e analisar nossos projetos, também não eram. Pela facilidade de comunicação e pelo tempo exíguo de que dispunha, eu tenho a firme convicção de que pouco teria feito sem a colaboração de Susan Clarke.
Susan foi de uma dedicação extrema. Identificou-se como poucos rotarianos com a causa da FR. Tornou-se sócia honorária de  vários Rotary Clubs, como Itapetim, Recife Boa Viagem, Recife Treze de  Maio e outros e companheira Paul Harris pelo RC Recife Boa Viagem. Sua dedicação a torna merecedora das maiores homenagens, principalmente por parte do Distrito 4500.
Susan ocupava uma sala em meus escritórios, equipada com computador, telefone, internet, ar condicionado, WC privativo e tudo o que precisasse. Trabalhava em tempo integral nos projetos, com salário, carteira assinada. As despesas com ligações internacionais, cópias, correios, sedex, sempre foram bancadas por minha empresa.

3. CONGRESSO INTERNACIONAL DE VOLUNTARIADO

Ao concluir o ano de minha presidência à frente do Rotary Club do Recife - Boa Viagem, no ano de 1996-97, tendo realizado parcerias com três Rotary Clubs internacionais para consecução exitosa de três diferentes projetos de Subsdios Equivalentes, em favor da creche denominada Lar de Cáritas, com 260 crianças no jardim Piedade, município de Jaboatão dos Guararapes, recebi o honroso convite de participar do II Congresso Internacional de Voluntariado, o IAVE- International Award for Volontary Effort, na cidade de Edmonton, Canadá , com todas as despesas pagas. O convite partiu de Russ Mann, presidente do Rotary Club de Edmonton, nosso parceiro em vários projetos de Subsidios Equivalentes, um pujante Rotary Club, com cerca de 260 associados. Tive oportunidade de palestrar para todo o clube, em animada plenária daquele Rotary. O congresso teve a duração de uma semana, e reuniu 2500 delegados internacionais. Eu, Helena e a assistente Susan Clarke ficamos hospedados na casa de Russ Mann e esposa Joanne. 
O Rotary Club de Edmonton fez vários outros projetos com diversos clubes do D.4500. Eu, Helena e Susan, tivemos o prazer de receber Russ e Joanne em nossa casa, onde tiveram oportunidade de conhecer os projetos emparceirados por seu clube.  

4. PALESTRAS

Desde minha nomeação como presidente da Subcomissão Distrital de Subsídios, venho sendo convidado a fazer palestras em plenárias de clubes, seminários, assembléias, fóruns, interclubes, Conferências Distritais. Tenho em meus arquivos pessoais mais de 400 certificados de palestrante, a metade deles sobre a Fundação Rotária.

5. IGE.

Tive a honra de ter sido o líder do IGE- 2002, no Distrito 5300, que abrange os Rotary Clubs do sul da Califórnia e parte de Nevada. Sobre a experiência escrevi o livro intitulado "Ajudando a Construir a Paz", o qual distribuo aos novos participantes de programas da FR de meu distrito.
Sempre acompanho os membros de IGEs visitantes em nosso distrito, nos dias em que meu clube é o anfitrião.

6. DOADOR EXTRAORDINÁRIO

Desde o ano de 1996 venho fazendo contribuições para a FR. Fui ganhando safiras e rubis, de modo que ao tomar posse como governador do Centenário do Distrito 4500, já tinha completado o valor de US$ 10 mil em doações. Recebi o título de Doador Extraordinário da FR no Instituto Rotary Brasil de Florianópolis, em setembro de 2004.


7. PRÊMIOS E RECONHECIMENTOS DO ROTARY.
1997 – Companheiro Paul Harris.
1999 – Menção Presidencial Quatro Avenida de Serviços por Realizações Individuais, outorgada pelo presidente James Lacy.
1998 - Prêmio Distrital por Serviços Prestados à Fundação Rotária, conferido pelo Governador Luciano Nóbrega.
2004 – Major Donnor da Fundação Rotária.
2006 - Prêmio Distrital por Serviços Prestados à Fundação Rotária, conferido pela governadora Aldanira Barreto.
2009 – Citação por Serviços Meritórios da Fundação Rotária, outorgada pelo presidente do Conselho Curador da Fundação Rotária, Glenn Estess.

8. ARTIGOS
Como cronista do Rotary, tenho escrito centenas de artigos, muitos dos quais sobre a Fundação Rotária. Esses artigos são transcritos em boletins de clubes e cartas mensais de distritos. Alguns artigos foram publicados na Revista Brasil Rotário, e constam de sites de clubes e distritos do Brasil bem como nos sites do e-club D4500 e do GEROI. Podem ser acessados neste meu blog FEIXE DE VARAS, bastando, para isso, clicar no marcador FUNDAÇÃO ROTÁRIA.




9. PROJETOS

Em 2003-04 passei a presidência da Comissão Distrital da Fundação Rotária para o companheiro Valter Jarocki, do RC Recife-Derby
Tenho orgulho de ter realizado, em meu clube, o Rotary Club do Recife - Boa Viagem, um total de 14 (quatorze) projetos de Subsídios Equivalentes e um projeto de Subsídio Global, dentro do Plano Visão do Futuro.

10. III FEIRA INTERNACIONAL DE PROJETOS DO ROTARY

Por ocasião do IRB - Instituto Rotary do Recife, realizado no ano de 2000, nesta cidade do Recife, PE tive o prazer de organizar, juntamente com o saudoso governador D. 4570, Yutaka Okumura, com sucesso a Terceira Feira Internacional de Projetos Rotários do Brasil. Na época, era governador do D. 4500, José Ubiraçy Silva. O sucesso dessa III Feira está documentado nos anais do IRB, abaixo transcritos.


Um total de 217 projetos de Subsídios Equivalentes apresentados foi do número registrado na III Feira Internacional de Projetos. O valor total dos projetos  somou US$ 2.462.832,00 com uma média de US$ 11.349,46 por projeto. 


11. NOVOS DESAFIOS

Fui convocado pelos governadores eleitos Alexandre Inojosa (2013-14) e Eduardo Mota (2014-15) para exercer pela segunda vez o cargo de presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária nos anos de 2013-16, quando o Plano Visão do Futuro será implantado em todos os distritos rotários do mundo. Recebi, junto com os demais 531 presidentes das CDFR treinamento em San Diego, em janeiro de 2013.
Ao todo, completei 9 anos à frente da Comissão Distrital da Fundação Rotária. Nesse período, fizemos 105 projetos de Subsídios Equivalentes, no valor total de cerca de 2 milhões de dólares, seis projetos de Subsídios Globais e inúmeros Subsídios Distritais.

Novas missões e novos desafios estão lançados. Tenho o sonho de ver a poliomielite erradicada definitivamente da face da Terra, a Fundação Rotária cada vez mais forte e o Rotary International receber o prêmio Nobel da Paz. 
Assim seja.




 

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

ETICA E VOLUNTARIADO


ÉTICA E VOLUNTARIADO
Alberto  Bittencourt





Meu amigo Sergio integra uma dessas associações humanitárias que, todas as noites, distribui uma tigela de sopa quente e nutritiva a moradores de rua. Concentra suas atividades na rua do Imperador, uma artéria de grande movimento no centro do Recife, bem perto da majestosa e imperial sede do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Ali, cerca de 40 pessoas, entre idosos e crianças, há décadas vive nas calçadas. Moram debaixo das marquises, dormem na frieza do cimento forrado com um pedaços de papelão. Tiram o sustento como flanelinhas, convivem com a sujeira, com a falta de higiene, ficam ao relento, sem a menor proteção. Mas não querem sair dessa situação. 

Há alguns anos, a ABCC- Associação Beneficente Criança Cidadã, fundada pelo desembargador Nildo Nery dos Santos no início do ano 2000, numa iniciativa louvável, conseguiu removê-los. Numa área cedida pela prefeitura, fez construir cerca de 20 casas que foram doadas para aquelas famílias, na esperança de lhes dar condições dignas de existência. Junto com as casas, as famílias receberam material de higiene, alimentação, instrução, cuidados médicos e tiveram os filhos matriculados na escola. A Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque, que encanta o mundo, é cria da ABCC.

O sonho de ver a rua do Imperador sem miséria, contudo, durou pouco. Novas famílias logo se instalaram nas mesmas calçadas.

Dia desses, encontrei com Sergio. Como sempre, ele apregoou os benefícios do que considera ser sua missão de alimentar os pobres. 

_ Você não faz ideia de como nos faz verdadeiramente bem, trabalhar desinteressadamente em favor dos mais necessitados. Doar uma parcela de nosso tempo, dinheiro e energia para aquelas pessoas, remoça, dá mais disposição, mais alegria na vida. 

Sergio é adepto de filosofias orientais. Ele acredita que os atos de caridade geram créditos que um dia nos libertarão da roda de nascimentos e mortes, quando então teremos alcançado o plano espiritual mais elevado. 

_ Mas é claro, meu amigo, respondi ao Sergio. É impossível doar sem receber algo em troca, mesmo quando se trata dos pobres. Afinal, não está na Oração de São Francisco que é dando que se recebe? 

A frase causou impacto em Sergio. 

_ Você está enganado, disse ele. Meu objetivo é aliviar o sofrimento dessas pessoas. A caridade é um fim em si. A recompensa, nesta ou em outra vida, é consequência. 

_ Pois vou lhe mostrar que não é possível dar sem receber nada em troca, disse eu. Costumo doar roupas velhas, objetos usados que não me servem mais, para o bazar da irmã Anatília. Ela dirige uma instituição denominada CRVV- Centro de Revitalização e Valorização da Vida, no bairro do Pina, que cuida de 150 crianças, em horário complementar ao da escola. O bazar revende de tudo, a um preço quase simbólico. Cada cabide de roupa, por exemplo, custa R$ 3,00 em média. O dinheiro apurado paga a funcionária encarregada e ainda ajuda no custeio da instituição. 

_ Em casa, vez por outra, eu e Helena fazemos uma limpeza em nossos armários, em benefício do CRVV. Nenhuma daquelas crianças sabe que somos nós os benfeitores. Nada recebemos em troca das doações.

Sergio retrucou:

_ Bem, qualquer ação tem que ser totalmente anônima, para não correr o risco de gerar agradecimentos, de se tornar um favor. Ao me contar isso, você se tornou credor de minha admiração. Receba os meus parabéns e minhas congratulações, em troca de sua doação desinteressada. 

A pequena história mostra como são tênues os limites éticos do voluntariado.

Eu e Helena integramos o Rotary International, a maior rede de voluntários do mundo. Pertencemos ao Rotary Club do Recife-Boa Viagem. Tivemos oportunidade de conhecer o IAVE – International Association for Volunteer Effort ao participarmos como convidados de uma conferência mundial realizada no ano de 1998 na cidade de Edmonton, Canada, a convite do Rotary Club de Edmonton, parceiro internacional do nosso clube em diversos projetos humanitários. 

O IAVE foi fundado no ano de 1970, por um grupo de idealistas que encontrou no serviço voluntário um meio de conectar nações e culturas. A organização cresceu e hoje possui representações em mais de 70 países, a maior parte em desenvolvimento. O objetivo único do IAVE é promover, fortalecer e celebrar o crescimento do voluntariado no mundo inteiro. As conferências mundiais ocorrem de dois em dois anos.

A partir daí, eu e Helena temos acompanhado diversos movimentos internacionais de voluntários que congregam pessoas interessadas nos trabalhos comunitários. 

O Canadá é seguramente o país mais desenvolvido no mundo nesse campo. Lá, 80% de sua população desempenha algum tipo de trabalho voluntário. 

Outro exemplo são os Departamentos de Bombeiros americanos. Há cidades dos Estados Unidos em que 100% do efetivo é voluntário, outras, em que 100% é profissional e há as que adotam um sistema misto.

Os firefighters voluntários nada recebem de remuneração. Têm alto senso de responsabilidade, encaram o trabalho com a mesma dedicação dos servidores profissionais. Desempenham sua missão com o maior afinco, tanto no que diz respeito ao cumprimento do horário, quanto no zelo pelos materiais, pois operam sofisticadas e complexas viaturas e equipamentos com a maior seriedade.

Em todos os museus e centros históricos americanos que visitamos, havia sempre a presença marcante de voluntários, geralmente pessoas idosas, aposentadas, que trabalhavam como guias ou na administração.

Aprendemos que a palavra voluntário tem uma conotação, um peso, uma responsabilidade enorme.

Aprendemos que a oportunidade de se dizer não, é apenas quando se é convidado. Uma vez aceito o convite para qualquer missão, para qualquer função, para membro de qualquer organização, então tudo passa a ser obrigação. A partir desse momento, o encargo, a missão, o trabalho deixa de ser voluntário e passa a ser um compromisso assumido. O voluntário cumpre horários com seriedade, como qualquer funcionário que tenha de bater o ponto. 

No Brasil, a cultura do voluntariado ainda é incipiente. Muitas vezes o voluntário brasileiro dá a impressão de estar prestando um favor. Não quer ter obrigação de horário, compromisso de tempo, acha que pode trabalhar quando quiser e bem entender. É comum a figura do voluntário que entope a função. Sabem o que é na linguagem popular, entupir uma função? Pois o entupidor de função é a pessoa que aceita a missão, aceita o encargo, porém a partir daí não faz mais nada. Não faz e nem deixa fazer. Tampouco se pode recorrer a outra pessoa para ajudar, pois ele está lá entupindo a função, com os braços cruzados, fazendo resistência passiva, sem cumprir sua obrigação de voluntário. O que ele almeja é o reconhecimento, o status, os elogios e as homenagens. Para ele, o egocentrismo e a vaidade estão acima de tudo. 

A ONU decretou o ano de 2001 como o Ano Internacional do Voluntário e adotou a Declaração Universal do Voluntariado, uma espécie de Código de Ética que estabelece uma série de deveres e de procedimentos do voluntário para com: a sociedade, o meio ambiente, o público alvo, os outros voluntários, a própria entidade e em catástrofes naturais. 

A Declaração Universal do Voluntariado visa estabelecer uma cultura do voluntariado, baseada na formação técnica indispensável e, principalmente, na ética, para dar continuidade e sustentabilidade às ações voluntárias. 

O voluntariado preenche a lacuna deixada pelo Estado nas questões sociais. Integra as chamadas organizações do terceiro setor. 

Podemos dizer que, se não fossem os voluntários, o mundo seria um verdadeiro caos.


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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

OS DESAFIOS DA PÓLIO

https://www.slideshare.net/albertobittencourt/181111-campanha-polio-plus?from_m_app=ios

DINÂMICA DO QUADRO ASSOCIATIVO


DINÂMICA DO QUADRO ASSOCIATIVO
Alberto Bittencourt






Sentados em almofadas na varanda da casa serrana, um pequeno grupo de companheiros de um mesmo Rotary Club, aproveitou o final de semana para fazer uma dinâmica sobre o Quadro Associativo. O objetivo era fazer uma tempestade de idéias, esmiuçar o velho tema, tão antigo quanto atual, na busca de novas teses para tentar reverter um viés de baixa, uma certa tendência declinante do número de sócios.

Rodrigo, dono da casa, convocador da reunião, presidente do Rotary Clube, assumiu naturalmente o papel de líder. Interessado em buscar soluções inovadoras para melhorar a performance de seu clube, chamou alguns companheiros que lhe estavam mais próximos. Acorreram Maria, Sílvia, Paulo e Carneiro.

Maria, a despeito de ser atuante e participativa, em geral tem sempre algo a reclamar, alguma coisa para criticar. 

Sílvia é uma rotariana exemplar. Proativa, eficiente, sabe planejar e organizar. Toma iniciativas, tem criatividade, está sempre disponível para o trabalho.

Paulo, dá preferência quando o assunto é festa. É o amigo de sempre, a presença indispensável nas reuniões de companheirismo. 

Carneiro tem um temperamento mais retraído. Nunca falta, porém jamais subiu à tribuna do clube. Quieto, reservado, está sempre pronto para colaborar, seja em trabalho, seja em companheirismo.

O tema suscita interesse, desperta atenção e participação dos cinco rotarianos. Faz com que cada um apresente um diagnóstico, formule a receita, emita sua opinião, proponha o tratamento que julga mais adequado.

O presidente Rodrigo colocou a bola em campo, deu o pontapé inicial: _O Quadro Associativo é como se fosse um campeonato de futebol. Cada sócio que deixa o clube, é um gol que o time leva e cada novo sócio que entra, é um gol que o time faz. O presidente é o técnico, a ele cabe traçar estratégias, definir as táticas de cada jogo, com vistas ao campeonato do ano rotário. A meta do presidente do RI é que cada clube vença por pelo menos um gol de vantagem. Se isso ocorrer, os times do Rotary International, ganharão, ao final do ano por um saldo de gols superior a 32.000 novos sócios.

A companheira Maria cortou: _Impossível acontecer. A cada ano pulam fora pelo menos 10% dos sócios de clube. O Rotary International perde por ano mais de 100.000 sócios no mundo. Além disso 50% dos sócios que entram, deixam o clube nos três primeiros anos.

Carneiro completou: _Realmente, acho muito difícil alcançar a meta. Teríamos que colocar no clube, a cada ano, pelo menos 10% do efetivo mais um.

_Mas o que então é que se pode fazer? Perguntou Rodrigo.

Quem respondeu foi Sílvia: _Pelo que foi dito, o técnico, que é o presidente do clube deve se concentrar primordialmente em fortalecer a defesa, na retenção dos sócios, a fim de evitar tomar gols. Se conseguir evitar a evasão, então creio que teremos a chave da questão, teremos encontrado a solução.

Carneiro completou: _Se o técnico ou os líderes do clube forem bons, organizados, competentes, os índices de retenção se elevam e o clube se fortalece. Ao contrario, se os líderes do clube forem fracos, desmotivados, os índices de retenção tendem a ser baixos. 

_Muito bem, disse Rodrigo, estamos caminhando bem.

Paulo acrescentou: _Acho que a rotatividade dos sócios é uma coisa normal e natural. Muitos dos que entram em um clube de Rotary não têm o perfil adequado, vêm mais para satisfazer à curiosidade. Podem também ser daqueles que entram na tentativa de levar alguma vantagem profissional, conseguir clientes para seus negócios. Como não têm a vocação do trabalho em favor do próximo, acabam deixando o clube na primeira oportunidade.

Rodrigo contestou: _Acredito que as principais causas da evasão de novos sócios sejam: a presença de líderes desmotivados, o custo elevado e a escassez de bons projetos. Por outro lado, penso que o principal fator de retenção do sócio é o ambiente de companheirismo e de camaradagem que deve prevalecer acima de qualquer circunstância.

_Sim, disse Carneiro, para motivar o clube precisamos baixar o custo Rotary, e empreender projetos úteis e criativos nas comunidades que assistimos. 

_É importante sair da rotina, explorar novas idéias, diversificar o Quadro Social, com a entrada de pessoas mais jovens e de mulheres. E o ambiente das reuniões tem que ser o mais alegre e comunicativo possível, em que todos participem, para que todos possam dar o seu palpite, a sua opinião, usar a tribuna, falar, arrematou Sílvia.

Rodrigo retomou: _Como conseqüência teremos um ambiente sadio de companheirismo e camaradagem, de alegria e amizade, que deve prevalecer acima de todas as questões, só assim teremos um clube eficiente e um Quadro Social forte.

_Mas por que a maioria dos clubes tem tanta dificuldade em entrosar as mulheres no seu Quadro Social? Perguntou Maria.

_Aí está outra questão importante, disse Sílvia. As mulheres não se entrosam por que às vezes fica difícil para elas encontrar o seu espaço, não se sentem à vontade no clube.

Foi a vez de Carneiro: _A maioria dos rotarianos não integra a esposa nos eventos rotários. Tampouco a convida para ir ao clube. Conheço um companheiro que estranhou quando a esposa tomou posse em outro clube. Questionada pelo marido, ela respondeu: "Você nunca me convidou!"

_No meu entender, um clube só pode ser forte se tiver 50% de homens e 50% de mulheres, todos integrados, disse Sílvia 

O presidente completou: _As esposas poderiam ser todas sócias do clube. Fiz uma pesquisa e verifiquei que 95% das damas rotárias têm profissão definida, independente da atividade do marido. Quando o marido é empresário, tem um pequeno comércio, uma firma, geralmente a esposa é sua sócia. Então ela tem no mínimo a mesma profissão, é também empresária. Assim, todas as damas rotárias poderiam se associar ao Rotary, sem problemas.

Sílvia: _Em resumo: precisamos aumentar o número de mulheres em nossos clubes, para que alcance a pelo menos 50% do Quadro Social. 

Carneiro completou: _Do contrário, quando nos dermos conta, a velhice terá chegado. Ficamos nesse chove não molha, o tempo passa, 15, 20, anos e tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes. Se o clube envelheceu, a idade média chegou aos 60 anos, ninguém tem disposição para mudar mais nada.

Maria interveio: _Na minha opinião, o principal fator do afastamento dos sócios é o custo financeiro. Queiramos nós ou não, o Rotary tornou-se caro para a classe média que perdeu grande parte do poder aquisitivo. Poucos hoje em dia podem pagar 80, 100 reais por mês, fora as taxas extras. 

Paulo retrucou: _Entretanto, as três contribuições obrigatórias, que são a per capita do RI, a per capita do governador e a revista Brasil Rotário, somadas e divididas por doze, dão menos de 30 reais por mês.

Foi a vês de Sílvia: _O problema é que os clubes não se capitalizam previamente para, chegada a hora, ter o dinheiro das taxas. Todos nós sabemos que as per capitas de RI vencem em 1º de janeiro e 1° de julho de cada ano. Ora, essa taxa deveria ser capitalizada antes, mês a mês para os clubes pagarem sem dificuldades na data do vencimento. Mas ninguém faz isso. É costume deixar para os últimos dias, próximo da data fatal, quando o stress toma conta, e não raro o presidente bota a mão no bolso para completar o montante. 

O presidente acrescentou: _É muito fácil fazer um planejamento orçamentário, só que ninguém faz. O tesoureiro do clube tem obrigação de levar em conta todas as despesas. 

Maria interveio: _Há clubes pequenos, do interior que, se colocarem essas despesas no orçamento mensal, perdem todos os sócios, pois a mensalidade ficaria acima das possibilidades da maioria. Eles têm que promover eventos para suprir essas quantias. 

Aí foi a vez de Carneiro: _Alguns clubes têm muitos problemas com companheiros que tomam posse e deixam de cumprir os compromissos de freqüência e pagamento, prejudicando os demais companheiros, sobrecarregando-os com o ônus financeiro da sua per capita não paga.

Carneiro afirmou: _Conheço um clube que criou a figura do sócio em estágio experimental. Ele começa a ser convidado para freqüentar o clube, porém só vai tomar posse, receber o distintivo, depois que ficar comprovada a sua qualidade e o perfil de rotariano.

_O que é uma boa solução, disse Sílvia. Todos os clubes deveriam adotar esse procedimento. Evitaria muitos problemas.

O líder então colocou a questão: _Em resumo, de tudo o que se discutiu aqui, qual seria a solução para resolver a questão do Quadro Social?

Paulo completou: _Numa empresa, três coisas retêm o empregado, nessa ordem: perspectiva de carreira, ambiente de trabalho e salário. Como não temos perspectivas de carreira em Rotary, nem tampouco salário, resta o ambiente de trabalho como fator motivador para que o rotariano sinta prazer em comparecer às reuniões, ainda que rotineiras, pelo simples prazer de estar junto. Então serão todos membros de uma só família, a Família Rotária.

Sílvia tomou a palavra: _Estamos acertados então, que o que pode reduzir a evasão e baixa de sócios é o ambiente de companheirismo e de camaradagem, seja nas reuniões plenárias, seja nos eventos e trabalhos desenvolvidos pelo clube. Mas e quanto à admissão de novos sócios? Há clubes pequenos, com um número reduzido de sócios, que não conseguem evoluir. Conheço alguns clubes, que até desempenham um bom trabalho em suas comunidades, mas cujo quadro social nunca ultrapassa a marca dos 10 a 12 sócios. Como fazer para melhorar esse número?

_É verdade, completou Carneiro. Um clube com 10 sócios não tem nem platéia para receber um palestrante. Termina na mesmice de reuniões rotineiras que nada acrescentam, até que alguma divergência se instale e decrete o fim.

Maria acrescentou: _Eu considero esse número extremamente perigoso. Qualquer divisão, no clube pode ser fatal. Na minha opinião o número mínimo de companheiros para se ter um quadro social estável é 30. Abaixo desse número, a situação se torna perigosa.

O líder interferiu: _Agora, nunca esquecer que antes da amizade, é preciso ver se o convidado tem o perfil de honestidade, liderança, ética e sabe viver e participar de atividades em grupo, de uma coletividade.

_Exatamente, disse Carneiro. Contam sempre a história de um clube que contratou uma empresa de marketing para selecionar na sociedade, nomes de pessoas com potencial para fazer parte do clube. A empresa fez a pesquisa, elaborou um formulário e terminou identificando uns cem nomes, que entregou ao clube. O Conselho Diretor filtrou e convidou a metade para visitar e conhecer o clube e terminou por admitir cerca de 20 novos companheiros. Foi um trabalho bem sucedido em que se contratou uma empresa, mas esse trabalho de pesquisa e levantamento de nomes poderia ter sido feito pelos próprios companheiros, sem o profissionalismo da empresa, evidente, mas com iguais resultados.

Disse Maria: _Outro clube espalhou outdoors pela cidade com um convite para pessoas de bem, profissionais, líderes em suas atividades, interessadas em dar a sua contribuição na melhoria das condições de vida de quem precisa, em trabalhar para ajudar ao próximo, que visitassem o Rotary Club, se juntassem aos rotarianos para, como parte de uma coletividade, melhor pudessem desempenhar esse papel.

Conheço outro clube que fez a mesma coisa, só que pela internet, falou Paulo.

O presidente interveio: _Acho válido. Podemos usar também as rádios locais, comunitárias, para divulgar os trabalhos do clube e, ao final, convidar os ouvintes para conhecerem o Rotary. Um presidente de clube do interior me disse que ao final de uma entrevista a radio recebeu telefonemas de pessoas interessadas em conhecer o clube e se integrarem nesse trabalho.

Aí Sílvia falou: _Você disse bem. Mas é preciso divulgar o que o clube faz, dar visibilidade aos feitos do clube, isso hoje tem um nome, chama-se "Imagem Pública do Rotary". E isso começa por nós, dentro dos nossos clubes.

_Quem não mostra o que faz, não fez, disse Maria.

_Sim, interveio Carneiro. É preciso fazer estardalhaço, colocar bandeiras, faixas, carro de som, foguetório, fanfarra, os jovens e rotarianos usando as cores do clube, seja na inauguração de um projeto, no lançamento de uma campanha de vacinação, ou em qualquer evento. É preciso gritar, manifestar entusiasmo. Então qualquer pessoa que passe nas proximidades, vai perguntar: "Que está ocorrendo ali? Qual o motivo de tanta festa, de tanta alegria?" Alguém vai responder: "É o Rotary que está trabalhando para mudar o Brasil, que está eliminando a paralisia infantil da face da terra".

Paulo acrescentou: _ É a história do ovo da galinha e da pata. O ovo da pata é maior, mais nutritivo e mais barato do que o da galinha, mas este é que vende, porque a galinha carcareja e grita, mostra ao mundo o que faz, enquanto a pata bota ovo calada.

_Sim, disse Carneiro. O clube tem que interagir com a sociedade, não pode se fechar entre quatro paredes. Tem que ser aberto, transparente. Visibilidade é a palavra de ordem neste segundo século da existência do Rotary.

_Só assim, prosseguiu Carneiro, ele vai despertar interesse nas pessoas em se associar, em ingressar no Rotary. Do contrário, permanece sempre aquele mesmo grupo de velhos confrades a se reunir semanalmente para fazer sempre a mesma coisa, trocar sempre as mesmas idéias, sem nada de novo a acrescentar. Para que haja renovação das idéias, é necessário sangue novo, novos sócios, jovens, mulheres, pessoas de bem.

Sílvia se antecipou: _Acho que devemos começar pelos jovens. Incentivar os clubes a terem seus Rotaract e Interact Clubs ativos, fontes supridoras que são de novos sócios. Chamar os ex-intercambistas, os ex-bolsistas da F.R., pessoas que tiveram contato com nossa organização.

Carneiro continuou: _É importante chamar as pessoas em grupos, de modo que elas possam entrar com peso, sentirem-se fortes, importantes, atuantes. As esposas primeiro, depois as profissionais, mulheres de negócios, empresárias. Se elas vierem aos poucos, terminam não se entrosando e acabam deixando o clube. Que venham com seus amigos, seus colegas, pessoas de seu conhecimento e de suas relações. Desse modo, já terão um ambiente favorável, não se sentirão deslocadas.

Maria interferiu: _Não basta isso. Como manter esse pessoal no clube? 

Carneiro respondeu: _Dar-lhes trabalho, missões, funções. Isso é primordial. Quem entra no Rotary quer ser útil. O presidente do clube tem que atribuir funções, cobrar, ajudar a bem se desempenharem.

_E dar informação rotária também, disse Paulo.

_Mas é claro, falou Carneiro. Ninguém ama aquilo que não conhece.

É verdade, disse Rodrigo. Do contrário, vamos ficar sempre jogando a responsabilidade para cima do Rotary International, esperando que o RI faça isso, faça aquilo. Quem quer trabalhar faz, não fica esperando. Um velho chefe militar, sempre me dizia o seguinte:


"uns querem e não podem,
outros podem e não querem,
nós que queremos e podemos,
damos graças a Deus."

_De acordo, disse Rodrigo. Vamos à luta por um mundo melhor, por um Rotary atuante, participante, capaz de mudar o mundo e o Brasil.

_Perfeito. Agora vamos à piscina, que ninguém é de ferro, falou Paulo, encerrando o assunto.