ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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terça-feira, 4 de junho de 2024

CARTA A UM GOVERNADOR DE DISTRITO

 CARTA A UM GOVERNADOR DE DISTRITO  

Alberto Bittencourt - 2006

 

Fico sempre triste quando tenho notícia do afastamento de algum rotariano, mesmo para mim desconhecido.

Ao receber sua carta na qual você comunica seu desligamento do Rotary, não pude conter a emoção. Lágrimas vieram-me aos olhos.

Trata-se da saída de um amigo, de um companheiro que aprendi a admirar e estimar, desde o nosso treinamento no Instituto Rotário de Aracaju, em setembro de 2003. A partir daí nós, 38 governadores brasileiros, juntamente com os dois governadores portugueses, Conde e Diamantino, passamos a formar um grupo coeso, unido, perfeitamente integrado.

Da Assembléia Internacional de Anaheim, marcada pela pluralidade de costumes e tradições dos povos ali representados, os 529 Governadores do Centenário saíram perfeitamente sintonizados com os objetivos do presidente do Rotary International, Glenn Estess, e motivados para Celebrar Rotary no ano de seu centenário. O sucesso de tantos e tão importantes eventos acontecidos no período rotário 2004-2005, as homenagens recebidas de todos os setores da sociedade, são o resultado da dedicação e trabalho de rotarianos no mundo inteiro, liderados pelos Governadores do Centenário.

O conhecimento que eu e Helena travamos com vocês ficou gravado em nossos corações pela identidade de pontos de vista, pela afinidade na vontade de inovar, de construir um Rotary mais participativo, mais dinâmico, inclusive com a quebra de paradigmas, se necessário.

Um rotariano, seja ele dos mais simples, do mais longínquo dos clubes, encerra dentro de si um universo. É ele que faz o Rotary e por isso, ele é o elo mais importante de nossa Instituição.

O Rotary só é o que é porque tem morada permanente no altar do pensamento, sentimento e vontade de cada um dos rotarianos do mundo.

Perder um rotariano é perder uma parte do todo, é ficar bem mais pobre. Imagine RI perder você - um Governador do Centenário - que tanto fez para elevar nossa roda dentada aos mais altos pódios!

Nós, Governadores do Centenário, não pertencemos mais nem a Clubes nem a Distritos. Somos patrimônio de um movimento que trabalha pela Paz entre homens e nações do mundo inteiro e por isto, essencial ao futuro da Humanidade.

Nós somos do Brasil e do mundo.

Temos que ter sempre em mente, que fomos treinados para, não apenas representar o presidente do Rotary Internacional em nossos Distritos, transmitir suas mensagens, suas metas e ênfases, mas, sobretudo, para conduzir com alegria e felicidade toda a Família Rotária na direção da solidariedade, do amor e da ajuda aos mais carentes.

Fomos preparados para administrar Rotary através dos clubes, na busca de um mundo melhor, mais justo, mais humano.

Nossa preparação começou muito antes de nossa posse. Consumiu enorme soma de investimentos em recursos humanos e materiais. Pense na grande mobilização de pessoal, a maioria rotarianos, empenhados em horas e horas de trabalho de variadas equipes. Pense nos recursos financeiros aplicados. Pense que tudo isso foi feito tendo nós, os Governadores do Centenário como centro.

Sei do muito que investimos para chegar lá. Sei também que pagamos tudo isso com o sacrifício de nossas famílias, de nossos negócios, de nosso lazer, inclusive com prejuízo financeiro, mas tudo fizemos com alegria no coração, na certeza de estar colaborando para a construção de um mundo melhor.

Reflita agora, caro companheiro. Faça um balanço das pessoas que cativamos ao longo de nossa jornada de Governadores do Centenário, das incontáveis amizades que conquistamos. Rememore as inúmeras portas que carinhosamente se abriram para nos acolher. Visualize as sementes que deixamos plantadas em cada coração que certamente ainda germinam, crescem e frutificam, em amor, compaixão e amizade. Segundo Saint Exupéry, somos responsáveis pelas pessoas que cativamos. Elas precisam, elas dependem da gente.

Fomos escolhidos Governadores do Centenário por conta de nossas qualidades de liderança. Todo líder que se projeta, por estar em evidência em dado momento, sob as luzes dos holofotes naquele ano, desperta um quê de ciúme. Faz parte da natureza humana.

É importante que o líder tenha a consciência de que jamais obterá a unanimidade. Sempre haverá alguém para contestar, para dizer que de outro modo seria melhor. É a diversidade de pensamentos que engrandece todo grupo e principalmente em Rotary, onde todos são líderes.  

Mesmo que surjam formas mais agressivas de expressão um dos primeiros ensinamentos que recebi foi de que todo líder deve “ter jogo de cintura e aprender a engolir sapos”.

Para isso, cada um deve construir em torno de si, um círculo de proteção, como uma bolha blindada a nos envolver, na qual as agressões, as malevolências, as calúnias, batem, ricocheteiam ou resvalam sem nos atingir como pessoa e muito menos à nossa obra.

Não devemos responder, nem revidar.

"Nunca se justifique. Os amigos não precisam, os inimigos não acreditam" (li por aí).

Basta seguirmos o nosso caminho, com a consciência tranqüila e a convicção do dever cumprido.

Se alterarmos nosso comportamento em função das ações adversas dos outros, estaremos contribuindo para a divisão e desentendimento dentro do Distrito, estaremos construindo muros de separação. Ao contrário, nossa missão de governadores e de líderes é construir pontes de amizade.

Procure entender, coloque-se do outro lado, no lugar de quem nos agride. Você verá as razões do outro. Verá que o outro lado está certo, do ponto de vista dele. É o que nos ensinou Ragendra Saboo com o lema: Olhe mais além de si mesmo.

Assim, devemos continuar nossos caminhos, com a convicção de que somos o que somos, sem submissão, sem arrogância, mas com firmeza de propósitos, tratando a todos da mesma maneira, sem permitir que a divisão se instale, com desejo de contribuir, de somar, de agregar, pensando sempre positivamente.

Por isso eu lhe peço, caro amigo, reconsidere, por favor, a sua decisão. Não desista nunca, jamais. O Rotary precisa de você.

Existe uma palavra em psicologia, cujo significado vai além da física, constante dos dicionários: RESILIÊNCIA ― recuperar-se de traumatismos, superar golpes, “dar a volta por cima”.

É a mais importante qualidade intrínseca dos grandes homens. Os exemplos não faltam na história e na vida.

Esperamos você, RESILIENTE, de volta ao nosso meio.

Você faz falta, muita ... muita falta!

 

Do seu amigo e companheiro,

Alberto Bittencourt

Rotary Club do Recife – Boa Viagem

Governador do Centenário, D-4500

Classificação: engenharia civil

CARTA A UM COMPANHEIRO

 

CARTA A UM COMPANHEIRO

Alberto Bittencourt - abril 2005

 

Caro companheiro               

 

Tomei conhecimento, com pesar, de seu desligamento do clube. Para nós, militantes rotários, a perda de um companheiro é sempre momento penoso, mormente nestes tempos em que o sofrimento da humanidade aumenta, quando o trabalho dos rotarianos é cada vez mais requisitado.

Desconheço se suas motivações foram de natureza rotária, particular ou profissional. A comunicação pública, seca e direta, abre caminho à especulações. Nas entrelinhas notei um certo amargor que deixou dúvidas quanto aos relacionamentos no seu clube.

Foi falta de companheirismo? A prestação de serviços, sem a contrapartida do companheirismo, é sempre precária. Talvez tenha faltado liderança da parte dos dirigentes. Pode não ter havido instrução rotária suficiente.

Os companheiros de seu clube talvez tenham perdido a oportunidade de fazer de cada reunião plenária um momento agradável, onde a Família Rotária comparece pelo simples prazer de estar junto e não para cumprir uma obrigação rotineira.

Infelizmente, ao deixar o Rotary Club, o companheiro perdeu uma rara oportunidade - a chance do convívio fraterno, amigável, caloroso, que aproxima pessoas de categorias profissionais distintas, que, de outra maneira, jamais se tornariam sequer conhecidas.

Quem já viu um engenheiro bater no ombro de um juiz, chamá-lo pelo prenome ou apelido, no lugar do tratamento formal dado nos tribunais, de Vossa Excelência, Excelentíssimo? Quem já viu um jovem de 20 e poucos anos tratar por você a um circunspeto senhor, com anos de experiência, no final de carreira, ou aposentado? Pois em Rotary tudo isso acontece, sem que se perca o respeito e a consideração.

Alguns clubes não escolhem com o devido cuidado seus integrantes. O fazem mais para preencher números do que para buscar pessoas de qualidade, com vontade de trabalhar, líderes em suas comunidades. Todo clube é o reflexo de seus sócios. Clubes de qualidade correspondem a homens de qualidade, devotados ao ideal de servir.

É preciso municiar sempre o novo sócio de literatura, artigos, folhetos, informações que esclareçam o verdadeiro papel dos rotarianos no mundo. As obrigações financeiras devem ser sempre bem esclarecidas e conscientizadas. Da mesma forma quanto ao papel da Fundação Rotária, braço financeiro do Rotary International, que tem aquinhoado os distritos do Brasil com mais do dobro de suas contribuições anuais, voluntárias.

É preciso que se tenha consciência que a condição de ser rotariano não é para um cidadão qualquer, eu diria que é mesmo para uma elite, no bom sentido. Uma elite voltada para o serviço voluntário, capaz de disponibilizar parte de seus momentos de lazer em favor do próximo, uma elite que “dá de si, antes de pensar em si”.

Que podemos fazer sozinhos? Pouco ou quase nada. Como podemos legar aos nossos filhos e netos, um mundo melhor que o atual? Dom Helder, o nosso grande arauto da Paz, respondeu, num programa de tv a que assisti: “Não fique só”, disse apenas. Juntos, unidos, podemos sonhar o sonho impossível, realizar milagres, mudar o futuro de muita gente.

Esse é o papel dos rotarianos, o de reunir pessoas de bem, dispostas a ajudar o próximo, para fazer a diferença, num mundo de violência, miséria, exploração, injustiça social.

A doação pura e simples do que nos sobra, dinheiro, roupas, objetos usados, certamente tem o seu valor para os despojados de tudo, mas não tem méritos. O mérito está na doação de si próprio, na doação de seu tempo, de sua energia, de sua atenção. Aí está a verdadeira vocação dos rotarianos e é isso que os faz serem diferentes.

Ao deixar o trabalho voluntário, ao deixar “de olhar além de si mesmo”, o companheiro está dizendo não à vida, não à esperança, não ao amor.

O Rotary só chegou aos cem anos, porque é importante para o mundo. Graças a Deus, a consciência do serviço voluntário tem aumentado substancialmente no Brasil.

Queira Deus que os jovens, os líderes, os profissionais de todas as estirpes, tenham a visão maior de que não podemos ficar só na esperança, nem apenas na fé.  “Fé sem obras é morta”, disse Madre Tereza de Calcutá.

É preciso agir, aqui e agora, sair na frente, tomar iniciativas, liberar o grito incontido de nossa indignação, bradar aos quatro ventos toda a nossa revolta, manifestar toda a nossa inquietude, arregaçar as mangas, trabalhar cônscios de que juntos, unidos, como um “Feixe de Varas”, tudo será mais fácil.

Que Deus proteja a você e a todos os companheiros de boa vontade de seu Rotary Club. Quem sabe, um dia, o teremos de volta, com o raiar de uma nova esperança?

Conte sempre com este seu amigo. Com um abraço fraterno,

 

Alberto Bittencourt

Governador do Centenario D-4500


CARTA CONVITE AO PROFESSOR HERMÓGENES

 

CARTA CONVITE AO PROFESSOR HERMÓGENES   

                                  

Recife, PE, !8 de março de 2005

 

 

                           Ao Ilmo sr. professor JOSÉ HERMÓGENES DE ANDRADE

                           Assunto: Palestra em Conferência Distrital do Rotary

                   

 Querido professor

 Tenho a satisfação e a honra de convidar meu ilustre mestre e amigo para proferir palestra com aproximadamente 1 hora de duração na Conferência Distrital do Rotary Internacional que se realizará no Recife, PE dias 26 a 28 de maio de 2005.

A conferência, querido professor, terá como tema “Conferência do Centenário pela Paz e Desarmento”.  É o coroamento do ano em que exerço o mandato de governador do Distrito 4500 do Rotary International, que se iniciou em 1º de julho de 2004 e findará a 30 de junho de 2005, já que, em Rotary, todos os mandatos têm a duração de apenas um ano. É o final de um ano de trabalho em favor dos mais carentes, motivo de festas, de júbilo, de inspiração e reflexão, para que, unidos, juntos, possa toda  a Família Rotária continuar na missão que escolheu, de amar e ajudar ao próximo, consoante o seu lema: "Dar de si antes de pensar em si"

O nosso Distrito 4500 congrega rotarianos que integram 92 Rotary Clubs dos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, no total de mais de 2500.

A Conferência será realizada no Centro de Convenções de Pernambuco e deverá ter um público de aproximadamente 1500 pessoas.

Os eventos como esse do Rotary são inteiramente gratuitos aos participantes, de forma que gostaria de saber o valor de seus honorários, responsabilizando-me pela sua passagem aérea e hospedagem no período que se fizer necessário.

Quanto ao tema da palestra, sugiro que seja relacionado com a PAZ, coerente com os objetivos maiores do Rotary de "Busca da Paz e da Compreensão Mundial".

O movimento rotário completou no dia 23 de fevereiro de 2005 o seu primeiro centenário.

Nesses 100 anos de existência, está presente em 166 países do mundo e conta com mais de 1.200.000 rotarianos, afora os membros partícipes da Família Rotária, o que eleva esse número para cerca de 3 milhões de pessoas, posto que o Rotary de hoje é um movimento familiar.

Dentre as suas principais obras realizadas ou em realização no mundo, como carro-chefe, encontra-se a campanha  Pólio-plus, que visa eliminar da face da terra o pólio vírus selvagem, aquele que transmite a poliomielite, além de combater outras doenças  por vacinação, quais sejam, sarampo, catapora, tuberculose, difteria e coqueluche. Vale dizer que foi o Rotary quem primeiro se lançou nessa campanha, quando, em 1985 decidiu eliminar da face da Terra esse terrível mal, que quando não mata, deixa sequelas irreversíveis.

Ao Rotary se emparceiraram posteriormente organismo como OMS, a UNICEF e o Comitê Norte-Americano de Prevenção e Controle de Doenças, além dos governos de países do mundo inteiro.

Em 1985 cerca de 350.000 crianças foram acometidas por esse mal da paralisia infantil. Na ocasião o Rotary fez a promessa ao mundo de que em 20 anos, por ocasião da celebração do seu centenário, em 2005, nenhuma criança mais seria vitimada pelo vírus da poliomielite.

Nesse período foram vacinados cerca de 2 bilhões de crianças no mundo inteiro e mais de 5 milhões deixaram de contrair esse terrível mal.

Estamos na véspera de cumprir o prometido. O Rotary despendeu na fabricação de vacinas e campanhas de imunização pelo mundo inteiro, mais de 600 milhões de dólares, atrás apenas do governo americano, que gastou 700 milhões.

Mas o que conta mesmo, são as milhões de horas de trabalho de voluntários liderados por rotarianos que lutam para levar a vacina aos recantos mais inóspitos da Terra.

Agora, os últimos bolsões onde ainda ocorrem casos da doença estão sendo atacados, em alguns países da África, como a Nigéria, Níger, Egito, Sudão e da Ásia, como  a Índia e o Paquistão. Acreditamos que a promessa será cumprida.

Mas não é apenas isso. O Rotary vem espalhando o bem nos quatro cantos do mundo, sem distinção de cor, raça, religião, credo político, posição ou classe social.

 Sua ajuda se estende a creches, orfanatos, escolas, centros educacionais de portadores de necessidades especiais, abrigos de idosos, hospitais, entidades que tiram menores das ruas, que se ocupam de jovens em situação de riscos, fornecendo cursos pré-escolares e profissionalizantes, além da complementação de ensino e reforço escolar em comunidades carentes.

 Através da Fundação Rotária, patrocina o mais amplo programa privado de bolsas educacionais do mundo, já tendo enviados, mas de 35 mil jovens bolsistas para estudarem em outro país.

Em nosso distrito 4500 (PE, PB, RN), mais de dois milhões de dólares foram aplicados em projetos humanitários, destacando-se a doação de um ônibus equipado com centro cirúrgico oftalmológico, para levar a luz da visão aos mais isolados recantos do nordeste.

 Tudo isso fruto do trabalho voluntário e da doação espontânea de rotarianos do mundo inteiro, que se irmanaram, na busca da Paz e da Compreensão Mundial. Onde houver conflitos, guerras, refugiados, crianças em situação de risco, fome, miséria, violência, exploração, cataclismas, desastres, catástrofes, como essa que se abateu sobre países da Ásia, rotarianos estão presentes levando alimentos, agasalhos, roupas, objetos e ajuda às vítimas.

 Através de colaboração com os governos o Rotary é um alavancador de políticas públicas de beneficiamento às comunidades carentes, na preservação do meio ambiente pela educação do povo, no combate `a corrupção, onde quer que se encontre, com o objetivo de redução da criminalidade e da violência urbana.

 Assim, agradeço ao querido mestre e amigo, se puder participar dessa Conferência do Centenário pela Paz e Desarmamento, pelo que, coloco-me ao seu inteiro dispor, para quaisquer informações que necessite.

                                                              Atenciosamente,

 

                               

ALBERTO DE FREITAS BRANDÃO BITTENCOURT    

Governador do Distrito 4500 do Rotary International

 (PE, PB, RN)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

CADÊ O MEU DISTRITO?

 CADÊ O MEU DISTRITO?

Alberto Bittencourt - fev 2024.






COMPANHEIROS.


Participei no dia 31 Jan 24 de uma importante reunião virtual pela plataforma ZOOM.

O tema  foi o lançamento de uma campanha patrocinada pelos coordenadores do DQA, companheiros José Claudinei Rocco e Vera Bertagnoli.

Denominada CAMPANHA BRASIL 60 MIL. Tem por meta alcançar o número de 60 mil rotarianos no Brasil até o dia 30 de junho de 2026.

Muito meritória, a reunião virtual contou com número expressivo de participantes: 378.

Nela ouvimos as palavras inspiradoras do presidente Gordon Mcnally e da presidente indicada Stephanie Urchick. Além dos coordenadores, ouvimos o futuro presidente 25-26, Mario César Camargo e o diretor Henrique Vasconcelos.

A meu ver, a reunião foi rica em motivos inspiradores, porém pobre em estratégias de ações para alcance de tão importante meta.

O grande desafio citado, consiste em colocarmos um membro a mais por clube por semestre.

Mas, cadê as ideias, os planos de ação, as sugestões criativas novas e antigas?

Cito um exemplo:

Um presidente reuniu o clube.  Após uma inspirada palestra sobre a necessidade de aumento do QA, distribuiu a cada companheiro um pedaço de papel. Pediu que cada um escrevesse os nomes de três companheiros que preenchessem os requisitos para serem rotarianos.

Quais seriam esses requisitos?  O Conselho de Legislação de 2016, estabeleceu apenas três:


            1• Bom caráter

            2• Reputação ilibada.

            3• Vontade de servir.


Reunidos os papéis com os nomes dos indicados, o clube, por inteiro saiu em campo na busca desses possíveis novos companheiros.


Note-se que não se fala mais em recrutamento, mas em atração. Também não se menciona mais a palavra retenção. Em seu lugar a palavra usada agora  é engajamento

Enquanto atração significa despertar interesse, motivar, cooptar, engajar significa servir, trabalhar, agir, mobilizar, comprometer.


O mesmo CON - 2016  definiu o que seria um novo Rotary, com as palavras de ordem: inovação, flexibilidade e criatividade

Inovação está ligada a mudança. Para inovar, é preciso mudar. O escritor César de Souza, autor do livro "Você é do Tamanho dos seus Sonhos" criou o neologismo inovança, ciente de que não existe inovação sem mudança.


São palavras de James Hunt, autor do best seller  O MONGE E O EXECUTIVO : 


INSANIDADE é querer obter resultados diferentes e continuar fazendo a mesma coisa, do mesmo jeito, sempre.


Nota-se que a linguagem empregada pelos palestrantes continua a mesma, incapaz de mobilizar, de criar ações, despertar emoções.


ONDE ESTAVAM OS COMPANHEIROS DO D. 4500? POUCOS PARTICIPARAM.

Senti-me solitário, isolado.

Algo preciza mudar.

Ideias brilhantes como a desta reunião podem se perder pela falta de interesse e motivação.


sexta-feira, 11 de agosto de 2023

O ROTARY, A COMPREENSÃO MUNDIAL E A PAZ

 O ROTARY, A COMPREENSÃO  MUNDIAL E A PAZ

Palestra no interclubes de Afogados da  INGAZEIRA em 2013
           Alberto Bittencourt 



O Caminho para a Guerra é uma estrada bem pavimentada, e o caminho para a paz é ainda um deserto. (Paul Harris)


Para os rotarianos do mundo todo o mês de fevereiro tem um significado especial, pois foi em 23 de fevereiro de 1905, que Paul Harris e seus companheiros reuniram-se pela primeira vez em Chicago, iniciando nossa maravilhosa história.


No início de tudo, a ideia dos quatro amigos era reunir-se periodicamente sob o espírito do companheirismo, com o intuito de desfrutar de sua amizade e de aumentar seu círculo de negócios e de relacionamento profissional. Mas logo começaram a notar que seria muito egoísmo prender-se apenas a esses objetivos, daí então é que surgiu o grande interesse em desempenhar amplas funções cívicas de valor para toda a comunidade local, o que acabou sendo o grande passo para a concretização do mais audacioso sonho de simples cidadãos: a prestação de serviços.


Ao longo desses últimos 109 anos o Rotary tem se dedicado quase que exaustivamente a divulgar e a praticar ações que dignificam a sua existência de entidade que busca a compreensão da humanidade. Gostaria de citar aqui apenas alguns exemplos:


Ocorrida num período próximo à eclosão da Primeira Guerra Mundial, a convenção de 1914 adotou uma resolução convocando para uma conferência internacional pela paz e pedindo aos rotarianos que apoiassem movimentos pela paz internacional;


Em 1917, no auge da Primeira Guerra, durante a convenção de Atlanta, Arch C. Klumph propôs o estabelecimento de um fundo de dotações “para fazer o bem no mundo”, o que seria a semente da Fundação Rotária;


Na Guerra do Chaco, disputada entre a Bolívia e o Paraguai entre 1932 e 1935, conflito em que morreram mais de 100 mil soldados e milhares foram feitos prisioneiros, rotarianos bolivianos, paraguaios e de outros países sul-americanos, fizeram um enorme esforço para minorar o sofrimento dos prisioneiros e de suas famílias ajudando a repatriar os feridos, estabelecendo postos para a troca de correspondência e distribuindo roupas, alimentos e remédios;


Na convenção internacional de 1940, realizada em Havana, os rotarianos adotaram uma resolução pedindo “liberdade, justiça, verdade, inviolabilidade da palavra dada e respeito pelos direitos humanos”, que se tornou a base para a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU;


Em 1942, rotarianos de Londres convocaram uma conferência para planejar um mundo pacífico assim que terminasse a guerra. Representantes de 21 nações compareceram ao encontro, que serviu para desenvolver uma visão avançada sobre educação, ciência e cultura, e que resultou na criação da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.


Mas este não foi o único envolvimento dos rotarianos com o nascimento de organizações mundiais. Entre 1943 e 1945, eles participaram de uma série de reuniões que conduziram à formação da ONU. O Rotary recebeu o status de conselheiro durante a conferência de São Francisco, que resultou no lançamento da carta de constituição da ONU.


Compreensão e Paz


Na segunda metade do século XX, o Rotary focou seu trabalho na disseminação da harmonia internacional. Para isso, o Rotary International e a Fundação Rotária estabeleceram uma série de programas que colocaram nossa organização na vanguarda dos movimentos de paz entre os povos. Programas como Serviços à Comunidade Mundial, Intercâmbio Internacional de Jovens, Bolsas Educacionais, Intercâmbio de Grupos de Estudos e Subsídios Equivalentes, que envolvem a participação de pessoas de diferentes culturas e nacionalidades certamente criam um vínculo de compreensão e paz entre essas pessoas.


O Rotary sempre sonhou em ter uma instituição educacional destinada à promoção da paz e resolução de conflitos e da compreensão entre homens e nações. Esse sonho foi concretizado há poucos anos com o lançamento dos Centros Rotary de Estudos Internacionais da Paz e Resolução de Conflitos. Todos os anos, 70 bolsistas são selecionados para estudar nas seis universidades parceiras do programa. Em dois anos de curso de mestrado, ao custo de US$50 mil por bolsa de estudo, os alunos são formados embaixadores da paz. Já concluíram o curso 600 bolsistas da paz.


Nossa organização hoje, com seus programas beneficiando milhões de pessoas espalhadas pelo planeta, é paladino incansável em busca da paz e da compreensão mundial. A paz, que nos parece objetivo inalcançável, pelos exemplos de insensatez e intolerância que presenciamos diariamente, um dia será realidade. Apesar da arrogância daqueles que detém o poder bélico e se julgam os donos da verdade; apesar da ganância dos senhores, do poder econômico, sempre interessados em aumentar suas riquezas, apesar da intolerância daqueles que colocam fatores religiosos ou culturais acima do bem comum, e da ignorância das massas, nós, rotarianos conscientes do nosso papel na história, temos a esperança de um dia ver concretizado o ideal de Paul Harris, que, no seu livro Esta Era Rotária, escrito em 1935, questionou: “Será utopia o ideal rotário da Paz universal?”


Entretanto, temos que ser conscientes: sem Compreensão não há paz. Sem entendimento, sem diálogo, não há paz, pois a paz está na cabeça das pessoas e é lá que cada um de nós tem que atuar!


Paul Harris, nosso fundador, disse: Para promover a compreensão mundial, precisamos consciencializar um grande número de pessoas – rotários e não-rotários– e esta tarefa não pode ser realizada individualmente.


É nossa responsabilidade difundir, conversar, compartilhar nosso sonho de paz, nas escolas, no trabalho, em nossa casa, com nossos filhos e família, com nossos amigos.


O Dia Mundial da Compreensão e da Paz, 23 de fevereiro, é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre o relacionamento das pessoas, das instituições e dos povos.


AS GUERRAS


Meus companheiros, não podemos falar permanentemente de Paz e Compreensão sem nos lembrarmos da guerra.


Uma rápida percepção sobre o sentido e a preciosidade da palavra “compreensão” nos leva a perceber, com bastante evidência, que a compreensão mundial foi e continua sendo seriamente ameaçada pela triste realidade das guerras.


O historiador Eric Hobsbawm afirmou que as guerras do século 20 mataram 187 milhões de pessoas. Só na IIGM morreram 60 milhões. Mas a violência armada permanece presente numa grande parte do mundo. A expectativa de um século de paz é remota.


FOCOS DE GUERRA


Movimentos separatistas, lutas pela derrubada de governos, tensões étnicas e religiosas, massas de refugiados, são alguns dos motivos dos conflitos mundiais. Some-se a isso os cataclismos que assolam o mundo: furacões, ciclones, terremotos, tsunamis, enchentes, gerando milhões de vítimas e desabrigados.


AS GUERRAS DOS RECURSOS


Entretanto, não somente as diferenças políticas, étnicas ou religiosas que alimentam as guerras civis, aqui podemos incluir a luta pelo controle de diamantes, café, petróleo, água e de outros recursos naturais de elevado valor.


Estima-se que apenas os Estados Unidos consumam um terço dos recursos naturais do planeta, como petróleo, água, madeira, sem falar na China.


O PROBLEMA DAS ARMAS


Cada vez mais fáceis de manejar e de comprar, o comércio internacional de armas alimenta e prolonga os conflitos, semeia a violência e a morte, como também modifica a maneira de fazer a guerra e conquistar o poder. Basta citar que mais de 500 milhões de armar circulam pelo mundo, e que todos os anos causam 600 mil mortes.


Na Guerra da Síria, morreram nos últimos 3 anos, 130 mil pessoas. No Brasil, o número de mortes por armas de fogo é superior a 50 mil por ano. Uma verdadeira epidemia, uma catástrofe que se prolonga há vinte anos.


Os Estados Unidos, que são considerados um país armado, possuem 200 milhões de armas em poder da população. No Brasil esse número é estimado em um décimo desse montante, ou 20 milhões de armas. Pois mata-se mais no Brasil que nos Estados Unidos, que sofre com atentados, terrorismo, ataques armados a escolas, hospitais, quarteis.


Os homens do mal são ousados. 3 ou 4 trocam dois olhares e formam uma quadrilha para roubar, atirar e matar. Os homens do bem são tímidos. Ficam em conferências, em conjecturas, em reuniões, fazem estatísticas, planos nacionais de segurança, que resultam em nada.


O contrário da paz não é guerra, o contrário da paz é omissão, indiferença, impunidade.


São palavras de Martin Luther King: 

O que me assusta não é o grito dos homens do mal. O que me assusta é o silêncio dos bons.


E disse mais: 

Não podemos saciar nossa sede de justiça no cálice do ódio, do sangue e da violência.


PAZ MUNDIAL: POSSÍVEL?


A Paz Mundial parece ser um sonho acalentado por todos os povos da Terra. Mas sua realização parece tão distante quanto desejada, apesar do esforço contínuo de várias organizações mundiais.


O primeiro dos oito objetivos do milênio estabelecido em uma assembleia de cerca de 200 países na ONU, tem por meta, até 2015, erradicar a metade da pobreza extrema e a fome do mundo. Os avanços foram pontuais. Já estamos em 2014 e o que se vê é uma prolongada indiferença internacional diante das situações de inumana miséria que afetam grande parte da população mundial.


O único caminho para a paz é o da superação das injustiças e das divergências, no quadro de um diálogo supervisionado por instâncias políticas e jurídicas internacionais que deveriam ser mais respeitadas e fortalecidas, como a ONU e o Tribunal Internacional de Haia, para onde, suspeitos de crimes de guerra ou terrorismo devem ser conduzidos, julgados e punidos.


A sociedade vive em constante movimento, influenciada por todo tipo de turbulência. A humanidade está esquecida do carinho, desligada do amor como comportamento. As pessoas não se reconhecem, esquecem a fonte de paz que é a compreensão entre os indivíduos.


É nessa situação que o Rotary surge como uma luz no fim do túnel.


Nosso fundador afirmava: O Rotary é um microcosmo do mundo em paz, um modelo que as nações fariam bem em seguir.


Paul Harris plantou sementes do amor num momento de lucidez e paz quando fundou o Rotary, com o propósito humanitário. Essas sementes do amor é que farão nascer uma ternura espessa pelo mundo, pelos outros seres humanos e pelo poder de transformação que há nas pessoas como chave clara de dias mais serenos e harmoniosos.


Paz é sinônimo de bem-estar, tranquilidade, harmonia, segurança, autoestima, confiança, dignidade, certeza, esperança e amor – tudo isso na visão individual. Numa percepção coletiva, há nações ricas e pobres, desenvolvidas, em desenvolvimento e subdesenvolvidas. Há nações dominadoras e dominadas. Mas, em quase todas elas, sem importar a posição que ocupam no cenário local, existem pessoas que pensam em pessoas. Existe o Rotary.


Na realidade, o Rotary é como uma grande orquestra chamada esperança e generosidade. Os músicos são os rotarianos envolvidos, conscientes do seu valor. No altruísmo de cada um há o compromisso em função do outro. O rotariano é desprovido de vaidades, interesses escusos, promoções e reconhecimentos. Cada rotariano traz sua doação pessoal, com seu brilho, sua estrela, sua característica singular, sua grandeza de alma, sua liderança, sua ética, seu bom humor, sua sede de justiça, sua compreensão, seus bons exemplos e muito mais. Na realidade, cada um traz o ponto mais importante e primordial: a solidariedade. Utilizam o talento, a fé e o conhecimento adquirido ao longo da vida nas ações que executam.


Este mundo é um só. Estamos todos no mesmo barco: a humanidade e a Terra. Não podemos permitir que este barco afunde. Não haverá outra arca de Noé. A tarefa primordial é ajudar a “acordar pessoas para um novo ou renovado sentido do certo e do errado em relação a problemas sociais”.


O quadro que se pinta hoje no cenário mundial é atemorizante, complexo e os conflitos vão desde guerras reais até simples incompreensões nos lares. A família é a base da paz. Assim, é urgente que se faça alguma coisa frente à mídia que propaga novos costumes nem sempre saudáveis e exemplares.


A educação pela paz, a resolução de conflitos e todas as iniciativas de natureza pacífica devem considerar a conexão entre a paz individual e a coletiva.


Assim é o Rotary. O estreitamento das relações cordiais, ordeiras e humanitárias conduz os indivíduos que participam da engrenagem do Rotary à liberdade, à justiça e à verdade. Ou seja: ao respeito pelos direitos humanos.


Finalmente, conclui-se que ser rotariano é colocar-se no lugar do outro, viver seu dia-a-dia, suas incertezas, angústias e sofrimentos, pois o servir rotário é uma dedicação! É ação espontânea do homem! Nada forçado! E a compreensão mundial acontecerá no momento em que o homem tomar consciência plena do bem que deve promover, do amor que deve despertar, da lealdade que deve cultivar, do sacrifício que deve suportar, da verdade que deve expressar.


Termino com as palavras e a visão do futuro do Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King:


  • Eu tenho um sonho. Um dia os jovens aprenderão palavras que não compreenderão.
  • As crianças da Índia vão perguntar: O que é fome?
  • As crianças do Alabama questionarão: O que é segregação racial?
  • As crianças de Hiroshima se assombrarão: ‘O que é bomba atômica?
  • E as crianças na escola vão indagar: O que é guerra?
  • E tu lhes responderás, tu lhes dirás: São palavras que não se usam mais, como as diligências, as galeras ou a escravidão. São palavras que nada exprimem”. Essa é a razão porque foram banidas do dicionário.


Nós, rotarianos, também temos um sonho: um dia as crianças do mundo vão perguntar – o que é a paralisia infantil, o que é a poliomielite. E tu lhes responderá: Era uma terrível doença que dizimava e aleijava milhares de crianças. Hoje essas palavras não se usam mais, nada exprimem, porque a doença foi banida da face da Terra pelo Rotary e, por isso, essas palavras foram banidas do dicionário.


Que Deus abençoe cada um dos rotarianos aqui presentes que simbolizam toda a essência do nosso movimento. Que esta benção seja permanente para que possamos todos juntos continuar o nosso trabalho na busca do Bem, da Paz e da Compreensão entre homens e nações.


Muito obrigado.