ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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sábado, 16 de março de 2024

INTENÇÃO FOCADA

 

INTENÇÃO FOCADA

Alberto Bittencourt

 

Qualquer ação é uma sequência de estados físicos, mentais, emocionais e espirituais, a partir de um ou mais estímulos iniciais, até alcançar o objetivo pretendido.

A seqüência desses estados interiores do indivíduo, começa com o chamamento da atenção, que pode provocar interesse, despertar a vontade, passa pela decisão de realizar, seguida da intenção focada até terminar na ação propriamente dita.

A intenção focada é exatamente aquela atitude em que nos encontramos logo após a tomada da decisão e imediatamente antes da ação.

A intenção focada é o momento irreversível que precede à ação ou à consumação do ato.

A intenção focada é a atitude do arqueiro quando, tencionado o arco, contraídos os músculos, mobilizados os nervos, atenção direcionada para o alvo, concentração total, fração de segundo antes do disparo certeiro e preciso.

A intenção focada é o instante final que não admite retrocesso ou desistência.

A intenção focada é que ocupa o espaço, o intervalo, o interregno entre o estímulo e a reação. "Quem dominar esse espaço dominará o mundo", disse alguém.

O domínio do intervalo em que se situa a intenção focada é o que diferencia a pessoa reativa da proativa.

O reativo reage automaticamente aos estímulos.

O proativo age na direção do seu alvo, do seu objetivo superior na vida, tem uma intenção focada consciente, não permite que seu comportamento seja determinado por estímulos externos.

Contam uma pequena história, que reproduzo, em rápidas palavras, como

ilustração:

Um cidadão todos os dias pela manhã passava na banca de jornais para comprar o seu exemplar. Dirigia-se ao jornaleiro:

_ Bom dia, seu João. Lindo dia, não? Dê-me o de sempre. Obrigado, bom trabalho, Deus o abençoe. 

Seu João dava um muxoxo, virava a cara e invariavelmente o deixava sem resposta.

A cena se repetia todos os dias, até que um amigo, percebendo a situação,

perguntou:

_  Por que você é sempre cordial com alguém que não lhe tem a menor consideração? O cidadão respondeu:

_ Não vou deixar que o meu comportamento seja determinado pelo comportamento dos outros.

sexta-feira, 7 de abril de 2023

QUEM SOU EU




                                        QUEM SOU EU?                      

        Alberto Bittencourt - abril, 2022



Respondo parodiando o filósofo espanhol Ortega y Gasset:

_Eu sou eu e minhas circunstâncias.


Não poderia haver resposta mais abrangente. Envolve o mundo de cada ser.

Entretanto, nossas circunstâncias  nem sempre são frutos de nossas escolhas. Há circunstâncias que não nos foram dadas escolher: a família em que nascemos;  o sexo; as condições de miséria, ou de riqueza; de perfeição ou de deficiência física.

Somos moldados pelo ambiente da criação, muitas vezes deturpado pela exploração, e violência.


A resposta do espelho à minha pergunta:

_Quem sou eu?

_Eu sou eu e minhas escolhas.

Decorre da dádiva divina, chamada Livre Arbítrio, que permite a cada um escolher seus próprios caminhos.


Mas, quem pensa ser livre para escolher?

Na realidade, não somos livres. Quando pensamos ser livres, vêm as circunstâncias e limitam nossas escolhas.

Crianças não têm noção de limite.  Por isso são mais livres. Nossos limites, ou nossas contingências, vêm de fora. Decorrem de nosso próprio desenvolvimento.  São impostos pela família, pela escola, pela igreja, pela sociedade, verdadeiros agentes castradores de nossas escolhas.


Então, ao me olhar no espelho e perguntar:

_Quem sou eu?

O espelho certamente responderá por mim:

_Eu sou eu e minhas contingências.


Em 2016, findas as paralimpíadas do Rio de Janeiro, Marlene Manso assim se expressou:


"Assistindo às disputas paralímpicas, tenho experimentado tantas emoções que às vezes chego a pensar: “Vou ter um troço.”

Um contraponto para o conceito moderno de BELO! Mulheres lindas sem botox, sem silicone. Corpos masculinos admiráveis sem a aberração de músculos hipertrofiados. São atletas com as mesmas reações dos que disputaram nas semanas anteriores  as Olimpíadas: além do excelente desempenho esportivo, sorriem, pedem torcida, se benzem, comemoram, choram, se abraçam e planejam ir além....

Todos fazem jus a uma das frases mais inspiradoras que já conheci:

Minha limitação não é o meu limite.

(Marlene Manso, ex presidente do RC Rio de Janeiro - Botafogo)


Aprendi nos treinamentos militares que, quando se é levado ao extremo esgotamento físico e moral, quando se pensa estar no fundo do poço, no limite das forças, é preciso não desistir, porque com certeza ainda restam 40% de reservas para queimar.


Minha frase inspiradora passou a ser:

Eu vou além de minhas contingências.


São exemplos de pessoas resilientes.  

Marlene Manso é um desses exemplos, dos mais eloquentes.  Viuva de Oficial de Marinha de alta patente, supera enorme limitação física, que lhe dificulta os movimentos mas não impede sua autonomia. Dispensa cuidadores e acompanhantes e parte sozinha para a vida, onde cada passo constitui imenso desafio. Na presidência do RCRJ-Botafogo, organizou um memorável seminário intitulado "Espiritualidade para a Paz", com depoimentos de representantes de cinco diferentes religiões, a saber: cristianismo, judaismo, islamismo, candomblé, espiritismo. 


Vimos nas últimas paralimpíadas.  Foram tantos os limites superados,  tantas as emoções despertadas, que cheguei a questionar:


_ Quem somos nós, diante de tantas limitações que não limitam, que, ao contrário, constituem trampolim para impulsos  maiores, para voos mais altos, para pensamentos, atitudes e sentimentos ilimitados?

Quem sou eu, quando minha limitação não me limita?


Por que fomos criados limitados e por que nos queremos ilimitados?  

A resposta é simplesmente acreditar - cremos no que queremos. 


QUERER E PODER, dois verbos que constituem a essência do comportamento humano: 

_ Sim, eu quero! 

_ Sim, eu posso!


Reinaldo de Oliveira, repetia sempre a frase pinçada de um quadro na parede da Associação Comercial de Surubim, PE: 


_ Quem tem a vontade, tem a metade!


Repito a oração do Soldado de Engenharia:  


Uns querem e não podem. 

Outros podem e não querem. 

Nós, que queremos  e podemos,

Damos graças a Deus.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

ESTILO DE VIDA ILUMINADO

 ESTILO DE VIDA ILUMINADO

Alberto Bittencourt-   agosto de 2020


Vou escrever de modo genérico, para quem nos ler, sem destinação específica.

Tem dias em que a gente se sente assim, sem ânimo.

Dá vontade de ficar o dia inteiro olhando para o nada, sem fazer até o mais importante.

É quando o desânimo se instala e se não reagirmos, vai crescendo, crescendo.

Fica cada vez mais difícil vencer a inércia, pode se transformar em apatia, um estado emocional que precede a depressão.

É como se tivéssemos chegado ao fundo do poço.

Sentimo-nos incapazes de fazer as coisas mais simples.

Tudo fica difícil.

Então é preciso barrar o processo depressivo, para não chegar aos quimioterápicos de efeitos colaterais.

É a hora de mudar a qualidade de vida. Adote o


Estilo de Vida Iluminado

1. Durma e levante mais cedo.

2. Pratique alguma atividade física. Caminhada, yoga, Pilates, dança, biodança ou ginástica.

3. Frequente grupos de pessoas com interesses afins,

4. Pratique cânticos ou músicas devocionais, e alguma religião.

5. Contemple a natureza. Sinta-se parte dela.

6. Pratique a alimentação vegetariana,

7. Medite regularmente: 20 min pela manhã e 20 min à tarde.

8. Pratique a solidariedade. Ajude instituições humanitárias.

9. Pratique a empatia, coloque-se no lugar do outro para evitar conflitos.

10. Relaxe e deixe brotar em seu coração a semente do amor.

sábado, 8 de agosto de 2020

NOSSA CRIANÇA INTERIOR

NOSSA CRIANÇA INTERIOR 
Alberto Bittencourt - abril 2014. Fl 31v/14 








Thich Nhat Hanh, venerável mestre budista, de nacionalidade vietnamita, mentor espiritual de uma comunidade nos arredores de Paris, num local chamado Plum Village, nos exorta a cuidar de nossa criança interior no livro "Prendre soin de son enfant interieur" -Ed. Belfort. 

Ele parte do princípio de que nós carregamos condicionamentos, lembranças, ferimentos, de nossa infância e que estes nos acompanham em nossa vida adulta. Ele nos convida, primeiro a tomar consciência, e depois a empregar técnicas psicossomáticas para curar os efeitos perversos dessa herança. 

O primeiro estágio é mais simples. Basta um pouco de introspecção. Citou um exemplo: 
Um senhor contou-me recentemente que teve problemas com meninos mais velhos quando tinha a idade de nove anos. Ele possuía um pai dominador que o espancava por qualquer motivo, não conversava, não demonstrava afeto e uma mãe submissa e passiva, cuja autoridade exercia contando as peripécias dos filhos ao marido, quando este chegava do trabalho. A pessoa carregava um complexo de inferioridade, de culpa, um sentimento de erro, do qual jamais falou com alguém. O complexo o seguiu durante toda a sua vida, como uma sombra.

Felizmente existem exemplos mais agradáveis. Procurando em seu interior, cada um pode encontrar essa criança que teve que lutar para encontrar seu lugar na vida, descobrir suas verdades pessoais, superar as restrições da educação e do meio, as alegrias e ofensas da vida familiar e escolar. Com certeza nós encerramos muitas personagens: a criança atirada ou isolada, a tímida ou batalhadora, a introvertida ou extrovertida, a racional ou a sonhadora, sem esquecer a presença do pai, da mãe e dos irmãos. Todos se superpõem para tecer o tecido do qual somos feitos. 

Num segundo estágio, Thich Nhat Hanh insiste na possível cura da criança sofredora que vive em nós e que nos causa desconforto, medos, traumatismos que jamais foram curados. 

Essa nossa criança interior pede por vezes por nossa ajuda, mas nós não a escutamos o bastante, diz o mestre vietnamita. 

Ele continua: 
Desde o momento em que tomamos consciência desta criança ferida, é importante que paremos de ignora-la. Daí em diante, nossa compaixão por ela pode crescer e é então, quando nós começamos a gerar a energia da consciência pura

Para gerar essa energia temos as práticas de meditação andando ou sentado, e a da respiração plenamente consciente. Estas são fundamentais. Graças a elas, nós chegamos à sabedoria consciente, presente em cada célula do nosso corpo. Essa energia vai nos acolher e nos curar e, assim fazendo, vamos curar nossa criança interior ferida. Está é seguramente uma boa maneira de nos liberar e de fazer crescer o nosso Ser interior, a verdadeira essência da vida.






quarta-feira, 8 de julho de 2020

EXISTE VIDA ALÉM DA MORTE?





EXISTE VIDA ALÉM DA MORTE?

Alberto Bittencourt - agosto 2009





“Enquanto a morte é a coisa mais certa da vida, a hora da morte é a mais incerta”. 

O falecimento de pessoas queridas, devotadas à vida, à família, aos amigos, o sentimento de perda de todos os que ficam, cônjuges, filhos, parentes, colegas, fazem-nos refletir sobre a antiga questão: “Existe vida além da morte?”

Para o terço da humanidade que acredita que além da morte apenas há o vazio, que nada mais existe depois desta limitada vida material, resta curtir saudades, cultivar a memória e viver, enquanto não é chegada a própria hora, o fim de seu corpo e de sua consciência. 

Para outro terço da humanidade que crê na vida eterna, certamente a pessoa amada está ao lado do Criador, a zelar, a velar pelos entes queridos que continuam sua missão na Terra. 

Para o terceiro terço da humanidade que acredita na reencarnação, nas vidas sucessivas, determinadas pelo karma, a união das almas transcende esta vida, vem de muitas vidas em comum e de muitas outras vidas que viverão juntos, cumprindo o dharma ou destino de cada um.

Porém ninguém sabe como é do lado de lá. Tudo é mistério.

Ao percorrer os estandes da III Bienal Internacional do Livro em Pernambuco, deparei-me com dois importantes livros, escritos pelo médico psiquiatra Dr. Raymond Moody Jr.: Vida Após a Vida, sucesso editorial, com mais de 13 milhões de exemplares vendidos e A Luz que Vem do Além.

O dr. Moody realizou pesquisas com pessoas consideradas clinicamente mortas que retornaram ao mundo dos vivos. Apresenta inúmeros casos em que essas pessoas contam suas experiências, as radicais mudanças de personalidade que sofreram, além de, a partir daí, terem deixado de sentir medo da morte.

Há no mundo, centenas, talvez milhares dessas pessoas que colocaram um pé, chegaram a dar os primeiros passos nesse outro mundo e retornaram. Elas estão vivas para contar. São as pessoas que atravessaram o que no mundo científico chama-se “NDE – Near Death Experience”, ou “EQM - Experiências de Quase Morte”. São pessoas cujo eletro encefalograma por minutos transformou-se numa linha reta e contínua. O coração deixou de pulsar, o cérebro deixou de receber oxigênio, a vida parou por um tempo determinado. A seguir veio a ressuscitação. 

Seus relatos constam dos compêndios científicos. “Encontramos descrições desse tipo em todas as culturas e em todas as épocas da humanidade”, diz o dr. Moody. 

Os relatos são mais ou menos coincidentes. A provação os transformou para sempre. Eles tiveram a consciência de estarem mortos e de terem passado para o “outro lado”. Encontraram “Seres de Luz”, ou uma luz muito brilhante e viva que veio lhes acolher e da qual emanava muito amor e proteção. É comum reencontrarem com pessoas falecidas há bastante tempo que os tratavam carinhosamente e lhes disseram que seu tempo ainda não havia chegado e que eles deveriam voltar. Eles a princípio lamentavam esse retorno à vida e se recordavam do sofrimento no momento de tomar seu lugar no interior do corpo morto. 

Certos elementos, como a alegria, a sensação de flutuar dentro de um túnel e a presença de uma luz muito viva – são tão freqüentes que não se pode imaginar que sejam devidas às alucinações de um cérebro com falta de oxigênio. 

Como explicar, por exemplo, os detalhes notados pelos pacientes quando se vêem flutuando sobre os médicos que os tentam reanimar e dos quais eles podem, em certos casos, repetir as palavras pronunciadas? Quando estava totalmente inconsciente um homem disse a uma enfermeira o local preciso onde ela guardara a sua dentadura, retirada antes da intubação, na tentativa de reanimação. 

Essa experiência os mudou profundamente, eles se tornaram capazes de melhor falar de suas emoções, ficaram mais abertos aos outros, mais tocados pelo prazer simples de sentir a presença da vida no seu entorno e, sobretudo eles perderam definitivamente o medo do que poderia lhes esperar após a morte.

Para nós, que acreditamos na vida após a morte, quatro mantras budistas transmitem fé, esperança, amor e imensa força espiritual: ENTREGO, CONFIO, ACEITO e AGRADEÇO.


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sexta-feira, 26 de junho de 2020

MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA






MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA
Resoluções de Ano Novo 
Alberto Bittencourt - De meu diário, em dezembro de 2007

Dentre minhas resoluções para este novo ano, a mais importante, será mostrar realmente meu interesse pelos amigos e parentes, os que me são caros.

Às vezes, um simples telefonema pode fazer uma grande diferença. Não basta pensar neles apenas, nem simplesmente responder convencionalmente a um e-mail, é preciso mostrar que me interesso. O saudoso companheiro José Christóvam Guerra, do Rotary Club do Recife-Boa Viagem, dizia: a distância nunca separa amigos que se interessam. É uma grande verdade. É a única forma de manter os laços apertados, aquecidos com amizade, com calor humano, com sentimentos de afeto. É abrir o coração e mostrar nosso amor e respeito, para isso, é preciso tomar a iniciativa, partir em direção aos amigos, à família. Foram tantos os que nos telefonaram, de muitos, a gente nem esperava o gesto carinhoso, a atenção. Se eu pudesse ainda escrever uma mensagem de Natal, eu diria: Mostre que você se interessa, parodiando o lema antigo de Rotary: "Mostre que Rotary se interessa."

Mostrar aos amigos que você se interessa por eles, significa que, mesmo os seus planos, podem ser modificados em favor de cada um deles, que você está disponível para ajudá-los, que eles podem contar com você, com sua atenção, com sua abundância e com o seu tempo. Que prova maior de amizade pode haver do que você mudar sua rotina, alterar seus planos, parar o que estava fazendo, enfim, mudar sua vida para ajudar e atender um amigo? Tenham a certeza de que este gesto, mesmo que pequeno, fará uma enorme diferença – faz com que você se torne realmente um amigo.

A verdadeira amizade vem da alma, do interior de cada ser, lá do coração. É o encontro de dois espíritos afins que se afinam em pensamentos, sentimentos e vontades. A verdadeira amizade independe da razão, vem lá de dentro do nosso eu, superior, sensível e divino.

Nós crescemos junto com nossas amizades, a cada gesto de interesse, de carinho. Em pouco tempo vemos transbordar nosso sentimento e vai envolvendo todos aqueles que nos rodeiam, como uma onda luminosa que emana de nosso coração. 

Mostre que você se interessa, pelos planos, pelas metas e objetivos do outro, mostre que você é parte deles, só assim você realmente fará parte do grupo. Mostre que nossa passagem em suas vidas não foi em vão, deixou uma marca profunda, uma esteira de alegria, que nós os conquistamos e somos responsáveis por essa conquista, tal qual o Pequeno Príncipe. Nada é mais importante que os amigos e a família que Deus colocou em nosso caminho. É este o nosso verdadeiro patrimônio, que devemos manter e revigorar, que devemos demonstrar que sempre podem contar conosco, com nosso apoio e com nossa amizade.

Fica aqui registrada minha mais forte resolução para 2007: Mostrar que me interesso pelos amigos e pessoas que amo. Será que ainda dá tempo?  


sábado, 20 de junho de 2020

MEU ENCONTRO COM A CIENTOLOGIA


Meu  Encontro  com  a  Cientologia

Alberto Bittencourt - dez 2012


     

            Eu cursava o então chamado curso científico do CMRJ - Colégio Militar do Rio de Janeiro. O grande mestre e amigo, professor Hermógenes, o maior autor de livros de YOGA do Brasil, convidou um grupo reduzido de alunos para visitar uma pessoa que iria apresentar uma nova ciência do comportamento humano, destinada a aprimorar os conhecimentos do homem, a promover a sua evolução e a melhorar o seu comportamento aqui na Terra. 
               Foi assim que conheci o Dr. Antônio. Ele morava sozinho em um apartamento no Flamengo. 
           No dia marcado, fomos eu e o Ysmar, colega intelectual, muito estudioso, que depois formou-se em Engenharia Eletrônica no ITA, fez PHD nos Estados Unidos, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da COPPE.
              O Dr. Antônio era um homem magro, com a fisionomia, os gestos e a fala extremamente tranquilos. Notamos que ele não possuía uma só ruga de expressão na testa, bem lisa e sem marcas, como se tivesse sido esticada. Foi logo dizendo que estava de viagem marcada para Paris, onde iria, segundo ele, cuidar da carcaça. Na verdade, ele era portador de um câncer em estágio avançado e deu para notar em sua voz um tom de despedida. Iria ao encontro do destino final, para viver com tranqüilidade os seus últimos dias. Não sei mais detalhes sobre aquele homem, nem que profissão exercera, ou o que fazia.
         Nos meus dezesseis anos, em 1958, em plena adolescência, eu era mais voltado para minhas próprias incertezas e inseguranças, mais preocupado com meu próprio ego. Andava sempre tenso, com medo de tudo e de todos, extremamente tímido. Essa tensão gerava um estresse que tornava a minha respiração curta e superficial. Minha voz saía sempre embargada e eu mal encarava as pessoas. Tentava desesperadamente superar essas dificuldades. Órfão de pai desde os 12 anos, eu sentia falta do apoio de alguém que me orientasse e me indicasse os caminhos para que eu pudesse me afirmar e ser eu mesmo, mais autêntico e verdadeiro.
            O Dr. Antônio passou-me a sensação de calma, segurança, otimismo, de fé e de esperança no ser humano em geral. Ysmar, mais intelectualizado, foi fazendo as perguntas que o Dr. Antônio respondia em detalhes e com muita paciência:
           _O que é a Cientologia, como começou, quem é o seu guru, quais são os objetivos, por quantos países está espalhada...

           A conversa transcorreu por algumas horas, ao fim do que ele nos deu o nome e o endereço de uma senhora, Regina de Toledo Moreira, que morava na rua Prado Junior, no Lido, posto 2 de Copacabana. Ali um grupo de pessoas se reunia, semanalmente, para estudar e discutir a Cientologia. Fez contato com ela e avisou que iríamos procurá-la.

           Passados alguns dias, liguei para o Dr. Antônio e pedi uma entrevista pessoal. Queria expor os meus problema e ouvir dele a palavra libertadora que permitisse o meu encontro comigo mesmo, para que eu pudesse desabrochar em todas as minhas potencialidades, já que, àquela altura, eu não sabia quem era, nem o que queria ou o que fazia aqui na Terra. Conversamos e ele me deu um conselho:

          _Já enterrou o cadáver? _Sim, respondi. 

        _Então está tudo resolvido, disse-me ele. É só tocar o barco para a frente que você chega lá.

        Cadáver enterrado, eu comecei a frequentar o grupo de Regina Toledo e a estudar a Cientologia. Ysmar não quis prosseguir, pois sendo espírita praticante, disse não concordar com alguns dos princípios expostos. Embora curioso, eu não cheguei a perguntar sobre o que ele não concordava.

           Fui muito bem recebido nesse Primeiro Grupo de Cientologia do Rio de Janeiro.

      Regina de Toledo morava com a mãe, uma senhora cujas maneiras demonstravam ter sido criada e educada com esmero e refino. Tinha ar aristocrático e me pareceu ter estudado ou vivido na França.
         Participavam mais assiduamente dos estudos de Cientologia o casal Hugo e Madalena Meacham, simpáticos, jovens, amigáveis e atenciosos e também a família Lima, outro casal com duas filhas adolescentes, Sylvia, um pouco mais velha e Lélia, da minha idade. De pronto fiquei impressionado com Lélia, loura, de olhos verdes, porte elegante, voz clara e pausada. Ao falar, demonstrava equilíbrio, domínio pessoal, ponderação, ritmo, elegância e principalmente segurança. Era tudo o que eu buscava e procurava.  Eu gostava de ficar ao lado dela, de conversar com ela. Nos  meus dezessete anos, preparando-me para ir estudar na AMAN, jamais teria a ousadia de propor um namoro ou mesmo pedir seu telefone. O máximo que fiz foi convidá-la para dançar a valsa da minha formatura do CMRJ, realizada no Clube Monte Líbano, no Leblon, ao som da Orquestra Ed Lincoln. A família Lima compareceu ao baile e esta foi uma das últimas vezes que vi a Lélia. 
L. Ron Hubbard em 1950
         O grupo, sob a liderança de Regina, assumira a missão de traduzir para o português o livro Dianética - Ciência da Moderna Saúde Mental, de L. Ron Hubbard (1911-1986), fundador da Cientologia, best seller nos Estados Unidos, escrito nos anos cinquenta. Hubbard era físico nuclear e escrevera sobre o comportamento humano, terapias e psicologia. Explicava que o raciocínio lógico e matemático o levara ao entendimento claro e preciso da alma humana e à facilidade de expor as suas complexidades.
         Eu gostava dessas reuniões. Elas sempre começavam com o que hoje se chama de meditação coletiva, dirigida por Regina, as cadeiras em formato de auditório. Ela chamava esse exercício de “Localização”:
         _Vamos nos localizar, deixar de lado todas as nossas experiências e atitudes externas e nos concentrar neste ambiente e no que estamos fazendo aqui e agora, . 
             Assim, ela ia conduzindo o pensamento do grupo, fazendo-o reconhecer e se concentrar em cada detalhe do ambiente, levando cada um a se situar naquele espaço físico e também em relação a cada uma das pessoas ali presentes, percebendo-as e cumprimentando-as e falando com elas para verificar que eram reais. O exercício parecia com o que eu estudara em Higiene Mental, quando relembrávamos fatos de nossa infância e recordávamos locais e ambientes onde havíamos sido felizes.
          Terminado o exercício, o grupo começava a discutir a tradução e a leitura dos trechos do livro, a dar opiniões e sugestões. Era algo novo, inusitado para mim e que muito me atraía.
         O fato é que terminei o ano de 1960, meio dividido. Sentia-me numa encruzilhada, entre dois destinos. O primeiro, o da AMAN – seguindo a carreira militar,  na tradição familiar, tanto do lado paterno quanto materno, onde meu futuro estaria garantido, bastando que eu me comportasse adequadamente. O outro caminho era o da incerteza, do mundo civil, onde teria que conquistar um lugar, competir.
         Hoje, repensando, não me arrependo de ter escolhido a carreira militar, pois pude evoluir bastante e devo muito do que sou ao Exército.
         A Cientologia faz parte da minha história. Em nossos estudos, nunca entramos no campo metafísico, na origem do ser, do universo. Diziam que, nos Estados Unidos, a Cientologia era uma igreja, uma seita, pela única razão de que as religiões ali são isentas de impostos, apenas por isso. Na realidade, pareceu-me que a Dianética era a parte terapêutica e a Cientologia era a parte religiosa.
          Porém, o processo terapêutico, chamado de processing ou auditing, dirigido por pessoas que já os tinham vivenciado, chamadas auditores, visava limpar dos traumas do passado a mente do cidadão comum, chamado de preclear (preclaro), de modo a torná-lo clear, (claro). Como eram tratamentos muito caros, justificavam dizendo que, por causa desse valor, esses iniciados dariam uma enorme importância à  experiência.
         A essas reuniões na casa de Regina de Toledo, freqüentava também um sobrinho de nome Pedro. Era jovem, solteiro, de tez morena, cabelos lisos e pretos, diziam, por essas características, já ter sido indiano em outras vidas. 
        Pedro resolveu se aprofundar na Cientologia e foi estudar na Inglaterra. Voltou alguns anos depois para aplicar seus conhecimentos no Brasil. Trouxe uma esposa inglesa e uma linda cadelinha chamada Prudence. Pedro saiu do Brasil como preclaro e voltou como auditor, com habilitação para aplicar o processing em outras pessoas. Dizia que a Cientologia tinha o objetivo de tornar  pessoas que já eram capazes, mais capazes, que ela visava elevar o tom emocional das pessoas, do nível mais baixo, da apatia, em escala crescente, até o mais elevado, da serenidade, proporcionado pelo pleno conhecimento de si próprio.
          Em 1964, já oficial, resolvi fazer o processing com Pedro. No fundo, era um tipo de psicanálise. Por cerca de três meses, em seções semanais, eu sentava em uma pequena mesa e Pedro à minha frente. O interessante era que eu, como preclaro, ficava o tempo todo da seção, segurando os terminais de um aparelho eletrônico chamado E-meter. Os terminais eram duas latas vazias, como as de leite condensado,  mas sem os rótulos. O aparelho eletrônico, com um ponteiro e escala, ficava voltado para o auditor. O princípio é o mesmo do detetor de mentiras. O ponteiro assinalava na escala o grau de emoção do paciente. Se determinado assunto despertava maior reação emocional, o ponteiro acusava e o terapeuta podia aprofundar  e estender as perguntas sobre o assunto. Como qualquer terapia, ele usava primordialmente o tempo da seção para escutar e falava pouco. 
       Continuei no processo até sentir que estava marcando passo, sem progredir ao nível que minha vontade desejava, mesmo sabendo que podia estar resistindo, sem querer me revelar, me abrir. Desse modo, suspendi o processo. Naquele tempo, além do início da carreira como Oficial do Exército, o que mais me importava na minha vida era meu namoro, meu relacionamento com a Helena, um assunto só meu.
      Depois desta experiência, só tive notícias da Cientologia através da mídia, mas sempre com enfoques sensacionalistas. Encontrei em uma livraria e logo comprei, o livro de Hubbard que estávamos traduzindo e ainda o tenho em minha estante.
      Esse período me foi muito importante para mim. Descortinou -me caminhos na busca de meu autoconhecimento, que muito me valeram para o resto da minha vida. 



OBS: 
   Há muita matéria na internet sobre Cientologia (Scientology), Dianética (Dianetics) ou sobre o seu criador, bem como nas enciclopédias livres (wikipedia, etc). Hubbard era também escritor de ficção científica. Seu livro Dianética vendeu mais de 20 milhões de exemplares no mundo. Há vários livros traduzidos para o português, que podem ser vistos na internet. Ao morrer em 1986, Hubbard deixou a Cientologia espalhada por 150 países. Muita gente famosa é adepta da Cientologia, como Tom Cruise, Pryscilla e Lisa Presley, John Travolta entre outros. 



           

LOCALIZACAO ABSOLUTA E RELATIVA



LOCALIZAÇÃO ABSOLUTA E RELATIVA
                                                                           Alberto Bittencourt  -  abril 2013
         




Localização – Aí está uma palavra que podemos chamar de chave da felicidade. Acredito ser esta a mais importante palavra na vida de uma pessoa. Apenas uma palavra, simples, mas de alcance e significado inimagináveis.
Estar localizado tem, para qualquer um, enorme importância. (compreendam aqui que o corpo toma o espaço físico, enquanto a mente vagueia por outras dimensões).
Para sermos eficientes, para bem aproveitarmos o tempo sem desperdícios, para sermos objetivos, para sermos práticos, é preciso estarmos com corpo e mente localizados.
Na minha juventude, enquanto estudava Cientologia (ver nota do rodapé), nas práticas coletivas de estudo dos livros do fundador L. Ron Hubard, o grupo fazia um exercício preliminar de meditação que começava pelo trabalho de  localização. O exercício se iniciava a partir das palavras de um facilitador que nos convocava a trazermos a mente para dentro do corpo, em outras palavras, a estarmos todos ali, localizados. Começava mais ou menos assim:

Olhe para o chão. O chão é duro? Pode bater nele com os pés! Não é nuvem não? É chão mesmo?
Sinta a cadeira em que você está sentado. Ela é real?
Olhe para a parede à sua direita. É parede mesmo? Observe os detalhes, a cor, a textura, o encontro com o chão, com o teto, com as outras paredes. Agora olhe para a parede do outro lado. Veja a porta, a janela, o estado em que se encontram. Veja a parede à sua frente, Ela está lá mesmo? Não é miragem?  
E o teto? Observe as lâmpadas, examine cada detalhe minuciosamente.
Agora, olhe para as outras pessoas, para o ambiente, sinta o peso do ambiente, está leve? Está pesado? Como está o clima? Quente? Frio? Morno?
Olhe para quem está sentado do seu lado. Olhe nos olhos. É gente mesmo? É real ou é sonho?
Agora procure se situar dentro do ambiente. Você está aqui mesmo ou está lá fora? Sinta-se no momento presente, aqui e agora. Você está aqui ou em outro lugar? Noutro tempo? Noutra época? Sinta a sua posição em relação às outras pessoas, ao ambiente, às paredes, ao piso e ao teto.

Depois desse exercício de localização, vinha a prática da meditação, após o quê, iniciávamos a leitura dos livros.  
O primeiro objetivo da localização era trazer a mente para o tempo e local presente. A isso eu chamo de localização absoluta.
Entretanto, como não vivemos isolados, mas em sociedade, o mais importante é a localização relativa. Isso significa saber qual a sua posição em relação ao mundo. Saber onde você se situa no meio de tudo e de todos.  A localização relativa significa você ter plena consciência do que faz e do que os outros fazem e isso inclui o ambiente e as coisas que o cercam.
Para melhor perceber a diferença entre localização absoluta e  localização relativa, imagine-se no trânsito, dirigindo seu carro. Você e o carro são um só.  Você é uno com o seu carro. A localização absoluta é o que você está fazendo naquele momento, importando apenas você e o seu carro. Só interessa o que está dentro de você. Não interessa, por exemplo, o que se passa em relação às outras pessoas, nem em relação às ruas, nem em relação ao itinerário. Isso é localização relativa. Na localização relativa você sabe as posições e o que acontece com todos os elementos dentro e fora do sistema em que está inserido.  Ter a localização relativa é situar-se em relação às outras pessoas, em relação ao ambiente, ao mundo e ao universo.
Então, se você está assim localizado, pode-se dizer que você tem a consciência universal, domina o mundo, ou que,  na filosofia budista, - você é um iluminado.

                                                                    
                                            

NOTA:           
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  MEU ENCONTRO COM A CIENTOLOGIA.


http://albertobittencourt.blogspot.com.br/2012/12/meu-encontro-com-cientologia.html