ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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domingo, 4 de fevereiro de 2024

A ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO E O GEN RODRIGO OCTAVIO

 EVOCAÇÃO DE UM LÍDER



General Rodrigo Octávio Jordão Ramos



"Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia.  Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la."  




A ENGENHARIA DE CONSTRUÇÃO  E O GENERAL RODRIGO OCTAVIO




Artigo de autoria do Cel Rodrigo Ajace Moreira Barbosa. Publicado na Revista do Clube Militar, do mês de Março de 1998 às págs. de 17 a 20.  


Em junho de 1949, ainda como 1º Tenente, fui transferido do Batalhão Escola de Engenharia no Rio de Janeiro, para o 2° Batalhão Ferroviário, localizado na cidade do Rio Negro, PR.  Naquela ocasião, tratava-se de uma novidade para a minha vida profissional, pois iria servir pela primeira vez em uma Unidade de Construção, engajada na execução de obras civis por delegação do antigo Ministério de Viação e Obras Públicas.  Como de praxe, procurei informar-me, tanto quanto possível, a cerca da nova unidade, inclusive a sua respectiva missão.  

Interessando-me com maior profundidade, a respeito do assunto de construção de estradas, tomei conhecimento de que o Exército, atento às suas responsabilidades atinentes à área de Segurança Nacional, havia realizado um reconhecimento terrestre, partindo da cidade de Rio Negro, PR, até atingir a cidade de Caxias, RS. Desse reconhecimento, surgiu a primeira ideia da nova ligação ferroviária, depois introduzida no “Plano Geral de Viação Nacional de 1934”, atingindo a cidade de Caxias no Rio Grande do Sul, com a denominação TM-7, Tronco Metropolitano 7, futuro Tronco Principal Sul, ligando o Rio de Janeiro a Rio Grande, RS, através de São Paulo - Engenheiro Bley -Rio Negro, Barra do Jacaré-Barreto-Pelotas.  


Em 11 de fevereiro de 1938, pelo Dec. Lei  Nº. 269, foi criado o 2°. Batalhão Ferroviário, com sede na cidade de Rio Negro e com a missão de construir o trecho Rio Negro – Caxias.  O Batalhão instalou-se em Rio Negro no dia 29 de julho de 1938, sob o comando do Cel. José Sérvulo Borja Buarque.  Este, imediatamente empenhou-se no cumprimento da missão da nova Unidade, iniciando as atividades de exploração pelo Vale do Rio da Lança, plantando a primeira estaca (estaca zero) na tangente imediata à saída  da ponte da Viação Paraná–Santa Catarina, na linha Mafra-São Francisco. 


Em julho de 1949, ao chegar à sede do Batalhão, em Rio Negro, o mesmo encontrava-se desdobrado ao longo  dos 231 km, que constituíam sua missão de construção.  Apresentei-me ao sub-comandante da Unidade, Major Alipio Aires de Carvalho, que logo informou que seria o substituto do 1°. Tenente Cássio de Paula Freitas, Chefe da Turma de Locação, acampado há seis meses, devendo preparar-me o mais rápido possível para assumir meus novos encargos. Sem perda de tempo, desloquei-me com destino à ponta do serviço para encontrar o Tenente Cássio e substituí-lo.  Estava ingressando no mundo peculiar da Engenharia de Construção. 


As organizações da Arma de Engenharia engajadas nesses trabalhos de execução de obras civis eram os Batalhões Rodoviários, os Batalhões Ferroviários, e as Comissões Construtoras de Estradas de Rodagem.  Essas organizações haviam, ao longo do tempo, desenvolvido uma mentalidade especial, caracterizada, salvo algumas excessões, por ter, como ideia predominante, o entendimento de que executavam missões técnicas de construção e, por isso, o mais importante era a obtenção de eficiência técnica e rendimento da produção nas construções executadas, relegando a um segundo plano as características militares na sua postura e procedimentos.  Os efetivos militares daquelas organizações eram mais reduzidos e predominava a mão de obra civil.  Esses dois últimos fatores contribuíram para o desenvolvimento daquela mentalidade a que me referi. Eu mesmo, quando cheguei a Turma de Locação do 2°. Batalhão Ferroviário, usei vestuário que não se enquadrava nos padrões do Plano de Uniformes. 

Usei botas de borracha e de couro cru, chapéu de feltro do tipo australiano e algumas vezes blusão de couro ou camurça, com as insígnias do posto na gola). 


Terminada a minha incumbência de Locação, em dezembro de 1949, apresentei-me na sede do Batalhão.  Como era da tradição da Unidade, depois de passar um período no ”mato”, fui designado subalterno da Cia. de Comando e Serviços, na sede. 


Gozei um período de folga, junto de minha família, no Rio de Janeiro, antes de assumir as novas funções.  De regresso a Rio Negro, em princípios de 1950, encontrei a unidade em clima de grande expectativa, em virtude da notícia da designação do novo Comandante do Batalhão, Ten Cel Rodrigo Octávio Jordão Ramos, conhecido pela fama de ser oficial extremamente exigente.  Entre os oficiais circulavam informações de que o Ten Cel Rodrigo Octávio havia participado de estudo realizado no âmbito do Estado Maior do Exército, que concluiu ser absolutamente necessário imprimir maior rapidez na construção do Tronco Principal Sul, de modo a acelerar a sua conclusão, por necessidades imperiosas de Segurança Nacional. Daí decorreu a diretriz de atribuir caráter prioritário à construção do TPS que já contava com as seguintes unidades de Engenharia engajadas na sua construção e que se encontravam já sediadas na Região Sul do país: 


    • 2° Batalhão Ferroviário, em Rio Negro, PR.  

    • 2º Batalhão Rodoviário, em Lages, SC. 

    • 3° Batalhão Rodoviário, em Vacaria, RS. 

    • 1° Batalhão Ferroviário, em Bento Gonçalves, RS. 


Para executar os novos encargos, as unidades deviam  sofrer certa reorganização compatível com tais missões.  Ao novo Comandante do Batalhão, foi determinado promover a sua necessária estruturação, de modo a poder cumprir a missão recebida. 


Naquele período de tempo, chamou-me a atenção um grupo de oficiais que se revelavam muito atarefados.  Esse grupo era constituído pelos Capitães Fernando Allah Moreira Barbosa e Brasilio dos Santos Sobrinho, ambos com o curso de Estado Maior ( que haviam ingressado na ECEME como tenentes), coordenados pelo Major Alipio Aires de Carvalho, também oficial do Quadro de Estado Maior.  A esse seleto grupo veio juntar-se, posteriormente, o jovem capitão Júlio Murilo Ross, diplomado pelo Forte Belvoir, (USA) e especialista em Equipamentos Mecânicos.  Eles estavam, naquela circunstância, elaborando os PPI - Programas Padrão de Instrução, que serviriam de guias para a instrução militar dos novos contingentes a serem incorporados naquele ano e que visavam à necessidade de novos efetivos para atender à reorganização do Batalhão.  Esse grupo de militares era muito respeitado no Batalhão.  

Sentíamos todos que estávamos vivendo um clima da maior vitalidade na rotina de nossa unidade.  


E soou a hora da chegada do esperado novo Comandante!


Percebemos todos os integrantes do 2°. Batalhão Ferroviário, o sopro de renovação que estava por acontecer.  O novo Comandante estabeleceu um prazo de trinta dias para que os oficiais e graduados providenciassem o uso correto do vestuário, de acordo com o Plano de Uniformes.  Logo foi instituída a parada matinal formal, com revista de tropa e o canto do Hino Nacional, seguida do desfile militar.  Iniciou-se a adoção de uma postura em que as atividades militares passaram a ter importância principal na vida diária da Unidade. A instrução militar cresceu de importância, pois era necessária à formação do novo contingente a ser incorporado, visando atender as necessidades de preenchimento dos claros existentes nos efetivos do Batalhão.  Observe-se que na apreciação do resultado de inspeções realizadas, pelo comando da 5ª. Região Militar, o 2º.  Batalhão Ferroviário obteve resultados excepcionais na instrução dos contingentes incorporados.   Essa “militarização” foi acompanhada de ações que buscavam aumentar-lhe a eficiência operativa no cumprimento da missão de construção, sua atividade fim.  A nova mentalidade foi cultivado com tal esmero que, em lugar da antiga organização, o que se viu foi uma unidade “guerreira”, cheia de entusiasmo contagiante, na busca da melhor execução de suas obrigações.  Esse elã e essa crença foram incorporados à vida diária da unidade. 


Tento traduzir o grau desse entusiasmo, mencionando o refrão da Canção do Batalhão. (Letra do Capitão Euler Ribeiro de Couto. Música de Ernesto Togo Guedes) :


Salve o nosso incontido e temerário, 

Segundo Batalhão Ferroviário.


O desempenho exemplar que passou a ter o 2º Batalhão Ferroviário serviu de estímulo às outras unidades engajadas na construção do TPS que, reorganizadas, adotaram a mesma postura em face das missões que lhes cabiam executar. 


Em procedimento aos sucessos alcançados, em 1951, o Batalhão recebeu a denominação honrosa de “Batalhão Mauá” como justa homenagem a Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), o Visconde de Mauá, empresário dinâmico, industrial e financista brasileiro. Recordo-me do orgulho com que usávamos o distintivo de braço, ostentando as Armas do eminente Visconde de Mauá. 


Ainda no ano de 1951, durante o segundo governo de Getúlio Vargas, o Batalhão recebeu a visita do Vice Presidente da Republica, joão Café Filho (1899-1970), o qual percorreu os canteiros de trabalho das obras de grande porte do Batalhão, tais como túneis, viadutos e pontes. Tal foi a impressão favorável causada pelas obras executadas e em execução que, ao se despedir, o sr. Café Filho manifestou o desejo, como bom nordestino que era, de ver instaladas Unidades de Engenharia no Nordeste, que fossem basicamente, destinadas a promover o desenvolvimento da Região, com o mesmo entusiasmo e competência demonstradas pelo Batalhão de Rio Negro. Mais tarde, quando Café Filho assumiu a Presidência da República, em consequência do suicídio do Presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, pode realizar aquele seu desejo. Efetivamente, por Decreto de 19 de janeiro de 1955 foram criados, no Nordeste, as seguintes unidades de Engenharia de Construção: 


   • 1º Batalhão Rodoviário, em Caicó, RN. 

   • 3° Batalhão Rodoviário, em Campina Grande, PB. 

   • 4° Batalhão Ferroviário, em Crateus, CE. 

  

Logo em seguida foi criado o 1º Grupamento de Engenharia, em João Pessoa, PB, com o objetivo de enquadrar essas novas Unidades de Engenharia.  


A missão dessas Unidades no Nordeste era muito complexa, pois se destinavam, especialmente, à execução de obras de rodoferroviarias, obras contra as secas e atividades sociais de amparo aos flagelados, vítimas das calamidades cíclicas das secas


Rodrigo Octávio, já promovido a Coronel, foi o grande inspirador da criação dessas Unidades. Para a formação dos seus quadros,obteve a cooperação de vários oficiais e graduados que serviram no 2°. Batalhão Ferroviário e na experiência das unidades que se encontravam engajadas na construção do TPS. Dessa forma conseguiu levar para o Nordeste o mesmo entusiasmo e correção no cumprimento do dever, características marcantes do 2º. Batalhão Ferroviário, que passaram também a ser evidentes no desempenho das Unidades de Construção  do Nordeste. 


No início da década de 60, o Cel Rodrigo Octávio comandou, com o brilhantismo de sempre, o Batalhão Ferroviário de Bento Gonçalves, RS. Foi a segundo Unidade de Engenharia de Construção a comandar e que, também, encontrava-se engajada na construção do TPS. 

Mais tarde, no fim da década de 60, já como General  Cmt do CMA, em Manaus, com a costumeira determinação, Rodrigo Octávio estimulou a criação e instalação do 2º Grupamento de Engenharia, na capital do Amazonas, quando procurou consolidar e transmitir os fundamentos da conduta militar, nas unidades que o 2°. Grupamento de Engenharia passou a enquadrar. 


Hoje pode-se dizer ter sido tão marcante o Comando do Ten Cel Rodrigo Octávio no 2º Batalhão Ferroviário, com as consequentes repercussões na notável atuação da Engenharia de Construção e mesmo na Arma de Engenharia, como um todo dentro do Exército, que ouso afirmar que a história da Engenharia de Construção se divide em dois períodos bem distintos, antes e depois do Comando do Ten Cel Rodrigo Octávio em Rio Negro.  

Os militares de Engenharia que pertenceram aos efetivos do Batalhão Mauá daquela época foram testemunhas e personagens da revolução que se processou na Arma de Engenharia.  


Esse período de serviço no 2º. Batalhão Ferroviário nos permitiu absorver alguns fundamentos do comportamento militar daquele Chefe que constituíam o arcabouço do seu notável desempenho de comando. Vejamos alguns de seus lemas: 


  • A missão que ele cumpria, no momento, era a mais importante da face da terra.
  • Nunca se deve dizer que uma tarefa não pode ser executada, antes de tentar realizá-la com todo empenho.  
  • Quando chegarmos ao limite de nossa capacidade física ou intelectual, ainda assim, podemos solicitar de nós mesmos um esforço adicional. Esse sobre-esforço adicional será dado se o desejarmos com toda a nossa vontade. 
  • As coisas difíceis podem ser efetivadas agora e as impossíveis no tempo imediato. 


Ao desempenhar as funções de Prefeito da sede do Batalhão, identifiquei uma outra maneira de administrar do Ten Cel Rodrigo Octávio. Nunca conseguia, por maior que fosse o meu esforço, “estar em dia” com as tarefas que dele recebia.  Estava permanentemente “devendo alguma coisa”... Isso representava outra característica da sua forma de comandar: exigia da equipe o desempenho máximo e cobrava, permanentemente, os resultados das missões que atribuía a cada um.  Os resultados altamente positivos que alcançava eram evidentes para qualquer observador que analisasse o desempenho do 2º. Batalhão Ferroviário.  


A série de experiências proporcionadas no tempo de serviço no Batalhão Mauá, leva-me a concluir que os numerosos fatos e acontecimentos ocorridos em Rio Negro, tiveram como principal catalizador aquele brilhante chefe.  Digno de registro era o expressivo número de oficiais briosos que se estimulavam mutuamente pelo exemplo do chefe, formando um grupo de alta qualificação constituído por oficiais de Estado Maior e Engenheiros Militares diplomados pela Escola Técnica do Exército (atual Instituto Militar de Engenharia). 


Merece uma referência especial a plêiade de Engenheiros Militares do Batalhão, sob a firme liderança do Major Kelvin Ramos Bittencourt. Este, um técnico por formação e convicção, não se deixou atingir pela aparente maior importância dada aos deveres militares, em detrimento, às vezes, dos aspectos técnicos. Com sua visão arguta, percebeu que a mudança de comportamento militar da unidade acabaria por beneficiar o cumprimento das missões técnicas de construção. Com esta compreensão, liderou sua equipe de Engenheiro Militares, propiciando apoio irrestrito ao seu comandante, fato este que contribuiu para o sucesso invulgar do Batalhão, no afã do cumprimento de sua missão.


Desejo ressaltar, igualmente, o quanto é importante para os oficiais mais jovens ter um comandante que chefie e lidere seus oficiais e demais componentes de sua tropa.  Este fato concorre para a formação de um profissional competente, além de estimular os oficiais mais antigos a transmitir aos mais jovens os ensinamentos que decorrem do exercício do comando. 


Tive oportunidade de servir, posteriormente, mais amadurecido, com o General Rodrigo Octávio, várias vezes, como no EMFA, no Conselho Nacional de Transportes e no Ministério de Viação e Obras Públicas (gestão do Marechal Juarez Távora). Nesses repetidos contatos profissionais consolidei a admiração por aquele destacado chefe militar. 


Não se deve esquecer, finalmente, que Rodrigo Octávio Jordão Ramos (1910-1980) foi promovido a General de Brigada em 25 de julho de 1964 e atingiu o topo da hierarquia militar, como General de Exército em 25 de novembro de 1970. 


Exerceu as altas funções de: 

   –  Ministro da Viação e Obras Públicas (1955);

   –  Chefe do Departamento de Produção e Obras Publica (1970);

   – Comandante da Escola. Superior de Guerra (1971);

   – Chefe do Departamento Geral de Serviços (1972-73);

   –  Ministro do Superior Tribunal Militar  (1973 - 79);


Faleceu no dia 6 de julho de 1980, dois dias antes de completar 70 anos de idade.  


domingo, 30 de abril de 2023

MEU OBJETIVO

 

MEU OBJETIVO.

Alberto Bittencourt - 01 nov 2018

 

Não ando em busca de mordomias, de conforto, nada disso.

Antes de tudo sou soldado, acostumado a me virar.

Fui paraquedista militar e mestre de saltos.

Certa feita saltei de paraquedas na Amazônia para abrir clareiras para pouso de helicópteros. Aos 25 anos eu era o comandante de 30 soldados. Ficamos isolados, acampados. Já não conseguíamos comer a ração fria que l eváramos. Passamos a nos alimentar então, apenas com castanha do Pará e carne de macaco, orientados pelo Sub-ten. Solon, especialista em Operações Especiais e sobrevivência nas selvas. Ele estava lá, com sua equipe de precursores há mais de um mês. Dormíamos no chão duro, sentindo calor, frio, picadas de insetos, sem água para banho, pegando nas ferramentas de sapa o dia todo (pá, foice, enxada). Ninguém morreu. Cumprimos a missão e saímos fortalecidos.

Em 1964, no que as esquerdas chamam de golpe e nós chamamos de revolução, fiquei dois dias dentro de um buraco em que eu só cabia em pé. Era uma trincheira às margens do rio Barra Mansa. Tinha 21 anos. Meu comandante defendia o regime comunista do João Goulart.

Nossos canhões e metralhadoras apontavam para os soldados, brasileiros também, entrincheirados na outra margem, vindos de Minas, enviados pelo governador Magalhães Pinto e sob o comando do Gen. Olímpio Mourão Filho, e de São Paulo, cujo governador Ademar de Barros já aderira ao movimento, com as tropas do II Exército sob o comando do Gen. Amaury Kruel para depor o governo.

Entre eles estava o  meu irmão, Cláudio Bittencourt, aluno da Academia Militar das Agulhas Negras, situado no município de Resende, Est. do Rio. .

Um garoto com apenas 19 anos.

Pense num drama.

O que fazer? Cumprir as ordens e atirar contra nossos irmãos de sangue e contra as nossas convicções ideológicas? Ou aderir ao movimento vindo de Minas Gerais. Mas resisti e fiquei até o fim, quando o general Humberto de Alencar Castelo Branco assumiu o comando das tropas do I Exército e mandou voltarmos para os quartéis

João Goulart havia abandonado o governo e fugira para o Uruguai.

Conheço na pele as condições em que vivem muitas pessoas.

Uma pessoa só pode dizer que sabe o que é a miséria quando sentir o cheiro da miséria. É parecido com o cheiro das alas dos hospitais públicos. Só não tem o odor dos medicamentos.

Meu Rotary

Meu Rotary não é uma reunião de pessoas ricas que ficam em intermináveis discursos que não servem para nada. Meu Rotary não vive em palácios. Ele está nas praças, nas ruas, nas favelas, nos hospitais, nas creches, nos ônibus superlotados, no barraco de um vão, onde adolescentes são estrupadas por irmãos mais velhos porque dormem juntos, na única cama.

Onde enteadas engravidam de padrastos, pelo mesmo motivo.

Onde o bebê morre sufocado pela mãe que se joga drogada sobre ele, no único estrado que existe.

Onde não tem água potável, nem banheiros, nem papel higiênico.

Esse é o meu Rotary.

Vivi muitas histórias, reais, verdadeiras. Daria para colocar num livro.

Conto isso para dizer que o meu objetivo não é o conforto. Meu objetivo é viver dignamente e tornar mais digna a vida do próximo.

Essa é a minha missão.

Essa é a minha razão.

VIVA O EXÉRCITO BRASILEIRO!

VIVA O ROTARY!

VIVA O BRASIL!

sexta-feira, 7 de abril de 2023

QUEM SOU EU




                                        QUEM SOU EU?                      

        Alberto Bittencourt - abril, 2022



Respondo parodiando o filósofo espanhol Ortega y Gasset:

_Eu sou eu e minhas circunstâncias.


Não poderia haver resposta mais abrangente. Envolve o mundo de cada ser.

Entretanto, nossas circunstâncias  nem sempre são frutos de nossas escolhas. Há circunstâncias que não nos foram dadas escolher: a família em que nascemos;  o sexo; as condições de miséria, ou de riqueza; de perfeição ou de deficiência física.

Somos moldados pelo ambiente da criação, muitas vezes deturpado pela exploração, e violência.


A resposta do espelho à minha pergunta:

_Quem sou eu?

_Eu sou eu e minhas escolhas.

Decorre da dádiva divina, chamada Livre Arbítrio, que permite a cada um escolher seus próprios caminhos.


Mas, quem pensa ser livre para escolher?

Na realidade, não somos livres. Quando pensamos ser livres, vêm as circunstâncias e limitam nossas escolhas.

Crianças não têm noção de limite.  Por isso são mais livres. Nossos limites, ou nossas contingências, vêm de fora. Decorrem de nosso próprio desenvolvimento.  São impostos pela família, pela escola, pela igreja, pela sociedade, verdadeiros agentes castradores de nossas escolhas.


Então, ao me olhar no espelho e perguntar:

_Quem sou eu?

O espelho certamente responderá por mim:

_Eu sou eu e minhas contingências.


Em 2016, findas as paralimpíadas do Rio de Janeiro, Marlene Manso assim se expressou:


"Assistindo às disputas paralímpicas, tenho experimentado tantas emoções que às vezes chego a pensar: “Vou ter um troço.”

Um contraponto para o conceito moderno de BELO! Mulheres lindas sem botox, sem silicone. Corpos masculinos admiráveis sem a aberração de músculos hipertrofiados. São atletas com as mesmas reações dos que disputaram nas semanas anteriores  as Olimpíadas: além do excelente desempenho esportivo, sorriem, pedem torcida, se benzem, comemoram, choram, se abraçam e planejam ir além....

Todos fazem jus a uma das frases mais inspiradoras que já conheci:

Minha limitação não é o meu limite.

(Marlene Manso, ex presidente do RC Rio de Janeiro - Botafogo)


Aprendi nos treinamentos militares que, quando se é levado ao extremo esgotamento físico e moral, quando se pensa estar no fundo do poço, no limite das forças, é preciso não desistir, porque com certeza ainda restam 40% de reservas para queimar.


Minha frase inspiradora passou a ser:

Eu vou além de minhas contingências.


São exemplos de pessoas resilientes.  

Marlene Manso é um desses exemplos, dos mais eloquentes.  Viuva de Oficial de Marinha de alta patente, supera enorme limitação física, que lhe dificulta os movimentos mas não impede sua autonomia. Dispensa cuidadores e acompanhantes e parte sozinha para a vida, onde cada passo constitui imenso desafio. Na presidência do RCRJ-Botafogo, organizou um memorável seminário intitulado "Espiritualidade para a Paz", com depoimentos de representantes de cinco diferentes religiões, a saber: cristianismo, judaismo, islamismo, candomblé, espiritismo. 


Vimos nas últimas paralimpíadas.  Foram tantos os limites superados,  tantas as emoções despertadas, que cheguei a questionar:


_ Quem somos nós, diante de tantas limitações que não limitam, que, ao contrário, constituem trampolim para impulsos  maiores, para voos mais altos, para pensamentos, atitudes e sentimentos ilimitados?

Quem sou eu, quando minha limitação não me limita?


Por que fomos criados limitados e por que nos queremos ilimitados?  

A resposta é simplesmente acreditar - cremos no que queremos. 


QUERER E PODER, dois verbos que constituem a essência do comportamento humano: 

_ Sim, eu quero! 

_ Sim, eu posso!


Reinaldo de Oliveira, repetia sempre a frase pinçada de um quadro na parede da Associação Comercial de Surubim, PE: 


_ Quem tem a vontade, tem a metade!


Repito a oração do Soldado de Engenharia:  


Uns querem e não podem. 

Outros podem e não querem. 

Nós, que queremos  e podemos,

Damos graças a Deus.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

DISCIPLINA


DISCIPLINA


Alberto Bittencourt - junho de 2018
                     

         
                            


A disciplina militar prestante,
Não se aprende, senhor, na fantasia,
Sonhando, imaginando ou estudando,
Senão vendo, tratando e pelejando

                                                                      Camões                                      


Os versos de Camões, apostos na pérgola sul do Conjunto Principal 1 da   AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras, são um chamamento e um lembrete do sagrado princípio da disciplina militar. Cunhada na Casa da Moeda, a placa de bronze foi inaugurada por ocasião da transferência da Escola Militar do Realengo para Resende, RJ. São as quatro últimas estrofes do Canto X dos Lusíadas, cujo teor original é o seguinte:


            De Phermião, philosopho elegante, 
            Vereis como Annibal escarnecia, 
             Quando das artes bellicas diante
             D’elle com larga voz tratava e lia. 
             A disciplina militar prestante
             Não se aprende senhor, na phantasia, 
             Sonhando, imaginando ou estudando;
             Senão vendo, tratando e pelejando.

               Luiz Vaz de Camões
               (Canto X, estrofe CLIII - Lusíadas)

A disciplina é base de toda organização militar. Compreende a disciplina externa e a disciplina interna. A primeira, significa o respeito aos superiores hierárquicos, obediência às leis, normas e regulamentos. A segunda, também chamada de auto disciplina, é a convicção de agir da forma correta. É o amor à Pátria, ao Exército, à Família.

Assim como a liderança, a disciplina só se aprende praticando.
Desde cedo, aprendi a dar valor aos conceitos de disciplina. Filho de família de militares, eu cursava a primeira série ginasial do CMRJ quando um ataque  do coração tirou a vida de meu pai. Tornei-me então aluno da categoria gratuito órfão. 

Costumo dizer que tudo o que sou devo ao Exército. Do Colégio Militar, fui para a AMAN, onde me formei em 1963, oficial da Arma de Engenharia, e depois cursei o IME – Instituto Militar de Engenharia, graduando-me em 1971, engenheiro militar, de Construções e Fortificações.

O PÁTIO TENENTE MOURA - PTM






O pátio de formaturas do Conjunto Principal da AMAN tinha o nome de Pátio Tenente Moura, comumente chamado pelos cadetes de PTM. Sendo quase desconhecido o Tenente Moura, resolveram mudar o nome do Pátio para Pátio Marechal Mascarenhas de Morais. A cadetada imediatamente o batizou como P3M, por analogia com PTM e sonoridade parecida. Posteriormente, o antigo nome foi restabelecido.  Nesse pátio, o PTM, diariamente o corpo de cadetes realiza sua formatura matinal, nas frias manhãs da  cidade de Resende.
Ao som da banda militar, os desfiles se realizam sob a frase, afixada no alto do Pavilhão Principal, de forma a ser bem visível pela tropa em marcha:

Cadetes, ides comandar, aprendei a obedecer.

A frase sintetiza todo uma filosofia de ensino e aprendizagem. Associa-se à outra frase, que está sempre aposta nas reuniões de Treinamento de Governadores eleitos do Rotary.

Entre para aprender, saia para servir.

Assim como obedecer está para comandar,
aprender está para servir.
quem obedece, está servindo;
quem serve está aprendendo.
Tudo implica em disciplina.

COLÉGIOS MILITARES

Quando eu era menino, as mães de meus colegas de rua, olhavam-me naquele incômodo uniforme de brim caqui e vermelho, túnica abotoada até o pescoço e quepe, com uma ponta de inveja. Elas diziam que estudar no Colégio Militar era um raro privilégio pelas seguintes razões:

  • qualidade de ensino
  • prestação de serviço militar – reservista de 2ª categoria
  • disciplina
Sendo que esta última era, sem dúvida, a mais importante.

A disciplina do corpo docente sempre foi uma característica dos Colégios Militares.
Mais tarde verificou-se o valor da disciplina, pelos resultados das provas do ENEM em que os Colégios Militares do Brasil figuram sempre nos primeiros lugares, de Norte a Sul. 

Se hoje eu posso dizer que sei escrever graças ao que aprendi no Colégio Militar do Rio de Janeiro.
Desde a quinta série do curso ginasial, até a terceira série científica, hoje Ensino 
Fundamental 2 e Ensino Médio, havia a tarefa semanal de fazer uma redação. Nas aulas, nas provas de português, em casa. Todas as redações eram corrigidas em detalhe por professores bem motivados, que assinalavam erros, gramaticais, ortográficos, de concordância e outros. No final davam o grau, variando de zero a dez.

Como não aprender a escrever? Quando vejo hoje faculdades de direito ou de jornalismo em que os alunos nunca ou raramente escrevem, e dali saem semi-analfabetos, ou quase analfabetos funcionais em termos de linguagem, dou valor ao ensino que recebi do Exercito por professores militares da melhor competência.

Mas não foi apenas em português – Nas ciências exatas também o ensino era levado muito a sério. Ciências Naturais, Física, Química, Matemática, Descritiva, era preciso realmente estudar, praticar, fazer exercícios e tarefas. Que diferença para o que se vê hoje em dia, principalmente no ensino público, em que professores inescrupulosos entram em greve, por dois ou três meses, insuflados por sindicalistas interesseiros, na busca de novas conquistas trabalhistas ou melhores salários.

Por isso, a minha geração os militares tanto prezam a disciplina.


AMAN - ACADEMIA MILITAR DAS AGULHAS NEGRAS

Ao chegar à AMAN, os novos cadetes, vindos de todos os recantos do Brasil, de origens bem diversas, posto que alguns vieram dos diversos Colégios Militares, outros das Escolas Preparatórias e havia ainda os oriundos do meio civil, dos vários estados do Brasil.  Para homogeneizar o grupo, a primeira semana era dedicada à ordem unida. Seis horas por dia, sendo as duas outras reservadas para educação física. O efetivo, em torno de 300 ou mais alunos por turma, era dividido em pelotões, cada um sob o comando de um tenente. Assim ficávamos horas e horas marchando no pátio de cimento, sob um sol às vezes escaldante, no início sem banda, a tropa evoluindo ao comando da voz do tenente. 

Naquele momento, as individualidades eram sufocadas pelo coletivo. Quarenta jovens perfeitamente sincronizados, em que o movimento de cada um era o movimento do todo, em que cada aluno deixava de ser um e passava a ser uno. E cada um queria que o seu pelotão fosse o melhor. Ninguém podia errar, para não comprometer o conjunto. E a tropa evoluía quase que sozinha, reagindo aos comandos da voz com precisão e automatismo.

Assim, quando o todo passa a vigorar sobre a individualidade, quando o conjunto, o coletivo passa a ser mais importante que a unidade, o objetivo é alcançado. Mesmo sincronizados os movimentos ao final de horas e horas de treinamento intenso, não se podia relaxar. Havia que se manter a sinergia. 

Atingindo o que se chama, na tropa de Espírito de Corpo, não se podia, em momento algum esmorecer, pois o Espírito de Corpo, assim como a disciplina militar prestante têm que ser praticadas diariamente, em todos os instantes, a todo momento, sob pena de se diluir no tempo e no espaço. 

Pode parecer difícil, para quem de fora observa, mas para o soldado ou o cadete, que vivencia, que está dentro do contexto, torna-se fácil. Ele se adapta perfeitamente à esse novo modo de vida e passa a se alimentar dele e a alimentá-lo, para ter sucesso e viver.

O Espírito de Corpo no Exército, tem que ser levado até as últimas  conseqüências. Ninguém pode titubear ou ser fraco ante o inimigo, no inferno da guerra. Se o treinamento tiver sido falho, se o Espírito de Corpo não prevalecer, o foco pode ser desviado para outros objetivos, por outros agentes, para causas não tão nobres.

Para tanto, há que se treinar, preparar, ensinar, aprender. Um jovem de 20 e poucos anos, colocado com poder na mão, em território hostil, se não estiver muito bem preparado, pode perder o foco dos objetivos mais nobres da missão que recebeu e se deixar levar pelas paixões que se entrelaçam.

Para preservar a autoridade do uniforme que veste, da missão que recebeu ele não pode perder de vista os objetivos maiores do serviço que presta.
Isso explica os excessos e desvios que por vezes são praticados por militares durante as guerras. Eles deixaram de se considerar unos com o todo, com o coletivo e foram aliciados pelas paixões exacerbadas.

O que fazer? Todo excesso deve ser punido exemplarmente . Não  pode comprometer o sucesso da missão, mas deve evitar que fatos indesejados aconteçam. Deve-se inclusive verificar se os mesmos foram devidamente instruídos a respeito da nobreza da missão que lhes cabe desempenhar. Qual o papel de cada um, qual a razão da tarefa a se desincumbir, os tipos de procedimentos em cada caso, as consequências passíveis de ocorrerem. 

O que fazer em casos de desarticulação, individual ou coletiva? O emprego das armas deve ser muito bem estudado, porque, em se tratando de vidas humanas, nenhuma missão é menor ou secundária.  Quando o meio em que se vai atuar é diferente do meio em que se está habituado, há que se manter a qualquer custo a ordem, disciplina, o respeito à autoridade. 

Quando as pessoas se consideram vítimas do estado, algoses da sociedade, submissas ao poder paralelo dos traficantes, ante a omissão e o descaso dos poderes constituídos, tudo pode acontecer.




CASTRO ALVES.


"Não cora o livro de ombrear co'o sabre

E nem cora o sabre de chamá-lo irmão."

Castro Alves

 

Esta frase, está escrita na pérgola da AMAN- Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, Estado do Rio.

Nela, Castro Alves reporta-se à compatibilidade entre as ações militares / esportivas e as intelectuais.

Comprovei a veracidade de tal assertiva durante o meu curso de formação de Oficial do Exército.

Na AMAN os mais brilhantes alunos na parte intelectual são também os mais destacados atletas na parte esportiva.

Uma comprovação da máxima aposta no muro do campo de futebol do CMRJ – Colégio Militar do Rio de Janeiro:

MENS SANA IN CORPORE SANO




sexta-feira, 26 de junho de 2020

MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA






MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA
Resoluções de Ano Novo 
Alberto Bittencourt - De meu diário, em dezembro de 2007

Dentre minhas resoluções para este novo ano, a mais importante, será mostrar realmente meu interesse pelos amigos e parentes, os que me são caros.

Às vezes, um simples telefonema pode fazer uma grande diferença. Não basta pensar neles apenas, nem simplesmente responder convencionalmente a um e-mail, é preciso mostrar que me interesso. O saudoso companheiro José Christóvam Guerra, do Rotary Club do Recife-Boa Viagem, dizia: a distância nunca separa amigos que se interessam. É uma grande verdade. É a única forma de manter os laços apertados, aquecidos com amizade, com calor humano, com sentimentos de afeto. É abrir o coração e mostrar nosso amor e respeito, para isso, é preciso tomar a iniciativa, partir em direção aos amigos, à família. Foram tantos os que nos telefonaram, de muitos, a gente nem esperava o gesto carinhoso, a atenção. Se eu pudesse ainda escrever uma mensagem de Natal, eu diria: Mostre que você se interessa, parodiando o lema antigo de Rotary: "Mostre que Rotary se interessa."

Mostrar aos amigos que você se interessa por eles, significa que, mesmo os seus planos, podem ser modificados em favor de cada um deles, que você está disponível para ajudá-los, que eles podem contar com você, com sua atenção, com sua abundância e com o seu tempo. Que prova maior de amizade pode haver do que você mudar sua rotina, alterar seus planos, parar o que estava fazendo, enfim, mudar sua vida para ajudar e atender um amigo? Tenham a certeza de que este gesto, mesmo que pequeno, fará uma enorme diferença – faz com que você se torne realmente um amigo.

A verdadeira amizade vem da alma, do interior de cada ser, lá do coração. É o encontro de dois espíritos afins que se afinam em pensamentos, sentimentos e vontades. A verdadeira amizade independe da razão, vem lá de dentro do nosso eu, superior, sensível e divino.

Nós crescemos junto com nossas amizades, a cada gesto de interesse, de carinho. Em pouco tempo vemos transbordar nosso sentimento e vai envolvendo todos aqueles que nos rodeiam, como uma onda luminosa que emana de nosso coração. 

Mostre que você se interessa, pelos planos, pelas metas e objetivos do outro, mostre que você é parte deles, só assim você realmente fará parte do grupo. Mostre que nossa passagem em suas vidas não foi em vão, deixou uma marca profunda, uma esteira de alegria, que nós os conquistamos e somos responsáveis por essa conquista, tal qual o Pequeno Príncipe. Nada é mais importante que os amigos e a família que Deus colocou em nosso caminho. É este o nosso verdadeiro patrimônio, que devemos manter e revigorar, que devemos demonstrar que sempre podem contar conosco, com nosso apoio e com nossa amizade.

Fica aqui registrada minha mais forte resolução para 2007: Mostrar que me interesso pelos amigos e pessoas que amo. Será que ainda dá tempo?