ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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sexta-feira, 6 de julho de 2018

EU NAO SEI





EU NÃO SEI...
Alberto Bittencourt - mar2013






Eu não sei de onde venho, nem para onde vou. Eu não sei se nasci ou se cheguei. Eu não sei se estou aqui, ou se vou por aí. Eu não sei se sou um corpo que carrega um espírito ou um espírito que habita num corpo. Eu não sei se carrego um nome, ou se é o nome que me carrega. Eu não sei se sou importante, ou apenas mais um.

Eu não sei se o barulho nos meus pés vem dos sapatos, ou das correntes. Eu não sei se a brisa no meu rosto vem do mar ou de meus tormentos. Eu não sei se devo correr ou quedar imóvel. Eu não sei se devo me expor ou me esconder. Eu não sei se devo me manifestar ou me calar. Eu não sei se devo confrontar ou acatar. Eu não sei se devo lutar ou deixar ficar. Eu não sei se meu riso é um grito, nem se minha prece é um choro.

Eu não sei se a luz que me alumbra é a mesma que me incandesce. Eu não sei se o ar que me protege é o mesmo que me consome. Eu não sei se me alimento, ou me devoro. Eu não sei se os muros que me cercam são refúgios ou prisões. 

Eu não sei cadê as árvores da minha infância, se vejo apenas florestas de espigões. Eu não sei como os campos em que eu corria se transformaram em asfalto para corpos metalizados.

Eu não sei se meus atos são expressão de vida, nem se meus gestos são expressão de amor. Eu não sei se sou querido ou apenas tolerado. Eu não sei se me amam ou se me enganam. Eu não sei se os que me observam e me escutam estão cegos ou estão surdos. Eu não sei se estou enfermo de verdade, ou apenas fatigado. Eu não sei se preciso de gente à minha volta para poder ficar só. Eu não sei como transformar o tempo que me dissolve em sentimento de eternidade.




O que eu sei é que eu quero apenas uma coisa. O que eu sei, e disso tenho a mais plena convicção, é que eu quero apenas escrever. 

Quero escrever sobre as traquinagens da minha infância, escrever sobre encontros e desencontros, sobre os descaminhos de meu mundo.

Quero escrever sobre os que comigo dividiram sendas e territórios. Quero encher páginas e mais páginas de lembranças vivas, escrever ao sabor das emoções, sem gramática nem sintaxe, sem regras, nem concordâncias. 

Quero escrever de uma só penada sobre os momentos mais delicados, sem pudor e sem rancor. Quero escrever para não ser um homem perdido na multidão, devorado pela angústia de ter que sobreviver. Quero escrever sobre as relações perdidas, sobre as memórias esquecidas, sobre as sociedades desfeitas, sobre os pactos quebrados. Quero escrever sobre os amores vividos, as paixões fugazes, os sentimentos eternos. Quero escrever sobre o ambiente, o universo, o dom da criação. Quero escrever sobre ciência e tecnologia, artes e manufaturas. 

Quero escrever além de mim, para depois, 
me fundir na maçaranduba do tempo. 
Quero escrever para me libertar de mim. 




segunda-feira, 2 de junho de 2014

A RAPOSA E O CORVO

A RAPOSA E O CORVO

escrito por Alberto Bittencourt - Colégio Militar do Rio de Janeiro, 1955
Adaptação da fábula de La Fontaine: "Le Corbeau et le Renard"
Orientação do professor de português, Ten. Cel. José Ramos da Silva Netto.






Uma raposa esfaimada, 
pela floresta trotando,
estava desanimada, 
alimento não achando.

Nisto, um corvo deparou,
sobre uma árvore pousado
e no seu bico notou, 
belo queijo atravessado.

Vendo o corvo com o petisco,
quis a raposa matreira,
atacar a todo risco,
falou-lhe desta maneira:

Ó rica ave formosa,
que divina criatura,
que cor preta, maviosa,
tens a voz como a figura.

A tais palavras rendido, 
o corvo, com afoiteza, 
por mostrar-se agradecido, 
abre o bico e solta a presa. 

Come-lhe a mestra o manjar,
e diz: meu amigo, aprende,
vive quem sabe adular,
à custa de quem o atende.








OBS: 
A fórmula​ é válida em quaisquer circunstâncias - nas relações sociais​, no mundo empresarial, na política... Sempre que você quiser chamar a atenção de alguém, repreender, pedir colaboração, motivar, ou mesmo vender algo,  elogie primeiro, depois dê o seu recado. Será muito mais fácil, conseguir o que quer.
La Fontaine e Esopo (600AC) bem o sabiam. ​




LE CORBEAU ET LE RENARD 
Original de Jean de La Fontaine (1621-1695) 


Maître Corbeau, sur un arbre perché, 
Tenait en son bec un fromage. 
Maître Renard, par l'odeur alléché, 
Lui tint à peu près ce langage :

Et bonjour, Monsieur du Corbeau, 
Que vous êtes joli ! que vous me semblez beau ! 
Sans mentir, si votre ramage 
Se rapporte à votre plumage,

Vous êtes le Phénix des hôtes de ces bois. 
À ces mots le Corbeau ne se sent pas de joie, 
Et pour montrer sa belle voix, 
Il ouvre un large bec, laisse tomber sa proie.

Le Renard s'en saisit, et dit : Mon bon Monsieur, 
Apprenez que tout flatteur 
Vit aux dépens de celui qui l'écoute. 
Cette leçon vaut bien un fromage sans doute.

Le Corbeau honteux et confus 
Jura, mais un peu tard, qu'on ne l'y prendrait plus. 




domingo, 14 de abril de 2013

NOVAS POTENCIALIDADES


NOVAS POTENCIALIDADES

Alberto Bittencourt



      Ao longo da vida, como militar, engenheiro e professor, desenvolvi, naturalmente, a vocação de instrutor, palestrante e apresentador. Os instrumentos de trabalho eram o quadro negro, o giz, o retroprojetor com as velhas transparências, o projetor de slides e diapositivos.
      Eis que de repente, encontrei-me aposentado. Aproveitei então o fato de ser rotariano, para desenvolver novas potencialidades.
Peguei o cavalo selado e parti na busca de um sonho – ser escritor, palestrante, motivador.
      As facilidades da internet nos surpreendem, a nós, das gerações especiais. Descobri um novo mundo onde as pessoas estão ao alcance de nossa voz. A distância que nos separa é de apenas um  clique.
      Hoje, sinto-me importante, realizado, devido principalmente aos depoimentos dos amigos. Muitos nem conheço pessoalmente, mas são amigos íntimos, quase irmãos, com quem interajo através do éter.
      É sempre bom recomeçar, desenvolver novas potencialidades.
      Muito obrigado a todos os amigos e ao Rotary International.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CONHECENDO VITÓRIA, ES


CONHECENDO   VITÓRIA,  ES

Alberto Bittencourt
(Do meu diário, em 08set12)

No sábado, dia 8 de setembro, eu e Helena demos uma fugida do XXXV Instituto Rotary Brasil e contratamos um tour pela cidade de Vitória que, para nós, a partir da vista do nosso hotel, já se prenunciava magnífica.

A van nos apanhou, após o almoço, no hotel Bristol. Saímos na companhia de outros turistas, para percorrer os principais pontos da capital do Estado do Espírito Santo.

Passamos pela costa, com suas belíssimas praias de calçadões ajardinados, ciclovias e quadras esportivas, barraquinhas de coco e prédios residenciais de luxo. Circulamos pelo centro antigo, muito bem preservado, vimos a imponente catedral e o palácio do governo estadual, uma construção do século XIX que se estendia por todo o quarteirão em frente à praça da catedral. De lá, avistamos o porto, com alguns navios acostados e muitos esperando vez, ao largo. Por trás do cais podíamos ver o extenso terminal de carga e descarga de minério de ferro vindo de Minas Gerais por ferrovia. De lá o minério  embarca em navios cargueiros para exportação.  Pudemos divisar, ao longo da costa, as muitas plataformas extratoras de petróleo que geravam grande movimento de navios petroleiros.

Paramos no varejo da fábrica de Bombons Garoto, um imenso galpão cujas gôndolas e prateleiras estavam repletas de chocolates, de todos os tipos e qualidades. Em pouco tempo, com tanta coisa gostosa ao nosso dispor, enchemos duas cestinhas de compras, pensando nas festas e aniversários que se aproximavam. Na parte de trás do varejo ficava a fábrica, que se unia por passarela a uma outra edificação, do lado oposto da rua, provavelmente onde se encontravam o refeitório e os vestiários. De longe víamos os operários saindo para o almoço. Iam rindo e brincando, na passarela suspensa por sobre a rua até o refeitório. Transmitiam uma impressão de higiene e assepsia, todos usavam toucas, luvas e aventais sobre as vestes.

O próximo destino foi o Convento da Penha. Uma edificação antiga, datada do século XVI, composta de igreja e convento, construídos no ponto mais alto de um morro arborizado e encimado por uma enorme formação rochosa. Seu fundador foi Frei Pedro Palácios, vindo da cidade de Salamanca, terra da avó da Helena, na Espanha. Dali desfrutamos uma magnífica visão em 360°. De um dos lados, podíamos ver a cidade de Vila Velha, com praias e ilhas lindíssimas e modernos edifícios que de pronto nos encantou. No sopé da elevação podíamos ver, ladeando o Convento da Penha, dois quartéis: a 3ª Brigada de Infantaria e um destacamento do Corpo de Fuzileiros Navais.  

Como é bom conhecermos lugares novos! Somos sempre surpreendidos pela beleza e diversidade de paisagens neste nosso imenso Brasil.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CILINHO



ONTEM, domingo fiz, com Helena, uma visita a um velho amigo, coronel da reserva do Exército, arma de Engenharia. Chamá-lo-ei de Cilinho e à esposa Selma. Ambos nos receberam com a maior alegria. Cilinho tem 75 anos de idade, mas não aparenta. Selma deve ter um pouco menos. Moram num confortável apartamento perto da minha casa. Oficial do Exército, aspirante a oficial da turma de 1956, a famosa turma Havaí, cuja sigla, “Estamos aí!”, lembro-me bem, era sempre pronunciada pelos capitães, nos idos de 1968, ao adentrarem todas as manhãs no cassino de oficiais da AMAN. A vida de Cilinho daria um bom livro de aventuras. Tanto que eu me propus a escrever a sua biografia, como parte de meu projeto de “personal biographer”.

Cilinho pouco sai de casa. Passa o dia a ouvir a radio CBN. Não pode ler, apenas ouvir noticiários e jogos de futebol, torcedor fanático do Flamengo. Perdeu mais de 95% da visão, conseqüência de um distúrbio neurológico que destruiu os canais lacrimais e foi degenerando até beirar a cegueira total. A mente contudo, continua lúcida, perfeita. A voz e os movimentos inteiramente normais. Cilinho preocupa-se em afastar o mal de Alzheimer. Pratica de cabeça exercícios matemáticos e treina memorização. Caminha diariamente no sítio da Trindade, faz musculação com halteres. Ficou animado com a idéia de escrever a memória. Disse que tem muita coisa a contar.

Aparentemente seu astral é elevado. Não notei o mínimo sinal de depressão. Fala com ânimo e esperança na possibilidade de um transplante de córnea. É de admirar a vontade desse coronel, sempre jovial e alegre, como nos velhos tempos em que dominava a bola e furava gols nas quadras de futebol de salão dos quarteis.

Ele mora em apartamento alugado. Disse que não tem mais nada. Perdeu tudo com a falência do colégio que construiu, um educandário de excelente conceito na cidade, que preparava alunos para o ITA e sempre obtinha as melhores posições nos exames vestibulares. Segundo ele, o legado do colégio foram dívidas, principalmente trabalhistas, cujos processos ainda tramitam na Justiça.

Quantos colégios particulares, de tradição e qualidade, fecharam as portas em conseqüência de uma legislação, demagógica e injusta, que vigorou por anos no país. Provocou a quebra de inúmeros educandários de renome, com histórico de comprometimento com o ensino.

O testemunho de Cilinho é contundente:
"Por força da lei, o aluno, mesmo inadimplente, não podia ser posto para fora antes do término do ano letivo. Resultado, o pai fazia a matrícula e deixava de pagar o ano todo. Dizia: - Eu sei que não é correto, que não é justo, mas é o meu direito. Está na lei."

E o colégio tinha que fazer às vezes de Estado: arcar com ensino gratuito para os alunos inadimplentes, cujos pais se viciaram na prática de mudar de colégio de ano em ano. A situação era agravada pela atuação do sindicato dos professores, super eficiente na cobrança dos direitos, sem contudo, pensar na contrapartida dos deveres, nivelando a todos por baixo. Isso tudo, aliado aos impostos escorchantes e a uma legislação trabalhista tendenciosa, inviabilizou a maioria dos colégios particulares.

Felizmente aprovaram recentemente uma mudança na lei, pela qual após três meses de inadimplência, o aluno pode ser desligado no meio e no fim do ano. Já é alguma coisa, em prol da qualidade no ensino.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

LUTA DE CLASSES, EXISTE NO BRASIL?



LUTA DE CLASSES - EXISTE NO BRASIL?
Alberto Bittencourt



Um certo amigo, estando em campanha para deputado estadual, pediu-me para visitar um canteiro de obras da minha empresa construtora. Queria falar aos trabalhadores, dar sua mensagem, dizer-lhes do seu propósito e de suas razões, pedir votos.

No dia marcado, cartazes do candidato foram previamente afixados nas paredes. Distribuí santinhos, folhetos e camisetas aos operários, em número aproximado de 120.

Num palanque improvisado meu amigo fez o discurso. Iniciou dizendo os motivos pelos quais estava ali, porque pretendia o voto dos operários. Falou que queria defender o povo. Sua missão era trabalhar pelos pobres, representar os trabalhadores, pugnar pela justiça social e distribuição de renda.

Expressava-se dessa maneira: 

_ Quero o seu voto, não para defender esta empresa nem o dr. Alberto, que eles não precisam. Peço o seu voto para defender vocês, trabalhadores, porque vocês é que têm necessidade. Se eu for eleito lutarei pela melhoria de suas vidas, de suas famílias, por melhores condições de trabalho. Não pretendo defender o dr. Alberto, pois ele não precisa. Minha atuação será sempre voltada para o bem de vocês...

Nesse instante pediu licença um pedreiro, quase anônimo, desses que constantemente vão e voltam, entram no início da obra e saem no fim dos serviços. Constituem aquele núcleo base de trabalhadores que, pela fidelidade, pela presença, pelo trabalho, formam o patrimônio humano da empresa. Disse com espontânea simplicidade:

_ Dr, nós não precisamos que o sr. nos defenda. Nós queremos é que o sr. defenda o dr. Alberto porque se ele estiver bem, nós estaremos bem. Se o nosso patrão for mal, todos nós iremos mal. Portanto, dirija seu trabalho para que ele continue bem e nós estaremos garantidos.

O político foi pego de surpresa. Na demagogia de seu discurso, não soube responder. Ficou desarmado, chegou a gaguejar.

O ocorrido levou-me a considerar que o futuro do Brasil depende das empresas. São elas que garantem empregos, impostos, distribuição de renda, o fluxo da economia.

Na dialética marxista da luta de classes entre capital e trabalho, os interesses podem ser conflitantes. O empregado visa salário, o empregador visa lucro. Mas quando existem objetivos comuns de produção e garantia de emprego, o convívio harmônico é a solução. Todos só têm a ganhar.

O ramo da construção civil é uma atividade de alto risco. Absorve mão de obra em escala. Construir casas ou prédios no Brasil ainda é sobremaneira artesanal. Quarenta por cento do custo é mão de obra e encargos. Uma obra de cinco milhões gera mais de duzentos empregos diretos.

Já no ramo de serviços, principalmente financeiros, apenas cinco por cento do custo é representado por mão de obra e encargos. Uma enorme diferença.

Certa vez um colaborador me pediu ajuda para se livrar de um agiota. Fora obrigado a tomar emprestada certa quantia a juros de 10% ao mês, para concertar e evitar o desmoronamento do barraco. O agiota ameaçava a sua família e o operário estava com medo, por não ter como pagar. Ao resolver o problema, pensei cá comigo:

_ Pago 15% de juros ao mês toda vez que uso o cheque especial ou quando parcelo o saldo devedor de meu cartão de crédito. É o império da agiotagem oficial que transfere renda da classe média para os banqueiros.

O hipercapitalista americano Warren Buffett, o segundo homem mais rico do mundo, disse:

“A luta de classes existe, mas é, com efeito a minha. A classe dos ricos é quem conduz essa luta e nós a estamos ganhando.”

Ele está acostumado a ganhar dinheiro no papel, construindo pirâmides financeiras lastreadas em títulos de dívidas.

Tem toda razão Warren Buffett. Os ricos enriquecem nas costas dos pobres. Isso explica a situação precária das novas gerações no Brasil. Há mais de 1,2 milhão de jovens de 18 a 24 anos em total ociosidade, sem nenhuma perspectiva de futuro. Não trabalham, não estudam, não produzem, segundo a recém publicada Síntese de Indicadores Sociais do IBGE.

Recentemente abriram concurso federal para procurador do Trabalho. Salário inicial superior a R$ 21.000,00. Na mesma época abriram outro concurso, também federal para engenheiro do DNIT – Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes. Salário inicial: R$ 4.500,00. Na luta de classes, a dos advogados está vencendo por muitos corpos de vantagem.

Após mais de 30 anos como empresário da construção civil, tenho a firme convicção de que a classe dos trabalhadores estará bem na medida em que as empresas empregadoras estiverem bem. Esta é a verdadeira luta de classes em que acredito.

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sábado, 3 de outubro de 2009

RECEITA PARA O BRASIL




O Futuro do Brasil está chegando. A duras pena o país vai percorrendo um sinuoso caminho. Chegará o dia em que haverá emprego, casa, alimento, educação e saúde para os 190 milhões de brasileiros. Somos um país rico, pela extensão territorial contínua, pela maior superfície de terras agricultáveis do mundo, pelo volume de água potável, pelas indústrias mundialmente competitivas, pelo potencial energético, pelas riquezas minerais, vegetais e animais, pelo povo alegre, ordeiro e pacífico.

O que nos impede? Qual a razão da miséria crescente? Em que dia as palavras violência, assalto, assassinato sairão dos noticiários?

São muitas as causas, mas para mim, a principal é a corrupção.
Poderíamos ser um país justo, não houvesse a corrupção.
O que se pode fazer? Como mudar a cultura do “sou brasileiro, gosto de levar vantagem em tudo”? Todos sabem, mas ninguém quer abrir mão dos privilégios.
Aqui segue uma pequena receita de cinco itens, para ser aplicada a todos os gestores públicos, em todos os níveis, nos três poderes.

1- Acabar com o sigilo bancário de todos os políticos, ordenadores de despesas e homens públicos.

2- Acabar com o foro privilegiado em todos os níveis. Sem tal blindagem, qualquer mortal pode ser processado por improbidade administrativa e ressarcimento de recursos.

3- Aprovar, sem mudanças, o projeto Ficha Limpa, que impede que os condenados em Primeira Instância possam disputar cargos eletivos. Para os crimes de improbidade administrativa, basta que a denúncia seja recebida por um órgão de qualquer instância para que a candidatura esteja proibida.

4- Publicar na internet, de modo permanente e contínuo, a relação nominal de todos os servidores públicos com cargo e salário, aí incluídas as gratificações, comissões e acréscimos.
Tal procedimento já é realizado pela prefeitura da cidade de São Paulo, onde o prefeito Casseb enfrentou batalha judicial contra os sindicatos até obter a decisão final. O povo que paga a conta tem o direito de saber.

5- Atuar junto aos organismos internacionais para acabar com os paraísos fiscais. Segundo dados oficiais, existem atualmente 84 paraísos fiscais no mundo. Os mesmos oferecem proteção do sigilo bancário para os investidores e recebem qualquer tipo de dinheiro, sem questionar a origem. Pode ser lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, do crime organizado, do caixa dois de empresas, da sonegação de impostos, da corrupção de gestores públicos. O montante de dinheiro nesses paraísos que, além do sigilo, ainda são isentos de impostos, é incalculável.
Há muitos recursos no exterior, pois os bancos de investimentos também operam em paraísos fiscais. Muita gente utiliza os serviços de doleiros, inclusive grandes empresas. Legalizar e recambiar esses recursos é um assunto controverso. Um projeto de lei nesse sentido caminha no Congresso. É preciso que venha com uma mobilização internacional para por fim aos paraísos fiscais e acabar com o sigilo bancário.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

UM LIVRO ADMIRÁVEL




Surpreso e admirado. Assim posso definir meu estado de espírito tão logo iniciei a leitura do livro "Semeando Olhares – Vivências por Peregrinações Geográficas", de autoria da jovem geógrafa, de 25 anos, Paloma Sol, filha de minha prima Enyzinha Cunha.
Recebi-o das mãos de sua mãe, em reunião de família, em troca de meu livro "Ajudando a Construir a Paz"
Como ela mesma diz, a obra é uma produção autônoma, com ajuda de alguns amigos. Editada em gráfica rápida, tiragem limitada, tem ilustrações graciosas, a bico de pena, da própria autora.
Segundo me informaram, Paloma se encontra atualmente na Índia, no ashram da guru indiana Amma, que já distribuiu mais de 20 milhões de abraços e esteve recentemente no Brasil.
Paloma demonstra ser uma pesquisadora social incansável, dotada de grande percepção e de uma sensibilidade fora do comum. Voltada para as coisas simples da terra, se deslumbra ante os milagres da natureza virgem, provedora de vida e alimentos.
Entremeado de citações, poesias, letras de músicas de Gil, Milton, Caetano, Chico, o livro é repleto de diálogos com o homem das comunidades, com o camponês, o indígena, as crianças. Retrata o modo de vida de diversos povos, os conflitos trazidos com o avanço da civilização, suas angústias, suas aspirações, os contrastes do antes e depois do progresso. Um capítulo importante trata da educação rural. Paloma dialoga com as professoras, mostra seu dia a dia, sua vida, suas agruras, seus ideais.
Paloma penetra na intimidade do homem rude do campo, convive com comunidades indígenas, seus hábitos, sua cultura milenar ainda preservada. Não sei como reproduz com tanta precisão e fidelidade os diálogos, no linguajar natural da região, com suas expressões e termos matutos. São tão reais, tão sinceros que, imagino, somente com o uso de um gravador poderia se explicar. Como teria arranjado tempo para transcrever toda a riqueza contida no livro?
Peregrina, Paloma percorreu sendas e trilhas, rios e igarapés, no meio do mato, em busca de comunidades as mais remotas. Esteve na Mantiqueira, no Tocantins, no Acre, indo até o Peru e Bolívia. Mochila nas costas, andava a pé ou buscava carona, à beira de estradas, às vezes por dias sucessivos. Não desistia, até conseguir. Viajou de avião, ônibus, carro, caminhão, moto, bote a motor de popa. Se preciso, não hesitava em armar a barraca e pernoitar no mato, sozinha, superando o medo das sombras, dos animais, dos insetos.
Admiro a coragem dessa menina, recém saída da adolescência. A mocinha indefesa, desarmada de corpo e alma, carrega nas intenções e ideais a ânsia de conhecer a vida no campo, de se unir à natureza primitiva. Com tanta coisa nos jornais, Paloma confia no Deus protetor. Todos os desconhecidos que cruzam seu caminho são pessoas boas, amigas, puras, acolhedoras.
Parabéns Paloma. Você tem uma grande obra, uma grande missão a cumprir. Que Deus a proteja.
Do primo
Alberto Bittencourt