ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

sábado, 20 de junho de 2020

MEU ENCONTRO COM A CIENTOLOGIA


Meu  Encontro  com  a  Cientologia

Alberto Bittencourt - dez 2012


     

            Eu cursava o então chamado curso científico do CMRJ - Colégio Militar do Rio de Janeiro. O grande mestre e amigo, professor Hermógenes, o maior autor de livros de YOGA do Brasil, convidou um grupo reduzido de alunos para visitar uma pessoa que iria apresentar uma nova ciência do comportamento humano, destinada a aprimorar os conhecimentos do homem, a promover a sua evolução e a melhorar o seu comportamento aqui na Terra. 
               Foi assim que conheci o Dr. Antônio. Ele morava sozinho em um apartamento no Flamengo. 
           No dia marcado, fomos eu e o Ysmar, colega intelectual, muito estudioso, que depois formou-se em Engenharia Eletrônica no ITA, fez PHD nos Estados Unidos, foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da COPPE.
              O Dr. Antônio era um homem magro, com a fisionomia, os gestos e a fala extremamente tranquilos. Notamos que ele não possuía uma só ruga de expressão na testa, bem lisa e sem marcas, como se tivesse sido esticada. Foi logo dizendo que estava de viagem marcada para Paris, onde iria, segundo ele, cuidar da carcaça. Na verdade, ele era portador de um câncer em estágio avançado e deu para notar em sua voz um tom de despedida. Iria ao encontro do destino final, para viver com tranqüilidade os seus últimos dias. Não sei mais detalhes sobre aquele homem, nem que profissão exercera, ou o que fazia.
         Nos meus dezesseis anos, em 1958, em plena adolescência, eu era mais voltado para minhas próprias incertezas e inseguranças, mais preocupado com meu próprio ego. Andava sempre tenso, com medo de tudo e de todos, extremamente tímido. Essa tensão gerava um estresse que tornava a minha respiração curta e superficial. Minha voz saía sempre embargada e eu mal encarava as pessoas. Tentava desesperadamente superar essas dificuldades. Órfão de pai desde os 12 anos, eu sentia falta do apoio de alguém que me orientasse e me indicasse os caminhos para que eu pudesse me afirmar e ser eu mesmo, mais autêntico e verdadeiro.
            O Dr. Antônio passou-me a sensação de calma, segurança, otimismo, de fé e de esperança no ser humano em geral. Ysmar, mais intelectualizado, foi fazendo as perguntas que o Dr. Antônio respondia em detalhes e com muita paciência:
           _O que é a Cientologia, como começou, quem é o seu guru, quais são os objetivos, por quantos países está espalhada...

           A conversa transcorreu por algumas horas, ao fim do que ele nos deu o nome e o endereço de uma senhora, Regina de Toledo Moreira, que morava na rua Prado Junior, no Lido, posto 2 de Copacabana. Ali um grupo de pessoas se reunia, semanalmente, para estudar e discutir a Cientologia. Fez contato com ela e avisou que iríamos procurá-la.

           Passados alguns dias, liguei para o Dr. Antônio e pedi uma entrevista pessoal. Queria expor os meus problema e ouvir dele a palavra libertadora que permitisse o meu encontro comigo mesmo, para que eu pudesse desabrochar em todas as minhas potencialidades, já que, àquela altura, eu não sabia quem era, nem o que queria ou o que fazia aqui na Terra. Conversamos e ele me deu um conselho:

          _Já enterrou o cadáver? _Sim, respondi. 

        _Então está tudo resolvido, disse-me ele. É só tocar o barco para a frente que você chega lá.

        Cadáver enterrado, eu comecei a frequentar o grupo de Regina Toledo e a estudar a Cientologia. Ysmar não quis prosseguir, pois sendo espírita praticante, disse não concordar com alguns dos princípios expostos. Embora curioso, eu não cheguei a perguntar sobre o que ele não concordava.

           Fui muito bem recebido nesse Primeiro Grupo de Cientologia do Rio de Janeiro.

      Regina de Toledo morava com a mãe, uma senhora cujas maneiras demonstravam ter sido criada e educada com esmero e refino. Tinha ar aristocrático e me pareceu ter estudado ou vivido na França.
         Participavam mais assiduamente dos estudos de Cientologia o casal Hugo e Madalena Meacham, simpáticos, jovens, amigáveis e atenciosos e também a família Lima, outro casal com duas filhas adolescentes, Sylvia, um pouco mais velha e Lélia, da minha idade. De pronto fiquei impressionado com Lélia, loura, de olhos verdes, porte elegante, voz clara e pausada. Ao falar, demonstrava equilíbrio, domínio pessoal, ponderação, ritmo, elegância e principalmente segurança. Era tudo o que eu buscava e procurava.  Eu gostava de ficar ao lado dela, de conversar com ela. Nos  meus dezessete anos, preparando-me para ir estudar na AMAN, jamais teria a ousadia de propor um namoro ou mesmo pedir seu telefone. O máximo que fiz foi convidá-la para dançar a valsa da minha formatura do CMRJ, realizada no Clube Monte Líbano, no Leblon, ao som da Orquestra Ed Lincoln. A família Lima compareceu ao baile e esta foi uma das últimas vezes que vi a Lélia. 
L. Ron Hubbard em 1950
         O grupo, sob a liderança de Regina, assumira a missão de traduzir para o português o livro Dianética - Ciência da Moderna Saúde Mental, de L. Ron Hubbard (1911-1986), fundador da Cientologia, best seller nos Estados Unidos, escrito nos anos cinquenta. Hubbard era físico nuclear e escrevera sobre o comportamento humano, terapias e psicologia. Explicava que o raciocínio lógico e matemático o levara ao entendimento claro e preciso da alma humana e à facilidade de expor as suas complexidades.
         Eu gostava dessas reuniões. Elas sempre começavam com o que hoje se chama de meditação coletiva, dirigida por Regina, as cadeiras em formato de auditório. Ela chamava esse exercício de “Localização”:
         _Vamos nos localizar, deixar de lado todas as nossas experiências e atitudes externas e nos concentrar neste ambiente e no que estamos fazendo aqui e agora, . 
             Assim, ela ia conduzindo o pensamento do grupo, fazendo-o reconhecer e se concentrar em cada detalhe do ambiente, levando cada um a se situar naquele espaço físico e também em relação a cada uma das pessoas ali presentes, percebendo-as e cumprimentando-as e falando com elas para verificar que eram reais. O exercício parecia com o que eu estudara em Higiene Mental, quando relembrávamos fatos de nossa infância e recordávamos locais e ambientes onde havíamos sido felizes.
          Terminado o exercício, o grupo começava a discutir a tradução e a leitura dos trechos do livro, a dar opiniões e sugestões. Era algo novo, inusitado para mim e que muito me atraía.
         O fato é que terminei o ano de 1960, meio dividido. Sentia-me numa encruzilhada, entre dois destinos. O primeiro, o da AMAN – seguindo a carreira militar,  na tradição familiar, tanto do lado paterno quanto materno, onde meu futuro estaria garantido, bastando que eu me comportasse adequadamente. O outro caminho era o da incerteza, do mundo civil, onde teria que conquistar um lugar, competir.
         Hoje, repensando, não me arrependo de ter escolhido a carreira militar, pois pude evoluir bastante e devo muito do que sou ao Exército.
         A Cientologia faz parte da minha história. Em nossos estudos, nunca entramos no campo metafísico, na origem do ser, do universo. Diziam que, nos Estados Unidos, a Cientologia era uma igreja, uma seita, pela única razão de que as religiões ali são isentas de impostos, apenas por isso. Na realidade, pareceu-me que a Dianética era a parte terapêutica e a Cientologia era a parte religiosa.
          Porém, o processo terapêutico, chamado de processing ou auditing, dirigido por pessoas que já os tinham vivenciado, chamadas auditores, visava limpar dos traumas do passado a mente do cidadão comum, chamado de preclear (preclaro), de modo a torná-lo clear, (claro). Como eram tratamentos muito caros, justificavam dizendo que, por causa desse valor, esses iniciados dariam uma enorme importância à  experiência.
         A essas reuniões na casa de Regina de Toledo, freqüentava também um sobrinho de nome Pedro. Era jovem, solteiro, de tez morena, cabelos lisos e pretos, diziam, por essas características, já ter sido indiano em outras vidas. 
        Pedro resolveu se aprofundar na Cientologia e foi estudar na Inglaterra. Voltou alguns anos depois para aplicar seus conhecimentos no Brasil. Trouxe uma esposa inglesa e uma linda cadelinha chamada Prudence. Pedro saiu do Brasil como preclaro e voltou como auditor, com habilitação para aplicar o processing em outras pessoas. Dizia que a Cientologia tinha o objetivo de tornar  pessoas que já eram capazes, mais capazes, que ela visava elevar o tom emocional das pessoas, do nível mais baixo, da apatia, em escala crescente, até o mais elevado, da serenidade, proporcionado pelo pleno conhecimento de si próprio.
          Em 1964, já oficial, resolvi fazer o processing com Pedro. No fundo, era um tipo de psicanálise. Por cerca de três meses, em seções semanais, eu sentava em uma pequena mesa e Pedro à minha frente. O interessante era que eu, como preclaro, ficava o tempo todo da seção, segurando os terminais de um aparelho eletrônico chamado E-meter. Os terminais eram duas latas vazias, como as de leite condensado,  mas sem os rótulos. O aparelho eletrônico, com um ponteiro e escala, ficava voltado para o auditor. O princípio é o mesmo do detetor de mentiras. O ponteiro assinalava na escala o grau de emoção do paciente. Se determinado assunto despertava maior reação emocional, o ponteiro acusava e o terapeuta podia aprofundar  e estender as perguntas sobre o assunto. Como qualquer terapia, ele usava primordialmente o tempo da seção para escutar e falava pouco. 
       Continuei no processo até sentir que estava marcando passo, sem progredir ao nível que minha vontade desejava, mesmo sabendo que podia estar resistindo, sem querer me revelar, me abrir. Desse modo, suspendi o processo. Naquele tempo, além do início da carreira como Oficial do Exército, o que mais me importava na minha vida era meu namoro, meu relacionamento com a Helena, um assunto só meu.
      Depois desta experiência, só tive notícias da Cientologia através da mídia, mas sempre com enfoques sensacionalistas. Encontrei em uma livraria e logo comprei, o livro de Hubbard que estávamos traduzindo e ainda o tenho em minha estante.
      Esse período me foi muito importante para mim. Descortinou -me caminhos na busca de meu autoconhecimento, que muito me valeram para o resto da minha vida. 



OBS: 
   Há muita matéria na internet sobre Cientologia (Scientology), Dianética (Dianetics) ou sobre o seu criador, bem como nas enciclopédias livres (wikipedia, etc). Hubbard era também escritor de ficção científica. Seu livro Dianética vendeu mais de 20 milhões de exemplares no mundo. Há vários livros traduzidos para o português, que podem ser vistos na internet. Ao morrer em 1986, Hubbard deixou a Cientologia espalhada por 150 países. Muita gente famosa é adepta da Cientologia, como Tom Cruise, Pryscilla e Lisa Presley, John Travolta entre outros. 



           

LOCALIZACAO ABSOLUTA E RELATIVA



LOCALIZAÇÃO ABSOLUTA E RELATIVA
                                                                           Alberto Bittencourt  -  abril 2013
         




Localização – Aí está uma palavra que podemos chamar de chave da felicidade. Acredito ser esta a mais importante palavra na vida de uma pessoa. Apenas uma palavra, simples, mas de alcance e significado inimagináveis.
Estar localizado tem, para qualquer um, enorme importância. (compreendam aqui que o corpo toma o espaço físico, enquanto a mente vagueia por outras dimensões).
Para sermos eficientes, para bem aproveitarmos o tempo sem desperdícios, para sermos objetivos, para sermos práticos, é preciso estarmos com corpo e mente localizados.
Na minha juventude, enquanto estudava Cientologia (ver nota do rodapé), nas práticas coletivas de estudo dos livros do fundador L. Ron Hubard, o grupo fazia um exercício preliminar de meditação que começava pelo trabalho de  localização. O exercício se iniciava a partir das palavras de um facilitador que nos convocava a trazermos a mente para dentro do corpo, em outras palavras, a estarmos todos ali, localizados. Começava mais ou menos assim:

Olhe para o chão. O chão é duro? Pode bater nele com os pés! Não é nuvem não? É chão mesmo?
Sinta a cadeira em que você está sentado. Ela é real?
Olhe para a parede à sua direita. É parede mesmo? Observe os detalhes, a cor, a textura, o encontro com o chão, com o teto, com as outras paredes. Agora olhe para a parede do outro lado. Veja a porta, a janela, o estado em que se encontram. Veja a parede à sua frente, Ela está lá mesmo? Não é miragem?  
E o teto? Observe as lâmpadas, examine cada detalhe minuciosamente.
Agora, olhe para as outras pessoas, para o ambiente, sinta o peso do ambiente, está leve? Está pesado? Como está o clima? Quente? Frio? Morno?
Olhe para quem está sentado do seu lado. Olhe nos olhos. É gente mesmo? É real ou é sonho?
Agora procure se situar dentro do ambiente. Você está aqui mesmo ou está lá fora? Sinta-se no momento presente, aqui e agora. Você está aqui ou em outro lugar? Noutro tempo? Noutra época? Sinta a sua posição em relação às outras pessoas, ao ambiente, às paredes, ao piso e ao teto.

Depois desse exercício de localização, vinha a prática da meditação, após o quê, iniciávamos a leitura dos livros.  
O primeiro objetivo da localização era trazer a mente para o tempo e local presente. A isso eu chamo de localização absoluta.
Entretanto, como não vivemos isolados, mas em sociedade, o mais importante é a localização relativa. Isso significa saber qual a sua posição em relação ao mundo. Saber onde você se situa no meio de tudo e de todos.  A localização relativa significa você ter plena consciência do que faz e do que os outros fazem e isso inclui o ambiente e as coisas que o cercam.
Para melhor perceber a diferença entre localização absoluta e  localização relativa, imagine-se no trânsito, dirigindo seu carro. Você e o carro são um só.  Você é uno com o seu carro. A localização absoluta é o que você está fazendo naquele momento, importando apenas você e o seu carro. Só interessa o que está dentro de você. Não interessa, por exemplo, o que se passa em relação às outras pessoas, nem em relação às ruas, nem em relação ao itinerário. Isso é localização relativa. Na localização relativa você sabe as posições e o que acontece com todos os elementos dentro e fora do sistema em que está inserido.  Ter a localização relativa é situar-se em relação às outras pessoas, em relação ao ambiente, ao mundo e ao universo.
Então, se você está assim localizado, pode-se dizer que você tem a consciência universal, domina o mundo, ou que,  na filosofia budista, - você é um iluminado.

                                                                    
                                            

NOTA:           
 Copie e cole o link abaixo e veja o artigo: 
  MEU ENCONTRO COM A CIENTOLOGIA.


http://albertobittencourt.blogspot.com.br/2012/12/meu-encontro-com-cientologia.html 

  

MEU DIÁRIO

MEU DIARIO. 
Alberto Bittencourt- set 2012





Comecei meu diário ainda na adolescência. Habituei-me a escrever regularmente em cadernos, nas madrugadas insones, ao sabor de pensamentos e emoções. Procurava transcrever o que me afluía, antes do esquecimento, sem premeditações nem racionalizações.
Em geral começava com um assunto, uma ideia puxando outra, as palavras fluindo, me revelando, me desnudando. Nunca escrevi na busca de qualquer descoberta, nem de mim nem de ninguém, apenas deixava rolarem impressões, emoções, sentimentos.  
Com o tempo, fui sofisticando. Hoje uso cadernos franceses – imaginem só – padronizados, quadrículas pequenas, quarenta páginas cada, fáceis de transportar e de escrever. No fim do ano tenho preenchidos uns cinco ou seis. Mando encadernar com capa dura, num só volume e deixo na estante, sem saber deles o que fazer. Somam mais de quarenta.

Foi a maneira que encontrei, nos anos de minha juventude, de me defrontar com medos e fantasmas, de enfrentar inseguranças e ansiedades. Foi a forma de me comunicar comigo mesmo, de sair da introspecção, do isolamento. Muitas vezes sentia-me mais à vontade na companhia de meus cadernos do que numa roda de amigos.
O importante era expressar o que se passava no âmago de meu ser. Podia ser um texto prolongado por páginas e páginas, ou apenas poucas linhas, ou uma simples frase que fosse.
Na minha mocidade, meu diário era algo que, de tão íntimo e pessoal, a ninguém mais dizia respeito, senão a mim próprio. Em última instância, meu diário servia para libertar meu espírito e salvar minh’alma. Era o jeito de fazer uma pausa no torvelinho de pensamentos, pedir licença e ouvir a minha voz interior.
Com o passar dos anos, o foco de meus escritos foi migrando de uma certa tendência vitimista,  para a contemplação das minhas circunstâncias e contingências. Passei a ser mais objetivo, mais crítico, mais analista de fatos e personagens, tornei-me cronista de mim mesmo e do dia a dia. Porém, nunca deixei de me confessar. No meu diário, ouso transcrever meus pensamentos os mais recônditos, sem julgamentos nem culpas, na pura aceitação do que sou, incondicionalmente.
A recompensa, muito mais que consequência, é a possibilidade de me conhecer melhor, de me adequar aos meus defeitos. Com isso, pude ser mais verdadeiro, mais autêntico, sem precisar jogar, nem representar. Pude ser o que sou, natural, espontâneo.
Através de meu diário adquiri um grau mais elevado de consciência, integrei-me à natureza e à Deus. Pude crescer, desenvolver-me, pude me doar por inteiro.

Para mim, meu diário funciona como uma verdadeira terapia. Estudos recentes dão conta que essa atividade está ligada à redução do estresse e, portanto, à preservação da boa saúde. Escrever a respeito dos momentos mais difíceis da vida, está provado, reforça as defesas imunológicas.

Considero a atividade de escrever um diário, como uma das melhores técnicas de meditação. Portanto, eu recomendo escrever alguns minutos por dia, com discernimento, com honestidade, para melhor progredir no conhecimento de si próprio.


segunda-feira, 1 de junho de 2020

POPULAÇÃO E DESENVOLVIMENTO NO DISTRITO 4500


POPULAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

ATUAÇÃO DO DISTRITO 4500
Alberto Bittencourt






Publicado nas Memórias da Conferência Latino-Americana sobre População e Desenvolvimento, realizada em Brasília, de 15 a 18 de março de 2001 (pags 138 a 140).


        Os Rotary Clubs do Distrito 4500 desenvolvem muitos projetos. Todos são igualmente importantes, todos fazem a diferença, não importa o valor, grande ou pequeno. Cada clube, fazendo a sua parte, contribui para mudar as condições de vida de centenas de pessoas e assim, melhorar as perspectivas do futuro.
Alguns desses projetos seguem abaixo relacionados:

1. LAR DE CÁRITAS

O RC Recife Boa Viagem conheceu o Lar de Cáritas, através de seu Interact Club em 1995. Numa casinha velha, com telhado em ruínas, chão cimentado, viviam cerca de 200 crianças, das quais 120 ali moravam e 80 passavam o dia. Tudo era precário e muito pobre. As crianças se espalhavam pelo terreno, sujas, descalças, cheias de verminoses. O terreno ao lado era uma lagoa infectada. O acesso tinha que ser a pé, pois não havia ruas. Algumas entidades religiosas faziam o porque podiam para fornecer alimentos e material de limpeza. Muitas mães deixavam seus filhos na creche e desapareciam. Só de tempos em tempos é que iam revê-los.

O Rotary mudou as condições de vida daquelas crianças. Realizou quatro projetos de Subsídios Equivalentes, mobilizou a sociedade, os órgãos oficiais, como prefeitura, celpe, compesa,  efetuou parcerias com ONGs Internacionais, que aportaram recursos substanciais, propiciando as seguintes realizações:

·        Os terrenos vizinhos foram compradores e aterrados.
·        O acesso, tornou-se possível graças a prefeitura de Jaboatão, que aterrou e melhorou os becos existentes, transformando-os em ruas.
·        A Celpe trouxe energia elétrica trifásica de uma distância de cerca de 1.000m, sem nada cobrar, graças à expediente do RC Boa Viagem.
·        ONGS francesas, suíças e holandesas, enviaram recursos para a construção de salas de aulas e de outras dependências, para a perfuração de um poço profundo, que resolveu o problema da água.
·        Além disso, o Rotary e o Lar de Cáritas firmaram convênio com o Lar Fabiano de Cristo, órgão assistencial da CAPEMI, para o pagamento de salário dos professores e auxiliares, fornecimento de alimentação, inclusive cesta básica para as famílias dos alunos e funcionários e fornecimento de uniformes para os alunos.

Recentemente o RCR Boa Viagem está construindo uma fossa séptica, com filtro anaeróbico, e um coletor para os esgotos sanitários da creche, com recursos vindos de uma ONG francesa e ainda, está adquirindo as casas vizinhas para futura construção de uma quadra de esportes e recreação, de um play-ground, além de outras dependências.

Os quatro projetos de Subsídios Equivalentes foram:

a)   Doação de um veículo KOMBI, em parceria com o RC Calgary, Canadá.
b)   Doação e instalação de uma cozinha industrial, em parceria com o RC de Edmonton, Canadá.
c)   Doação e Instalação de uma lavanderia industrial, em parceria com RC de Eureka, Ca, USA.
d)   Doação e instalação de um gabinete odontológico, em parceria com o RC de Eureka, Ca, USA

2. PARCERIA RC BOA VIAGEM/TJP

Foram realizadas as seguintes ações:

2.1. Curso pré-vestibular para 62 alunos pobres da comunidade do Coque, coordenado pelo comp. Antonio Gouveia, com professores voluntários, alguns do RC Boa Viagem. O Rotary pagou as taxas de inscrição de todos, a um custo de aproximadamente R$ 5.000,00, tendo sido 10 aprovados na  1ª etapa do vestibular.
2.2. FEIRART – feira de artesanato e arte juntamente com 120 instituições que se ocupam das crianças, cuja renda foi destinada a essas mesmas entidades.
2.3. Carreata – para recolher alimentos para as vítimas das enchentes. Foram enviadas 6 toneladas de alimentos para os municípios mais atingidos (Palmares, Maraial e para a comunidade do Coque.
2.4. Olimpíadas Criança-Cidadã: com competições esportivas, distribuição de medalhas e show de encerramento com artistas de renome no estádio do Arruda.
2.5. Dia da Criança: celebrado no Geraldão, com mais de 20.000 crianças, distribuição de brindes e a participação de artistas famosos
2.6. Cidade Digna

  • Recolhimento dos mendigos da rua do Imperador, onde viviam há 3 gerações, dando-lhes assistência e casas.
  • Recolhimento de menores de rua viciados em drogas e encaminhamento a núcleos de recuperação, em instituições que se ocupam desses problemas, através de recursos patrocinados por bancos.

2.7. Bibliotecas das escolas: fornecimento semanal de livros e revistas para 6 escolas do Coque. Na próxima semana estarão sendo distribuídos à bibliotecas escolares cerca de 2.000 livros didáticos recebidos de uma ONG do Pina.
2.8. Caravana de Natal: visitas à abrigos e creches com jovens vestidos de papai Noel e distribuição de brindes, por ocasião do último Natal.
2.9. Seleção de 49 alunos da comunidade do Coque e matrículas com bolsas de estudo em cursos pré-vestibulares nos Colégios Atual, Contato, Especial e GRAP, sem nenhum custo. Obtenção de vales-transporte para esses 49 alunos durante 10 meses, junto à Cruzada de Ação Social.

3.PROJETOS CONTRA A CEGUEIRA EVITÁVEL

         Dentro do programa do presidente FRANK DEVLYN, de combate à cegueira evitável, os Rotary Clubs do Distrito 4500 realizam os seguintes projetos:

a)   O RC Recife  realizou um Subsídio em prol da Criança, no valor US$ 25.000,00 em que uma equipe de médicos e técnicos da Fundação Altino Ventura se deslocou para as comunidades carentes para exame de vista (acuidade visual) e doação e óculos.
b)   O RC Recife, em parceria com o RC Brick Township do D 7500, USA, tem em andamento na F.R. um projeto de Subsídio 3H para prover a Fundação Altino Ventura de uma unidade oftalmológica móvel no valor de US$ 250.000,00, dotada de centro cirúrgico e outras instalações inclusive a educação das comunidades quanto à prevenção da cegueira evitável.
c)   Sete clubes do D 400 elaboraram e entregaram, por ocasião da Conferência Latino-Americana de População e desenvolvimento, em Brasília, dia 15 de março de 2001, ao coordenador da Força Tarefa de cegueira Evitável para a Zona 20, BOLÍVAR ZINSLY, sete projetos no valor de R$ US$ 5.000,00 cada, a seguir discriminados:

    • RC Recife: exames, doação de óculos e cirurgias de cataratas, em parceria com a Fundação Altino Ventura.
    • RC São José do Egito: exames, doação de óculos e cirurgias de cataratas, em parceria com a Fundação Altino ventura,
    • RC Recife – Santana: doação de óculos e cirurgia de cataratas, em parceria com a Fundação Altino Ventura.
    • RC Recife Boa Viagem: exames de vista e doação de óculos, em parceria com o SESI/PE.
    • RC Recife Casa Amarela: exames de vista e doação de óculos, em parceria com o Hospital de Olhos Santa Luzia.
    • RC Recife Largo da Paz: material para exames de vista em 200 crianças usuárias do IMIP.
    • RC Esperança: exames de vista e doação de óculos.

4. PROJETOS DE MORADIAS DE BAIXO CUSTO ( SHELTERS)

Vários clubes do D 4500 têm projetos de Subsídios Equivalentes para construção de moradias de baixo custo:

a)   RC Petrolina: construção de 38 casas para moradores do Lixão, já concluídas.
b)   RC Petrolina Norte: construção de 3 casas para pessoas carentes, em conclusão.
c)    RC Itapetim: construção de 10 casas, em fase de construção.
d)   RC Parnamirim: construção de 25 casas, em andamento.

5. PROJETO NORDESTE: ÁGUA/ALIMENTO

Os seguintes projetos visam mudar as condições de vida da população do sertão nordestino, constantemente flagelada pela seca:

a)   RC Cajazeiras: poço e irrigação de horta em Sítio Largo (concluída)
b)   RC João Pessoa Sul: poço e chafariz, em Bananeiras, PB (concluída)
c)   RC Recife Setúbal/RC Caruaru: poço e irrigação para horta (em andamento)
d)   RC Recife Largo da Paz: construção de 5 poços: 2 em Iguaçu PE, 2 em Sumé, PB 1 em Monteiro, PB (em aprovação).
e)   RC Tuparetama: poço em Vila Cajueiro (em aprovação)

6. PROJETO DE ALFABETIZAÇÃO DO ROTARY (LIGHTHOUSE)

Cinco clubes do grande Recife, a saber:

  • RC Recife;
  • RC Recife Casa Amarela
  • RC Recife Largo da Paz;
  • RC Recife Boa Viagem;
  • RC Recife Boa Vista.

Esses clubes mantêm em execução nas escolas municipais um projeto de alfabetização para crianças.
Esse projeto já está sendo expandido na atual gestão da cidade do Recife, para todas as escolas municipais.

7. PROJETO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE PARA ADOLESCENTES

a)   O RC Recife Brum possui, em andamento, um projeto para ensino profissionalizante para jovens da Favela do Rato, no bairro do Brum.
b)   O RC Recife Boa Viagem, montou e executou uma sala de aula de informática com 10 computadores e 5 impressoras, para jovens carentes do Pina, instalada no Patronato N.Sra.da Conceição.

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