ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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quinta-feira, 3 de junho de 2021

HIGIENE MENTAL


HIGIENE MENTAL

Alberto Bittencourt - Recife, agosto de 2012



Certa noite, em minha costumeira dificuldade de dormir, após ter dado mil voltas, para um lado e para o outro, tanto na cama como nos pensamentos, inquieto de corpo e alma, com a garganta ressequida, resolvo levantar para beber um gole d’água. Ao chegar à cozinha, lá estava ele, sentado à mesa, absorto na leitura de um livro. Sem mover a cabeça, levanta o olhar por cima dos óculos:

_ Que se passa com você, meu amigo?

_ Não consigo dormir. Não sei mais o que fazer.

O homem balança a cabeça para um lado e para o outro. Meu pensamento voa para o berço de minhas lembranças. Transporto-me de volta aos bancos escolares, Colégio Militar do Rio de Janeiro, 1954, primeira série ginasial, onze anos de idade. Estou diante do Professor Pastorino. Ele usa sempre uma bata branca, de óculos, nem gordo nem magro, andar e fala mansa. Era um dos poucos professores civis daquele educandário.


Carlos Juliano Torres Pastorino foi meu professor de latim, por três anos consecutivos, da primeira à terceira série. Foi um dos que mais marcou minha personalidade em formação. Desde logo tornou-se um substituto da imagem de meu pai, precocemente falecido.


Nasceu no Rio de Janeiro em 1910 e faleceu em Brasília, em 1980. Ordenou-se padre em Roma no ano de 1937, mas abandonou a batina diante da recusa do Papa Pio XII em receber o Mahatma Gandhi em seu traje habitual, raciocinando que o célebre pacifista indiano vestia-se como Jesus Cristo. Poliglota, lecionou latim, grego, espanhol e esperanto. Passou a estudar e praticar a religião espírita após receber de um colega professor do Colégio Pedro II, um exemplar de “O Livro dos Espíritos".


Foi um dos idealizadores e fundadores, em 1958, do Lar Fabiano de Cristo, entidade beneficente da CAPEMI – Caixa de Pecúlio dos Militares, que atende a mais de 8 mil crianças e suas famílias absolutamente carentes em diversos estados do Brasil.

No Recife, o Lar Fabiano de Cristo mantém, além da escola Rodolfo Aureliano, na Várzea, o Lar de Cáritas, situada no Jardim Piedade, municipio de Jaboatão dos Guararapes, creche que abriga mais de 300 crianças, à qual meu clube, o Rotary Club do Recife-Boa Viagem, assistiu com seis projetos de Subsídios Equivalentes da Fundação Rotária (*).

Naquela noite indormida, o Professor volta-se para mim e diz, quase num sussurro:

_ Meu amigo, você sabe para o que serve a noite?

_ Para dormir, respondi.

_ Sim, mas existem dois modos de dormir. Dormir, para se recuperar das fadigas do dia, para repor as energias gastas, e dormir para enriquecer o espírito. A maior parte das pessoas conhece apenas as noites vazias do bem merecido repouso. São raros aqueles que usam a noite como fonte de inspiração. Ah, meu caro, se você soubesse os tesouros que a noite encerra...

Meu espírito se encanta: _Como assim?

Ele fecha o livro e me olha firmemente:

_ Sabe qual é a parte do corpo mais suja ao fim do dia? Não são as mãos, não são os pés. Não, não! É dentro das nossas cabeças que nós estamos mais sujos. Sabe por quê? Porque nós passamos todos os dias em permanente julgamento de nós mesmos. A todo instante nos anulamos, nos apequenamos, nos violentamos. Vivemos sob constante pressão, em permanente estado de culpa. Isso é o que nos suja, pois sabe quem é o autor de tudo isso? Nossa própria mente.

_Como então, prossegue o Professor, podemos dormir com serenidade, tendo tanta sujeira na mente? Meu caro aluno, para passar uma noite calma e bem dormida, é preciso antes fazer uma limpeza da mente, lavar a sujeira acumulada.

_Mas, Professor, como se faz essa limpeza?

_Ora, é simples. Assim como fazemos a higiene corporal, tomamos banho, limpamos e lavamos o corpo, devemos praticar a Higiene Mental, cuidar da mente, lavar a sujeira acumulada em nossos pensamentos.

_De que modo? Perguntei.

_Basta que, antes de dormir, você faça um balanço de seu dia, desde o instante em que acordou, pela manhã. Procure reviver os momentos mais agradáveis. Pense no que lhe fez mais feliz. Desse modo, você aliviará seu espírito da carga dos autojulgamentos e você, então, terá a alegria de saber o que você é e o que poderá ser realmente, em lugar de ficar se reprovando pelo que você não foi. Com o espírito mais leve, você dormirá a noite toda, como uma criança. Ah, a noite, se você soubesse como a vida interior é mais bela, mais fácil de ser vivida, justamente porque nela não há o medo nem a angustia da vida exterior. Para usufruir, basta praticar a Higiene Mental.

Era o professor Torres Pastorino, de volta das salas de aula.

No tempo de estudante, ele me indicou dois livros, considerados precursores da Higiene Mental. Ainda hoje os tenho, como preciosidades em minha biblioteca:

1. “Um Espírito que se Encontrou a si Mesmo” de Clifford W. Bars (1876-1943), escrito em 1908, ainda adotado em cursos de psicologia. Nele, o autor conta, em autobiografia, os sintomas que sentia até chegar à loucura, que o levou a ser internado por três anos em hospício, numa época em que os tratamentos eram irracionais e desumanos. Num surto, o autor atirou-se pela janela do terceiro andar. Machucou-se bastante, mas a recuperação física foi acompanhada pela recuperação mental. Curado, relatou no livro a experiência, dando origem à ciência da Higiene Mental. Clifford foi o fundador e presidente da Sociedade Americana de Higiene Mental.

2. “Roteiro da Saúde Mental” do prof. Emilio Mira y Lopes (1896-1964) editora José Olympio, escrito em 1956. Psicólogo e psiquiatra, escritor e conferencista, o autor lecionou em várias universidades pelo mundo e terminou no Brasil, onde faleceu.

Dono de voz clara, pausada e límpida, o Professor Pastorino, além de escritor e professor, era também radialista, jornalista, teatrólogo, escritor, historiador, filólogo, filósofo, poeta e compositor. Ele adotava o nome artístico de Carlos Juliano em seu programa na rádio Copacabana, no Rio de Janeiro, intitulado “Higiene Mental”, que eu ouvia diariamente.

Assim conduzia os pensamentos dos ouvintes:

_Pense num lugar tranquilo, à beira de um lago de águas claras e transparentes... ou,
_Pense numa época em que realmente você era feliz...  ou ainda:
_Mentalize uma onda de luz e amor, que vai crescendo e lhe envolvendo, transborda para seus parentes, amigos, e até para os dirigentes das nações, trazendo a paz e a harmonia...




Ainda hoje, nas reuniões semanais do Rotary Club do Recife-Boa Viagem, eu encontro com o professor Torres Pastorino. Por ocasião da Oração Rotária, é feita a leitura de uma mensagem, tirada ao acaso, de seu pequeno livro “Minutos de Sabedoria”. São mensagens de fé, esperança e amor, que nos enlevam o espírito, servem para nossa reflexão e crescimento que, durante anos foram apresentadas, nas diversas horas do dia, através do microfone da Rádio Copacabana. O livrinho pode ser encontrado junto aos caixas da maioria das livrarias do país, editado pela editora Vozes em 1960. Já vendeu mais de dez milhões de exemplares e continua vendendo.

Agradecido ao Professor, voltei para a cama e dormi feliz, até o dia amanhecer.



(*) Veja no link UMA HISTÓRIA DE AMOR, abaixo, o trabalho do Rotary Club do Recife_Boa Viagem com o Lar de Cáritas:


















segunda-feira, 1 de março de 2021

GESTÃO DE SONHOS


GESTÃO DE SONHOS
Alberto Bittencourt - 05 jul 2018


Barco a remo Paraty, no qual Amyr Klink 
atravessou o oceanoAtlântico em 100 dias, em setembro de 1984.


A cada ano, tem início no mês de julho um novo ciclo de esperança. Trocam-se os administradores dessa poderosa fábrica de sonhos que é o Rotary.
A cada gestão que toma posse novos sonhos são gerados, em substituição aos sonhos concretizados. Outros sonhos não terminados ressurgem, revigorados, energizados, dando continuidade aos planos e programas, numa estratégia única no mundo, que assegura uma produção ininterrupta de sonhos e realizações como só no Rotary soe acontecer.
Passado o bastão, uma legião de novos gestores de sonhos começa o mandato. A fábrica não pode parar. Esta é uma fábrica especial. Ela não tem dono, ela não pertence a ninguém, ela é de todos.
As máquinas produtoras de sonhos continuam aquecidas, operadas pelas mãos, coração e razão de competentes e comprometidos operários espalhados pelo mundo.
A fonte de energia que alimenta os poderosos geradores de sonhos está no altar do pensamento, sentimento e vontade dos rotarianos. No mesmo altar onde oculto mora o deus interior de cada um.
Os produtos fabricados são sonhos que se sonha acordado. São sonhos de um mundo melhor, de um mundo sem violências, sem guerras, sem injustiças, sem fronteiras, em que todos sejam verdadeiramente irmãos. Um mundo em que as crianças cresçam sadias e perfeitas, com amor e dignidade.
Mas é preciso disciplina na gestão dos sonhos. É mister seguir certos parâmetros para garantir a eficiência e a qualidade das realizações:

1) PLANEJAMENTO E PREPARAÇÃO.
Amyr Klink - o navegador solitário
Ninguém melhor do que Amyr Klink, o navegador solitário, para nos ensinar o valor do planejamento na gestão dos sonhos. Um dia ele teve um sonho. Sonhou ser o primeiro homem a atravessar o oceano Atlântico num pequeno barco a remo. “Impossível”, disseram alguns. “Você vai morrer”, exclamaram outros. “Ninguém consegue atravessar o Atlântico usando a força dos braços”, clamaram todos. Amyr Klink respondia que não iria atravessar o Atlântico com a força de braços e sim com a força da inteligência. Do sonho, passando pelo projeto, até a etapa operacional, ele pensou em tudo, estudou, planejou e executou nos mínimos detalhes. Aproveitou a força das correntes marinhas, a força das marés e dos ventos para chegar vitorioso ao seu destino. Longe de ser um aventureiro, preparou-se até mesmo para os imprevistos que poderiam acontecer.

Exemplo oposto é o caso daquele padre no sul do país. Ele também teve um sonho. Queria entrar para o livro Guiness de Recordes como autor do maior vôo jamais realizado, içado apenas por balões de gás. Na tentativa de chamar atenção da mídia e arranjar recursos para suas obras paroquiais, lançou-se no espaço. Questionado que o céu estava encoberto, respondeu: “Isso não é problema, voarei acima das nuvens”. A aventura mal planejada e mal preparada terminou em tragédia. Quando os ventos o arrastaram na direção do mar, tentou comunicação pelo celular. Chegou a pedir instruções sobre como usar o GPS. Só podia dar no que deu. Tempos depois seu corpo bateu numa praia deserta.

2) PERSISTÊNCIA E INOVAÇÃO
Quando todos disseram a Amyr Klink que ondas de até 25 metros fariam seu pequeno barco capotar, ele não desistiu. Após tentar, sem sucesso, durante meses, projetar um barco que não capotasse, usou da criatividade, inovou e projetou um barco que capotasse.

3) DECISÃO E ATITUDE.
“Existe um tempo para planejar e um tempo para partir”, disse Amyr Klink. Há pessoas que planejam, planejam, planejam e nunca partem. Porém chega um momento em que se tem que começar. O tempo urge, a vida é efêmera. A perfeição chega depois, durante a operação. “O momento ideal é não esperar pelo momento ideal”, disse Livingstone

4) DINHEIRO E PATROCÍNIO
A gestão de sonhos implica em obter os recursos necessários à sua realização. Todo gestor de sonhos deve buscar o apoio de possíveis patrocinadores. O rotariano não deve ter vergonha de pedir. Ele tem credibilidade, pois todos sabem que o dinheiro é para uma causa justa. Pode pedir mil e conseguir cem, mas já é uma vitória.
O gestor de sonhos nunca deve se apresentar como um pedinte, mas sempre como um vitorioso.
Nada de caridade, por favor. Ensine a pescar, em vez de dar o peixe.

5) DELEGAR OU MORRER
Sozinho ninguém consegue levar um sonho adiante Desde o projeto até a operação, tudo é um trabalho de equipe. Embora viajasse sozinho, Amyr Klink, sempre contou com eficiente equipe de apoio, mesmo à distância. É importante delegar as tarefas, do contrario, o sonho pode morrer.
Para delegar, é preciso instruir; fornecer os meios, os recursos materiais e humanos; acompanhar; corrigir rumos; avaliar e por fim recompensar as equipes.

6) CORRER RISCOS
Todo sonho envolve riscos. Riscos bem calculados são mais fáceis de superar. É celebre a frase de Theodore Roosevelt:
É preferível arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito, que não gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem na penumbra obscura dos que não conhecem nem vitória nem derrota.

7) PENSAR GRANDE
Amyr Klink, nos ensina: “Não custa nada pensar grande. Pensar grande significa pensar além de seu próprio tempo, pensar no tempo dos outros, dos que virão depois de nós.”
Olhe para a frente. Há uma longa estrada a caminhar para chegar no horizonte. Visualize sempre o sucesso. Não há o que temer. Tenha confiança, fé e acredite no poder dos sonhos, pois segundo Fernando Pessoa:

Deus quer, o homem sonha e a obra nasce.
E lembre-se: “O Futuro do Rotary está em suas mãos!”

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

REFLEXÕES SOBRE O R

 

REFLEXÕES SOBRE O ROTARY NO BRASIL


                                                                     Alberto e Helena



Alberto Bittencourt -
29 abr 2015
Fragmentos de meu diário.

 

1.     Por que os profissionais jovens não têm interesse no Rotary?

Eles não querem fazer parte de um clube que não faz nada, sequer possui   um plano anual de gestão para debater e seguir.

A maioria não sabe o que significa, nem  quais os objetivos do PLC - Plano de Liderança de Clube.

As Comissões Executivas dos clubes  não se reúnem e tampouco funcionam. 

Os presidentes dos clubes, na maioria, desconhecem inteiramente a sua missão. Em geral, os PETS - Seminários de Treinamento de Presidentes Eleitos -  são feitos apenas para cumprir o cronograma do Rotary.

Muitas vezes o presidente foi eleito apenas para tapar um buraco e o clube empurrar com a barriga, mais um período de gestão rotária.

Protocolo, Tesoureiro e Secretário em geral são apenas figuras decorativas. 

O governador deve exigir dos presidentes o seu Plano de Gestão. Este deve ser feito em reunião conjunta do presidente com sua diretoria.  Não confundir exigir com pedir. Se pedir, ninguém faz.

Quem quiser ser rotariano, tem obrigação de cumprir e seguir  as normas e regulamentos do Rotary International. O Rotary, antes de ser um clube de amigos, é um clube de serviços. 

O jovem não está desmotivado para ingressar no Rotary. O que não o atrai é a pouca ou nenhuma capacidade de inovar de nossa organização. Inovar no sentido de provocar transformações sustentáveis na vida e no futuro de pessoas e comunidades.

O que podemos oferecer ao jovem, em troca de seu dinheiro e tempo?  

Que podemos oferecer em  troca de mensalidades que, hoje, em 2015, já podem chegar aos R$200,00 além de uma reunião insossa, sem objetivos, sem realizações? 

Alguns rotarianos reagem até com brutalidade quando são abordados para contribuir com algum valor para a Fundação Rotária, como aconteceu agora no meu clube, quando da oferta de bilhetes de rifa, lançados pelo governados do Distrito. 

Os jovens não vêm sentido na hierarquia do Rotary, quando não existe um propósito explícito e concreto para atender a alguma demanda da sociedade.

 

2.     Como mobilizar os companheiros para praticar ações do Rotary na comunidade?

Desenvolver compromissos para a melhoria da comunidade. 

Promover Rotary Days > mutirões de ações em benefício da comunidade, por exemplo, deixar a escola mais limpa e bonita.

Mostrar para a comunidade que praticamos o trabalho voluntário.

Promover o desenvolvimento sustentável > preservando a natureza e o meio ambiente, o que é diferente de realizar projetos sustentáveis.

Participar de diretorias de associações de classe. Eu, por exemplo, participei da ADEMI - Associação das Empresas do Mercado Imobiliário, do SINDUSCON -  Sindicato da Indústria da Construção, do SECOVI - Sindicato dos Corretores e Condominios.

O Rotary tem o compromisso com a melhoria da qualidade de vida das comunidades. Quanto mais comprometido e organizado for o grupo,  maior a dedicação dos seus membros.  

O Rotary tem quase cem anos  no Brasil (O RC Rio de Janeiro foi fundado em 1923). Os últimos 25 anos foram os mais difíceis para o desenvolvimento do Rotary no Brasil. Aqui, a partir da década de 90, ocorreu um grande crescimento e amadurecimento das ONGs.

Em virtude principalmente do processo de redemocratização brasileiro, as ONGs europeias, ligadas ou não a igrejas católicas ou evangélicas, passaram a investir alto na formação de lideranças nos movimentos sociais. 

Universidades como USP e FGV passaram a oferecer cursos de formação em gestão de ONGs. O governo federal passou a comprar servicos oferecidos pelas ONG, que nas décadas anteriores se fortaleceram recebendo subsídios de organizações internacionais.

 

3.     Características do desenvolvimento comunitário no Brasil:

Aumento do número de ONGs

Despertar para os direitos humanos e  constitucionais, com a institucionalização  de organismos jurídicos tipo::

     ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente
CDC - Código de Defesa do Consumidor
Estatuto do Idosos
Lei Maria da Penha. 

O Estado Brasileiro se fez mais presente na vida dos pobres e, em consequência, eles não mais dependem só da ajuda dos clubes de serviços.

O desenvolvimento econômico do Brasil provocou o envelhecimento dos clubes do Rotary que passaram a ter dificuldades em atrair pessoas mais  jovens.

Os clubes deixaram de investir na valorização e na ética  profissional. Deixaram de chamar a atenção para as responsabilidades técnicas dos profissionais.

Os profissionais deixaram de ter no Rotary o status que antes lhes garantia algum benefício social. No Brasil, há 30 ou 50 anos, ser rotariano era sinal de status, pois o Rotary era poderoso financeiramente.

Hoje, há muitas organizações locais do Terceiro Setor, que agregam muito mais recursos que um Rotary Clube.

Por outro lado, Rotary Clubs não se prepararam para os desafios dessas mudanças.

 

4.     Que quadros se apresentam hoje, nas grandes cidades?

Rios contaminados, poluídos, secando, pelo desmatamento das áreas nascentes. 

Doenças já erradicadas, como a febre amarela, o sarampo, a dengue e a hanseníase, estão voltando mais fortes. 

Novas doenças como a zica, chicungunha, se propagam, fruto do aquecimento global. 

Sem falar na pandemia da Covid-19, destruindo centenas de milhares de vidas.

As escolas públicas formam analfabetos funcionais, conforme resultados das provas do ENEM.

Monumentos públicos são destruídos e roubados pela sanha de vândalos, abandonados que são pelas autoridades constituídas.

As cidades acumulam lixo por toda parte.

Há falta de ética nas relações profissionais.
Há falta de civilidade nas relações sociais. 
Há falta de respeito humano no trato com as diferenças e minorias sociais. 

A violência entre a juventude nem-nem,  que nem estuda, nem trabalha, virou uma endemia nacional. Oitenta por cento dos assassinatos por armas de fogo no país vitimam jovens de menos de 24 anos de idade, pobres, de cor parda ou negra, do sexo masculino. 

As distâncias urbanas e deficiências no transporte público levam os jovens a terem que tomar dois ou três modais e a demorarem mais de duas horas nos  deslocamentos entre a casa e o trabalho. 

Há escassez não apenas de transporte, mas principalmente de saúde pública, moradia e segurança. 

Há disseminação de fraudes na gestão pública, em todos os setores, desde uma pequena prefeitura do interior, até nas grandes capitais. 

Falta um projeto institucional que desperte o ideal de servir, funcione como uma causa e uma bandeira  entre os voluntarios  do Rotary. 

Vejam o documentário SAL DA TERRA sobre a obra do fotógrafo da ONU, Sebastiao  Salgado. Um exemplo a ser seguido por todos.

 

5.     PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR:

1.      Por que nossos filhos, genros, noras, não aceitam participar do Rotary?

2.      Por que profissionais jovens não se interessam em participar do Rotary?

3.      Eu continuo rotariano, muito menos pelo que representa o grãozinho da doação  de mim mesmo, do que em função das ações de meu Rotary Club.


Parodiando o título da palestra de Cezar Romão: Seja protagonista de seu futuro, conclamo o rotariano de hoje:

              SEJA PROTAGONISTA DO FUTURO DE SEU ROTARY CLUB.

 


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

ESTIGMA DE ESTIMAÇÃO

ESTIGMA DE ESTIMAÇÃO 

Alberto Bittencour 21 ago 2014 - fl 55/20 

 O tempo vai passando muito rápido, cada vez mais rápido e a vida continua numa boa. Nem tudo são flores, entretanto. Seria ótimo se a vida continuasse Sempre numa boa, mas a gente tem que se virar. 

 Eu tenho um estigma em minha vida. É o meu conceito do final de curso da AMAN - Academia Militar das Agulhas Negras - . Aparentemente trouxe uma incoerência. O conceito geral EXCEPCIONAL, com uma restrição escrita em vermelho:

 ” A sua capacidade de organizar, planejar, é pequena”. 

 Não me aborreci com essa restrição, por reconhecer que realmente possuo essa deficiência. Nunca uma avaliação a meu respeito foi tão precisa e correta. Tenho dificuldades para planejar e organizar ações. Avaliado aos 21 anos de idade, hoje, aos 71, cinquenta anos depois, sinto que ainda patino na mesma dificuldade. Aos 71 anos, não consigo planejar nem organizar a minha própria vida. Aposentado, sem obrigatoriedade de horário, dono de meu próprio tempo, não consigo administra-lo. Isso de dizerem que aposentado tem tem tempo de sobra, para mim não funciona. Eu, aposentado, não tenho tempo para nada. Ando sempre a reboque, puxado ou empurrado pelos fatos, acontecimentos, pessoas. Não consigo tomar iniciativas.

 O tempo passa, a vida passa, e tudo continua numa boa. Entrei no Rotary em 1987. Há 27 anos, portanto. Galguei altos postos, funções de responsabilidade. Tenho providências urgentes a tomar, preparar eventos que não podem esperar. Mas o tempo passa e cadê as providências? Há muito o que fazer, mas reuniões e mais reuniões às quais não posso deixar de comparecer, muito me atrapalham. Somente no dia de hoje, foram em número de três. Terá sido um dia perdido, ou um dia ganho? Não sei responder. 


sexta-feira, 26 de junho de 2020

MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA






MOSTRE QUE VOCÊ SE INTERESSA
Resoluções de Ano Novo 
Alberto Bittencourt - De meu diário, em dezembro de 2007

Dentre minhas resoluções para este novo ano, a mais importante, será mostrar realmente meu interesse pelos amigos e parentes, os que me são caros.

Às vezes, um simples telefonema pode fazer uma grande diferença. Não basta pensar neles apenas, nem simplesmente responder convencionalmente a um e-mail, é preciso mostrar que me interesso. O saudoso companheiro José Christóvam Guerra, do Rotary Club do Recife-Boa Viagem, dizia: a distância nunca separa amigos que se interessam. É uma grande verdade. É a única forma de manter os laços apertados, aquecidos com amizade, com calor humano, com sentimentos de afeto. É abrir o coração e mostrar nosso amor e respeito, para isso, é preciso tomar a iniciativa, partir em direção aos amigos, à família. Foram tantos os que nos telefonaram, de muitos, a gente nem esperava o gesto carinhoso, a atenção. Se eu pudesse ainda escrever uma mensagem de Natal, eu diria: Mostre que você se interessa, parodiando o lema antigo de Rotary: "Mostre que Rotary se interessa."

Mostrar aos amigos que você se interessa por eles, significa que, mesmo os seus planos, podem ser modificados em favor de cada um deles, que você está disponível para ajudá-los, que eles podem contar com você, com sua atenção, com sua abundância e com o seu tempo. Que prova maior de amizade pode haver do que você mudar sua rotina, alterar seus planos, parar o que estava fazendo, enfim, mudar sua vida para ajudar e atender um amigo? Tenham a certeza de que este gesto, mesmo que pequeno, fará uma enorme diferença – faz com que você se torne realmente um amigo.

A verdadeira amizade vem da alma, do interior de cada ser, lá do coração. É o encontro de dois espíritos afins que se afinam em pensamentos, sentimentos e vontades. A verdadeira amizade independe da razão, vem lá de dentro do nosso eu, superior, sensível e divino.

Nós crescemos junto com nossas amizades, a cada gesto de interesse, de carinho. Em pouco tempo vemos transbordar nosso sentimento e vai envolvendo todos aqueles que nos rodeiam, como uma onda luminosa que emana de nosso coração. 

Mostre que você se interessa, pelos planos, pelas metas e objetivos do outro, mostre que você é parte deles, só assim você realmente fará parte do grupo. Mostre que nossa passagem em suas vidas não foi em vão, deixou uma marca profunda, uma esteira de alegria, que nós os conquistamos e somos responsáveis por essa conquista, tal qual o Pequeno Príncipe. Nada é mais importante que os amigos e a família que Deus colocou em nosso caminho. É este o nosso verdadeiro patrimônio, que devemos manter e revigorar, que devemos demonstrar que sempre podem contar conosco, com nosso apoio e com nossa amizade.

Fica aqui registrada minha mais forte resolução para 2007: Mostrar que me interesso pelos amigos e pessoas que amo. Será que ainda dá tempo?  


sábado, 20 de junho de 2020

MEU ENCONTRO COM A CIENTOLOGIA


Meu  Encontro  com  a  Cientologia

Alberto Bittencourt - dez 2012


     

            Eu cursava o então chamado curso científico do CMRJ - Colégio Militar do Rio de Janeiro. O grande mestre e amigo, professor Hermógenes, o maior autor de livros de YOGA do Brasil, convidou um grupo reduzido de alunos para visitar uma pessoa que iria apresentar uma nova ciência do comportamento humano, destinada a aprimorar os conhecimentos do homem, a promover a sua evolução e a melhorar o seu comportamento aqui na Terra. 
               Foi assim que conheci o Dr. Antônio. Ele morava sozinho em um apartamento no Flamengo. 
           No dia marcado, fomos eu e o Ysmar, colega intelectual, muito estudioso, que depois formou-se em Engenharia Eletrônica no ITA, fez PHD nos Estados Unidos, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da COPPE.
              O Dr. Antônio era um homem magro, com a fisionomia, os gestos e a fala extremamente tranquilos. Notamos que ele não possuía uma só ruga de expressão na testa, bem lisa e sem marcas, como se tivesse sido esticada. Foi logo dizendo que estava de viagem marcada para Paris, onde iria, segundo ele, cuidar da carcaça. Na verdade, ele era portador de um câncer em estágio avançado e deu para notar em sua voz um tom de despedida. Iria ao encontro do destino final, para viver com tranqüilidade os seus últimos dias. Não sei mais detalhes sobre aquele homem, nem que profissão exercera, ou o que fazia.
         Nos meus dezesseis anos, em 1958, em plena adolescência, eu era mais voltado para minhas próprias incertezas e inseguranças, mais preocupado com meu próprio ego. Andava sempre tenso, com medo de tudo e de todos, extremamente tímido. Essa tensão gerava um estresse que tornava a minha respiração curta e superficial. Minha voz saía sempre embargada e eu mal encarava as pessoas. Tentava desesperadamente superar essas dificuldades. Órfão de pai desde os 12 anos, eu sentia falta do apoio de alguém que me orientasse e me indicasse os caminhos para que eu pudesse me afirmar e ser eu mesmo, mais autêntico e verdadeiro.
            O Dr. Antônio passou-me a sensação de calma, segurança, otimismo, de fé e de esperança no ser humano em geral. Ysmar, mais intelectualizado, foi fazendo as perguntas que o Dr. Antônio respondia em detalhes e com muita paciência:
           _O que é a Cientologia, como começou, quem é o seu guru, quais são os objetivos, por quantos países está espalhada...

           A conversa transcorreu por algumas horas, ao fim do que ele nos deu o nome e o endereço de uma senhora, Regina de Toledo Moreira, que morava na rua Prado Junior, no Lido, posto 2 de Copacabana. Ali um grupo de pessoas se reunia, semanalmente, para estudar e discutir a Cientologia. Fez contato com ela e avisou que iríamos procurá-la.

           Passados alguns dias, liguei para o Dr. Antônio e pedi uma entrevista pessoal. Queria expor os meus problema e ouvir dele a palavra libertadora que permitisse o meu encontro comigo mesmo, para que eu pudesse desabrochar em todas as minhas potencialidades, já que, àquela altura, eu não sabia quem era, nem o que queria ou o que fazia aqui na Terra. Conversamos e ele me deu um conselho:

          _Já enterrou o cadáver? _Sim, respondi. 

        _Então está tudo resolvido, disse-me ele. É só tocar o barco para a frente que você chega lá.

        Cadáver enterrado, eu comecei a frequentar o grupo de Regina Toledo e a estudar a Cientologia. Ysmar não quis prosseguir, pois sendo espírita praticante, disse não concordar com alguns dos princípios expostos. Embora curioso, eu não cheguei a perguntar sobre o que ele não concordava.

           Fui muito bem recebido nesse Primeiro Grupo de Cientologia do Rio de Janeiro.

      Regina de Toledo morava com a mãe, uma senhora cujas maneiras demonstravam ter sido criada e educada com esmero e refino. Tinha ar aristocrático e me pareceu ter estudado ou vivido na França.
         Participavam mais assiduamente dos estudos de Cientologia o casal Hugo e Madalena Meacham, simpáticos, jovens, amigáveis e atenciosos e também a família Lima, outro casal com duas filhas adolescentes, Sylvia, um pouco mais velha e Lélia, da minha idade. De pronto fiquei impressionado com Lélia, loura, de olhos verdes, porte elegante, voz clara e pausada. Ao falar, demonstrava equilíbrio, domínio pessoal, ponderação, ritmo, elegância e principalmente segurança. Era tudo o que eu buscava e procurava.  Eu gostava de ficar ao lado dela, de conversar com ela. Nos  meus dezessete anos, preparando-me para ir estudar na AMAN, jamais teria a ousadia de propor um namoro ou mesmo pedir seu telefone. O máximo que fiz foi convidá-la para dançar a valsa da minha formatura do CMRJ, realizada no Clube Monte Líbano, no Leblon, ao som da Orquestra Ed Lincoln. A família Lima compareceu ao baile e esta foi uma das últimas vezes que vi a Lélia. 
L. Ron Hubbard em 1950
         O grupo, sob a liderança de Regina, assumira a missão de traduzir para o português o livro Dianética - Ciência da Moderna Saúde Mental, de L. Ron Hubbard (1911-1986), fundador da Cientologia, best seller nos Estados Unidos, escrito nos anos cinquenta. Hubbard era físico nuclear e escrevera sobre o comportamento humano, terapias e psicologia. Explicava que o raciocínio lógico e matemático o levara ao entendimento claro e preciso da alma humana e à facilidade de expor as suas complexidades.
         Eu gostava dessas reuniões. Elas sempre começavam com o que hoje se chama de meditação coletiva, dirigida por Regina, as cadeiras em formato de auditório. Ela chamava esse exercício de “Localização”:
         _Vamos nos localizar, deixar de lado todas as nossas experiências e atitudes externas e nos concentrar neste ambiente e no que estamos fazendo aqui e agora, . 
             Assim, ela ia conduzindo o pensamento do grupo, fazendo-o reconhecer e se concentrar em cada detalhe do ambiente, levando cada um a se situar naquele espaço físico e também em relação a cada uma das pessoas ali presentes, percebendo-as e cumprimentando-as e falando com elas para verificar que eram reais. O exercício parecia com o que eu estudara em Higiene Mental, quando relembrávamos fatos de nossa infância e recordávamos locais e ambientes onde havíamos sido felizes.
          Terminado o exercício, o grupo começava a discutir a tradução e a leitura dos trechos do livro, a dar opiniões e sugestões. Era algo novo, inusitado para mim e que muito me atraía.
         O fato é que terminei o ano de 1960, meio dividido. Sentia-me numa encruzilhada, entre dois destinos. O primeiro, o da AMAN – seguindo a carreira militar,  na tradição familiar, tanto do lado paterno quanto materno, onde meu futuro estaria garantido, bastando que eu me comportasse adequadamente. O outro caminho era o da incerteza, do mundo civil, onde teria que conquistar um lugar, competir.
         Hoje, repensando, não me arrependo de ter escolhido a carreira militar, pois pude evoluir bastante e devo muito do que sou ao Exército.
         A Cientologia faz parte da minha história. Em nossos estudos, nunca entramos no campo metafísico, na origem do ser, do universo. Diziam que, nos Estados Unidos, a Cientologia era uma igreja, uma seita, pela única razão de que as religiões ali são isentas de impostos, apenas por isso. Na realidade, pareceu-me que a Dianética era a parte terapêutica e a Cientologia era a parte religiosa.
          Porém, o processo terapêutico, chamado de processing ou auditing, dirigido por pessoas que já os tinham vivenciado, chamadas auditores, visava limpar dos traumas do passado a mente do cidadão comum, chamado de preclear (preclaro), de modo a torná-lo clear, (claro). Como eram tratamentos muito caros, justificavam dizendo que, por causa desse valor, esses iniciados dariam uma enorme importância à  experiência.
         A essas reuniões na casa de Regina de Toledo, freqüentava também um sobrinho de nome Pedro. Era jovem, solteiro, de tez morena, cabelos lisos e pretos, diziam, por essas características, já ter sido indiano em outras vidas. 
        Pedro resolveu se aprofundar na Cientologia e foi estudar na Inglaterra. Voltou alguns anos depois para aplicar seus conhecimentos no Brasil. Trouxe uma esposa inglesa e uma linda cadelinha chamada Prudence. Pedro saiu do Brasil como preclaro e voltou como auditor, com habilitação para aplicar o processing em outras pessoas. Dizia que a Cientologia tinha o objetivo de tornar  pessoas que já eram capazes, mais capazes, que ela visava elevar o tom emocional das pessoas, do nível mais baixo, da apatia, em escala crescente, até o mais elevado, da serenidade, proporcionado pelo pleno conhecimento de si próprio.
          Em 1964, já oficial, resolvi fazer o processing com Pedro. No fundo, era um tipo de psicanálise. Por cerca de três meses, em seções semanais, eu sentava em uma pequena mesa e Pedro à minha frente. O interessante era que eu, como preclaro, ficava o tempo todo da seção, segurando os terminais de um aparelho eletrônico chamado E-meter. Os terminais eram duas latas vazias, como as de leite condensado,  mas sem os rótulos. O aparelho eletrônico, com um ponteiro e escala, ficava voltado para o auditor. O princípio é o mesmo do detetor de mentiras. O ponteiro assinalava na escala o grau de emoção do paciente. Se determinado assunto despertava maior reação emocional, o ponteiro acusava e o terapeuta podia aprofundar  e estender as perguntas sobre o assunto. Como qualquer terapia, ele usava primordialmente o tempo da seção para escutar e falava pouco. 
       Continuei no processo até sentir que estava marcando passo, sem progredir ao nível que minha vontade desejava, mesmo sabendo que podia estar resistindo, sem querer me revelar, me abrir. Desse modo, suspendi o processo. Naquele tempo, além do início da carreira como Oficial do Exército, o que mais me importava na minha vida era meu namoro, meu relacionamento com a Helena, um assunto só meu.
      Depois desta experiência, só tive notícias da Cientologia através da mídia, mas sempre com enfoques sensacionalistas. Encontrei em uma livraria e logo comprei, o livro de Hubbard que estávamos traduzindo e ainda o tenho em minha estante.
      Esse período me foi muito importante para mim. Descortinou -me caminhos na busca de meu autoconhecimento, que muito me valeram para o resto da minha vida. 



OBS: 
   Há muita matéria na internet sobre Cientologia (Scientology), Dianética (Dianetics) ou sobre o seu criador, bem como nas enciclopédias livres (wikipedia, etc). Hubbard era também escritor de ficção científica. Seu livro Dianética vendeu mais de 20 milhões de exemplares no mundo. Há vários livros traduzidos para o português, que podem ser vistos na internet. Ao morrer em 1986, Hubbard deixou a Cientologia espalhada por 150 países. Muita gente famosa é adepta da Cientologia, como Tom Cruise, Pryscilla e Lisa Presley, John Travolta entre outros.