ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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domingo, 9 de maio de 2021

NOVAS GERAÇÕES


MÊS DAS NOVAS GERAÇÕES
Alberto Bittencourt - Setembro, 2007

Setembro é o mês das Novas Gerações. Pela sua importância, o Rotary tem lhes dedicado contínuas reflexões, discussões, palestras, conferências em todo o mundo.
Os Programas do Rotary para as Novas Gerações alcançam todos os jovens até a idade de 30 anos. Instituem que é responsabilidade dos rotarianos preparar as Novas Gerações de forma a melhorar suas habilidades para garantir-lhes um futuro melhor, reconhecendo suas necessidades fundamentais de saúde, educação, valores humanos e desenvolvimento pessoal.
Compreendem:
       1) Os clubes de jovens, integrantes da Família Rotária: Rotakids, Interact e Rotaract Clubs;
       2) Os Seminários, RYLA, de Liderança Juvenil.
       3)Os programas de Intercâmbio de Jovens. 
       4) Os programas da Fundação Rotária, a saber:
·       Humanitários, como a Pólio Plus e os projetos em favor de creches, orfanatos, centros de deficientes, de recuperação de drogaditos, escolas, hospitais.
        · Educacionais, como o Lighthouse, as bolsas educacionais, bolsas para a Paz e Resolução de Conflitos, IGE, cursos profissionalizantes entre outros.
É dever de cada rotariano empregar todos os recursos pelo êxito desses programas. Para tanto, torna-se necessário trabalhar junto com as Novas Gerações, escutá-las, compreendê-las, apoiá-las, educá-las, com vistas à construção de um mundo melhor e mais humano para todos. 


O presidente-plus do Rotary International Luiz Vicente Giay consagrou o ano de sua presidência, 1996-1997, às Novas Gerações a partir do lema que adotou: “Construir o Mundo com Ação e Visão”,escrito em volta de um círculo representando o globo terrestre, sobre o qual um casal de jovens leva uma tocha.



Ele estabelece em seu programa de ação ser dever de todos os rotarianos:
·       Dignificar a existência das crianças.
·       Melhorar as condições de saúde e elevar o nível de educação dos jovens.
·       Ajudar os jovens a se tornarem cidadãos produtivos, capazes de enfrentar desafios e aproveitar oportunidades.
·       Promover entre os jovens o ideal de serviço.
·       Ensinar padrões éticos de conduta e de preservação do meio ambiente.
·       Estimular os jovens para que se convertam nos seus próprios líderes.
·       Identificar e reconhecer adversidades, dificuldades e motivos de fracasso entre os jovens.
É nossa missão capacitar os jovens a defender os valores de Paz e Compreensão como essenciais para uma vida plena e útil.
Que nossas ações sejam voltadas para as personalidades em formação, para os caracteres a serem amalgamados.
Para mim, preferencialmente as Novas Gerações são os jovens em situação de risco, as crianças desprovidas de teto, de amor, de compreensão, sujeitas à todo tipo de exploração doméstica e nas ruas. É a esses que devemos dar as mãos, ajudá-los a crescer com dignidade, para que aprendam a ganhar o pão de cada dia de maneira honesta.
Mostremos o Caminho para aqueles cujo destino se encontra na encruzilhada da vida, na fronteira do bem e do mal, ante a retidão ou a perdição, ante a conduta honesta e pacífica ou a atitude violenta e rebelde.
Ao avocar a si a responsabilidade pelas Novas Gerações, o Rotary cria nos rotarianos a consciência de trabalhar para que esses jovens tenham o futuro risonho dos que souberam escolher o caminho certo.
 


 

 

 

 

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

DELINQUÊNCIA JUVENIL



DELINQUÊNCIA JUVENIL
Alberto Bittencourt - maio, 2014



Everton tem seis anos. Desde que veio ao mundo, habituou-se a ficar pelas ruas. Antes, nos braços de sua mãe. Depois, por ele mesmo, a esmolar. Finge tomar conta dos carros para receber uma moedinha qualquer que, no fim do dia, leva para ajudar a matar a fome da mãe e dos irmãos, pois a sua, por hora, está controlada, graças à caridade de muitas almas passantes.

Embora tenha sido matriculado na escola, lá só compareceu no primeiro dia.

Mora na favela de Santo Amaro, num barraco insalubre, mal cheiroso, quente no verão e frio no inverno ou à noite. A mãe, quando não está bêbada pela cachaça que ingere todos os dias, está cheia de crack. Nos momentos de lucidez, também ela vai para as ruas pedir esmolas para comprar mais droga.

Everton olha para as pessoas, as que vêm de carro para estacionar e lhe dão uma moeda, como se fossem seres do outro mundo – para ele, elas pertencem realmente a um outro mundo, lá bem distante, o Mundo dos Ricos. Ao cometer pequenos furtos, aproveitando quase sempre desleixos e descuidos próprios de quem tudo tem, de quem pouco valoriza seus objetos por excesso de possuídos, em sua concepção, o garoto acha que está apenas indo buscar o que lhe é devido.

Everton não tem nenhum amor no coração. Palavras como amor ao próximo, valor humano, bondade, respeito, educação, civilidade, são palavras nunca sentidas. Até hoje só conheceu o medo, medo de apanhar da mãe, medo dos espancamentos constantes, sem pretextos. O que preenche seu espírito é o ódio. O ódio por todos, mas principalmente pelas mulheres, como a mãe que o espanca. Ele tem lá dentro um oco enorme que precisa ser preenchido, precisa ser completado. É um oco do tamanho das suas entranhas, da sua fome, da sua falta de amor. Ele tem uma idéia fixa, recuperar tudo que a vida lhe deve, por tanto ter doado aos ricos.

Everton nunca recebeu nenhuma assistência desses órgãos do governo que existem para ajudá-lo, encarregados que são de garantir o bem estar da sociedade.

Everton é quase um bicho, vive por instinto e assim, vai sobrevivendo, a duras penas, na selva de pedra e asfalto, nas calçadas e ruas, de onde olha para muros e guaritas, tais como fortalezas proibidas. 

Aos quinze anos descobriu o uso da força e da violência para roubar. Aprendeu que os ricos não reagem, não resistem, vão logo entregando tudo o que têm. Everton se sente poderoso. O cidadão, sua vítima em potencial, fisica e moralmente desarmado, assustado, é um prato cheio para as mais desmedidas ambições. A omissão dasautoridades, a inércia, corrobora para respaldar esse sentimento de revolta no espírito de adolescentes como Everton e, nessa lógica, as vítimas que resistem devem ser punidas. Ele já puxou três vezes o gatilho, a arma apontada para o miserável que deu a partida no carro. Não quis ouvi-lo, então, merece morrer!

Everton é um pária, não está nas prioridades nem da Polícia, nem da Justiça.

Ele, nas ruas, sente-se rei.

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domingo, 28 de junho de 2020

EDUCAÇÃO, DEVER DE TODOS


EDUCAÇÃO, DEVER DE  TODOS

Alberto Bittencourt

(EXCERTOS de palestra realizada em set 2007)

Companheiros, quero aqui ressaltar um dos nossos maiores problemas: a educação escolar. Acho que cada rotariano tem o dever de zelar pela boa e correta educação das nossas crianças, nas escolas públicas, sejam estaduais ou municipais.

Há muito tempo, mais de 30 anos, 25 Rotary Clubs do Distrito 4500, construíram escolas, escolas com salas de aulas feitas de cimento e tijolo, bem equipadas, que ainda hoje funcionam. São as Rotary. Há 25 Escolas Rotary em nosso Distrito. Deve haver centenas espalhadas Brasil afora, vale a pena fazer o levantamento. Todas construídas com a dedicação, trabalho, esforço, abnegação e sacrifício de incansáveis  companheiros, que nos antecederam em Rotary, os pioneiros de nossos clubes, que doaram os terrenos, que se esforçaram por edificar neles instalações, as melhores possíveis, para a educação de nossas crianças.

São prédios muito bem construídos, em terrenos excelentes, muito bem localizados, que eles conseguiram e doaram, para que o Rotary construísse essas escolas, numa época em que o Rotary mesmo é que tinha que prover os professores, os funcionários, o material didático.

Hoje, todas essas Escolas Rotary, estão conveniadas com as secretarias de educação estaduais ou municipais, que, além dos professores e do material didático, fornecem a merenda escolar,

Foi a forma de viabilizar essas escolas. O Rotary as entregou para as secretarias de educação e... lavou as mãos! Não é mais com o Rotary. Agora o problema é da Secretaria de Educação. Não interessa se funciona bem ou mal. O fardo foi tirado de nossas costas.

Eu visitei com Helena, todas as Escolas Rotary do Distrito 4500, além de outras assistidas pelos clubes. Verificamos em algumas delas que crianças chegam à quarta série do ensino fundamental e de lá saem sem saber ler, sem saber escrever, sem saber interpretar o que lêem, mal fazendo as quatro operações. Outras precisam de reformas urgentes no prédio e nas instalações. A secretaria de educação diz que nada pode fazer porque o prédio não é dela e o Rotary não concerta porque a escola está entregue ao município ou ao estado, não é com ele.

Em determinada escola do Recife, durante a visita oficial como governador, a Bandeira do Brasil foi hasteada ao som do hino do colégio, posto que nunca ensinaram às crianças o Hino Nacional.

Segundo denúncias da ONG Novo Mundo, que trabalha em escolas do ensino público fundamental, há educandários aqui no Recife que são antros de marginalidade. Alguns alunos se organizam em gangues, e chegam até a ameaçar de morte, as pessoas que querem melhorar as condições de ensino e de educação. São bandidos que se organizam, chegou a esse ponto, com professores que deviam estar na cadeia por não exercerem o seu papel de mestres nem de educadores.

Também vimos Escolas Rotary exemplares, bem cuidadas, as crianças alegres, uniformizadas, orgulhosas ao cantarem o Hino Nacional, em que o ensino funciona magistralmente, sob as vistas e a atenção de rotarianos dedicados.

É preciso rever esses convênios que funcionam mal, cobrar responsabilidades, até o aluguel, se for o caso, por que não?

Eu pergunto: será que nós estamos agindo corretamente, deixando para lá?

O que é que nós podemos fazer? Eu sugiro o seguinte, mas é preciso que todos os companheiros participem: que o nosso clube de Rotary, como representante da sociedade civil organizada, como instituição de utilidade pública que é, como a maior ONG e de maior prestígio e credibilidade, mediante autorização, entre naquela escola, que um companheiro entre numa sala e procure assistir às aulas. Vá olhar, assistir, fique lá uma manhã, tome conhecimento do que se passa nas salas de aulas, se as professoras comparecem, se ensinam, procure sentir na pele os problemas. Só fazer uma visita, passando de passagem, meia hora, de nada adianta. É ficando dentro da sala de aula, verificando como se comportam aquelas professoras, como é que se comportam os alunos, só assim, só dessa maneira, nós podemos mudar alguma coisa. Somente indo lá, onde estão as crianças, vendo, vivendo e aprendendo, sentindo na pele, do contrário vai tudo continuar como dantes, no quartel de Abrantes.

Constatadas as deficiências ou irregularidades, o clube pode fazer um ofício ao Secretario de Educação com cópia para o diretor da escola, mandar para o Ministério Público, e até para imprensa, se entender, denunciando o que for necessário, pedindo providências. Do contrário, aquelas crianças vão continuar ciscando a terra, como galinhas, não vão se desenvolver, aprender a ganhar o pão de cada dia de maneira honesta, exercer o seu papel de águias, divinas, participando do mundo. Serão sempre galinhas a escavar a terra. E pior, muitas dela poderão ser aliciadas pela marginalidade, pelo tráfico de drogas, e serem levadas ao caminho da morte e da destruição.

Contudo, se nós estivermos lá dentro da escola, vendo, vivendo e aprendendo, então nós podemos fazer muito, em benefício de um número cada vez maior de crianças.







DUAS MULHERES E AS NOVAS GERAÇÕES


DUAS MULHERES E AS NOVAS GERAÇÕES

Alberto Bittencourt
Escrito em março de 2006, antes do terremoto
que devastou o Haiti e vitimou nossa Zilda Arns.


O dia 08 de março de cada ano é consagrado como Dia Internacional da Mulher. Gostaria de render uma homenagem à mulher brasileira. Faço-o, na pessoa de duas líderes femininas que estão fazendo a maior diferença em nosso querido Brasil. São duas mulheres merecedoras dos maiores encômios, das maiores reverências. Duas mulheres que, pelo exemplo, pelo comportamento, pelas ações, dão uma prova contundente de que é possível resgatar as crianças da encruzilhada da vida, mostrar-lhes o caminho do bem, dar-lhes a tão sonhada oportunidade de crescer com dignidade, para que, no futuro, possam ganhar a vida de maneira honesta.  
Refiro-me a Viviane Senna e Zilda Arns.
Viviane Senna, a presidente do Instituto Ayrton Senna, está mudando a face do ensino público no Brasil. 
Zilda Arns, organizadora e coordenadora da Pastoral da Criança, já reduziu em mais de 40% os índices de mortalidade infantil no país. 
Em 2004-05, quando fui governador do Centenário, percorri, com Helena, as obras dos 92 Rotary Clubs do nosso Distrito 4500. Testemunhamos nas escolas Rotary do interior nordestino o alcance do trabalho dessas duas mulheres.  
Viviane Senna gerencia e aplica na melhoria do ensino fundamental das Escolas Públicas o legado de Ayrton Senna, nosso tri-campeão mundial de Fórmula 1, o herói que projetou o nome do Brasil para as gerações do mundo inteiro.  
O Instituto Ayrton Senna, com os programas "Se Liga" e   "Acelera Brasil" já beneficiou mais de 3 milhões de crianças, com recursos aplicados de cerca de 36 milhões de dólares em 500 cidades brasileiras, em 24 estados da federação.  
Ayrton Senna, neste 21 de março de 2006, completaria 46 anos de idade. Todo o país chorou naquele trágico 1. de maio de 1994, no circuito de Ímola. Mas o homem que tanto orgulho trouxe a todos nós brasileiros, não nos deixou. Está mais vivo do que nunca, presente no Brasil inteiro. Pouco antes do acidente fatal, ele havia confiado à sua irmã, o desejo de empreender uma obra de longo alcance pelas crianças desfavorecidas.  
Viviane Senna, mãe de três crianças, que, dois anos após a morte do irmão, perdera também tragicamente o marido num acidente de moto, sufocou a depressão. Em lugar de se fechar em seu mundo, resolveu consagrar a vida às crianças carentes, fazer a vontade de seu irmão.  
Dentro do programa "Se Liga", do Instituto Ayrton Senna, crianças em poucos meses aprendem a ler, interpretar textos, escrever, fazer as operações aritméticas básicas. No "Acelera Brasil" as que ficavam marcando passo, defasadas de 2 a 4 anos em relação à idade, em apenas 1 ano se recuperam, passam a ter um progresso rápido.
O Instituto Ayrton Senna já firmou convênio com cinco estados brasileiros, entre eles Pernambuco.   Os resultados obtidos pela atuação inovadora e eficaz são reconhecidos pela UNESCO.
Viviane Senna adquiriu tal competência em matéria de desenvolvimento humano, que o presidente Lula quis fazer dela um de seus ministros, mas Viviane prefere agir fora da burocracia, em total liberdade.
Agora pergunto: Por que a educação funciona com o Instituto Ayrton Senna e não funciona com o chamado Ensino Regular das Escolas Públicas?   Se ambos utilizam os mesmos professores, as mesmas instalações, as mesmas crianças , os mesmos meios, por que o Ensino Público não consegue fazer o mesmo ?  
A receita nós sabemos:
1.     capacitação,adequada,
2.     supervisão permanente,
3.     avaliação constante.
4.     motivação elevada. 
Os ingredientes, nem sempre estão disponíveis:
1.     seriedade,
2.     patriotismo,
3.     amor
4.     dedicação.  
Zilda Arns, com as voluntárias da Pastoral da Criança, já salvou a vida de mais de 2 milhões de crianças. Ela ensina e fornece alimentação alternativa, transmite cuidados essenciais, como o soro caseiro, dá noções de higiene às mães e filhos, promove inúmeras atividades educativas e de recreação. Eu e Helena provamos da multimistura, das maravilhosas receitas, tão simples, nutritivas, saborosas, na base de cascas de melancia e outras frutas.  
Os resultados da Pastoral da Criança tornaram Zilda Arns merecedora de concorrer ao Prêmio Nobel da Paz em 2001, indicada que foi, pelo governo brasileiro.
Uma coisa devemos refletir: o programa de Zilda Arns tem a participação ativa, constante, dedicada, de mais de 250.000 voluntários, a maioria mulheres. Elas estão presentes, trabalhando, ensinando às mães e às crianças a forma correta de se alimentar, de preparar e aplicar o soro caseiro, os cuidados a ter com a higiene pessoal. Elas estão mudando as condições de vida daquelas famílias.
Agora, outra pergunta para reflexão: Como é que Zilda Arns consegue mobilizar mais de 250.000 voluntários para um trabalho permanente e constante e nós, do Rotary Club, temos às vezes a maior dificuldade em conseguir 10 minutos que seja, de um companheiro? Os   250.000 voluntários da Pastoral da Criança estão lá, dando seu tempo, sua energia, sem receber nada em troca. 
O comunicador e motivador, comp César Romão em magnífica palestra-show no Instituto Rotário de Cuiabá, nos deu a resposta: porque Zilda Arns transformou a missão em que acreditava e na qual mergulhou, numa CAUSA.  Ela abraçou, defendeu, lutou por essa CAUSA e com isso ela foi seguida por uma legião de voluntários. Se nós não transformarmos o nosso Rotary numa CAUSA igual a essa, nós vamos permanecer marcando passo, sem sair do lugar, completou César Romão.
Então, companheiros, as luzes se acendem, a esperança está de volta.
Registro assim, nas pessoas de Viviane Senna e Zilda Arns a minha homenagem à mulher brasileira pelo transcurso do seu Dia Internacional da Mulher.




sexta-feira, 26 de junho de 2020

A ÁGUIA E A GALINHA


A ÁGUIA E A GALINHA
(Parábola sobre as Novas Gerações)
Alberto Bittencourt - setembro de 2012







Leonardo Boff no livro “A Águia e a Galinha” relata uma das parábolas mais bonitas de autoria de James Aggrey:


"Um fazendeiro encontrou na floresta um filhote de águia. Recolheu, levou e colocou no galinheiro, junto com as galinhas, e começou a alimentar com milho e ração de galinha. O filhote foi crescendo no meio das galinhas, adquirindo seus hábitos, ciscando a terra como se fosse galinha, embora a águia fosse o rei/ rainha de todos os pássaros.

Cinco anos depois, ela tinha o comportamento de galinha, vivia como galinha, comia como galinha, inclusive cacarejava como galinha.

Um dia um naturalista passou pela fazenda e observando o galinheiro, disse: Esse pássaro aí não é uma galinha, é uma águia.

De fato, disse o fazendeiro, ela nasceu águia, mas hoje é uma galinha. Foi criada como galinha, vive como galinha e se comporta como galinha. Tem os hábitos de uma galinha.

Não, retrucou o naturalista. Ela é e sempre será  uma águia, pois tem o coração de águia e ninguém pode contrariar a sua natureza. Esse coração a fará um dia voar às alturas. Eu vou provar a você que ela é uma águia.

Não, não, insistiu o fazendeiro. Não é possível. Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a  águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a, disse: Já que de fato você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!

A águia viu as galinhas no chão, pulou para junto delas e voltou a ciscar os grãos.

O fazendeiro comentou: eu não falei que era uma galinha? Ela não é mais águia, ela virou uma simples galinha!

Mas o naturalista tornou a insistir: Não, ela tem no coração a natureza da águia. Vamos leva-la para cima de casa e você vai ver que ela vai se tornar águia novamente.

Ele a levou para o telhado da casa e sussurrou-lhe: Águia, abra suas asas e voe! Mas quando a águia viu lá em baixo as galinhas no chão, pulou e voltou a ciscar no meio delas. 

O fazendeiro disse: Tá vendo só o que eu disse? Ela é e sempre será uma galinha.

Mas o naturalista não se conformou. Não, afirmou. Amanhã nós vamos lá no alto daquela montanha e você vai ver que ela não é uma galinha, é uma águia.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: Águia, já que você é  uma águia, já que você pertence  ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

A águia tremia feito vara verde, mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.

Você é uma águia, voe! E a lançou contra o sol. Nesse momento a águia abriu as suas asas de quase três metros de envergadura, grasnou como as águias e ergueu-se soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou...voou... até confundir-se com o azul do firmamento."





Esta parábola  ilustra que nós temos o dever como rotarianos de resgatar nos homens a águia que existe dentro de cada um, para que eles não fiquem o resto de suas vidas a ciscar a terra feito galinhas, para que eles possam exercer a sua natureza divina e rica e desempenhem o seu verdadeiro papel na Terra.



Um jovem normal pode crescer num ambiente deturpado pela miséria, pela violência, pela marginalidade. É nosso dever, como rotarianos, trabalhar para libertar a águia que habita o coração desse jovem, para que ele possa ser liberto, atender ao chamado das alturas, voar em busca do sol, em lugar de passar a vida a ciscar a terra como as galinhas.





domingo, 5 de maio de 2019

PROJETO DE EDUCAÇÃO PELA PAZ



PROJETO DE EDUCAÇÃO PELA PAZ 


Alberto Bittencourt 

abitt9@gmail.com 
81 98844-8129 





Digníssimo senhor prefeito do município de ....

Pertenço a uma organização chamada Rotary International e venho propor um programa de parceria. 

Venho com o propósito de desenvolver projetos em Escolas Municipais de Ensino Fundamental 2, em favor de adolescentes de 11 a 16 anos de idade. 

São estes jovens que se encontram na fase mais vulnerável ante o assédio e abuso sexual, a droga, a prostituição, o abandono pelas famílias, a violência, o bullying, o estupro, a gravidez precoce, as infecções sexualmente transmissíveis (IST), a ideologia de gênero e outras ameaças. 

Cerca de um milhão de meninas por ano, com idades entre 12 e 16 anos, engravidam no Brasil. Como consequência, abandonam os estudos, largam as crianças nas mãos das avós,  e as deixam soltas depois nas ruas. 

Perde-se a esperança justamente onde ela deveria ser mais forte - a de que a educação é a base de tudo é que é preciso oferecer oportunidades para os jovens. 

Retroalimenta-se o estigma de que a melhor solução seria a repressão, a redução da maioridade penal, a construção de presídios, o aparelhamento das polícias, o aumento das penalidades, o fim da impunidade. 

Nenhum político fala na prevenção, na educação pela paz, no implemento de uma cultura da paz. 

A situação é mais do que URGENTE. 

Destes jovens em situação de pobreza, podemos afirmar, sem medo de errar, que boa parte deles não chegará aos 24 anos de idade. 

Infelizmente o Brasil é campeão mundial de mortes por armas de fogo. São mais de 50 mil homicídios ocorridos por ano, desde 1995, conforme estudos da UNICEF. Em 2015 foram 58 mil vítimas de homicídios. Nos últimos vinte anos, ocorreram mais de um milhão de mortes no Brasil. Só não têm repercussão mundial porque ocorrem espalhadas no tempo e no espaço. Fossem concentradas, seria uma catástrofe. E não deixa de ser. Um verdadeiro genocídio.

Mata-se mais no Brasil do que nos EUA, China, India, Ásia, África, Oriente Médio, ou em qualquer guerra localizada. 

80% das vítimas são jovens pobres, de cor parda, do sexo masculino, habitantes das favelas, com idades entre 18 e 24 anos. 

Afinal, que saídas podemos oferecer para que esses jovens tenham um futuro auspicioso, já que as escolas públicas são ineficientes e burocráticas? 

Nossa proposta é a prevenção

Como? Ensinando e divulgando nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental 2 a Cultura da Paz e não Violência

Propomos a educação com valores humanos, éticos e morais, sem a intenção de doutrinação ou catequização de qualquer espécie. Propomos a valorização dos professores, baseada na meritocracia.
Mais uma triste estatística: o Brasil é campeão mundial de agressões a professores por alunos. Esse quadro tem que mudar. 

Integramos uma entidade denominada Rotary. Não pertencemos a partidos políticos, nem a igrejas. Move-nos apenas o desejo de que o jovem cresça de forma honesta, com amor no coração e aprenda a ganhar honestamente o pão de cada dia. 

Mediante parcerias internacionais, o Rotary pode realizar projetos chamados de Subsídios Globais, e aportar recursos de cem a quatrocentos mil reais por projeto, com duração de um a dois anos cada, em benefício desses jovens. 

Podemos contratar facilitadores, educadores, pedagogos, terapeutas, sociólogos, médicos, e outros especialistas profissionais, pagar alimentação, transporte, material esportivo, num programa paralelo ao da grade curricular de ensino. 

Queremos conscientizar o corpo docente e discente das escolas municipais,  alcançar as famílias desses jovens. 

Poderíamos estender esse projeto a várias escolas, com abrangência inicial de cerca de três mil alunos. 

Seriam denominados Projetos de Educação pela Paz. 

Gostaria de marcar encontros para desenvolver a ideia. 

Por favor, avise-me da possibilidade de marcarmos reuniões a respeito. 

Precisamos difundir a cultura da paz e não violência

Precisamos diminuir a violência no ambiente em que vivem esses jovens, para que eles se tornem verdadeiros cidadãos, úteis e produtivos para o mundo. 

E para que possamos afirmar com orgulho: 

A juventude brasileira tem jeito

Obrigado
Abraços

ALBERTO BITTENCOURT.
abitt9@gmail.com
81 98844-8129

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

CULTURA DA PAZ E NÃO VIOLÊNCIA

Cultura da Paz e Não Violência

CULTURA DA PAZ E NÃO VIOLÊNCIA. 

Alberto Bittencourt – fevereiro de 2017 

Ante o crescimento dos índices de violência em todos os níveis de atividade humana no Brasil, o Estado tem se mostrado incompetente. Não conseguiu controlar o aumento desenfreado da criminalidade. As capitais do nordeste se tornaram as campeãs em mortes por homicídios por armas de fogo. Basta verificar o Mapa da Violência para constatar.

Mata-se mais no Brasil que na Síria.
Entre 2011 e 2015, tivemos no Brasil 278.834 mortes violentas.
Nesse mesmo período, o número de mortes violentas na Síria foi de 256.000. 


Como se vê no noticiário internacional, o Brasil è campeão mundial de mortes por armas de fogo.

Somente no ano de 2015, o Brasil registrou, em números absolutos:

  • 58.467 assassinatos 
  • 45.460 estupros 
  • 110.000 armas ilegais apreendidas. 
Em números relativos, os índices dos estados do nordeste do Brasil são os mais elevados. Os três estados mais violentos do Brasil são:
  • Sergipe: 57,3 mortes violentas a cada cem mil habitantes. 
  • Alagoas: 50,8 / cem mil 
  • RGN:       48,6 / cem mil. 
E esses números vêm crescendo. 


80% das vítimas dos homicídios praticados no BRASIL são: 
  • Jovens, 
  • entre 15 e 24 anos de idade. 
  • Do sexo masculino 
  • Cor parda ou Negra. 
  • Pobres 
Tal constatação configura que vivemos no Brasil uma verdadeira guerra civil não declarada. Esses números só não causam uma comoção mundial, porque as mortes ocorrem distribuídas ao longo do ano, de forma isolada, não concentrada. Por isso não são destaques da mídia internacional.

Pesquisas levantaram que 76% da população vive premida pelo medo. 

Os governos,  pressionados pelo clamor de uma população refém da criminalidade, lançam a cada ano, um Plano Nacional de Segurança, com esse mesmo nome que, de nada adianta.

São mais de 30 anos de descaso no Brasil com a segurança pública, eclodindo agora na crise do sistema penitenciário e nos motins dos policiais militares estaduais.

Para uma população carcerária de 600 mil apenados, temos um déficit de 250 mil vagas.


Os governos brasileiros falam apenas em repressão da criminalidade. 

Agora mesmo, o governo destinou R$ 778 milhões para a compra de armas e equipamentos para as polícias e construção de novos presídios.

Considerando que apenas 5% dos crimes Investigados chegam às barras dos tribunais, fala-se em aumento das penalidades, redução da maioridade penal, agilização da Justiça, diminuição da impunidade.

Tudo isso é necessário, mas ninguém fala da prevenção.

Está provado que a repressão só fez aumentar a criminalidade.
Uma Política Social Preventiva inclui a educação e a geração de emprego, prioritariamente.
Dois terços dos jovens brasileiros estão desempregados. O jovem que não estuda nem trabalha é facilmente aliciado pela criminalidade.

A prevencão é o que fazemos, o Rotary e seus parceiros. Será e sempre foi o fóco de nossas Ações.

Para agir preventivamente, minha proposta, é instituir neste ano do Centenário da Fundação Rotária, Subsídios Globais, no valor mínimo de 30 mil dólares cada, para, em parceria com as Prefeituras Municipais, atuar nas turmas das Escolas Municipais de Ensino Fundamental 2, de forma a implantar uma Cultura de Paz e Não Violência, paralela à grade curricular básica do Ministério da Educação.

Assim, conseguiremos alcançar a faixa etária de 11 a 15 anos, em que os jovens, de ambos os sexos, encontram-se mais vulneráveis à violência e ao risco de serem cooptados pela criminalidade. 

Esse é um trabalho de médio prazo. Tem que alcançar todo o corpo docente e discente, incluir uma política de melhoria do rendimento e aproveitamento escolar, de valorização dos professores e de monitoramento e avaliação dos resultados.

O projeto terá duração de dois a três anos. Empregará metodologia de dinâmicas de grupo, discussões dirigidas, colóquios, com participação interativa, em reuniões que poderão ser bimensais, contando com facilitadores especializados, terapeutas, psicólogos, psiquiatras, médicos, pedagogos, professores, todos profissionais contratados, incluindo o fornecimento de alimentação, camisetas alusivas ao projeto, .

Nosso propósito é ensinar a esses jovens e, por extensão às famílias, os valores humanos de ética e civilidade, de paz e não violência, de forma a que eles possam se desenvolver com dignidade, como chefes de família dedicados e aprendam a ganhar o pão de cada dia de forma honesta.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

PESQUISA DE TEMAS PARA O XXXII IRB - Gramado, RS


        PESQUISA DE TEMAS 


     Para XXXII IRB - Gramado, RS (set 2009).
                                        Coordenação da Governadora 2000-01, Neli Abascal do D. 4780.
Respostas de Alberto Bittencourt 





PÓLIO PLUS


1 – Quais as ações devem ser implementadas pelos clubes nas suas comunidades para tornar-se realidade a erradicação da Poliomielite?
Acredito que três são as palavras de ordem neste segundo século da existência do Rotary: visibilidade, integração e mobilização. Os clubes devem fazer parceria com órgãos do governo, como secretarias de saúde, empresas privadas e outras instituições do terceiro setor para dar destaque na mídia aos dias de imunização. 


2 – Como você pode fazer a diferença neste processo final d erradicação?
Fazendo bastante barulho nas campanhas. Levar faixas, camisas, bandas, fanfarras, foguetórios, carros de som, palhacinhos, atrair as crianças com distribuição de balas e brinquedos


ÊNFASES PRESIDENCIAIS PARA 2009/10

O Presidente de RI John Kenny nos diz que para se manter relevante no século 21, o Rotary deverá empenhar-se para aprimorar o acesso à água potável e o saneamento básico, combater a fome e promover a alfabetização.

1 – Como comunicar através de uma base de dados os projetos de sucesso nas ênfases presidenciais para poderem ser replicadas por outros clubes?
A repercussão de uma base de dados de projetos é pequena. Os clubes tendem a se acomodar e pensar que não mais há necessidade de novos projetos, que tudo já foi feito. É preciso que haja mobilização da sociedade, dos companheiros e aí está a parte mais difícil. È preciso dar visibilidade à miséria, à pobreza extrema, às necessidades e suas conseqüências: fome, doenças, violência. A bandeira do combate à pobreza extrema deve ser abraçada por todos os rotarianos. 

2 – Como debater as ênfases prioritárias com as comunidades?
Não creio em manifestos, fóruns, seminários. Só acredito na AÇÃO. O lema atual do pres J Kenny quando diz que o futuro do Rotary está em suas mãos, significa TRABALHO, AÇÃO. Temos que deixar de lado o comodismo. Com visibilidade, integração e mobilização.


3- Que projetos relevantes podem ser aplicados em larga escala no Brasil nessas ênfases?
O rotariano tem que sair de seu conforto. Entrar nas salas de aula, percorrer as favelas, sentir o cheiro da miséria. Se cada clube resgatar uma família, melhorando as condições de moradia, conseguindo emprego digno, colocando as crianças em escolas e creches, fornecendo filtros para água, dando roupas, medicamentos, ensinando higiene, apoiando as instituições que tiram as crianças da rua, será um grande trabalho. O papel do rotariano é o de mobilizar a sociedade, numa verdadeira integração dos vários segmentos, agindo com o máximo de visibilidade.


PLANO ESTRATÉGICO DO RI/ PLANO VISÃO DE FUTURO DA FUNDAÇÃO ROTARIA

1 – Que idéias poderão ser debatidas para elaborar um Plano Estratégico nos clubes e distritos?
Com sucessivas tempestades de idéias. O arcaico e ultrapassado PLANO DE ATIVIDADES DOS CLUBES é peça para inglês ver. As metas e sonhos devem nascer de baixo, discutidas pelo quadro social e não impostas de cima, com as metas copiadas de planos anteriores que nunca funcionaram. O que vigora agora é o PLC e o PE. Significa a integração de todo o QS para estabelecer o que queremos ser, hoje, daqui a um ano e no futuro.

2 – Que público deve ser envolvido na elaboração do Plano Estratégico dos clubes e distritos? 
Todos. O público interno, que são os sócios, o público externo, que são os que nos observam, o público alvo, que são os beneficiários de nossas ações e o público coirmão, que são os nossos parceiros. Da integração de todas essas brasas, surge a grande fogueira capaz de mudar o mundo.

3 – De que forma o Plano Estratégico do RI pode incorporar o Plano Visão de Futuro da Fundação Rotária?
O PLANO VISÃO DE FUTURO tem o objetivo de simplificar, dar velocidade aos projetos e diminuir custos da FR. Mas, precisa ser amadurecido. Haverá problemas em distritos como os do nordeste que têm poucos recursos, os FDUCs são pequenos e não há condições de se fazer grandes projetos. Poderá ser um tiro no pé. 

LIDERANÇA E JUVENTUDE

1 – De que forma devemos contemplar os jovens, nos planos de renovação do quadro social?
È difícil atrair jovens hoje em dia. Para que tal ocorra, só com uma mudança radical de atitudes. Tem que reacender a chama com visibilidade, integração e mobilização. O combate à miséria pode ser a causa da qual precisamos. 


2 – Onde e como os Rotary clubes devem captar lideranças jovens para seus clubes?
Isso já vem sendo objeto de muitas discussões e todas têm resultado praticamente nulo. Vamos deixar a conversa de lado e AGIR. Levantar uma bandeira é importante.


3 – Que ações devem incorporar um planejamento integrado do Rotary em relação à juventude?
Ações esportivas, work shops, música, temos que pegar tudo o que possa interessar aos jovens.


Obrigado.
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