ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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domingo, 29 de janeiro de 2023

BORIS ÇYRULNICK E A SAÚDE
 Boris Cyrulnik:

 "Depois de cada desastre, a sociedade muda" 
O neuropsiquiatra Boris Cyrulnik, 83, analisa o desastre econômico e de saúde e pede que lições sejam aprendidas com o passado. Segundo ele, a saída da crise passará pela construção de uma sociedade feita de novos valores e novos modos de consumo. O especialista em resiliência e neuropsiquiatra Boris Cyrulnik nos dá sua análise do desastre de saúde e explica como o aparecimento do coronavírus afetará profundamente nossas vidas. A crise econômica e de saúde de 2020 é uma má notícia ou a oportunidade de começar do zero? 

“Crise” não é a palavra certa para descrever o que estamos passando. Depois de uma crise ou choque tudo recomeça como antes, sem mudanças. Catástrofe é a palavra certa, porque não poderemos começar de novo como antes. O desastre gera um trauma que empurra para sair da situação em uma nova direção. Houve mortes, pessoas traumatizadas, vidas devastadas pela ruína econômica . Mas o que causou isso foi a sociedade, não o vírus. A resiliência será mais longa e mais difícil do que se tivesse sido necessária para emergir de um choque breve.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

PÓLIO NUNCA MAIS



PÓLIO NUNCA MAIS
Alberto Bittencourt - out 2015








Dias 27 e 28 de outubro de 2015, tive a feliz oportunidade de participar de um importantíssimo seminário denominado PÓLIO NUNCA MAIS, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz- Fiocruz - em comemoração dos 21 anos da certificação da eliminação da Polio no Brasil.


Infelizmente a divulgação do Seminário no âmbito do Rotary foi quase nula.

A secretaria de imprensa da Fiocruz mandou um simples comunicado com o programa para a revista Rotary Brasil, na semana anterior ao evento. A revista encaminhou para seus diretores e conselheiros. 
Eu soube apenas na quinta feira anterior, dia 22 de outubro.


Estavam presentes,  da Fiocruz,  muitos cientistas, pesquisadores, doutores, médicos sanitaristas, professores, técnicos. 

Participaram também membros da OMS - Organização Mundial de Saúde; da OPAS - Organização Panamericana de Saúde; do Ministério da Saúde; e das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde do Rio. 


Estavam também presentes uma cientista argentina e um cubano, ambos autoridades sanitaristas em seus países e que apresentaram um relato da história do combate à Pólio em sua pátrias.

Os rotarianos presentes eram apenas eu, a gov Adelia Villas do D. 4570, com o marido Valter, e dois jornalistas da revista Brasil Rotário que se revezaram na cobertura, além do fotógrafo da revista.

O Seminário teve também a participação do rotariano Wan Yu Chih, do RC Florianópolis, que apresentou um painel sobre o papel do Rotary no combate à Polio no Brasil, intitulado: "21 anos de erradicação da pólio no Brasil":




Wan, que já foi
 presidente da Subcomissão da campanha da Polio do Distrito 4651 - Santa Catarina, escreveu um livro sobre a História da Poliomielite no Brasil.



Tive o prazer de conhecê-lo neste seminário.

Ele conta que foi atraído para o Rotary ao conhecer o trabalho dos rotarianos na campanha. Estudou, pesquisou, deslocou-se ao Rio, entrevistou autoridades, construiu um blog de excelência sobre o assunto, que pode ser acessado pelo link: 






Escreveu também por iniciativa própria, um excelente livro sobre a história da Pólio:


Livro de autoria de Wan Yu Chih, do RC Florianópolis


Wan Yu Chih palestra no Seminário POLIO NUNCA MAIS

Cartão de visitas do Wan

O seminário constituiu-se de dois dias de intensas palestras e debates sobre a Polio.

Na ocasião, tive a oportunidade de manifestar opinião de que este seminário deveria se repetir em outros distritos rotários do Brasil, pois apresenta uma visão do ponto de vista científico, epidemiológico e imunológico. Mostra bem a luta e dedicação dessas pessoas quanto à evolução dos tipos de vírus e consequente formulação de novos processos de vacinação.



Ao manifestar minha opinião, disse que, se mais rotarianos estivessem presentes, em número mais representativo, os assuntos tratados poderiam repercutir em seus distritos e estados, o que muito ajudaria na conscientização das pessoas e autoridades.

O Dia Nacional de Combate à Pólio, disse eu, 24 de outubro, foi solenemente ignorado pela imprensa em vários estados da federação.

De fato, todos concordaram.

A ideia da realização de seminários estaduais foi prontamente aceita pela diretoria da Fiocruz que ficou de manter contato para programar a respeito.

Considerei riquíssimo o nível de qualidade do evento. Não foi apenas técnico. Teve relatos históricos de quem vem atuando nessa área desde os anos 70, médicos, doutores, pesquisadores, cientistas, membros da OPAS, e outros organismos internacionais. Testemunhos importantíssimos de coordenadores das campanhas nas principais regiões brasileiras, desde 1980 foram gravados ao vivo, e enviados através de vídeos. Todos os apresentadores fizeram uso de meios auxiliares, com profusão de gráficos, esquemas e resumos em powerpoint. 

A finalidade foi apresentar um panorama geral da poliomielite no Brasil após 21 anos da certificação, que ocorreu em 1994. 

Deixo aqui registrado meus aplausos para esse jovem companheiro Wan Yu Chih, do RC Florianópolis. É, sem dúvida um grande valor em Rotary, merecedor de todos os nossos encômios. De personalidade modesta e tímida, Wan conhece em profundidade a campanha da poliomielite. Entretanto, não tem recebido missões em Rotary à altura de seus méritos. 

Precisamos valorizar mais a prata da casa, reconhecer os verdadeiros valores, aqueles que são desprovidos de vaidades, de carreirismo, interessados apenas em trabalhar em prol da grande obra do Rotary de erradicar a poliomielite da face da Terra. 

No seminário, todos os palestrantes foram unânimes em reconhecer e louvar o trabalho do Rotary. 

Tenho participado de seminários nacionais e internacionais sobre a Polio. O que diferenciou o atual, foi justamente a parte técnica, apresentada por renomados cientistas. Na minha opinião, o embasamento técnico é necessário para melhor entendimento e compreensão, para uma maior conscientização, motivação e mobilização dos companheiros, no sentido de esclarecer dúvidas e alinhar os conhecimentos. 


Alem da abordagem histórica, dois pontos importantes foram abordados:

1) Vigilância.

Essa é uma questão que envolve diretamente o Rotary, por estar dentro de suas metas, mas que ninguém sabe explicar direito o que é, nem como se deve proceder.

Nesse Seminário o tema foi bem abordado. Explicaram em que consiste a vigilância e como estamos atrasados nesse campo, por razões meramente de falta de políticas públicas que lhe dêem a prioridade devida.

A vigilância não significa apenas a verificação dos percentuais de vacinação  durante as campanhas. Inclui, antes,  a Identificação dos casos suspeitos, a coleta rápida de amostras de fezes e o envio para os centros laboratoriais, para pesquisas e diagnósticos. 


Os laboratórios para análise e pesquisa do vírus da poliomielite são sofisticados. Existem apenas 145 no mundo e 03 no Brasil.

Acreditem, o que deveria levar apenas alguns dias, no Brasil, entre a coleta da amostra e a chegada no laboratório, chega a demorar dois meses. O hospital do SUS manda a amostra suspeita para a secretaria de saúde que manda para a Anvisa, que manda para o Ministério da Saúde, que manda para o laboratório credenciado. 

Depois o laboratório não consegue identificar se é Polio ou não. Confunde frequentemente com a Síndrome de Guillain-Barré ou outras doenças como meningite. 


Há casos em que o laboratório recebeu a amostra há mais de um ano e ainda não conseguiu diagnosticar, apesar do paciente apresentar todos os sintomas característicos da Polio, como a paralisia flácida aguda assimétrica das pernas, etc.


Aprendi coisas importantes que não são normalmente veiculadas nas palestras a que tenho assistido. Você sabia, por exemplo, que o assunto poliomielite está fora da grade curricular de todas as faculdades de medicina do Brasil? Que os atuais médicos residentes desconhecem totalmente o que seja a poliomielite? Que o conhecimento da doença está restrito aos sanitaristas da Fiocruz? Ouvi a seguinte pergunta: Como é possível manter a vigilância desse jeito? 

2) Síndrome do Pospolio.

Esse é outro problema seríssimo. Foi apresentado pelas próprias vítimas que estavam presentes. Eram cerca de quarenta cadeirantes. Essa pessoas vítimas da poliomielite há trinta ou quarenta anos, voltam a sentir os mesmos sintomas que 
sentiram quando contraíram a poliomielite. Sentem-se abandonadas à própria sorte. 

As sequelas dessa síndrome exigem tratamento especializado, acompanhamento, diferente de uma fisioterapia normal de recuperação. 


Portadores da Síndrome do Pospolio chegaram até a organizar uma associação: a Associação dos Portadores da Síndrome do Pospolio, já existente em diversos estados do Brasil e países do mundo. Nem o Hospital Sarah Kubitscheck de Brasília está aparelhado para dar a assistência de que necessitam.


Disseram, que não têm apoio político. Inclusive, quando avançavam no diálogo com o ministro da saúde, eis que o mesmo é substituído e tudo volta à estaca zero.

Fiquei estarrecido com os depoimentos.

Ouvimos a palavra de médicos abalizados com a vida inteira dedicada ao tratamento da pólio e da síndrome do pós pólio.

Enfim, muitas coisas apresentadas no Seminário, normalmente não são abordadas nas palestras e seminários do Rotary, mas são de vital importância para a compreensão do problema. Trataremos aos poucos desses assuntos.







domingo, 29 de março de 2020

FALIMENTOS OU FALECIMENTOS?

FALIMENTOS OU FALECIMENTOS?
ECONOMIA X SAÚDE.
Alberto Bittencourt
É impossível encontrar o ponto de equilíbrio. Para o primeiro existem remédios. Para o segundo, não tem jeito.
O debacle da economia, assim como as mortes causadas pelo covid-19, acarretarão danos irreversíveis, tais como fome, desemprego, violência, doenças e, em consequência, mais sofrimentos e mais mortes por causas diversas.
Pagamos o preço de séculos de descasos em questões como educação, segurança, saúde, saneamento, água potável, favelização, desigualdades, corrupção, ética e, principalmente, pelos privilégios de uma classe oligárquica dominante que, desde antanho se locupletou no poder, para ser cada vez mais rica, às expensas de um povo sofrido, explorado, violentado.
Ao término desta epidemia, com o vírus sob controle, além das mortes físicas e das mortes de micro, pequenas e médias empresas, terá, talvez, iniciado um período de recessão econômica de dimensões e consequências imprevisíveis.
Não tenho dúvidas de que, resilientes, renasceremos para uma nova era, para um novo ciclo histórico de paz, de crescimento e de desenvolvimento.
Acredito que estamos a caminho de uma mudança cultural ampla, advinda dos dois grandes choques heterodoxos que vivemos no momento: a Lava-jato e o Corona vírus.
Essa mudança será tanto mais definitiva quanto mais natural seja. Não advinda de uma ruptura institucional, mas de um novo comportamento e de uma nova postura cultural e ética do povo, sem deixar espaço para aproveitadores e hipócritas, sempre à espreita para abocanhar o melhor naco.
Que desses dois choques a sociedade emerja criativa, no sentido de exigir mudanças radicais, com a erradicação das práticas nocivas que tanto mal fizeram a este país. Que se extingam órgãos e cargos públicos desnecessários, mordomias exacerbadas, compadrios, afilhadismos, conchavos abusivos do poder.
Que o compromisso dos gestores e representantes do povo seja, única e exclusivamente, com a seriedade e com o futuro da nação brasileira.
Assim espero.
AMÉM.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

HIGIENISMO


HIGIENISMO
Alberto Bittencourt








I - O que é Higienismo? 

O Higienismo, Alimentação Higienista, ou Higiene Natural, ou ainda, Alimentação Natural, é uma filosofia de vida e um conjunto de princípios e práticas com base na ciência, que leva a um extraordinário nível de saúde pessoal e felicidade. Trata-se de um movimento criado nos Estados Unidos em 1830, inspirado nos ideais gregos de saúde física e mental, que se desenvolveu a partir das descobertas que vieram à luz com o avanço da Biologia no século passado. Esse sistema é chamado em inglês de Natural Hygiene e vem a ser por definição: uma ciência de saúde que respeita as leis naturais, processos físicos e químicos que regem o corpo humano, mantendo ativo seu incrível poder de construção e regeneração. 

Como é de cunho essencialmente científico, trata-se de um sistema dinâmico que vem incorporando desde a sua criação, todas as novas descobertas a respeito de Saúde, Nutrição, Ecologia e Qualidade de Vida em geral, ajudando assim, a transformar a vida de milhões de pessoas. 

Segundo um dos mais respeitados e conhecidos médicos higienistas do nosso tempo, Dr. Herbert Shelton: "As leis da natureza, as verdades do universo e os princípios da ciência são tão certos, tão fixos e imutáveis em relação à saúde, quanto são em relação a todas as outras coisas". 

Conforme o Higienismo, somos aquilo que cheiramos, tocamos, vemos, ouvimos e comemos. Somo aquilo que nos emociona. Somos aquilo que pensamos. Nosso alimento é o ar, a água, o sol, os produtos da terra e tudo aquilo que nos rodeia. 

Quanto maior o nosso contato direto com a natureza e quanto mais comemos alimentos ricos em substâncias vivas, mais nosso corpo se torna belo, forte e flexível, mais nossa vida afetiva se liberta das emoções que nos amarram (medo, julgamento, raiva, frustrações), mais nossa mente se liberta de suas limitações, mais nossa vida espiritual desabrocha. 

Alimentos de mais ou de menos e alimentos inadequados, o metabolismo muito lento e a eliminação insuficiente provocam a retenção de resíduos que deveriam ser evacuados: as toxinas. 

As toxinas provocam sintomas (sensações desagradáveis) para avisar que está havendo um desequilíbrio. Se ignorarmos essa campainha de alarme, a capacidade de eliminação dos órgãos excretores (fígado, rins, intestinos, pulmões, pele) fica saturada, e aparecem sintomas gerais de intoxicação: 

- Sintomas mentais: 
espírito confuso, pensamento lento, memória deficiente, indecisão, etc. 
- Sintomas emocionais: 
sensação de cansaço, depressão, falta de ânimo, mau humor, ansiedade, etc. 
- Sintomas físicos: 
olheiras, pálpebras inchadas ou grudadas, olhos vermelhos ou amarelos, vista turva, coriza, nariz tapado, boca pastosa ou seca, língua coberta por uma substância branca ou amarela, vontade de tossir e cuspir, mau hálito, dor no couro cabeludo, dores de cabeça, de estômago, de barriga ou em outras partes do corpo, sensação de peso, rigidez e fraqueza nas articulações e nos músculos, problemas de pele e cabelos, tontura, cansaço geral, insônia, etc. 

Todos esses sintomas indicam uma sobrecarga dos mecanismos de eliminação e um indício de intoxicação geral. 

O Sistema Higienista: 
É um conjunto abrangente de preceitos que visam uma melhor qualidade de vida, entre eles a higiene alimentar. 

- Promove uma mudança de hábitos nocivos ao equilíbrio interno. 
- Ensina a maneira correta de assimilar os alimentos. 
- Condena a rigidez e incentiva o bom senso de seu praticante. 
- Busca o ideal a ser atingido, consciente do que é melhor para a saúde. 
- Representa uma mudança dupla: de hábitos e de idéias. 
- Não é um regime alimentar temporário. É antes de tudo uma filosofia de vida. 

A maneira correta de alimentar-se leva a: 

- Ter mais Saúde. 
- Ficar livre de distúrbios psíquicos e emocionais e das limitações mentais e espirituais. 
- Sentir grande bem-estar. 
- Despoluir nosso organismo. 
- Despertar a intuição que nos guia para maior vitalidade, equilíbrio e alegria de viver. 
- Deixar de sentir sintomas e doenças para descobrir que a saúde está em nossas mãos. 

II - Os Cinco Princípios: 


A dieta higienista se baseia em cinco princípios: 

1. Evitar ou eliminar comidas que produzam toxinas; 
2. Ingerir 70% dos alimentos crus; 
3. Respeitar as etapas do processo digestivo; 
4. Combinar os alimentos adequadamente; 
5. Não se alimentar em excesso. 

Primeiro Princípio: 
Evitar ou eliminar alimentos que produzem toxinas 

Esse princípio tem a ver com a restrição de alguns alimentos responsáveis pela produção de toxinas no organismo. Ao ingeri-los a pessoa acaba "poluindo" o corpo. Os resultados: formação de radicais livres, que favorecem o envelhecimento precoce, deficiência imunológica que aumenta as chances de adoecer e tendência à obesidade e doenças degenerativas como a arteriosclerose, as cardíacas e até o câncer. 

Segundo o Higienismo, a dieta ideal é aquela que tem em sua base frutas e verduras, nozes diversas (amêndoa, castanha, semente de abóbora, pistache, etc), raízes e tubérculos (aipim, inhame, batatas, etc), cereais. Os alimentos devem ser orgânicos (vivos), integrais, que não tenham nada contrário ao princípio nutritivo. 

O que se deve evitar 
- Carnes, sobretudo a vermelha; 
- Carnes processadas, como presunto, salsicha, lingüiça e defumados; 
- Frangos e ovos industrializados (de granja); 
- Leite e seus derivados (manteiga, queijos, iogurtes, etc); 
- Margarinas, maioneses; 
- Bebidas alcoólicas; 
- Produtos industrializados como enlatados, refrigerantes e alimentos que vêm em caixinhas e saquinhos; 
- Tudo que tiver aditivos químicos; 
- Bebidas que contenham cafeína (café, chá preto, chá-mate); 
- Chocolate; 
- Óleos e azeites que não sejam do tipo extra-virgem (processados a frio); 
- Frituras e outras gorduras saturadas; 
- Açúcares, adoçantes, bolos e doces; 
- Glúten, produtos de farinha de trigo branco refinado; 
- Arroz branco refinado; 
- Sal refinado; em seu lugar usar sal marinho, ou shoyo, moderadamente. 

Segundo Princípio:
Ingerir 70% dos alimentos com alto teor de água (crus) 

Consumir alimentos crus é importante porque eles são uma preciosa fonte de enzimas e fibras e líquidos. 

As enzimas são o princípio vital das moléculas das células vivas. Elas estão presentes em todas as plantas, verduras, frutas, nozes ou sementes em seu estado natural, cru, pois são sensíveis a temperaturas acima de 41º C e quando cozidas morrem. O alimento que é sujeito a temperaturas mais altas que 41º C perde seu valor vital, nutritivo. As fibras têm papel muito importante na eliminação de toxinas e gorduras porque agem como verdadeiras "vassourinhas" no intestino. Já os líquidos ajudam a manter os 70% de água que há em nosso corpo em perfeito equilíbrio. Apenas frutas, verduras e legumes crus preenchem esse requisito de manter o teor hídrico e auxiliam a desintoxicar as células, retardando o envelhecimento. 

Se o planeta Terra tem 70% de água e depende da quantidade de água para a sua sobrevivência, se no nosso corpo tem 70% de água, para mantê-lo sempre na melhor condição, devemos consumir uma dieta com, no mínimo, 70% de água. E vamos conseguí-lo nos alimentos com alto teor de água, que são as frutas e verduras, que têm em sua composição até 70% de água destilada pela natureza. 

Não estou falando de beber água. Mesmo bebendo oito copos d'água por dia não trará de modo algum o mesmo resultado, por duas razões importantes: nutrição e limpeza do organismo. A água transporta os nutrientes do alimento para todas as células do corpo e em troca remove as sobras tóxicas. Se você está ingerindo alimentos com alto teor de água, isso significa que está deglutindo alimentos que satisfazem todas as exigências nutritivas do corpo humano (todas as vitaminas, minerais, proteínas, aminoácidos, enzimas, carboidratos e ácidos graxos que o corpo humano necessita para sobreviver encontram-se nas frutas e verduras). 

Esses elementos nutritivos são carregados pela água dessas frutas e verduras para os intestinos, onde toda nutrição é absorvida e as sobras tóxicas são eliminadas. 

Os outros 30% consistirão em alimentos concentrados. Concentrado significa que o teor de água foi removido, quer por processamento, quer por cozimento. São os cereais, legumes, etc. Mas lembre-se: excesso de alimentos concentrados entopem não só intestinos, mas também as artérias, o que é a razão de tantas pontes de safenas por ano. 

Se aproximadamente 70% do alimento que comemos não é de alto teor de água, não há maneira nenhuma de emagrecer com sucesso e conservar o peso que se deseja ter permanentemente. 

As pessoas que bebem oito copos de água por dia fazem isso porque não estão ingerindo a água que precisam dos alimentos que consomem. Suas dietas são ricas em alimentos concentrados, assim seus organismos estão sempre exigindo água e elas experimentam sede constante. Você descobrirá que terá muito menos sede se ingerir alimentos com alto teor de água. 

Muitas pessoas bebem água com as refeições. Não é uma boa prática. Chega a ser debilitante, porque há sucos digestivos no estômago que destroem os alimentos. Se você bebe água juntamente com sua refeição, dilui esses sucos digestivos, evitando que a refeição seja adequadamente digerida. 

Se você pensa exclusivamente no que é gostoso, seu corpo jamais tem a oportunidade de limpar-se ou desintoxicar-se. Portanto, está sempre ingerindo alimentos que são apenas saborosos, e depois obstruem o corpo, acrescentando mais peso e impedindo que emagreça. 

Tudo o que sugerimos é que faça refeições que contenham 70% de alimentos de alto teor de água (frutas e verduras) e 30% de alimentos concentrados (todo o resto). 
Terceiro princípio:
Respeitar as etapas do processo digestivo 

O equilíbrio fisiológico e a saúde física dependem de três funções: 
- apropriação (ingestão ou deglutição)
- assimilação (digestão ou absorção)
- eliminação. 

Assim, nós ingerimos o alimento (apropriação), absorvemos e usamos parte desse alimento (assimilação) e nos livrarmos da sobra tóxica, daquilo que não usamos (eliminação). 

Embora essas três funções ocorram simultaneamente, cada uma é mais intensa em certas horas do dia. 

De acordo com essas funções, podemos dividir o dia em três fases de aproximadamente 8 horas cada. São os ciclos biológicos: 
· das 04h00 ao meio-dia: ciclo da eliminação.
· do meio-dia às 20h00: ciclo da apropriação.
· das 20h00 às 04h00: ciclo da assimilação. 

É evidente que comemos durante as horas em que estamos acordados (apropriação). Quando dormimos e o organismo não tem qualquer outro trabalho importante a fazer, ele assimila o que comemos durante o dia. Quando despertamos pela manhã, temos o que se chama "hálito matinal" e talvez a língua "revestida" porque nossos organismos estão no meio da eliminação daquilo que não foi utilizado – restos orgânicos, as chamadas sobras tóxicas. 

Já notou o que acontece quando se come tarde da noite? Acorda-se mal. sente-se meio "dopado"ou grogue na manhã seguinte. É porque o ciclo de assimilação que ocorre depois que o alimento deixa o estômago foi frustrado. Fisiologicamente nossos corpos desejam comer no início da noite, para que se passem ao menos 3 horas, o tempo necessário para o alimento deixar o estômago e o ciclo de assimilação poder começar na hora certa. 

Se o alimento ainda não foi digerido na hora que você deitar, também o ciclo de assimilação vai ser adiado para o período em que o organismo quer eliminar as sobras. Assim, as etapas do processo digestivo ficam tumultuadas, os ciclos biológicos de 8 horas são lançados em um turbilhão. 

Aqueles que querem perder peso devem se preocupar mais com o ciclo da eliminação. Entenda que eliminação significa a remoção da sobra tóxica, do excesso de peso, da massa ruim do seu corpo. 

A razão pela qual as pessoas são gordas é porque nossos hábitos alimentares tradicionais obstruíram, consistentemente, o ciclo da eliminação. Já que ingerimos um café da manhã abundante, um almoço farto e um jantar igualmente farto, o tempo de apropriação é muito maior que o da eliminação. Em resumo, ingerimos alimento em ritmo recorde, mas não nos livramos da sobra tóxica, daquilo que não podemos usar. 

Portanto, é importantíssimo observarmos em nossa alimentação, os 3 (três) ciclos biológicos: até o meio-dia, só comer frutas ou sucos de frutas para que a eliminação se processe, e não ingerir alimentos após as 20 horas, para que possam ser bem assimilados enquanto dormimos. 

Se comparamos nosso corpo a um fogão a lenha, a alimentação é o combustível, o metabolismo é a combustão e a eliminação é a evacuação de resíduos. 

O desjejum 

Muitas pessoas acreditam que um café da manhã farto é indispensável no início do dia para fornecer ao corpo a energia necessária para seu bom funcionamento. Nada mais errado. 

É porque ao acordarmos, (a eliminação está no auge entre 5 e 10 horas da manhã), os sintomas de intoxicação são fortes. Desaparecem assim que ingerimos alimentos ou estimulantes (café, chá, chocolate, cigarro, açúcar, manteiga, geléia, etc), que inibem o trabalho dos órgãos excretores. Ocorre então uma melhoria imediata, mas aumenta a intoxicação. 

Muitas pessoas atribuem o bem estar que sentem depois de um copiosos café da manhã à energia que dão os alimentos. De maneira nenhuma! A refeição, bloqueando o processo de eliminação, proporciona um "bem estar falso", devido ao fechamento das portas pelas quais o corpo faz sair as toxinas acumuladas! 

A mobilização dos mecanismos de defesa e desintoxicação provoca uma estimulação geral do organismo sentida de maneira agradável. Quanto mais intensa for essa reação, mais intenso será o cansaço brusco sentido no meio da manhã! Daí a tendência de consumir, por volta de 10h00 ou 11h00, alimentos ou bebidas estimulantes. Criamos assim um círculo vicioso que aos poucos esgota o organismo. 

Para facilitar a eliminação, o ideal é beber e comer somente frutas durante a manhã e só comer alimentos mais consistentes depois do meio-dia. 

Muitas pessoas chamam de "fome" à vontade de comer que sentem ao despertar. Essa vontade nada mais é do que o desejo de suprimir - através de alimentos - os sintomas do trabalho de eliminação dos órgãos excretores (pele, pulmão, fígado, rins, intestino). Por isso, sentir-se bem ao levantar é um sinal de boa saúde, que mostra que o organismo não tem muitas toxinas a eliminar. 

Os sintomas do mal-estar ao acordar mostram a sobrecarga das funções de eliminação. Não se trata, portanto, de eliminar esses sintomas, mas de ajudar o corpo bebendo bastante água e sucos naturais, comendo frutas cruas, fazendo ginástica, ioga ou esporte, ou ainda friccionando a pele com um pedaço de bucha vegetal. 

Quarto princípio:
Combinar os alimentos adequadamente 

Assim que são ingeridos os alimentos entram em contato entre si, realizando relações bioquímicas e reagindo com as secreções digestivas segundo a natureza ou a composição química de cada pessoa. Existem os alimentos que se combinam bem e aqueles que não. Quando a combinação é perfeita, a digestão se faz harmoniosamente, a assimilação das proteínas, vitaminas e dos minerais é ideal, a formação do material a ser excretado é adequada e a deposição de gorduras e de elementos tóxicos é mínima ou nenhuma. 

Ocorre exatamente o contrário quando os alimentos não se combinam.Uma alimentação que respeite os padrões de equilíbrio bioquímico dos alimentos é recomendada a todas as pessoas, independente de sua filosofia alimentar. 

Carboidratos são incompatíveis com proteínas. A digestão do carboidrato se processa mais rápido que a da proteína. Se são ingeridos simultaneamente, a proteína vai reter por mais tempo o carboidrato no estômago, provocando fermentação. Daí vem a sensação de azia e de estômago cheio por muito mais tempo. 

Pela mesma razão não se deve ingerir frutas de sobremesa. A digestão das frutas se processa muito rápido, em cerca de 20 minutos apenas. Se elas são ingeridas ao final das refeições, elas ficarão retidas no estômago, provocando a fermentação. As frutas só devem ser ingeridas 3 horas após, ou 1 hora antes das refeições. 

Não misture base com ácido, eles se neutralizam. Exemplo: pão com carne (a reação dos ácidos no estomago é de neutralidade – um vai fermentar e o outro apodrecer, porque a carne exige um suco ácido para se desintegrar e o amido exige uma secreção alcalina). 


O higienismo propõe que se faça o máximo possível para combinar adequadamente essa química dos sucos gástricos. 

Uma mistura de amido (pão, macarrão, batata, inhame) com proteína (carne, queijo, ovos) é absolutamente inadequada e não deveria entrar juntos numa refeição porque causa grande fermentação. 

Se você gosta de carne, por exemplo, coma arroz no almoço e a carne no jantar, mas não misture os dois na mesma refeição. A carne combina com hortaliças, que combinam com tudo por serem alcalinas. A combinação correta para o amido são as hortaliças. Outra combinação errada: pão com queijo; macarrão com carne ou queijo; coma o macarrão com hortaliças e não com carne. 

Assim, são condenáveis, sob o ponto de vista da combinação química dos alimentos: sanduíches de carne e/ou queijo; macarronadas, seja com molho de carne ou de queijo, e assemelhados. 

Melancia e melão são frutas que se deve comer sozinhas. 
Frutas doces combinam bem entre si. Ex.: banana e mamão; pêra e maçã; maçã e uva. 
Abacaxi (ácido) com banana (doce) torna difícil a digestão porque cada uma exige uma digestão particular. 
Leite com fruta é uma péssima combinação porque o leite é um isolador gástrico. Se tomar leite, tome-o sozinho. Criança alimentada de fruta com leite é raquítica porque não digere nem a fruta nem o leite. 

Para vitaminas use água de côco, ou o próprio suco de fruta. 

"Quando olhar um alimento pense se ele vai lavar o seu corpo, e se está mais próximo da vida do que da alteração". 

Quinto Princípio:
Não se alimentar em excesso 
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Mesmo o alimento mais nutritivo estragará seu organismo se for ingerido em excesso. Por favor, não coma demais. 

Se sentir vontade de comer em excesso, coma frutas frescas suculentas ou verduras frescas, cruas, quando quiser exagerar na alimentação. São alimentos saudáveis, cheios de nutrientes, que purificarão e nutrirão seu organismo.

LINK RELACIONADO: leia também: 


Referências bibliográficas: 
· "DIETA SEM FOME"
Harvey e Marilym Diamond - Ed. Record 
· "VOCÊ SABE SE ALIMENTAR?"
Dr.Soleil - Ed. Paulus. 
· Site da American Natural Hygiene Society - ANHS:
· MANGÉ NATURE, SANTÉ NATURE – Ed. Les Hygiénists
Albert Mosseri - Vols I e ii 
· NUTRIÇÃO VITAL
Soraya Vidya Terra Coury 
A DIETA DO ARCO IRIS – Ed. Record
Dr. Gabriel Cousens 
LUGAR DE MÉDICO É NA COZINHA
Dr. Alberto Peribanez Gonzalez 


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sexta-feira, 2 de março de 2018

COMO FUNCIONA A DIGESTÃO



COMO FUNCIONA A DIGESTÃO
Tradução de Alberto Bittencourt

LIVRO:  THE BLENDING BOOK 
De Ann Wigmore e Lee Pattinson; ed. AVERY





Em seres vertebrados como nós, o processo de absorção dos alimentos pelo organismo envolve uma complexa engrenagem. É o famaso aparelho ou sistema digestivo.
O sistema digestivo não é apenas um tubo aberto nas duas extremidades com as paredes permeáveis, através das quais os alimentos são assimilados. Pelo contrário, é a sede de um processo extremamente complexo e ordenado que envolve a destruição mecânica e química dos alimentos por etapas determinadas. Essa combinação de ações mecânicas e químicas altera a estrutura dos alimentos. Qualquer alimento que permaneça sem ser absorvido ou assimilado, passa até o intestino grosso e é excretado como lixo.
A descrição do processo digestivo torna mais fácil de compreender como o nosso sistema digestivo tem sido prejudicado pelos hábitos modernos de alimentação e como a liquidificação pode ajudar a corrigir esses danos fácil e eficazmente.
O sistema ou aparelho digestivo é um tubo longo em que se encontram órgãos como boca, estômago e intestinos provido de comportas e barreiras que abrem e fecham em admirável sincronia, dando o ritmo necessário a cada etapa do processo. Além disso, entram em ação coadjuvantes como o fígado e o pâncreas, responsáveis pela produção de enzimas que ajudam a quebrar a comida mastigada em partículas menores. Nutrientes como carboidratos, gorduras e proteínas contêm moléculas complexas que têm de ser partidas para serem assimiladas por nossas células. Essa tarefa cabe a enzimas chamadas hidrolíticas, porque dividem essas longas cadeias moleculares acrescentando a elas moléculas de água. Cabe a nós não sobrecarregar o aparelho – por isso, é fundamental mastigar bem cada bocado.
"Quando comemos depressa, o estômago perde tempo triturando os pedaços grandes que não foram bem mastigados. Isso retarda a digestão e causa desconforto", afirma o gastroenterologista Joaquim Prado Moares Filho, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Resta dizer que a ciência médica ainda não compreende totalmente como funciona o chamado sistema nervoso entérico, complexa rede de fibras nervosas que controla toda a movimentação do tubo entre o estômago e os intestinos.

1 – A BOCA
A destruição físico-química dos alimentos começa na boca, com a formação do chamado bolo alimentar.
A destruição física ocorre com a mastigação. A destruição química é indicada pelas glândulas salivares e enzimas presentes na boca.
Os órgãos do olfato e também do paladar ajudam a estimular as três glândulas salivares.
As glândulas salivares secretam mucus e uma enzima digestiva chamada amilase salivar (ptialina).
O mucus molha os alimentos e permite que eles passem facilmente pelo esôfago (tubo que liga a boca ao estômago)
A amilase inicia a digestão química dos carboidratos (amidos, presentes principalmente em massas).
Deixar de mastigar completamente os alimentos torna esta etapa ineficaz e dificulta o trabalho das outras seções do sistema digestivo. Liquidificar os alimentos supera essa deficiência.

2 – O ESÔFAGO
O esôfago é um tubo com aproximadamente 25 cm de comprimento nos adultos. Ele tem uma participação real no processamento dos alimentos, é uma passagem da boca para o estômago.
O esôfago se contrai e se relaxa progressivamente de modo parecido com o de apertar um tubo de pasta de dentes. Esses movimentos – chamados peristálticos – levam o alimento ao estômago mesmo com a pessoa de cabeça para baixo. Sua missão é resistir à abrasão de quaisquer partículas alimentares maiores.
Quando o bolo alimentar está para entrar no estômago, se abre uma válvula situada no terminal inferior do esôfago: O esfíncter inferior do esôfago. O resto do tempo ele permanece fechado para impedir que o conteúdo estomacal venha tubo acima, o que causaria queimaduras.
Após o alimento passar pelo esfíncter para dentro do estômago, começa a parte principal do processo digestivo.

3. ESTÔMAGO
O estômago é constituído por uma membrana mucosa que contém milhares de glândulas gástricas microscópicas. Essas glândulas secretam ácido clorídrico, enzimas e muco, substâncias que vão compor o que se chama de suco gástrico.
Ao cair no estômago, o bolo alimentar é banhado pelo suco gástrico. Este é um ácido tão forte que queimaria o interior do órgão, não fosse a camada de muco, de cerca de 2 milímetros que o reveste.
A digestão das proteínas começa no estômago, onde duas enzimas - renina e pepsina – decompõe as grandes moléculas em componentes mais simples. Mais tarde, a digestão das proteínas prossegue, sob a ação de outras enzimas – a tripsina no suco pancreático e a peptidase no suco intestinal. Toda molécula de proteína é constituída de muitos aminoácidos, quando essas moléculas são decompostas nos diferentes aminoácidos pelas enzimas, então a digestão das proteínas se completa.
As principais enzimas contidas no suco gástrico são a pepsina (que age nas proteínas) a lipase (que atua nas gorduras). Cerca de três contrações peristálticas por minuto vão misturando o suco gástrico ao bolo alimentar, até deixá-lo cremoso como iogurte.
O fígado produz a bílis, outra substância ácida, com sais que ajudam a quebrar as gorduras. Do pâncreas vem o suco pancreático, que contém mais lipase e amilase (esta, mais concentrada que na saliva).
Os alimentos são mantidos na cavidade estomacal pelo músculo do esfíncter piloro (outra válvula do aparelho digestivo), até que esta etapa do processo digestivo termine, isso em média, leva três horas para a maioria dos alimentos. O bolo alimentar então passa através do piloro para o intestino delgado.

4. O INTESTINO DELGADO
A saída do estômago se dá através da válvula piloro. Ela libera aos poucos o bolo para o duodeno, a primeira seção do intestino delgado. Nesse ponto, ocorre a mistura com as secreções vindas do fígado e do pâncreas.
O intestino delgado é constituído por três seções: o duodeno, o jejuno e o íleo.
A maior parte da digestão química, ocorre no duodeno, a primeira seção. O bolo alimentar que não é de natureza ácida; passa para essa área, na qual um problema relativamente moderno às vezes ocorre: a úlcera duodenal. É geralmente aceito que uma prolongada hiperacidez é uma das principais causas dessas úlceras, além do stress e outros fatores emocionais como ansiedade e principalmente o desgaste causado por alimentos insuficientemente mastigados. A liquidificação dos alimentos pode superar esse problema.
Na segunda seção do intestino delgado, o jejuno, é onde o alimento finalmente começa a ser absorvido. Nesse momento, o organismo libera líquido para facilitar o processo.
Assim como o mucus que forra o estômago, o intestino delgado também contém milhares de glândulas microscópicas que secretam sucos digestivos.
A estrutura multi pregueada das paredes do intestino delgado é coberta por milhares de pequenos "dedos" chamados vilosidades. Cada uma das vilosidades contém uma rica rede de capilares para absorver os açúcares e aminoácidos que são os produtos da digestão dos carboidratos e das proteínas.
Como o intestino é pregueado, possui uma enorme superfície que permite uma rápida absorção dos alimentos pelo sangue e pelo sistema linfático.
Cada vilosidade contém um vaso linfático chamado glândula láctea que absorve os lipídeos e materiais gordurosos do bolo alimentar, A vilosidade por sua vez é coberta por células chamadas microvilosidades que aumentam ainda mais a área de absorção dos nutrientes.
Os sucos pancreáticos (produzidos pelo pâncreas) e a bílis (produzida pela fígado) e estocada na vesícula biliar), vão se armazenar no terço médio do duodeno através dos dutos. Outro problema relativamente moderno que ocorre aí é a icterícia que é o resultado do bloqueio de um ou mais desses dutos. Isto é frequentemente devido à inabilidade de digerir adequadamente os alimentos, de modo que a liquidificação pode ajudar a evitar esse problema, pelo suprimento de alimentos já parcialmente digeridos.

5. O FÍGADO, A VESÍCULA BILEAR E O PÂNCREAS
A maioria das pessoas não entendem bem a importância desses três órgãos no processo digestivo.
O fígado produz a bílis, que é estocada na vesícula. Pelo fato de que as gorduras se decompõem em grandes glóbulos, estes devem ser quebrados em pequenas partículas capazes de serem absorvidas. Esta é a função da bílis. As gorduras do bolo alimentar desencadeiam secreções do hormônio cholecystokinin, o qual, por sua vez, estimula a contração da vesícula para começar o fluxo de bílis.  Este hormônio  também estimula a liberação de enzimas pelo pâncreas.
Além da produção de bílis, as células do fígado têm outras importantes funções.
Elas desempenham o papel mais importante no metabolismo de todas as espécies de alimentos, ajudam a manter normal a concentração de glicose no sangue, iniciam os primeiros passos do metabolismo das proteínas e das gorduras e sintetizam várias espécies de componentes proteicos. As células do fígado também ajudam a desintoxicar várias substâncias, como produtos com bactérias e certas drogas. Elas também estocam ferro, vitaminas A, B-12 e D.
O suco pancreático é também muito importante na digestão. Ele contém enzimas que digerem todos as três principais espécies de alimentos – a proteína, a gordura e o amido. Ele também contém sódio, bicarbonato e substância alcalina que neutralizam o suco gástrico. Além disso, o pâncreas é a sede das ilhotas de Langerhans, que são as células que fabricam a insulina.
Muito pouca digestão de carboidratos ocorre na boca ou no estômago, pois, como foi mencionado antes, a maioria de nós absorve os alimentos tão rapidamente que a amilase salivar normalmente tem pouco tempo para fazer seu trabalho e o suco gástrico não possui enzimas necessárias para a digestão dos carboidratos. É quando o alimento chega no intestino delgado que os sucos pancreáticos e intestinais vão digerir esse amido em açúcares.
O processo começa quando a enzima, amilase pancreática, transforma o amido em um açúcar: a maltose. Então, as três enzimas intestinais – maltase, sucrase e lactase – diferem os açúcares, pela transformação dos mesmos em açúcares simples, principalmente glicose (ou dextrose). A maltase digere a maltose (açúcar do malte), a sucarase digere a sacarose (açúcar da cana) e a lactase digere a lactose (açúcar do leite).
A digestão da gordura também não acontece antes do intestino delgado, e ainda sendo o pâncreas envolvido no processo. A lipase gástrica, uma enzima do suco gástrico, faz a digestão de parte da gordura no estômago, mas a maior parte segue não digerida até que a bilis no intestino delgado quebra os grandes glóbulos das gorduras. Então uma enzima pancreática, estepsina ou lipase pancreática decompõe as moléculas em ácidos gordurosos e glicerol (glicerina).

6. O INTESTINO GROSSO
No intestino grosso, qualquer material que tenha escapado da digestão, no intestino delgado será afetado pelas bactérias assim como nutrientes adicionais poderão ser liberados aqui da celulose e outras fibras. As  bactérias  nesta fase são responsáveis pela síntese da vitamina K -  necessária para o tempo normal de coagulação e funções do fígado – e para a produção de algumas das vitaminas do complexo B que, uma vez formadas, são absorvidas pela corrente sanguínea. Qualquer coisa que não seja absorvida aqui é excretada como lixo e novamente, a liquidificação é útil para este fim, desde que favorece a nutrição que é mais facilmente e completamente absorvida.
Quando o bolo chega ao intestino grosso, ocorre uma grande reabsorção de água pelo organismo. Isso faz com que, a partir daí, ele vá tomando consistência pastosa.
Ao entrar em contato com o colo (ou cólon, seção intestinal entre o íleo e o reto), encontra as bactérias responsáveis pelo mau cheiro do produto final.
As fezes são formadas principalmente por celulose (fibra vegetal não digerível), além de células mortas do tubo digestivo, que se regenera constantemente, e outras moléculas grandes demais para serem absorvidas.
Da boca ao ânus, o bolo completa um caminho de cerca de 7,5 metros em um adulto.

7. O METABOLISMO
Metabolismo é o uso que o corpo faz do que foi ingerido, absorvido e canalizado para as células.
Os alimentos são usados de um dos dois modos – ou como uma fonte de energia ou fabricando compostos químicos complexos que habilitam o corpo ao seu diversificado funcionamento. Os alimentos devem ser processados e absorvidos pelas células, e submeter-se a muitas mudanças antes que uma ou outra dessas coisas possam acontecer.
As reações químicas que liberam energia das moléculas alimentares constituem o processo de catabolismo; esta é a única maneira que o corpo tem para suprir-se da energia que necessita para realizar suas múltiplas funções.
O processo de transformar as moléculas de alimentos num complexo químico de componentes é chamado anabolismo.
Juntos, o catabolismo e o anabolismo constituem o processo chamado metabolismo. A taxa metabólica basal (Basal Metabólico Rate – BMR) é o número de calorias que deve ser disponibilizada a cada dia, simplesmente para manter um indivíduo vivo e funcionando. Nutrição adicional é necessária para habilitá-lo (ele ou ela) a ter energia para trabalhar e outras atividade. Quanto mais ativo é uma pessoa, mais alimento ele ou ela devem metabolizar
Este é por sí só o melhor argumento para a liquidificação dos alimentos. A liquidificação habilita o corpo a utilizar sua energia ao máximo, por tomar todos os nutrientes facilmente absorvíveis e digeríveis, com o mínimo de esforço da parte do sistema.
Uma vez que nós eliminamos  de nossa dieta os alimentos que nos afetam de maneira adversa, e nos acostumemos aos alimentos de alto valor nutricional, teremos pela frente um longo caminho que nos livrará de muitos problemas de saúde que nos têm perturbado e que nós temos aceitado como  "parte da vida".
Quando o corpo recuperar sua saúde, ele produzirá novamente suas próprias enzimas e estará livre de problemas digestivos e poderá ingerir gradualmente uma larga gama de alimentos. Até que isto aconteça poderá haver poucas questões que a liquidificação proposta em meu regime não seja a resposta para aqueles difíceis problemas de assimilação e digestivos e que certamente não mais ocorrerão.

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