ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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segunda-feira, 1 de março de 2021

GESTÃO DE SONHOS


GESTÃO DE SONHOS
Alberto Bittencourt - 05 jul 2018


Barco a remo Paraty, no qual Amyr Klink 
atravessou o oceanoAtlântico em 100 dias, em setembro de 1984.


A cada ano, tem início no mês de julho um novo ciclo de esperança. Trocam-se os administradores dessa poderosa fábrica de sonhos que é o Rotary.
A cada gestão que toma posse novos sonhos são gerados, em substituição aos sonhos concretizados. Outros sonhos não terminados ressurgem, revigorados, energizados, dando continuidade aos planos e programas, numa estratégia única no mundo, que assegura uma produção ininterrupta de sonhos e realizações como só no Rotary soe acontecer.
Passado o bastão, uma legião de novos gestores de sonhos começa o mandato. A fábrica não pode parar. Esta é uma fábrica especial. Ela não tem dono, ela não pertence a ninguém, ela é de todos.
As máquinas produtoras de sonhos continuam aquecidas, operadas pelas mãos, coração e razão de competentes e comprometidos operários espalhados pelo mundo.
A fonte de energia que alimenta os poderosos geradores de sonhos está no altar do pensamento, sentimento e vontade dos rotarianos. No mesmo altar onde oculto mora o deus interior de cada um.
Os produtos fabricados são sonhos que se sonha acordado. São sonhos de um mundo melhor, de um mundo sem violências, sem guerras, sem injustiças, sem fronteiras, em que todos sejam verdadeiramente irmãos. Um mundo em que as crianças cresçam sadias e perfeitas, com amor e dignidade.
Mas é preciso disciplina na gestão dos sonhos. É mister seguir certos parâmetros para garantir a eficiência e a qualidade das realizações:

1) PLANEJAMENTO E PREPARAÇÃO.
Amyr Klink - o navegador solitário
Ninguém melhor do que Amyr Klink, o navegador solitário, para nos ensinar o valor do planejamento na gestão dos sonhos. Um dia ele teve um sonho. Sonhou ser o primeiro homem a atravessar o oceano Atlântico num pequeno barco a remo. “Impossível”, disseram alguns. “Você vai morrer”, exclamaram outros. “Ninguém consegue atravessar o Atlântico usando a força dos braços”, clamaram todos. Amyr Klink respondia que não iria atravessar o Atlântico com a força de braços e sim com a força da inteligência. Do sonho, passando pelo projeto, até a etapa operacional, ele pensou em tudo, estudou, planejou e executou nos mínimos detalhes. Aproveitou a força das correntes marinhas, a força das marés e dos ventos para chegar vitorioso ao seu destino. Longe de ser um aventureiro, preparou-se até mesmo para os imprevistos que poderiam acontecer.

Exemplo oposto é o caso daquele padre no sul do país. Ele também teve um sonho. Queria entrar para o livro Guiness de Recordes como autor do maior vôo jamais realizado, içado apenas por balões de gás. Na tentativa de chamar atenção da mídia e arranjar recursos para suas obras paroquiais, lançou-se no espaço. Questionado que o céu estava encoberto, respondeu: “Isso não é problema, voarei acima das nuvens”. A aventura mal planejada e mal preparada terminou em tragédia. Quando os ventos o arrastaram na direção do mar, tentou comunicação pelo celular. Chegou a pedir instruções sobre como usar o GPS. Só podia dar no que deu. Tempos depois seu corpo bateu numa praia deserta.

2) PERSISTÊNCIA E INOVAÇÃO
Quando todos disseram a Amyr Klink que ondas de até 25 metros fariam seu pequeno barco capotar, ele não desistiu. Após tentar, sem sucesso, durante meses, projetar um barco que não capotasse, usou da criatividade, inovou e projetou um barco que capotasse.

3) DECISÃO E ATITUDE.
“Existe um tempo para planejar e um tempo para partir”, disse Amyr Klink. Há pessoas que planejam, planejam, planejam e nunca partem. Porém chega um momento em que se tem que começar. O tempo urge, a vida é efêmera. A perfeição chega depois, durante a operação. “O momento ideal é não esperar pelo momento ideal”, disse Livingstone

4) DINHEIRO E PATROCÍNIO
A gestão de sonhos implica em obter os recursos necessários à sua realização. Todo gestor de sonhos deve buscar o apoio de possíveis patrocinadores. O rotariano não deve ter vergonha de pedir. Ele tem credibilidade, pois todos sabem que o dinheiro é para uma causa justa. Pode pedir mil e conseguir cem, mas já é uma vitória.
O gestor de sonhos nunca deve se apresentar como um pedinte, mas sempre como um vitorioso.
Nada de caridade, por favor. Ensine a pescar, em vez de dar o peixe.

5) DELEGAR OU MORRER
Sozinho ninguém consegue levar um sonho adiante Desde o projeto até a operação, tudo é um trabalho de equipe. Embora viajasse sozinho, Amyr Klink, sempre contou com eficiente equipe de apoio, mesmo à distância. É importante delegar as tarefas, do contrario, o sonho pode morrer.
Para delegar, é preciso instruir; fornecer os meios, os recursos materiais e humanos; acompanhar; corrigir rumos; avaliar e por fim recompensar as equipes.

6) CORRER RISCOS
Todo sonho envolve riscos. Riscos bem calculados são mais fáceis de superar. É celebre a frase de Theodore Roosevelt:
É preferível arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que não gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem na penumbra obscura dos que não conhecem nem vitória nem derrota.

7) PENSAR GRANDE
Amyr Klink, nos ensina: “Não custa nada pensar grande. Pensar grande significa pensar além de seu próprio tempo, pensar no tempo dos outros, dos que virão depois de nós.”
Olhe para a frente. Há uma longa estrada a caminhar para chegar no horizonte. Visualize sempre o sucesso. Não há o que temer. Tenha confiança, fé e acredite no poder dos sonhos, pois segundo Fernando Pessoa:

Deus quer, o homem sonha e a obra nasce.
E lembre-se: “O Futuro do Rotary está em suas mãos!”

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O SERVIR ATRAVÉS DA PROFISSÃO



O SERVIR ATRAVÉS DA PROFISSÃO
ALBERTO BITTENCOURT – 09 de junho de 2015

Convenção Internacional do Rotary, em São Paulo -   
Palestra proferida no workshopp 
"Serviços Profissionais - Melhores Práticas". 
Baseada em palestra homônima de José Otávio Patrício de Carvalho.


SUMÁRIO

1 –    Introdução
2 –    Desenvolvimento
2.1 – Definição do Rotary.
2.2 – Objetivo da Av. Serviços Profissionais
2.3 – A Volta às Origens
2.4 – Declaração para Executivos e Profissionais Rotarianos.
2.5 – O Dar de Si Antes de Pensar em Si.
2.6 – Voluntários do Rotary e outros programas.
3 –    Aspectos do servir através da profissão
3.1 - Aspecto subjetivo
3.2 - Aspecto econômico social
3.3 – Aspecto ético e moral
3.4 – A Prova Quádrupla
4 –    Conclusão

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1 – Introdução

O Rotary consagra o mês de janeiro de cada ano aos Serviços Profissionais. O tema Servir Através da Profissão  é extremamente importante para o movimento rotário, porquanto, é através da profissão que se constrói o progresso de uma nação. Porém, através da profissão, também pode se originar a corrupção e desvios de conduta que vemos estampados diariamente nos jornais e noticiários televisivos. 

Todos os rotarianos, sem exceção, já ingressam na instituição como profissionais, mas muito poucos encaram a profissão como forma de servir ao próximo, de modo livre e consciente. 

Após a instituição do PLC – Plano de Liderança de Clubes, que criou as cinco Comissões Executivas e deu um caráter filosófico e inspirativo às cinco Avenidas de Serviços, a maioria dos Rotary Clubs deixou de dar a devida importância e de executar os programas da Avenida de Serviços Profissionais, considerada a primeira avenida e o berço do Rotary. 

Paul Harris já dizia em sua autobiografia – “Meu Caminho para o Rotary”:

Cada rotariano é um elo de ligação entre o idealismo do Rotary e seu negócio ou profissão.

2 – Desenvolvimento

2.1 – DEFINIÇÃO DO ROTARY

O mandamento “servir através da profissão” está inserido no próprio conceito do Rotary:

O Rotary é uma organização de homens de negócios e profissões, unidos no mundo inteiro, que prestam serviços humanitários, fomentam um elevado padrão de ética em todas as profissões e ajudam a estabelecer a boa vontade e a paz no mundo. 

Diz-se que “é uma organização de homens de negócio e profissões”

Este é um pressuposto básico para sermos rotarianos, tanto que a classificação do rotariano, dada pela profissão, é um dos componentes imprescindíveis para a sua identificação no seio da instituição. Para que cada Rotary Club seja um extrato da sociedade, a diversidade de profissões é outro ponto importante, que vem desde a fundação, quando Paul Harris chamou seus três amigos, e fundou o Rotary, sendo cada um de uma categoria profissional. 

O segundo elemento do conceito – “Unidos no mundo inteiro” – concede o caráter universal do movimento, o congregar de forças em todo planeta para se atingir um objetivo comum, mediante a obediência às mesmas regras de procedimento. São mais de 1.200.000 profissionais de todo o mundo unidos numa engrenagem de serviço representada pelo símbolo da roda rotária.

Prossegue o conceito proclamando os objetivos básicos da instituição: “que prestam serviços humanitários”. Este é o móvel central do Rotary.

Organização de homens de negócios ou profissionais existem várias; de caráter universal, existem algumas. Entretanto, com o objetivo precípuo de prestar serviços humanitários, existem pouquíssimas organizações, as quais irão se distinguir uma das outras pela forma de servir.

O servir através da profissão, contudo, está condicionado pelo conceito do Rotary, posto que, deve o rotariano “fomentar um elevado padrão de ética em todas as profissões”.

Assim, a ação, por si só, será desprovida de valor, se o seu agente não preservar, e mais, fomentar, os princípios éticos profissionais, o que será visto mais adiante.

Por fim, o rotariano deverá visar, ainda, ao estabelecimento da boa vontade e da paz mundial sendo essa a alavanca da Avenida de Serviços Internacionais.

2.2 – OBJETIVO DA AVENIDA DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS

É o segundo objetivo do Rotary.

A Avenida de Serviços Profissionais do Rotary, antes comemorada no mês de outubro de cada ano e que, a partir de 2015-16 passa a ser comemorada no mês de janeiro, visa:

Estimular e promover o reconhecimento do mérito de toda a ocupação útil e a difusão das normas de ética profissional.

Estimular e promover o reconhecimento não significa uma simples postura subjetiva, passiva. Implica antes numa atitude objetiva, pragmática, altruística, em suma, em servir.

A regra reconhecer o mérito de toda ocupação útil. 

Para nós a ocupação útil, aqui entendida como atividade profissional, a ser reconhecida e valorizada, pressupõe um conteúdo ético. Assim, o serviço do varredor de rua, o gari, enquanto preserva a saúde da população e a estética das cidades, constitui uma ocupação útil que deve ser estimulada; também o serviço de um cientista que pesquisa novos caminhos para a saúde e o bem da humanidade, constitui para o Rotary mais um exemplo de ocupação útil que deve ser estimulada. 

Em contrapartida o tráfico de drogas, apesar de ser uma ocupação, não será útil para a humanidade, pelo que deve ser desestimulada. Um advogado que se dedica ao serviço de proteger e acobertar quadrilhas de delinquentes, apesar de ser uma ocupação, não é útil do ponto de vista moral, e, por conseguinte rotário. E se o dinheiro dos honorários provier da corrupção? O que dizer do médico que prescreve próteses e medicamentos, nem sempre os mais indicados, em troca de favores dos laboratórios? Ou do engenheiro que coloca materiais de qualidade inferior para obter maiores lucros? E da relação promíscua entre empresários e gestores públicos? Ou do juiz quando deixa de ser imparcial? A lista é longa e vai desde o cidadão comum até a cúpula de governos.

2.3 - A VOLTA ÀS ORIGENS: 

No dia 23 de fevereiro de 1905, quando o Rotary foi criado, aqueles quatro profissionais e homens de negócios reuniram-se com dois objetivos principais: companheirismo e mútua ajuda profissional. A prestação de serviços só viria a ser adotada alguns anos depois. A Volta às Origens, que hoje se preconiza, é exatamente no sentido de que prevaleça uma relação de confiança nos negócios entre rotarianos que, em igualdade de condições, passariam a ter preferência nos contratos, reconhecendo a condição de solidários no serviço ao próximo. 

Entretanto, algumas pessoas ingressam no Rotary com a intenção de tirar vantagem ou proveito dos relacionamentos e pensando em obter lucros profissionais. 

Cito como exemplo um caso verídico, ocorrido em minha cidade. Um companheiro, presidente de um Rotary Club, foi à Caixa Econômica solicitar empréstimo. O gerente, que era também companheiro do mesmo clube, verificou que o cadastro do cliente não permitia. O presidente apelou para a condição de rotariano e conseguiu que o gerente se responsabilizasse pessoalmente pela concessão do empréstimo. Resultado: quem teve que pagar foi o gerente, para não ser demitido da Caixa. Em consequência ambos deixaram o Rotary: um por falta de princípios e outro por desilusão.

2.4 – DECLARAÇÃO PARA EXECUTIVOS E PROFISSIONAIS ROTARIANOS

O item 8 da Declaração procura evitar essa prática. Entretanto, é preciso analisar cada caso individualmente , antes de se fazer um juízo de valor que pode ser equivocado. 

Não procurar obter de um rotariano, nem lhe outorgar, privilégios ou vantagens que não sejam normalmente concedidos em um relacionamento comercial ou profissional.

2.5 – O DAR DE SI ANTES DE PENSAR EM SI.

Servir através da profissão, não poderá ser um ato egoísta, visando a recompensas. É antes, um servir altruísta, pois sendo voluntário, o rotariano pratica o lema do Rotary: Dar de si antes de pensar em si.

Por outro lado, servir sem pensar no aspecto profissional, decerto levará a pensar que Rotary é, apenas, mais um clube de filantropia, uma associação de benemerência voltada para amparar creches, asilos e orfanatos. Decerto que essas são atividades nobres que devem ser estimuladas e aplaudidas e que constituem modos de atuação da Avenida de Serviços à Comunidade. Contudo, inúmeras instituições já se propõem a isso.

Rotary faz tudo isso, mas faz muito mais. Para praticar a caridade não precisamos estar no Rotary. Para enfiar a mão no bolso e dar uma esmola, quase sempre tirada do supérfluo, não precisamos ser rotarianos.

O Dar de si, antes de pensar em si é antes, a doação de algo tirado do coração, é um esforço contínuo, uma renúncia, e, principalmente, a eterna vigilância de servir no dia a dia. 

Podemos, assim, dizer, sem medo de afrontar os princípios rotários, que o servir através da profissão é a mais difícil forma de servir, mas é a que distingue o rotariano do filantropo.

Cabe-nos, neste momento, indagar:
  • O que posso fazer no meu trabalho para melhor servir aos outros?

2.6 – VOLUNTÁRIOS DE ROTARY E OUTROS PROGRAMAS

Com tantos cataclismos naturais ocorrendo no mundo, terremotos, enchentes, deslizamentos, tornados, tsunamis, erupções vulcânicas, uma maneira de servir através da profissão é como Voluntário do Rotary. Engenheiros, arquitetos, urbanistas, médicos, enfermeiros, jornalistas, nunca foram tão necessários. Anos depois as cidades e vilas, continuam arrasadas, com vias de acesso precárias, sem suprimento de água ou energia. Trabalhar como voluntário na reconstrução de casas, escolas, ou hospitais, ou em campanhas de vacinação, é uma das mais nobres maneiras de servir à humanidade através da profissão. 

Além deste, o Rotary oferece inúmeras outros programas de serviços profissionais: RYLAs, Grupos de Companheirismo, Rotarianos em Ação, Intercâmbios da Amizade, Equipes de Formação Profissional, Programas Vocacionais para Jovens entre outros, oferecem oportunidades de Servir Através da Profissão.

3 – Aspectos do Servir Através da Profissão 

3.1 - ASPECTO SUBJETIVO.

Sabemos todos que o exercício profissional é encarado precipuamente como a única forma de sobrevivência do homem. 

O açodamento cada vez maior, principalmente nas grandes cidades, as dificuldades econômicas, as complexidades crescentes decorrentes do desenvolvimento, tudo isso tende a materializar cada vez mais os objetivos do trabalho. 

A simples consciência da importância de cada atividade para os outros e para a comunidade constitui o primeiro passo para o servir. A consciência de que outras pessoas vão se beneficiar daquilo que estamos fazendo é imprescindível para que o homem valorize mais a si próprio, valorize mais a sua profissão e, em consequência, seja compelido a fazer melhor aquilo que lhe é proposto.

Esse despertar da consciência, irá, decerto, transformar nossa profissão de uma maneira de ganhar a vida em uma maneira de viver a vida.

É importante, pois, periodicamente, fazermos uma introspecção, frente à nossa mesa de trabalho e refletir:
  • Qual a importância deste meu trabalho para a comunidade?
  • Como os outros irão se beneficiar desta minha atividade?
  • Será que, dentro dessa importância do meu trabalho para os outros, estou fazendo bem o meu mister? 
3.2 – ASPECTO ECONÔMICO–SOCIAL.

Esse é um aspecto objetivo do servir, de inquestionável importância, mas que não constitui o núcleo de preocupação do rotariano.

Do ponto de vista econômico-social, os homens, através de suas atividades profissionais são responsáveis pela produção de riqueza e, em consequência promovem o atendimento das necessidades básicas da sociedade. 

O rotariano deverá ter a consciência de que exerce uma atividade produtiva e que essa atividade é importante e imprescindível para o desenvolvimento social. Entretanto, o mais importante, é a forma como se exerce essa profissão. O que o distingue é a preocupação de servir às pessoas, individualmente consideradas, ou mais precisamente, àquelas pessoas com as quais se convive, a exemplo de subordinados, chefes, colegas, clientes, fornecedores, órgãos de classe, concorrentes e outros. 

3.3 – ASPECTO ÉTICO E MORAL.

Esse é o aspecto de maior relevância do tema ora abordado, e a viga mestra dos serviços profissionais.

Ressalta-se, em primeiro lugar, que a sociedade aprende o que venha a ser Rotary mediante a análise comportamental do rotariano. Daí asseverar-se que o rotariano é a vitrine do Rotary.

O rotariano deve ser um elemento de transformação da sociedade e para tanto deve ser um exemplo vivo daquilo a que se propõe. 

Enquanto a ética é um conceito filosófico que busca fundamentar o comportamento humano, a moral é um conjunto de regras que regulam esse mesmo comportamento.

A evolução e a diversidade da natureza humana fez coexistirem duas morais: a moral permanente e a moral mutável. 

A moral mutável depende não só dos costumes, das tradições, da cultura de povos e nações, mas também dos interesses de grupos, classes e categorias sociais. 

São conflitantes a moral do empresário, que visa o lucro, e a moral do sindicalista, que procura o aumento de salário. 

Existem as morais das várias profissões: dos médicos, dos advogados, dos comerciantes, dos catadores de lixo, entre outras. 

Existem sistemas morais que permanecem inalterados por séculos como a poligamia entre os árabes e a monogamia das culturas ocidentais. 

Existem outros que evoluem como as que se referem ao meio ambiente, onde a moral dos conservacionistas passou a sobrepujar a dos progressistas. 

As maiores mudanças, nos últimos 50 anos, ocorreram no campo sexual. A homoafetividade, antes considerada imoral, passou a ser normal para uns, e o fim do mundo para outros.

Todas essas morais têm de estar a serviço da ética.

Essa moral mutável no tempo e no espaço não impediu a eclosão dos conflitos, das divergências, das guerras. 

Surgiu um novo conceito de moral. Um conceito de moral permanente, sem a qual nenhuma grande civilização teria sido construída, sem a qual o desenvolvimento da vida em sociedade não teria sido possível. 

O novo conceito de moral, permanente, não é apenas um conjunto de regras e proibições, mas a consideração em primeiro lugar, dos direitos e interesses do outro. 

A moral não existe para nos impedir de agir, mas para nos impedir de fazer o mal, de fazer sofrer, de humilhar, de oprimir, de explorar, de subjugar. 

A moral não é contra o prazer, que é um bem, mas contra o egoísmo, que é um mal. 

Em resumo, a moral permanente é um conjunto de valores que regulam o comportamento humano, a fim de que este não prejudique nem interfira nos direitos e interesses do outro. 

3.4 – A PROVA QUÁDRUPLA

Com relação à ética profissional, Herbert Taylor em 1932 legou a todos nós a PROVA QUÁDRUPLA, a qual não podemos chamar de um código de ética, mas sim, de uma reflexão, de uma auto-avaliação.

A “Prova Quádrupla” é de uma simplicidade enorme no seu enunciado, facilitando o seu entendimento. Não é um código complicado, cheio de artigos, parágrafos e itens, com palavras difíceis. É de uma objetividade singular. Devemos aplicá-la, em nosso dia a dia, em tudo o que pensamos, dizemos ou fazemos:
  1. É Verdade?
  2. É justo para todos os interessados?
  3. Criará Boa Vontade e Melhores Amizades?
  4. Será Benéfico para todos os Interessados?
O rotariano não precisa de Conselhos de Ética para julgar os seus passos. Não há necessidade de ninguém apontar-lhe erros, pois, ele mesmo, pela aplicação da “Prova Quádrupla” em sua vida, se autoanalisa. E jamais o homem poderá fugir de si mesmo.

4 - Conclusão

Companheiros, devemos nos preocupar, hoje, com a apatia, com a omissão, com a indiferença e com a acomodação que estão imobilizando os homens.

É terrível ouvirmos de pessoas que nos são queridas e próximas a assertiva:

O que adianta sermos bons, espalhar a boa vontade e a Justiça, servir, se a sociedade continua egoísta, hipócrita e má, se os governantes continuarão insensíveis, incompetentes e locupletando-se do Poder?

Essa postura somente contribui para o agravamento da crise econômica, moral e social.

Deverá haver, sobretudo na vida profissional e na vida econômica, um conjunto de reações sadias, de movimentos saudáveis. O Rotary nos compele a isso.

Transportando esse pensamento para servir através da profissão, temos a consciência de que, mesmo sem a expectativa de solucionar todos os problemas, deveremos fazer a nossa parte, na certeza de que minoraremos, ao menos, o sentimento coletivo negativo e colaboraremos para o resgate parcial dos valores sociais positivos. 

Para concluir, vale repetir a frase de Paul Harris, dita em 1912: 

De todas as mil e uma maneiras que o homem pode escolher para ser útil à sociedade, sem dúvida, as mais viáveis e, na maioria dos casos as mais eficientes, serão aquelas no âmbito de suas próprias ocupações.



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sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

FAÇA O ROTARY BRILHAR

FAÇA O ROTARY BRILHAR
Considerações a respeito do lema.
Alberto Bittencourt - 13 fev 2015







"Faça o Rotary Brilhar" é a versão brasileira do lema do presidente Gary Huang, para o ano rotário 2014-15. O original em inglês é "Light up Rotary" e a versão espanhola, "Iluminemos Rotary". 

Gary Hulang e Corinna

"Faça o Rotary Brilhar", é mais que um lema. É antes um chamamento para a ação. Significa que o Rotary, por si, não tem luz própria. Quem é conclamado a fazer o Rotary brilhar é o rotariano. O Rotary é como um planeta, um satélite. Precisa da luz das estrelas para brilhar. 

No universo, o sol, estrela de quinta grandeza, é fonte de luz, calor e vida para nosso planeta Terra. Assim como a lua reflete a luz solar, o Rotary reflete o brilho dos rotarianos.
A fonte de luz que  ilumina o Rotary, é o rotariano. 
É através de seu trabalho, energia e devoção que o rotariano faz o Rotary brilhar.  Quanto mais forte for a luz que emana dos rotarianos, mais forte será o brilho do Rotary. 

Nos dias atuais, quando o obscurantismo tomou conta da humanidade, quando o homem parece ter voltado ao estado pré-histórico de barbárie, quando ignorância, a violência, a selvageria imperam, numa época em que a intolerância e o fanatismo escravizam mentes e corações, quando a ausência de sentimentos e de amor se evidenciam, o mundo parece cada vez mais mergulhado numa obscuridade plena, densa, total. O Rotary se contrapõe a esse estado de coisas, ao oferecer o amor incondicional, a amizade, a tolerância, a paz, entre homens e nações.

Então, o brilho do Rotary nunca foi tão necessário. Esse brilho, nada mais é do que o reflexo da luz do rotariano. É o brilho do rotariano, refletido no Rotary, que faz mudar o curso da história.  

Há um ditado que diz: "aquele que porta a chama é o primeiro a se beneficiar de sua luz e calor".

O brilho da chama que ilumina o Rotary, está no pensamento, sentimento e vontade de cada um dos rotarianos. Essa chama, nada mais é do que a prestação de serviços voluntários, em favor da paz, da compreensão entre homens e nações, da ajuda ao próximo, aos mais necessitados, às comunidades, em favor do amor. 

Em face dos horrores que o homem impõe ao planeta, só há um caminho. É metamorfosear toda essa negatividade em uma nova e inédita criatividade. Tu poderás me dizer que isso é impossível. Eu te responderei que sim, é possível, sempre foi e será possível. Basta ver o que de formidável já foi feito pela mão do homem, nos 110 anos de existência do Rotary.  







sexta-feira, 26 de junho de 2020

MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA






MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA
Resoluções de Ano Novo 
Alberto Bittencourt - De meu diário, em dezembro de 2007

Dentre minhas resoluções para este novo ano, a mais importante, será mostrar realmente meu interesse pelos amigos e parentes, os que me são caros.

Às vezes, um simples telefonema pode fazer uma grande diferença. Não basta pensar neles apenas, nem simplesmente responder convencionalmente a um e-mail, é preciso mostrar que me interesso. O saudoso companheiro José Christóvam Guerra, do Rotary Club do Recife-Boa Viagem, dizia: a distância nunca separa amigos que se interessam. É uma grande verdade. É a única forma de manter os laços apertados, aquecidos com amizade, com calor humano, com sentimentos de afeto. É abrir o coração e mostrar nosso amor e respeito, para isso, é preciso tomar a iniciativa, partir em direção aos amigos, à família. Foram tantos os que nos telefonaram, de muitos, a gente nem esperava o gesto carinhoso, a atenção. Se eu pudesse ainda escrever uma mensagem de Natal, eu diria: Mostre que você se interessa, parodiando o lema antigo de Rotary: "Mostre que Rotary se interessa."

Mostrar aos amigos que você se interessa por eles, significa que, mesmo os seus planos, podem ser modificados em favor de cada um deles, que você está disponível para ajudá-los, que eles podem contar com você, com sua atenção, com sua abundância e com o seu tempo. Que prova maior de amizade pode haver do que você mudar sua rotina, alterar seus planos, parar o que estava fazendo, enfim, mudar sua vida para ajudar e atender um amigo? Tenham a certeza de que este gesto, mesmo que pequeno, fará uma enorme diferença – faz com que você se torne realmente um amigo.

A verdadeira amizade vem da alma, do interior de cada ser, lá do coração. É o encontro de dois espíritos afins que se afinam em pensamentos, sentimentos e vontades. A verdadeira amizade independe da razão, vem lá de dentro do nosso eu, superior, sensível e divino.

Nós crescemos junto com nossas amizades, a cada gesto de interesse, de carinho. Em pouco tempo vemos transbordar nosso sentimento e vai envolvendo todos aqueles que nos rodeiam, como uma onda luminosa que emana de nosso coração. 

Mostre que você se interessa, pelos planos, pelas metas e objetivos do outro, mostre que você é parte deles, só assim você realmente fará parte do grupo. Mostre que nossa passagem em suas vidas não foi em vão, deixou uma marca profunda, uma esteira de alegria, que nós os conquistamos e somos responsáveis por essa conquista, tal qual o Pequeno Príncipe. Nada é mais importante que os amigos e a família que Deus colocou em nosso caminho. É este o nosso verdadeiro patrimônio, que devemos manter e revigorar, que devemos demonstrar que sempre podem contar conosco, com nosso apoio e com nossa amizade.

Fica aqui registrada minha mais forte resolução para 2007: Mostrar que me interesso pelos amigos e pessoas que amo. Será que ainda dá tempo?  


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Manutenção da Paz, Imposição da Paz e Construção da Paz




Manutenção da Paz, Imposição da Paz e Construção da Paz

Alberto Bittencourt - 2013





Existe uma diferença entre os conceitos de Manutenção da Paz, Imposição da Paz e Construção da Paz.

a) MANUTENSÃO DA PAZ
As Forças internacionais da Paz, das Nações Unidas, como a Minustrah do Haiti, têm a função de manter a paz e são exercidas através do Conselho de Segurança da ONU.
O Brasil tem por tradição integrar essas forças internacionais de paz desde a guerra do Yon Kypur, entre Israel e os países árabes, quando foi instituída a Força da Paz de Suez. São Domingos, na América Central, e o Timor Leste, na Ásia, foram outras nações que receberam soldados brasileiros integrantes das Forças de Paz da ONU. Graças à atuação dessas forças, foram e estão sendo devolvidas à Paz regiões cheias de conflitos, de tensões, sejam de origem étnicas, políticas ou religiosas. A eficiência dessas intervenções tem evitado que os conflitos se prolonguem no tempo e se expandam causando aumento do sofrimento de populações civis, gerando levas de refugiados e de pessoas desabrigadas, acomodadas em acampamentos.

b) IMPOSIÇÃO DA PAZ.
Sempre que há um conflito e uma ameaça à paz internacional, como ocorreu na guerra da Bósnia e da Líbia, e no Oriente Médio, uma coligação de países, muitas vezes sob liderança da ONU, exerce o seu poderio bélico para encerrar os conflitos e impor a paz.

c)  CONSTRUÇÃO DA PAZ
Por outro lado, a Construção da Paz envolve um conceito inteiramente diferente.
É prevenção de conflitos a longo prazo, um assunto muito mais complexo. Às vezes, é fácil tomar atitudes bélicas para manter a paz. Para construir a paz, nem sempre é uma decisão simples.

Os orçamentos dos países destinam bilhões de dólares para garantir o aparato militar, sob o pretexto de Manutenção da Paz. Há toda uma estrutura industrial bélica sob o pretexto de exercer o poder dissuasório. Afirmam os belicistas que a manutenção do aparato bélico, da capacidade de destruição, tem a finalidade de desencorajar as pretensões belicosas de vizinhos, assim como a conhecida expressão: Si vis pacem, para bellum - Se queres a Paz, prepara-te para a guerra. Com esta idéia, surgem algumas “operações de manutenção da paz” que geram investimentos que ultrapassam US$ 2 bilhões.

Em contrapartida, não se consegue US$30 milhões para operações de Construção da Paz. Construir a paz é empreender uma ação preventiva. Acontece, porém, que essas ações preventivas não trazem consigo nem a glória, nem o reconhecimento para quem as executa.

Condecoram-se os generais que vencem as batalhas, mas os realmente importantes são os que evitam a eclosão das guerras. Só estamos acostumados com os resultados concretos, que aparecem nos jornais e na TV, então, se nada acontece, e é exatamente isso que desejamos, aí ninguém reconhece que o fato se deve ao trabalho contínuo, permanente, feito nos bastidores, em pequenas doses e muito abrangentes. É o que fazem os rotarianos no mundo inteiro.   

Há um ditado sul africano, Zulu, que diz:

Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças maravilhosas.

Esses são os verdadeiros pacifistas, ou construtores da paz.

A Construção da Paz é um estado da sociedade para qual todo cidadão contribui, a cada instante, na família, na escola, no trabalho, nos parlamentos, nos bares. As possibilidades de paz precisam ser construídas diariamente. A cultura da paz se constrói dia a dia, com justiça, dignidade, igualdade e solidariedade. 

Construir a Paz não significa reparar os danos, mas sim evitar que eles se produzam. Isso só é possível com a participação da sociedade civil nessa tarefa e que cada indivíduo se ocupe dela pessoalmente.

Para a Manutenção da Paz no Oriente Médio, foram investidos US$150 bilhões, enquanto que, para Construir a Paz no mesmo Oriente Médio, nem um centésimo disso foi aplicado. Isto porque Construir a Paz não é um ato de serviço, mas sim uma ação de servir, preventiva, que não traz lucros nem gera dividendos imediatos, posto que ela é uma ação para o futuro, quase invisível e seus efeitos só são percebidos a longo prazo.

“A Paz através do Servir”, versão brasileira do lema do presidente Sakuji Tanaka, 2012-13, Peace Through Service, significa construir a paz. É a prevenção, o trabalho contínuo, diuturno, de mudança das condições de vida das pessoas, de aliviar o sofrimento dos oprimidos, dos excluídos, de diminuir as diferenças sociais através da educação, da valorização do homem, do ensino de comportamentos úteis, da prática indiscriminada do bem.

Segundo Paul Harris expressou no livro de sua autoria, Esta Era Rotária, escrito em 1935: a Imposição da Paz não é um serviço, pois, sob o pretexto da busca da paz, emprega a força, o poderio bélico e a violência. Visa antes satisfazer aos interesses belicosos e expansionistas dos dirigentes das nações.

A Manutenção da Paz pode ser considerada um serviço, para evitar o retorno dos conflitos e da violência.

A Construção da Paz é o que fazem os rotarianos do mundo inteiro, através de seus programas humanitários e educativos. É ação de servir.

Estes são meus pensamentos a respeito dos dois substantivos – Servir e Serviço - usados nas versões, brasileira e portuguesa, do lema do presidente Sakuji, Peace Through Service, lembrando sempre que:

 O servir constitui a essência da filosofia e do ideal do Rotary.