ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal
ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ONDE ESTÁ A FELICIDADE?

Contam que um discípulo de Buda, certa vez, perguntou-lhe: “Mestre, como podem essas pessoas que vêm ao templo vestidas apenas de trapos, que nada possuem a não ser uma tigela para pedir arroz, como podem essas pessoas ser felizes?” Ao que o Mestre respondeu: “Essas pessoas, vestidas apenas de trapos, que nada possuem a não ser uma tigela de arroz, são felizes porque não pensam no futuro, nem no passado. Elas são felizes porque pensam apenas no presente”.

A lição de Buda mostra que a felicidade, antes de ser um objetivo de vida, perseguido, buscado, é muito mais um estado de espírito, uma atitude de vida e como tal, deve ser praticada no dia a dia. Isso implica numa de disciplina de felicidade.

Há um ditado que diz: A felicidade não está no fim do caminho. A felicidade é o próprio caminho.

Para nós, que vivemos em sociedade, a felicidade está intimamente ligada á interação entre as pessoas, no que se chama de relacionamento. Esse relacionamento nem sempre é harmônico. Conflitos normalmente acontecem, mas o caminho da felicidade é procurar resolve-los pacificamente. O segredo é a empatia.

Empatia é a capacidade de avaliar o sofrimento dos outros. É a capacidade de se colocar no lugar do outro, de olhar a situação pelo ponto de vista do outro. Assim, procedendo, você evitará muitos conflitos, pois entenderá as razões do outro. Colocar-se no lugar do outro é um dos caminhos da paz, da felicidade.

James Hunt, autor de “O Monge e o Executivo”, disse que “a confiança é a cola que une os relacionamentos”. Para cultivar a mútua confiança, é preciso estar junto, estar disponível, desenvolver a atenção, o diálogo, saber ouvir.

Antigamente uma correspondência levava meses para ir de uma cidade a outra, transportada por um mensageiro a pé. Com a evolução dos tempos, veio o cavalo, o trem, o avião, que reduziram as distâncias e o tempo.

Hoje, uma mensagem é transportada a uma velocidade de 8.400 km/segundo, quase instantaneamente. As pessoas se relacionam com o mundo através da Internet. Mas, nesse mundo globalizado, essas mesmas pessoas se entocam, se enclausuram, deixam de conviver, de simplesmente estar uns com os outros, pelo simples prazer de estar junto. A sociedade de hoje prima pela pobreza relacionamental. É raro um amigo visitar o outro, muito mais difícil é fazer novas amizades.

“Não fique só”, disse dom Helder Câmara. O caminho da felicidade é procurar velhos amigos para conversar, discutir projetos, compartilhar dúvidas e inquietações. É aproveitar as oportunidades de se fazer novas amizades.

Recentemente, eu e minha mulher fomos a um casamento. Eu garanto que todos já viram este filme. Há pessoas que se retiram antes do término da cerimônia religiosa e correm para o salão de recepção, se aboletam nas mesas a guardar lugar para amigos e familiares. Outros já vão direto ao local da festa, nem passam pela cerimônia. Quando lá chegamos, as mesas, de dez lugares estavam todas ocupadas por apenas um casal cada. Saímos perguntando: “Esses lugares estão disponíveis?” A resposta era a mesma: “Não, a família está a caminho.” Essa atitude, a meu ver, é egoística e segregadora. Restavam-nos as alternativas: ficar em pé, o que não é agradável, sobretudo para as senhoras de salto alto, reclamar junto ao cerimonial, ou sentar na marra, gerando um conflito.

Já estávamos resignados a ficar de pé, encostados a um pequeno balcão, quando fomos salvos por nossa filha que encontrou lugar em uma mesa ocupada por simpático casal.

Vocês nem imaginam como foi rica a experiência de compartilhar idéias, pontos de vista, opiniões e impressões com esse agradável casal recém-conhecido. No final trocamos cartões. Nosso genro e filha, ambos veterinários, ao que parece, até ganharam novos clientes.

Quando vou sozinho ao restaurante Chica Pitanga, perto de meu escritório em Boa Viagem, a recepcionista sempre pergunta: “o sr. aceita compartilhar a mesa?”

A maioria das pessoas prefere almoçar sem a companhia de estranhos, mas eu sempre digo que sim. Via de regra surge um papo interessante, pois para mim todas as pessoas são interessantes. Sempre temos algo a aprender com alguém, por mais inesperado que seja. O Dalai Lama, em seu excelente livro “A Arte da Felicidade”, diz que adora partilhar as inquietudes de chefe de estado do Tibete com a camareira ou faxineira dos hotéis em que se hospeda. As pessoas se sentem importantes e valorizadas, diz ele, e sempre têm alguma contribuição a dar.

Muitos relacionam felicidade com a satisfação de seus desejos. Porém o desejo só existe enquanto não for alcançado. Você pode pensar que será feliz somente se, por exemplo, for aprovado num concurso, se aposentar, ou obtiver certos bens materiais. Porém, alcançar um desejo é apenas o início de novos desejos. No momento em que você o realiza, surgem outros, você passa a desejar mais, pois sempre haverá algo a ser almejado.

Outros confundem felicidade com prazer, porém, a felicidade que advém unicamente do prazer é instável, especialmente se for prazer físico. Uma vez desaparecido o objeto do prazer, ela deixa de existir.

Para os budistas, a felicidade é desapego, é libertação dos desejos. Para eles, as boas ações que você vai acumulando formam o seu “Campo do Mérito”, constituído pelos registros positivos de nossa mente, que resultam de todas as ações positivas. O estoque de mérito é que vai determinar as condições favoráveis para as vidas futuras, dizem eles. Um meio de acumular méritos envolve a tolerância, respeito, confiança nas outras pessoas.

A felicidade está diante de nós, aqui e agora. Não a deixemos passar.

Namastê.

SAUDAÇÃO AOS NOVOS COMPANHEIROS

(Realizada na reunião plenária do RC Recife-Boa Viagem em 29.07.10)

Caros companheiros Roberto, Henio, Moacir, Wellington e Vânia

Em Rotary, a entrada de um novo sócio é sempre motivo de orgulho e satisfação.
Parabéns. Vocês estão ingressando no Rotary International. A partir deste momento vocês podem contar com o apoio, não apenas dos sócios deste clube, mas de todos os clubes do Brasil e do mundo. Onde quer que vocês estejam, onde houver um Rotary Club, vocês serão acolhidos como irmãos, membros da mesma família rotária.

Vocês têm no Rotary, uma excelente oportunidade de fazer novos amigos. Para vocês, esta talvez seja a maior chance de colher jóias no precioso tesouro de amizades que é o Rotary. Eu e Helena, que vivemos Rotary no dia a dia, temos tido a constante alegria de fazer novos amigos a todo instante. Assim, posso garantir que o Rotary é um bom lugar para ser feliz. Basta que vocês usufruam o que o Rotary lhes oferece. Aqui vocês podem contar com a mútua ajuda profissional dos demais companheiros, qualquer que seja a cidade, qualquer que seja o país em que estejam.

Quando Paul Harris fundou o Rotary em 1905, ele convidou três amigos. Nascia assim uma instituição, que hoje tem 105 anos de existência e congrega mais de um milhão e duzentos mil rotarianos no mundo. Ao formar esse grupo, Paul Harris observou o princípio da tolerância religiosa, pois um era protestante, o outro católico e o terceiro judeu. Desde o seu nascimento, o Rotary foi criado sem distinção de religião. Pode ser muçulmano, budista, xintoísta, de qualquer parte do mundo, não importa a raça, não importa o país, não importa a cor, nem a classe social, todos são aceitos como irmãos. Essa é a filosofia do Rotary.

O Rotary, companheiros, é cada vez mais um movimento familiar. Quando eu fui governador do centenário em 2004-05, o então presidente do Rotary International, Glenn Estess, disse: “O Rotary não é feito para tirar o rotariano de suas famílias. É antes para trazer juntos, o rotariano e toda a sua família para dentro do Rotary”. Esse é o espírito do Rotary. É a grande família, à qual vocês devem trazer seus cônjuges, filhos, irmãos, parentes, para que, numa convivência fraterna, todos se integrem, todos compartilhem esperanças e inquietudes, posto que são membros da Família Rotária.

O distintivo que vocês irão receber hoje, também implica em compromisso. Vocês não estão entrando apenas num clube de amigos. Vocês, antes estão entrando num clube de prestação de serviços. A primeira coisa que eu aconselho é que vocês conheçam o que o Rotary faz. Visitem os trabalhos do Rotary. Não apenas deste clube, mas também de outros clubes.

Cito o exemplo das cidades devastadas pelas recentes enchentes, como Barreiros, Palmares e adjacências, tendo milhares de desabrigados. Vejam os trabalhos que o Rotary International está fazendo, com a doação de kits de sobrevivência, constituídos de uma barraca com dois quartos, bem ventilada, salubre, o piso forrado, dotada de perfeito isolamento térmico, destinada a abrigar uma família de até 10 pessoas em condições dignas, pois se pode ficar em pé dentro da mesma. Constam ainda desse kit utensílios de cozinha, e de mesa, roupa de cama, agasalhos, material escolar para as crianças, tudo acondicionado dentro de uma caixa chamada Shelter Box.
Comitivas de rotarianos têm visitados esses acampamentos todos os dias. O ex-governador Leandro Araujo, cujo pai é da cidade de Barreiros, vai lá todos os fins de semanas. Há rotarianos voluntários trabalhando nas montagens das barracas há mais de um mês, inclusive dois ingleses e dois paulistas. São mil barracas doadas, no valor total de um milhão de dólares, já que cada barraca custa mil dólares, aí incluídos o frete, as viagens e manutenção dos voluntários. Dependendo das necessidades, esse número pode chegar a duas, três mil barracas.

Então, caros companheiros, é preciso ir lá, ver o que o Rotary faz. É preciso conhecer o projeto “Sorriso Cidadão”, conduzido pelo nosso companheiro Aldonso. Não fiquem restritos às quatro paredes desta sala. O Rotary não é apenas isto. O Rotary é muito mais. Se vocês pensarem que o Rotary é só a reunião plenária semanal, vocês estarão iguais àquele cego que, ao lhe ser mostrado um elefante, se abraçou a uma perna e disse: “O elefante é uma árvore!” Porque vocês não terão a visão do conjunto, do que o Rotary faz no mundo.

O lema deste ano rotário é “Fortalecer Comunidades, Unir Continentes”. É importante conhecer as comunidades em que este clube atua. As creches assistidas pelo nosso clube, como o Lar de Cáritas no Jardim Piedade, o CRVV na favela do Bode, o Espaço da Criança na Boa Vista. É preciso conhecer as ações do Rotary no atendimento às crianças, adolescentes, idosos, deficientes. São muitas as ações do Rotary. Se você ficar só dentro destas quatro paredes você vai perder a oportunidade de ser feliz. È preciso ir lá, ver o que o Rotary faz, trabalhar, participar.

Todos conhecem a ONG Green Peace. Ela tem 2,5 milhões de militantes no mundo inteiro. Foi fundada em 1975. Sabem por que o Green Peace tem esse número e aparece tanto na mídia internacional? Porque há uma diferença entre ser militante e ser simpatizante. Tanto o militante como o simpatizante têm os mesmos ideais, os mesmos objetivos, porém o militante é o que faz, é o que arregaça as mangas e vai para as ruas. No Rotary, posso dizer que a maioria é de simpatizantes. Mas o que o mundo precisa cada vez mais é de militantes que abracem uma causa e lutem por seus ideais. Sejam militantes do Rotary, é o meu conselho a vocês.

Eu desejo que vocês sejam muito felizes, que vocês usufruam de sua nova família rotária. Nós estaremos aqui para orientar, para ensinar, naquilo em que vocês tiverem dúvidas, pois ninguém ama aquilo que não conhece. Eu quero que vocês sejam em Rotary como uma pequena semente lançada em terreno fértil. Que ela cresça, se fortaleça, dê frutos, se multiplique, nutrida pela força da amizade, do serviço, e do amor ao Rotary.
Sejam felizes. Muito obrigado.

terça-feira, 18 de maio de 2010

“A peça de teatro da vida”

O ator de cinema e teatro italiano Vittorio Gassman (1922-2000), dizia que tudo seria melhor se a vida fosse como uma peça de teatro. Assim, poderíamos ensaiar os atos da vida real, antes de praticá-los. Somente depois de testados, experimentados, repetidos várias vezes, agiríamos para valer. Enquanto as coisas não dessem certo, seriam apenas ensaios .
Seria muito bom se assim fosse. Ninguém cometeria erros, e tudo andaria às mil maravilhas.
Na verdade a vida pode ser comparada a uma enorme produção teatral onde não são permitidos ensaios, onde tudo é improviso. Uma produção teatral com enorme complexidade. O roteiro trata de uma quantidade colossal de experiências, que vão das mais engraçadas e leves àquelas dramáticas ou que criam suspense. A produção é igualmente impressionante. Há os atores, o pessoal que trabalha nos bastidores, os críticos e até o público.
Mas, como a peça do teatro da vida é feita de improviso, eles nunca estão em sintonia. Os atores interferem nas tarefas do pessoal dos bastidores, os músicos dão palpites nos trabalhos dos iluminadores e assim por diante. Os participantes simplesmente não estão concentrados em seu papel e não se entendem.
E a peça do teatro da vida vai se desenrolando.
Se quisermos, entretanto, melhorá-la, torná-la harmoniosa e bela, três passos são necessários:
Como primeiro passo, concentre-se em descobrir qual é o seu papel. Pense no que está você fazendo, aqui e agora. Reflita como está você se sentindo nessa grande peça de teatro coletiva, que é a vida. Redirecione sua energia e atenção para o desempenho desse papel. Reconhecido o seu papel, você poderá curti-lo com alegria e identificar com mais clarividência seus próprios objetivos.
O segundo passo é aprender as suas falas, isto é, estudar o seu papel, adquirir conhecimentos, aprender. Assim fazendo, você adquirirá a consciência de que é parte de um todo. Deixe que seus talentos naturais e suas capacidades adquiridas se manifestem e evoluam até a perfeição.
O terceiro passo é confiar e respeitar as escolhas dos outros. Sabendo-se que os demais participantes também fizeram seus cursos e adquiriram conhecimentos, você deve atuar em harmonia e sintonia com todos, pois eles também foram instruídos para desempenhar seus papéis de forma harmoniosa. Isso seria muito mais fácil se cada um parasse de se preocupar com o que os outros estão fazendo
Ao dar esses três passos você entrará num estado de consciência em que o campo energético do coração estará completamente aberto. Você então pode estabelecer contato com a divindade interior, o mestre que há dentro de cada um. É um estado de consciência em que o personagem deixa de ser o “eu”, superando a separação e a limitação, procurando apenas servir ao coletivo, voltado para o que é melhor para o todo e não apenas para o indivíduo.
À medida que você entender como criar em seus pensamentos essa nova realidade, mesmo que você nem sempre consiga mudar as circunstâncias, sempre poderá mudar de atitude e, desse modo, criar novas experiências de vida.
Em resumo, são as seguintes as lições para uma vida harmoniosa:
· Discernimento – descobrir qual é o seu papel; saber qual é o próximo passo; descobrir qual é a dança que você quer dançar.
· Singularidade individual – aprender as suas falas; aprender os passos; desenvolver os seus talentos.
· Aceitação da diversidade do ser – confiar e respeitar as escolhas dos outros; aprender a dançar sem pisar nos pés dos outros; saber dividir o espaço, pois você pode querer dançar uma valsa e o outro pode querer dançar um samba.

caros amigos

E-mail enviado dia 10 de abril de 2010:

Caros amigos

Estamos no Rio de janeiro, para onde viemos comemorar o aniversário de 90 anos de minha mãe, dia 31 de março.

Em reposta à preocupação dos amigos do Recife, em decorrência das fortes chuvas desabadas sobre a cidade ao entardecer da segunda-feira, dia 05, informamos que, pessoalmente, graças a Deus, não tivemos maiores transtornos. Apenas meu genro ficou 6 horas engarrafado dentro do túnel Rebouças. Ele e minha filha só conseguiram chegar em casa, vindos do trabalho, às 01h30, na madrugada do dia seguinte.

O mais grave, infelizmente, ocorreu depois, em Niteroi, onde os deslizamentos causaram mais de 200 mortes.

O tempo ainda está instável aqui no Rio, com períodos de muita chuva. As ruas permanecem enlameadas, o trânsito caótico em determinados lugares.

Minha filha, genro e netos, moram numa cobertura que se debruça sobre a lagoa Rodrigo de Freitas, no Sacopã, a uns cem metros de altitude. O lugar é lindo, as construções sobem pelas encostas, pois a faixa a nível do mar é estreita. Do apto se descortina a vista maravilhosa da lagoa em primeiro plano, seguida dos morros Pão de Açúcar, Corcovado com o Cristo Redentor, por sinal em obras e cerdado de andaimes, pedra da Gávea mais ao fundo, e outros. Vemos o estádio de remo do Flamengo, os clubes Piraquê e Caiçara, o Joquei Club, que marcaram nossa juventude nos anos sessenta.

A tempestade do dia 05 coincidiu com a maré alta, o que fez o nível da lagoa subir cerca de 1m40 além do normal. Uma água vermelha e barrenta invadiu ruas e prédios do entorno. Plásticos e garrafas pet ainda hoje se acumulam nas margens, trazidos pela chuva. Um mar de cocô de algum esgoto rompido contribui para a poluição em outro trecho da lagoa.

Quando não chove, eu e minha filha iniciamos o dia com uma caminhada holística e ecológica, na ciclovia em volta da lagoa, em marcha acelerada, finalizada por uma pequena corrida até completar os 7500m do perímetro. Holística porque vamos observando as pessoas, os carros, o mundo á nossa volta e ecológica porque nos integramos à natureza farta e bela. Há uma variedade de pássaros, garças, marrecos, patos, uns nadando outros voando em V. Há também um tipo de frango d'água de plumagem negra e bico vermelho e até um local habitado por uma familia de capivaras, marcado por placas, embora eu nunca as tenha visto. Ninguém sabe de onde elas vieram.
O passeio é movimentado em dias de sol. As mamães levam seus bebês, outros levam seus cães, os idosos vão caminhar, os atletas treinar. Passamos pelo heliporto, onde a todo instante helicópteros aterrisam e decolam no transporte de ricaços, de casa para o trabalho e vice-versa.
Há muitos quiosques com restaurantes e bares famosos. A lagoa é, literalmente, uma festa.

Pagamos hoje o preço da falta de planejamento habitacional e familiar, o que já era alertado há trinta anos. Que falta faz o BNH - Banco Nacional da Habitação, extinto pelo governo Sarney de uma canetada só. O Brasil precisa construir um milhão de moradias por ano, a fundo perdido, para uma população extremamente pobre, sofrida, que se amontoa em locais de risco de modo sub-humano, nos morros e palafitas das capitais e das grandes cidades. Precisamos de um novo sistema em que os políticos possam pensar grande. Pensar grande é pensar no tempo dos outros, dos que virão depois, em lugar de só pensarem nas eleições seguintes.

Que nunca nos esqueçamos de toda essa tragédia.

Abraços.
Alberto Bittencourt

sábado, 24 de abril de 2010

OS QUATRO TETOS

OS QUATRO TETOS

Sai Baba, homem santo da Índia, diz que há quatro tetos na vida, quatro coisas cujo consumo devemos limitar pois podem acabar, são finitas e portanto não devemos desperdiçar: tempo, dinheiro, alimento e energia.
Seu tempo é o que você é. Sua energia é o que você faz. Seu alimento, seu dinheiro, é o que você tem.
Tempo é um artigo do qual todas as pessoas compartilham exatamente na mesma proporção: todo mundo só tem 24 horas por dia à sua disposição. O tempo desperdiçado não se recupera jamais, está perdido para sempre.
A maioria das pessoas desperdiça muito tempo em atividades fúteis e sem significado que as distraem de seguirem o caminho do crescimento, como por exemplo, assistindo filmes pouco edificantes, lendo romances de baixa categoria. A tagarelice, mexericos, desperdiça tempo e energia. Igualmente, hábitos dispendiosos como o jogo, apostas, bebidas e outras atividades desperdiçam tempo, dinheiro e energia.
Emoções negativas como ódio, raiva, cobiça, ressentimento, inveja ou ciúme, consomem vastas quantidades de energias que poderiam ser mais proveitosamente usadas de modo positivo.
Muitas pessoas, homens e mulheres, têm armários abarrotados de roupas que não usam mais, prateleiras cheias de livros lidos e empoeirados que só ocupam lugar e poderiam ser úteis a tantas pessoas. Gastamos muito dinheiro com coisas supérfluas e sem necessidade, quando poderíamos economizar um pouco para ajudar os pobres e desassistidos, aliviar o sofrimento dos enfermos, melhorar as condições de vida dos deficientes, recuperar drogados, dar alegria aos idosos, cuidar das crianças para que tenham um futuro melhor.
Há desperdícios demais no mundo. Enquanto pessoas passam fome em países pobres, nos países ricos se esbanja.
Será que estamos desperdiçando nosso tempo em atividades pouco edificantes?
Será que estamos desperdiçando nosso dinheiro com coisas supérfluas e desnecessárias?
Será que estamos desperdiçando nosso alimento, deixando estragar e jogando fora o que poderia alimentar o próximo?
Será que estamos desperdiçando nossa energia, com banalidades que nos consomem e desgastam que só nos trazem inutilidades, baixos valores como vaidade, orgulho, preconceito?
Sai Baba disse que todo desperdício é como derramar água numa peneira. A água valiosa se perde por ser dispersada em todas as direções, em vez de canalizada para uma causa específica.
Você precisa acabar com o hábito corriqueiro de arranjar incontáveis desculpas para o fato de ter muito pouco tempo e energia para o trabalho voluntário.
Se você estabelecer um teto, um limite aos desejos de seu EGO superficial e mundano, a poupança daí resultante pode ser usada para ajudar aos menos favorecidos. Com diretrizes claramente definidas e um programa certo, é possível reduzir os desperdícios, aplicando o dinheiro, a comida, o tempo e a energia assim economizados na ajuda às pessoas necessitadas.

terça-feira, 6 de abril de 2010

ARAUTOS DA PAZ



Aproveito para enaltecer aqui as figuras de três grandes estadistas brasileiros, três pacifistas, três líderes e patriotas de renome internacional, que jamais deixaram de praticar a força do diálogo, da razão, do convencimento e conseguiram fazer do Brasil desde o início do século XX, esta grande nação, mundialmente reconhecida, orgulho de todos os brasileiros.

1 - Barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior, (1845 - 1912), até o último dia de vida titular da pasta de Relações Exteriores do Brasil, que ocupou ininterruptamente desde 3 de dezembro de 1902. Destacou-se sempre por sua política exterior de concórdia, repulsando toda guerra de conquista. Defendeu até o fim a Constituição Federal de 1891, que em seu artigo 88 dizia: Os Estados Unidos do Brasil em caso algum se empenharão em guerra de conquista, direta ou indiretamente, por si ou em aliança com outra nação.

Amigo sincero da paz, assinou, durante a sua gestão trinta tratados de arbitramento internacional, entre eles o das “Missões”, o do território do Amapá, (1900), o do território do Acre, concluído em Petrópolis,(1903), no qual o Brasil indenizou a Bolívia em 2 milhões de libras esterlinas e mais alguns territórios pequenos para acertar as fronteiras, e o tratado com o Uruguai, (tratado de condomínio da Lagoa Mirim do rio Jaguarão), considerado como “ato de raro altruísmo internacional” (1908).

Sua visão ampla e seu espírito pacífico e simultaneamente seu patriotismo que demonstrou na atividade de pacificação das relações exteriores com os povos e governos sul-americanos, evitou muitas conflagrações durante a sua época.

2 - Ruy Barbosa, (1849 - 1923), grande pacifista brasileiro, de valor internacional que, durante uma vida inteira de ação, peleja e apostolado, pugnou pelo direito, pela justiça e pela liberdade. Inumeráveis são suas realizações, no campo da política, da literatura, do direito e do jornalismo. Dotado de fulgurante inteligência, enfrentou corajosamente as ditaduras de sua época, pois encarnaram-se nele enormes aspirações pela liberdade, elemento essencial para a paz na Terra.

Este grande senso de liberdade tornou-o também um dos maiores lutadores pela abolição. Para a libertação do Brasil da monarquia, foi ele um dos mais eficazes arautos, talvez o mais notável. A respeito de suas contribuições para este objetivo, na imprensa, diz Osório Duque Estrada em sua “História do Brasil”: Nunca a voz da imprensa militante e partidária logrou tanto prestígio entre nós.

Ruy Barbosa participou do primeiro ministério da jovem República e destacou-se muito na consolidação do Estado, na realização de reformas e solução de problemas surgidos em virtude das novas instituições.

Repercussão internacional alcançou sua participação na Conferência da Paz em Haya, (1907), como representante do Brasil. Lá, conquistou sucesso eminente, defendendo a igualdade entre pequenos e grandes nações quanto à sua soberania. Por sua atuação recebeu o cognome de "O Águia de Haya". É considerado uma das maiores inteligências do seu tempo, pela clareza e perspicácia de suas argumentações.

O caminho da paz e da compreensão entre povos e nações se opõe a qualquer tendência de agir em termos de superioridade nacional ou racial. Ruy Barbosa provou que, na mesa de negociação, não existe nação superior, nem nação inferior.

3 - Marechal Rondon. Outro exemplo de patriota e pacifista foi o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865 – 1958). Nos primórdios do século 20, à frente da Comissão Rondon, foi o grande líder da construção de linhas telegráficas no interior do Mato Grosso até Goiás. Desbravando e mapeando regiões, enfrentando doenças tropicais como a malária, sofrendo ataques dos silvícolas, o marechal Rondon abriu caminho rumo ao oeste brasileiro, no desafio ciclópico de integrar o Brasil. Seu lema: Morrer se preciso for, matar nunca.

SOLIDARIEDADE A UM COMPANHEIRO



Dirijo-me aos mais de 900 companheiros do GEROI, espalhados pelo imenso Brasil, pelos países de língua portuguesa, pela América Latina, pelo mundo.
Nosso presidente, Francisco Rolando Issa passa por momentos difíceis, tão difíceis que somente ele e sua família podem avaliar. Ao que tudo indica o fundador, criador e organizador dessa formidável rede de expressão e comunicação dedicada a assuntos do Rotary International que é o GEROI, vive uma tormenta de inimagináveis consequências.
Uma coisa é certa: ele precisa de nosso apoio, de nossa solidariedade, de nossa ajuda. A partir do momento em que sua esposa Elisabeth dirigiu a seu pedido, veemente apelo à nossa comunidade, não podemos deixar de comparecer.
Issa formou uma formidável cadeia de rotarianos que se unem através da Internet, voltados para o estudo e desenvolvimento dos clubes, para o esclarecimento de dúvidas, para a divulgação de exemplos edificantes, para o aprimoramento pessoal e coletivo, para o cultivo da ética. São quase um milhar de mensagens que circulam mensalmente desde o ano de 2005, ano da criação do GEROI.
Issa nunca faltou em todos os momentos dessa trajetória vitoriosa. Sua liderança precisa está presente sempre que necessário, para colocar a casa em ordem, para relembrar os princípios e regras que balizam o GEROI. Sua palavra equilibrada sempre surge oportuna, apaziguadora, conciliadora, pacificadora, esclarecedora, orientadora.
Há um ditado africano que diz: "Pessoas comuns, fazendo coisas simples, em lugares pouco importantes, conseguem mudanças extraordinárias." Assim é o Issa, assim são os rotarianos de hoje.
Profissional devotado, cirurgião dentista, Issa trabalha todas as jornadas para ganhar o pão de cada dia. À noite, dedica-se até altas horas ao GEROI, diariamente, a pastorear o seu rebanho, sem perder um só detalhe, vigilante, empolgado, entusiasmado.
Minha proposta é formarmos uma cadeia de solidariedade e apoio ao nosso presidente. Se 160 companheiros depositarem 50 reais cada um, já teremos aí os 8 mil necessários para a liberdade. Mas ainda há outros custos com advogados e com o processo. Quem achar muito, colabore com 5, 10, 25, quanto puder.
Não importam as circunstâncias, o que importa é darmos as mãos a um companheiro que está precisando. Não podemos faltar-lhe nesta hora. Comecemos na segunda feira, dia 05 de abril, para que o presidente Issa possa se recuperar e voltar às suas atividades normais o quanto antes.
Eu sempre disse que o GEROI é um tesouro de informações e de amizades. São muitas as jóias preciosas que colhi nesses cinco anos de existência. Muito tenho aprendido com os amigos. Nomear a todos seria impossível. Sempre recebi o estímulo dos companheiros ao repercutirem minhas mensagens. Devo muito ao GEROI e ao presidente Issa. Quero vê-lo de volta, entre nós, no seu posto de timoneiro. Espero conhecê-lo pessoalmente no Instituto Rotary Brasil de Santos, mais perto de sua cidade, São José dos Campos.
Obrigado, companheiro Issa. Que Deus o proteja e ilumine.
OBRIGADO AOS COMPANHEIROS DO GEROI.



Prezados companheiros do GEROI
Também já fiz a minha parte. Agendei a trasnferência da quantia de R$50,00, conforme consta abaixo. É como a gota d'água do passarinho ante o incêncio da floresta mas, se todos se mobilizarem, conseguiremos apagar o fogo.
Volto a dizer que não importam as circunstâncias, o que importa é que o comp Issa precisa de nós e nós não podemos faltar. O caminho está traçado, passemos à ação.

DAR AS MÃOS

DAR AS MÃOS




É sempre admirável ver duas pessoas de mãos dadas. É como se uma corrente de energia, de amor, de força, unisse definitivamente dois corpos físicos, nos quais um batalhão de elétrons atravessasse velozmente, por canais condutores, de um para outro, fortalecendo-os, energizando-os.

Gosto de apreciar as crianças a brincar de mãos dadas e, especialmente, os casais mais idosos quando dão a mão um para o outro. Os dedos entrelaçados quanto mais se estreitam, mais transmitem energia.

Dar as mãos é, sobretudo, uma relação de troca em que não há nem recebedor, nem doador. Quando estiver andando, você gostará, talvez, de pegar na mão de uma criança. Ela receberá sua segurança e estabilidade e você receberá dela o frescor e a inocência.

Cientificamente, o ato de dar as mãos, está provado, acalma, tira a ansiedade, dá uma tranqüilidade maior à uma alma transtornada pela dor e pelo medo.

O dr. David Servan-Schreiber, médico psiquiatra francês, autor do livro “Curar”, publicado no Brasil pela Sá Editora, conta o caso do marido que, numa emergência hospitalar, apenas segurou a mão da esposa enquanto ela, apavorada, se submetia a dolorosos procedimentos médicos. Após o término dos mesmos, ele relata que ouviu dela a seguinte expressão:
"Você não imagina o bem que me fez ao segurar a minha mão enquanto eu estava com medo."

É fato comprovado pela ciência através da análise das ondas cerebrais do estresse que, em pacientes com ferimentos graves, podem não sarar com o simples gesto de afeto de dar as mãos, mas a solidão e o medo desaparecem assim como, sabe-se agora, a dor.

Experimentos científicos o comprovam, diz o dr David. Se um enfermeiro desconhecido simplesmente segura a mão da paciente, o medo diminui. O cérebro, mostrado em imagens de ressonância magnética revela menos ansiedade, embora a dor continue. Entretanto, se for o marido a lhe tomar as mãos, o cérebro se acalma em todos os sentidos e em todos os níveis. 

O Dr. Davi diz que qualquer coisa extraordinária se passa através do contato físico. É algo tão forte quanto um potente medicamento, capaz de acalmar a dor e o medo. E quanto mais a relação é forte, mais esse medicamento é eficaz. O efeito sobre o cérebro das mulheres é diretamente proporcional ao amor que elas devotam ao seu marido.

Assim, na ressonância magnética, pode-se ver a modificação que ocorre em uma das regiões mais profundas do cérebro emocional – O hipotálamo – a glândula que regula a secreção de todos os hormônios do corpo e sobretudo dos hormônios do estresse. Poder agir desse modo sobre o hipotálamo e sem efeitos secundários é o sonho de toda indústria farmacêutica, prossegue o médico.

Intuitivamente, se descobriu o que há de mais profundo na natureza humana: a necessidade que todos têm de sentir fisicamente a natural conexão com o outro e com o amor. Mais do que físico, dar as mãos é um contato espiritual. É preciso tirar proveito disso.



TOME A MINHA MÃO  

 Thich Nhat Hanh 
(monge vietnamita)

Tome a minha mão
Vamos caminhar
Vamos apenas caminhar.
Vamos despertar de nossa caminhada
Sem pensar e sem chegar a lugar nenhum
Caminhar pacificamente,
Caminhar alegremente
Nossa caminhada é de paz
Nossa caminhada é de felicidade.




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

OS DEZ MANDAMENTOS DA LIDERANÇA



1) Proceda sempre como líder.
Não há ninguém que possa conferir-nos o grau de líder, pois a liderança a gente traz conosco. Cumpre praticar.
Você precisa se ver como líder, proceder como líder, lidar com os problemas da mesma maneira que um líder. Você deve viver como vive o líder, pensar como pensa o líder, agir como age o líder.
Atue do mesmo modo que um líder atua. Fale como um líder se dirige às pessoas, enfrente a vida tal qual um líder a enfrenta.

2) Esteja aberto a mudanças
Não tenha medo de mudar. Esteja aberto e receptivo ao novo. Sepulte velhas e arcaicas estruturas. Sintonize com os novos pensamentos, as novas idéias, os novos estilos de vida que estão à nossa volta. Aceite as mudanças em tudo o que está acontecendo no mundo, neste momento, e se torne parte delas. Tenha a mente e o coração abertos aos novos ensinamentos.

3) Seja proativo.
Tome iniciativas. Não fique eternamente esperando. Parta na frente, sem medo, com decisão, firmeza. Antecipe-se aos acontecimentos. Planeje e tome providências. Assuma os encargos, sem transferir responsabilidades. Seja mais do que comprometido, seja um militante e não apenas simpatizante.

4) Viva o momento presente
Esteja voltado para o “aqui e agora”, sem ficar pensando no futuro, nem tampouco viver em função do passado. Não se deite na cama de glórias anteriores, nem fique remoendo erros cometidos. Os erros, os desenganos, são oportunidades de aprendizado, formam a nossa bagagem de experiências. Os obstáculos, as metas, os objetivos, são desafios a serem conquistados.
Vivendo o momento presente, estaremos preparados para viver o futuro, quando ele se tornar presente.


5) Seja otimista.
A realidade você cria. Todos os acontecimentos da vida são emocionalmente neutros. Nós é que temos uma reação emocional e eles, positiva ou negativa.
Crie uma realidade favorável, tenha uma visão positiva da vida. O otimista encara as dificuldades como desafios. O pessimista vê barreiras intransponíveis. O otimista pensa grande, corre riscos. O pessimista já começa derrotado.

6) Não desista nunca, jamais.
Tenha persistência, vá até o fim. Não desista no meio do caminho, não desista nunca, jamais. Haja o que houver, aconteça o que acontecer, não desista.
Tenha perseverança nos projetos, na busca das metas e objetivos. Vá até o fim, custe o que custar, mesmo que isso implique em sacrifícios, e muita paciência.

7) Pratique o amor como comportamento.
Pratique a tolerância, o amor. Não se trata do amor como sentimento ou emoção. Tampouco do amor condicional, do tipo “você me faz o bem e eu faço o bem a você”, mas sim do amor comportamental. É o amor como ação. Trate a todos como gostaria de ser tratado.

8) Atue dentro dos princípios da ética.
A ética é um princípio que não pode ter fim. É imutável, vigora nas relações familiares, nas relações comerciais e profissionais, nas relações com os amigos e colegas. Pratique o comportamento correto, leal, sério e verdadeiro em qualquer circunstância.

9) Não faça julgamentos.
Aceite as pessoas, situações, circunstâncias, como elas se apresentam. Evite julgamentos, não faça juízo de valor, não rotule nem classifique as pessoas. Não critique pelas costas.
Aceite as diferenças individuais, a singularidade do ser. Você pode querer dançar uma valsa e o outro pode querer dançar um samba.

10) Aja com diplomacia e pelo exemplo.
Tenha consciência de que nem sempre haverá unanimidade. Alguém aparecerá para contestar, criticar, solapar. Aja com diplomacia, jogo de cintura e aprenda a engolir sapos. Seja um exemplo vivo, faça o que diz. Deixe cair a máscara da aparência, da vaidade, esse ego que parecemos ser e comece a viver a verdadeira vida.

Praticando os DEZ MANDAMENTOS DA LIDERANÇA, alguém, em algum lugar, algum dia, em algum momento, lhe agradecerá e muitos o seguirão.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CILINHO



ONTEM, domingo fiz, com Helena, uma visita a um velho amigo, coronel da reserva do Exército, arma de Engenharia. Chamá-lo-ei de Cilinho e à esposa Selma. Ambos nos receberam com a maior alegria. Cilinho tem 75 anos de idade, mas não aparenta. Selma deve ter um pouco menos. Moram num confortável apartamento perto da minha casa. Oficial do Exército, aspirante a oficial da turma de 1956, a famosa turma Havaí, cuja sigla, “Estamos aí!”, lembro-me bem, era sempre pronunciada pelos capitães, nos idos de 1968, ao adentrarem todas as manhãs no cassino de oficiais da AMAN. A vida de Cilinho daria um bom livro de aventuras. Tanto que eu me propus a escrever a sua biografia, como parte de meu projeto de “personal biographer”.

Cilinho pouco sai de casa. Passa o dia a ouvir a radio CBN. Não pode ler, apenas ouvir noticiários e jogos de futebol, torcedor fanático do Flamengo. Perdeu mais de 95% da visão, conseqüência de um distúrbio neurológico que destruiu os canais lacrimais e foi degenerando até beirar a cegueira total. A mente contudo, continua lúcida, perfeita. A voz e os movimentos inteiramente normais. Cilinho preocupa-se em afastar o mal de Alzheimer. Pratica de cabeça exercícios matemáticos e treina memorização. Caminha diariamente no sítio da Trindade, faz musculação com halteres. Ficou animado com a idéia de escrever a memória. Disse que tem muita coisa a contar.

Aparentemente seu astral é elevado. Não notei o mínimo sinal de depressão. Fala com ânimo e esperança na possibilidade de um transplante de córnea. É de admirar a vontade desse coronel, sempre jovial e alegre, como nos velhos tempos em que dominava a bola e furava gols nas quadras de futebol de salão dos quarteis.

Ele mora em apartamento alugado. Disse que não tem mais nada. Perdeu tudo com a falência do colégio que construiu, um educandário de excelente conceito na cidade, que preparava alunos para o ITA e sempre obtinha as melhores posições nos exames vestibulares. Segundo ele, o legado do colégio foram dívidas, principalmente trabalhistas, cujos processos ainda tramitam na Justiça.

Quantos colégios particulares, de tradição e qualidade, fecharam as portas em conseqüência de uma legislação, demagógica e injusta, que vigorou por anos no país. Provocou a quebra de inúmeros educandários de renome, com histórico de comprometimento com o ensino.

O testemunho de Cilinho é contundente:
"Por força da lei, o aluno, mesmo inadimplente, não podia ser posto para fora antes do término do ano letivo. Resultado, o pai fazia a matrícula e deixava de pagar o ano todo. Dizia: - Eu sei que não é correto, que não é justo, mas é o meu direito. Está na lei."

E o colégio tinha que fazer às vezes de Estado: arcar com ensino gratuito para os alunos inadimplentes, cujos pais se viciaram na prática de mudar de colégio de ano em ano. A situação era agravada pela atuação do sindicato dos professores, super eficiente na cobrança dos direitos, sem contudo, pensar na contrapartida dos deveres, nivelando a todos por baixo. Isso tudo, aliado aos impostos escorchantes e a uma legislação trabalhista tendenciosa, inviabilizou a maioria dos colégios particulares.

Felizmente aprovaram recentemente uma mudança na lei, pela qual após três meses de inadimplência, o aluno pode ser desligado no meio e no fim do ano. Já é alguma coisa, em prol da qualidade no ensino.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

LUTA DE CLASSES, EXISTE NO BRASIL?



LUTA DE CLASSES - EXISTE NO BRASIL?
Alberto Bittencourt



Um certo amigo, estando em campanha para deputado estadual, pediu-me para visitar um canteiro de obras da minha empresa construtora. Queria falar aos trabalhadores, dar sua mensagem, dizer-lhes do seu propósito e de suas razões, pedir votos.

No dia marcado, cartazes do candidato foram previamente afixados nas paredes. Distribuí santinhos, folhetos e camisetas aos operários, em número aproximado de 120.

Num palanque improvisado meu amigo fez o discurso. Iniciou dizendo os motivos pelos quais estava ali, porque pretendia o voto dos operários. Falou que queria defender o povo. Sua missão era trabalhar pelos pobres, representar os trabalhadores, pugnar pela justiça social e distribuição de renda.

Expressava-se dessa maneira: 

_ Quero o seu voto, não para defender esta empresa nem o dr. Alberto, que eles não precisam. Peço o seu voto para defender vocês, trabalhadores, porque vocês é que têm necessidade. Se eu for eleito lutarei pela melhoria de suas vidas, de suas famílias, por melhores condições de trabalho. Não pretendo defender o dr. Alberto, pois ele não precisa. Minha atuação será sempre voltada para o bem de vocês...

Nesse instante pediu licença um pedreiro, quase anônimo, desses que constantemente vão e voltam, entram no início da obra e saem no fim dos serviços. Constituem aquele núcleo base de trabalhadores que, pela fidelidade, pela presença, pelo trabalho, formam o patrimônio humano da empresa. Disse com espontânea simplicidade:

_ Dr, nós não precisamos que o sr. nos defenda. Nós queremos é que o sr. defenda o dr. Alberto porque se ele estiver bem, nós estaremos bem. Se o nosso patrão for mal, todos nós iremos mal. Portanto, dirija seu trabalho para que ele continue bem e nós estaremos garantidos.

O político foi pego de surpresa. Na demagogia de seu discurso, não soube responder. Ficou desarmado, chegou a gaguejar.

O ocorrido levou-me a considerar que o futuro do Brasil depende das empresas. São elas que garantem empregos, impostos, distribuição de renda, o fluxo da economia.

Na dialética marxista da luta de classes entre capital e trabalho, os interesses podem ser conflitantes. O empregado visa salário, o empregador visa lucro. Mas quando existem objetivos comuns de produção e garantia de emprego, o convívio harmônico é a solução. Todos só têm a ganhar.

O ramo da construção civil é uma atividade de alto risco. Absorve mão de obra em escala. Construir casas ou prédios no Brasil ainda é sobremaneira artesanal. Quarenta por cento do custo é mão de obra e encargos. Uma obra de cinco milhões gera mais de duzentos empregos diretos.

Já no ramo de serviços, principalmente financeiros, apenas cinco por cento do custo é representado por mão de obra e encargos. Uma enorme diferença.

Certa vez um colaborador me pediu ajuda para se livrar de um agiota. Fora obrigado a tomar emprestada certa quantia a juros de 10% ao mês, para concertar e evitar o desmoronamento do barraco. O agiota ameaçava a sua família e o operário estava com medo, por não ter como pagar. Ao resolver o problema, pensei cá comigo:

_ Pago 15% de juros ao mês toda vez que uso o cheque especial ou quando parcelo o saldo devedor de meu cartão de crédito. É o império da agiotagem oficial que transfere renda da classe média para os banqueiros.

O hipercapitalista americano Warren Buffett, o segundo homem mais rico do mundo, disse:

“A luta de classes existe, mas é, com efeito a minha. A classe dos ricos é quem conduz essa luta e nós a estamos ganhando.”

Ele está acostumado a ganhar dinheiro no papel, construindo pirâmides financeiras lastreadas em títulos de dívidas.

Tem toda razão Warren Buffett. Os ricos enriquecem nas costas dos pobres. Isso explica a situação precária das novas gerações no Brasil. Há mais de 1,2 milhão de jovens de 18 a 24 anos em total ociosidade, sem nenhuma perspectiva de futuro. Não trabalham, não estudam, não produzem, segundo a recém publicada Síntese de Indicadores Sociais do IBGE.

Recentemente abriram concurso federal para procurador do Trabalho. Salário inicial superior a R$ 21.000,00. Na mesma época abriram outro concurso, também federal para engenheiro do DNIT – Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes. Salário inicial: R$ 4.500,00. Na luta de classes, a dos advogados está vencendo por muitos corpos de vantagem.

Após mais de 30 anos como empresário da construção civil, tenho a firme convicção de que a classe dos trabalhadores estará bem na medida em que as empresas empregadoras estiverem bem. Esta é a verdadeira luta de classes em que acredito.

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sábado, 3 de outubro de 2009

RECEITA PARA O BRASIL




O Futuro do Brasil está chegando. A duras pena o país vai percorrendo um sinuoso caminho. Chegará o dia em que haverá emprego, casa, alimento, educação e saúde para os 190 milhões de brasileiros. Somos um país rico, pela extensão territorial contínua, pela maior superfície de terras agricultáveis do mundo, pelo volume de água potável, pelas indústrias mundialmente competitivas, pelo potencial energético, pelas riquezas minerais, vegetais e animais, pelo povo alegre, ordeiro e pacífico.

O que nos impede? Qual a razão da miséria crescente? Em que dia as palavras violência, assalto, assassinato sairão dos noticiários?

São muitas as causas, mas para mim, a principal é a corrupção.
Poderíamos ser um país justo, não houvesse a corrupção.
O que se pode fazer? Como mudar a cultura do “sou brasileiro, gosto de levar vantagem em tudo”? Todos sabem, mas ninguém quer abrir mão dos privilégios.
Aqui segue uma pequena receita de cinco itens, para ser aplicada a todos os gestores públicos, em todos os níveis, nos três poderes.

1- Acabar com o sigilo bancário de todos os políticos, ordenadores de despesas e homens públicos.

2- Acabar com o foro privilegiado em todos os níveis. Sem tal blindagem, qualquer mortal pode ser processado por improbidade administrativa e ressarcimento de recursos.

3- Aprovar, sem mudanças, o projeto Ficha Limpa, que impede que os condenados em Primeira Instância possam disputar cargos eletivos. Para os crimes de improbidade administrativa, basta que a denúncia seja recebida por um órgão de qualquer instância para que a candidatura esteja proibida.

4- Publicar na internet, de modo permanente e contínuo, a relação nominal de todos os servidores públicos com cargo e salário, aí incluídas as gratificações, comissões e acréscimos.
Tal procedimento já é realizado pela prefeitura da cidade de São Paulo, onde o prefeito Casseb enfrentou batalha judicial contra os sindicatos até obter a decisão final. O povo que paga a conta tem o direito de saber.

5- Atuar junto aos organismos internacionais para acabar com os paraísos fiscais. Segundo dados oficiais, existem atualmente 84 paraísos fiscais no mundo. Os mesmos oferecem proteção do sigilo bancário para os investidores e recebem qualquer tipo de dinheiro, sem questionar a origem. Pode ser lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, do crime organizado, do caixa dois de empresas, da sonegação de impostos, da corrupção de gestores públicos. O montante de dinheiro nesses paraísos que, além do sigilo, ainda são isentos de impostos, é incalculável.
Há muitos recursos no exterior, pois os bancos de investimentos também operam em paraísos fiscais. Muita gente utiliza os serviços de doleiros, inclusive grandes empresas. Legalizar e recambiar esses recursos é um assunto controverso. Um projeto de lei nesse sentido caminha no Congresso. É preciso que venha com uma mobilização internacional para por fim aos paraísos fiscais e acabar com o sigilo bancário.

DAR DE SI ANTES DE PENSAR EM SI


DAR DE SI ANTES DE PENSAR EM SI


Alberto Bittencourt





"Dar de Si Antes de Pensar em Si” é o lema oficial do Rotary International. É um lema perfeito. Retrata a essência, mostra a ação, a abrangência do movimento rotário, cujo símbolo é a roda rotária, tem o rotariano como eixo propulsor e cujos raios se estendem a todas as pessoas, indistintamente.

O ex-presidente de RI, Carl-Wilhelm Stenhammar o adotou como lema de seu período rotário em 2005-06.

Para melhor entendê-lo, podemos dividi-lo em duas partes:

1) Dar de Si
2) Antes de Pensar em Si

Dar de si, sinônimo de doar-se, significa:

dar do que você é, 
   dar do que você faz, 
   dar do que você tem.

Os verbos ser, fazer e ter, sintetizam a capacidade do homem na Terra. Esses três verbos expressam a vida de cada um. O homem vale pelo que é, pelo que faz e pelo que tem.

Dar de si significa dar do que você é.
Dar do que você é - significa dar de você, dar de seu Ser, para os que convivem consigo, para os que o seguem. Significa dar de sua alegria, compreensão, inteligência, conhecimento, cultura, vontade, talento, em favor do próximo. Dar do que você é - tem o mesmo sentido que dar o seu tempo, dar o seu amor, dar o seu carinho, dar suas habilidades, ao irmão mais necessitado.

Madre Tereza de Calcutá nos ensinou: "O que importa não é o que você dá, mas o quanto de amor você põe naquilo que dá".
A essência do amor, disse o pastor Rick Warren, autor do livro “Uma vida com Propósito” não é o que pensamos, fazemos ou proporcionamos aos outros, mas quanto damos de nós mesmos.

Dar de si significa dar do que você faz.
Dar do que você faz - é dar de seu trabalho, de sua energia, de sua vitalidade pelos nossos irmãos.

Dar de si significa dar do que você tem.
Dar do que você tem - é dar de seu dinheiro, de sua abundância, de seu alimento, de suas roupas, de seus objetos para quem nada tem. O que para nós pode ser lixo, para os desprovidos de tudo, pode ser luxo, pode suprir a falta de algo muito necessário. Um agasalho, um cobertor, uma cama, uma telha, um pedaço de madeira, quanta serventia poderá ter para quem não tem onde morar, ou que more precariamente, debaixo da ponte, em barracos de plástico e papelão, que quando bate o sol viram verdadeiras fornalhas e quando chove, são inundados por água e pelo esgoto que corre a céu aberto.
Se você não tem condições de dar de si, pode dar do seu. Se não pode ensinar a pescar, pelo menos dê o peixe.

A segunda parte do lema, "Antes de pensar em si", significa dar tudo, mesmo que possa lhe fazer falta.

Madre Tereza de Calcutá cunhou a célebre expressão: "O valor da doação está em doar até doer". Sábias palavras de uma mulher santa que dedicou a vida em favor dos pobres, dos humildes, dos sacrificados.
"Doar até Doer" significa que a doação daquilo que nos sobra, do que é inservível para nós, do que não mais necessitamos, não tem méritos. O verdadeiro mérito está na doação daquilo que nos faz falta. Doar até doer, disse ela.
“Doar até Doer”, como nos ensinou Madre Tereza de Calcutá, é “Dar De Si Antes De Pensar Em Si”. É o gesto de doar para o próximo, sem nem mesmo pensar que podemos vir a precisar do objeto de doação. É pensar no próximo antes de nossa própria pessoa.

Rick Warren disse que a maior doação que cada um de nós pode fazer, a verdadeira expressão do amor que cada um pode dedicar, está na doação de seu tempo em favor do próximo.
A importância das coisas pode ser medida pelo tempo que estamos dispostos a investir. Quanto maior o tempo dedicado a uma coisa, mais você demonstra a importância e o valor que ela tem para você. Se você quiser conhecer as prioridades de uma pessoa, observe a forma como ela utiliza o tempo.

O tempo é a sua dádiva mais importante, pois você só recebeu uma quantia fixa dele. Você pode fazer mais dinheiro, mas não pode fazer mais tempo. O tempo é um artigo de que todas as pessoas do mundo compartilham exatamente na mesma proporção: todo mundo só tem 24 horas por dia à sua disposição. Um minuto desperdiçado não se recupera jamais, está perdido para sempre.

Quando você dedica seu tempo a alguém, você está dedicando uma porção de sua vida que jamais irá recuperar. O seu tempo é a sua vida. É por isso que o maior presente que você pode dar a alguém é o seu tempo.

DAR DE SI ANTES DE PENSAR EM SI, o lema rotário, é também um lema para toda a vida, pois é a essência, a própria filosofia do Rotary.





terça-feira, 29 de setembro de 2009

ROTARY EM AÇÃO_ Partivipe!




PRIMEIRO EVENTO:

ALMOÇO DO ROTARY CLUBE RECIFE- BRUM EM HOMENAGEM AOS PARTICIPANTES DO O 25º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL.

O comp Pedro Gaudêncio de Castro, presidente do Rotary Club do Recife – Brum, tem o prazer e a honra de convidar a todos os companheiros para a reunião rotária da próxima terça-feira, dia 22 de setembro, no salão de festas do Círculo Militar do Recife, à Av. Agamenon Magalhães, nº 2807, às 12h30min.

Na ocasião será proferida palestra pelo Secretário Estadual de Recursos Hídricos e presidente da COMPESA, Dr. João Bosco de Almeida, sob o tema: “Saneamento Ambiental: Universalização é Justiça Social”

A reunião é em homenagem aos rotarianos e convidados, participantes do 25° Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental.

O almoço rotário faz parte da programação oficial do Congresso, a exemplo do ocorrido em congressos anteriores. Servirá para recuperação de frequência, confraternização, informação e divulgação do Rotary (imagem pública).

O preço de ADESÃO ao almoço será de R$20,00, para uma participação estimada de 100 pessoas.

SEGUNDO EVENTO:

PALESTRA DO DIRETOR MÁRIO ANTONINO NO CONGRESSO DA ABES

Um outro momento importante em que a representação do Rotary se fará presente será durante o painel sobre Disponibilidade e Mecanismos Financeiros para Garantia de Investimentos no Setor, que ocorrerá no mesmo dia 22 de setembro, das 14:00 às 16:00hs, na sala Beberibe do Centro de Convenções de Pernambuco, segmento que será composto pelos seguintes palestrantes confirmados: Sr. Rogério Tavares (CAIXA), Sr. Élvio Gaspar (BNDES), Sr. Oswaldo Serrano (BNB) e Sr. Federico Bassañes (BID), tendo o Diretor de Rotary International, Mário de Oliveira Antonino, como um dos debatedores

O congresso se realizará no período de 20 a 25 de setembro, no Centro de Convenções de PE. Contará com múltiplas atividades de instrução, atualização e treinamento, além de uma grande feira de tecnologia, materiais e equipamentos. A previsão é de cerca de 4500 inscritos e de 10.000 visitantes na feira. O programa poderá ser acessado no site:

http://www.abes-dn.org.br/eventos/abes/25cbes/PO.pdf

Estão convidados os membros do Clube de Engenharia de PE, CREA e demais Rotary Clubs do Recife.

OBRIGADO.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NOSSA REUNIÃO FESTIVA




Sexta-feira, 25 de setembro de 2009.
Muita amizade foi a tônica da reunião festiva no apê de Alberto e Helena Bittencourt, à rua Estrela, bairro do Parnamirim, Recife, PE.
Do décimo - segundo andar do Ed. La Maison, a paisagem urbana do aprazível bairro se descortinava tranqüila, enquanto o bate – papo fluía alegremente. A temperatura amena e a brisa suave colaboraram para que os companheiros se espalhassem pela sala e varandas, num clima de muita confraternização.
Helena se esmerou nos salgadinhos e no repasto servido por atenciosos colaboradores.
Compareceram para animar a festa, alguns dos sempre bem vindos amigos, ex-integrantes dos quadros do Boa Viagem: Octácio e Ana; Eunando e Ana Lúcia; Conceição; Enoc e Albertina; Glorinha Aguiar; Jorge e Mônica; Alberto Cardoso e Jacyra.
Entre os sócios do clube, compareceram: Evaldo e Yvone, com a filha Yvoninha e o genro Bené; Rivaldo Rabelo, sem a sua Mavi, que não pode comparecer; Manoel e Teresinha; Cid e Fátima; Bartolomeu e Cristina; Paulo e Regina; Maria Flory, Francine e Ana Julia; Gracinha Silvestre; Caio, de malas prontas para ir morar em Fortaleza; Emil Casseb; Aldonso e Gilma; Nelson e Nelma Quaiotti.
Como de praxe, a coleta de R$ 10,00 por pessoa para a Fundação Rotária resultou numa arrecadação recorde de R$380,00.
Helena e Gilma, aniversariantes do mês, sopraram as velinhas. Fernando Cerqueira, que também aniversaria em setembro, não pode comparecer por se encontrar em viagem, na Geórgia, EUA.
Lamentamos a ausência de alguns companheiros, em especial do nosso presidente Corsino e Gracinha. O casal se encontra no momento em Dallas, EUA, aguardando a chegada de mais um neto, desta vez o segundo da filha Luciana. Sentimos muito a falta de Antonio Gouveia e Rosa Amélia, Romildo e Diana, Resielio e Eliane, Thais e Elinaldo, Sena e Dete, Carlos Roberto e Maria Helena, Djalma, Evandro e Sonia, Jones e Socorro, Jorge Lobo e Aída.
Está de parabéns o nosso querido Boa Viagem, o FEIXE DE VARAS, demonstrando que está sempre unido e cada vez mais forte.

NABIH, O ALFAIATE




O ALFAIATE
'De todos os homens que conheço o mais sensato é o meu alfaiate.
Cada vez que vou a ele, toma novamente as minhas medidas.
Quanto aos outros, tomam a medida apenas uma vez e pensam que seu julgamento é sempre do meu tamanho'
George Bernard Shaw.





NABIH, O ALFAIATE
Alberto Bittencourt - set 2009



Conheci Nabih e a esposa Sania, no Instituto Rotary Brasil de Gramado, RS. O encontro se deu no jantar do presidente de RI, John Kenny, na noite do sábado, dia 05de setembro de 2009.
Entrei sozinho, no grande salão, pois Helena, acometida de ligeira indisposição, ficara repousando no quarto do hotel. Deparei-me logo com Eudes de Souza Leão Pinto, rotariano exemplar de meu distrito, junto a esse extraordinário casal, para mim ainda desconhecido.
Feitas as apresentações, convidaram-me a tomar assento à mesa.

Tratavam-se de Nabih Abou El Hosn, brasileiro naturalizado e esposa Sania. Assim que os conheci, passei a admirá-los. Moram em Belém do Pará, Distrito 4720. Ele foi governador do Rotary, no período de 1991-92. Pelo entusiasmo, antevi ser um grande líder.

Libanês de nascimento, em 1947, aos 16 anos de idade resolveu deixar a terra natal, a família e tentar a vida, sozinho, na América. Largou tudo para trás e tomou um navio com destino a Belém do Pará, onde viviam alguns parentes e amigos da família. O navio veio fazendo escalas em cinco portos para, finalmente, dois meses depois, chegar à terra prometida.

Enquanto sorvíamos um bom vinho, ao som da orquestra que nessa altura tocava músicas suaves, Nabih ia contando passagens de sua vida. Falou que está terminando de escrever um livro de memórias. Pretende lançar no início do próximo ano, no Brasil, Inglaterra, Portugal, França e Líbano, já tendo feito ele mesmo, as versões para os idiomas de cada país. 

É uma verdadeira epopéia, a história desse libanês. Um exemplo de vida, uma memória digna de ser perenizada, tornada imortal, para ser venerada pelos trinetos dos seus trinetos, nos próximos séculos, como ele mesmo observou.

Nabih chegou à Belém já dominando o ofício de alfaiate. Naquele tempo, disse ele, era costume se ensinar um ofício aos jovens. Com a ajuda dos parentes, começou logo a trabalhar. Certo dia acompanhou, por acaso, um tio numa visita ao interventor federal no estado do Pará, coronel José Faustino dos Santos e Silva, ainda no ano de 1947. Vendo-o tão jovem, o interventor lançou-lhe um desafio: 
Seria você capaz de fazer-me uma roupa com este tecido do mais puro linho irlandês?
Nabih não titubeou, fez que sim. O interventor agradou-se do trabalho do jovem, ficou freguês.
A notícia se espalhou. Nabih, ficou famoso. Tornou-se o mais procurado alfaiate de Belém.

Apesar da pouca idade o sucesso não lhe subiu à cabeça. Trabalhou duro. Logo, tinha sua própria alfaiataria. Daí, pulou para uma indústria de confecções. Hoje comanda um importante grupo empresarial e industrial, na construção de residências para vivos e mortos no qual trabalha toda a família.

Nabih amargou 18 anos de viuvez do primeiro casamento, no qual fora muito feliz, até encontrar Sania, no Líbano. Como o marido, a jovem senhorinha aqui chegou sem falar uma palavra de português, sem nada conhecer dos nossos costumes, inexperiente e tímida. Ao vê-la hoje, desembaraçada e falante, ninguém imagina como podem ter sido seus primeiros anos no Brasil.
 
Nabih ama o Brasil e o Rotary. É um rotariano exemplar. São suas as seguintes palavras:
Como governador do Rotary, Distrito 4720 do ano 1991-92, tive o privilegio de fundar Rotary Clubs no distrito 2450 em 1997 no Líbano, minha terra natal. Esse distrito integra 6 países do Oriente Médio. Anualmente o visito para promover informação rotária e trocar idéias sobre a nossa instituição.
Como a convenção anual do Rotary acontece no mês de junho, já programo no roteiro passar pelo Líbano, se a convenção é na Europa. Quando é nos Estados Unidos, participamos de outro evento no dia 04 de julho, que é a Convenção Anual da família Abou El Hosn.
A convenção de Birmingham foi a minha 18ª participação em convenções anuais do Rotary.


O país trouxe para Nabih e Sania a realização dos sonhos. Foi do trabalho suado desses emigrantes, com honestidade e seriedade que o Brasil progrediu, cresceu e se desenvolveu. Eles constituem um exemplo para todos nós.
Quisera que nossos políticos tivessem essa mesma empreendedora visão. Que deixassem de lado apenas o interesse pessoal e imediatista, que pensassem mais nos tempos das gerações futuras, no Brasil de amanhã.
Que este país deixe de ser apenas um sonho, o país do futuro. Que chegue o presente, com menos miséria, menos violência, mais justiça social.
Obrigado queridos amigos imigrantes.
Obrigado, Nabih e Sania.
Que Deus os proteja.


domingo, 27 de setembro de 2009

Discurso do Curador SAKUJI TANAKA

Resumo do Discurso do Curador da Fundação Rotária SAKUJI TANAKA no XXXII INSTITUTO ROTARY DO BRASIL de Gramado,RS, 05 de setembro de 2009

A – CONTRIBUIÇÕES PARA A FUNDAÇÃO ROTÁRIA:
O curador iniciou seu discurso informando que, no ano rotário 2008-09, as contribuições para a Fundação Rotária continuaram expressivas, apesar da crise econômica mundial, a saber:

ARRECADAÇÃO US$ OBS
1. Fundo Anual de Programas: 98,683,380.00
2. Pólio Plus: 29,653,476.00 180% a mais que no último ano
3. Fundo Permanente: 11,508,440.00
4. Outras contribuições: 19,070,653.00
5. Contribuição total: 158,915,949.00 apenas 4,32% menor que no último ano

A contribuição para o Desafio de Rotary de US$ 200 milhões para erradicar a Pólio já atingiu mais de US$ 91 milhões até agora, aí incluídos doações em dinheiro e transferências dos FDUCs.

B – PROGRAMAS EDUCACIONAIS DA FUNDAÇÃO ROTÁRIA:
No ano rotário 2008-09, foram concedidas 760 bolsas educacionais e 100 Bolsas Rotary pela Paz Mundial.
Foram também enviados 560 grupos de IGE, representando mais de um por distrito. Mandamos mais de 2.600 pessoas de 100 países para aprender sobre a vida, trabalho e cultura em outro país.

C – PROGRAMAS HUMANITÁRIOS DA FUNDAÇÃO ROTÁRIA:
Em 2008-09 tivemos de reduzir nossos fundos aplicados em Subsídios Equivalentes, encerrando o programa poucas semanas mais cedo do que o normal.
Mesmo assim, aprovamos:
• 1.503 Subsídios Equivalentes, totalizando mais de US$ 16 milhões,
• 401 Subsídios Distritais Simplificados, envolvendo mais de US$ 7,5 milhões.
• 16 projetos 3H, equivalentes a US$ 4,4 milhões.

D – PLANO VISÃO DE FUTURO DA FR:
Em junho de 2009, a FR selecionou 100 distritos de 74 países para participar de um projeto piloto do Plano Visão de Futuro a ter início em julho de 2010. No total, se inscreveram 277 distritos dos 531 existentes no mundo. Os 100 distritos foram selecionados pela localização, tamanho, histórico de patrocínio de projetos de subsídios, contribuições anuais e administração. Há 8 distritos do Brasil incluídos nesta seleção.
Em janeiro, os governadores eleitos e oficiais distritais da FR receberão treinamento antes da Assembléia Internacional de San Diego.
Os materiais que serão enviados aos distritos-piloto incluem uma newsletter mensal que estará disponível para todos os rotarianos interessados. Para se inscrever, entre na página do Rotary (www.rotary.org), com os termos de busca “future vision newsletter” (em português: “visão futuro boletim”).
Subsídios Globais da FR poderão ser usados apenas nas 6 áreas de foco abaixo:
- Instrução básica e educação
- Saúde infantil e materna
- Prevenção e tratamento de doenças
- Desenvolvimento econômico e comunitário
- Paz e resolução de conflitos
- Água e saneamento
Durante este ano de treinamento a FR estará trabalhando para estabelecer parcerias estratégicas com organizações e corporações que tenham demonstrado experiência em uma ou mais dessas 6 áreas de foco.

E- MODIFICAÇOES ADOTADAS NOS PROGRAMAS EM 2009-10
Vários programas foram extintos: bolsas culturais, bolsas de mais de um ano, bolsas para professores universitários e subsídios para recuperação de desastres.
Tivemos que reduzir significativamente o orçamento dos Subsídios Equivalentes a partir de 2009-10.
Com a perda de valor nos investimentos da FR, os Curadores debitaram toda a perda ao Fundo Mundial, com isto, todos os distritos terão seus FDUCs preservados integralmente para trabalhar em 2009-10.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A LIÇÃO DE HALLAGE


A LICÃO DE HALLAGE
Alberto Bittencourt - setembro 2009


Antonio Hallage, diretor de Rotary 2009-2011




O Diretor Convocador do XXXII Instituto Rotary Brasil de Gramado, Antônio Hallage, ao encerrar o Seminário de Desenvolvimento do Quadro Social, na tarde do dia 03 de setembro de 2009, teceu brilhante e inspirador comentário.

Disse o diretor de RI que, a primeira coisa que os rotarianos devem fazer com o novo sócio, recém tomado posse, é apresentá-lo aos projetos e realizações do clube. 

Levar o novo sócio para conhecer os trabalhos efetivos do clube, deve ser o primeiro passo, disse. Tal deve acontecer antes mesmo da tão necessária Instrução Rotária. Esta é fundamental, mas pode ser feita depois, há tempo para isso. Há muitos companheiros para cuidarem da Instrução Rotária, esclareceu. É imperioso demonstrar logo de início, ao novo sócio, que o Rotary não é só teoria, que a filosofia do Rotary, não é constituída apenas de palavras. 

Tal foi a grande lição do diretor Hallage. 

Rotarianos devem levar o novo sócio, antes de tudo, para conhecer de perto as instituições apoiadas pelo clube. Falar com as crianças, idosos, deficientes, enfermos, beneficiários dos projetos, pode ser o grande fator de motivação, para que o novo sócio acredite na força do Rotary. Sentir na pele o drama da miséria, o sofrimento dos desprovidos, as carências, o desconsolo, o abandono, a desesperança, é essencial.

A parte teórica, a informação, os ensinamentos, a Instrução Rotária, podem vir depois, no devido momento. Há bastante tempo para que os líderes transmitam ao novo rotariano os conhecimentos que serão o alicerce, a base de seu futuro em Rotary.

É conhecendo primeiro o lado operacional do clube, vendo, vivendo e aprendendo, que o novo sócio vai adquirir motivação para permanecer, se tornar atuante, produtivo, militante, um ativista social, disponível, engajado e comprometido com o trabalho.

Parabéns, portanto, ao diretor Hallage, por suas inspiradoras palavras. 

Que uma Comissão de Rotarianos do Clube se encarregue de fazer, junto do novo sócio, a programação das visitas às áreas de atuação do clube. 

Que o novo sócio veja de perto o que se passa nas creches, orfanatos, escolas, centros de recuperação de drogados, de deficientes, hospitais, favelas, palafitas. 

Que o novo sócio conheça os clubes de jovens, os NRDCs, tudo o que se faz, pois somente vendo, vivendo e aprendendo, é que ele se transformará num verdadeiro rotariano.

Com freqüência nos deparamos com novos companheiros que tomam posse mas restam apáticos, insensíveis, indiferentes, desmotivados. Esses terminam por desistir. 

E por desconhecerem o que o Rotary faz, saem falando mal: que o Rotary só é bom na teoria; que não passa do discurso á prática; que o rotariano gosta mesmo é de palavras bonitas, mas de ação que é bom, não tem notícia.

Para não deixar que o novo sócio seja contaminado por idéias negativas, é preciso levá-lo a conhecer, efetivamente, todos os projetos e ações do clube.

Mas, podeis dizer: _Meu clube não tem projetos aonde eu possa levar o novo companheiro!

_ “Ora, direis, ouvir estrelas!” Sempre existe alguém que conhece algum trabalho, em algum lugar, que mereça ser mostrado. Se o novo companheiro se engajar em algum projeto, dentro dos princípios e ideais rotários, se duas ou mais pessoas aderirem, então aquele será um projeto do clube.

Torne essas visitas obrigatórias, condição sine qua nom, para que o novo sócio seja efetivado como rotariano.

Estenda o convite aos rotarianos antigos, que andam afastados. É preciso, às vezes, sacudir um pouco um companheiro para tirá-lo da apatia, da inércia, da acomodação.

Só assim, teremos um quadro social atuante, mobilizado para a grande mudança. É fazendo antes a transformação interior, para que, vendo, vivendo e aprendendo, possa o Rotary, afinal, ocupar o lugar que merece no coração de cada rotariano.


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sábado, 5 de setembro de 2009

O FUTURO DO NOSSO ROTARY



 O FUTURO DO NOSSO ROTARY

RELAÇÃO ROTARY / EMPRESAS


MÁRIO CÉSAR MARTINS CAMARGO

(Palestra apresentada no XXXII IRB de Gramado – RS, em setembro de 2009

 Gravação e transcrição por Alberto Bittencourt)



i)          - INTRODUÇÃO


Vamos falar da relação entre o Rotary e as entidades empresariais, na condição de vice-presidentes da FIESP – Federação das Industrias de São Paulo, na gestão do atual presidente Paulo Scaff,

Considerando que o mundo de hoje exige que as empresas tenham consciência social e ambiental, devemos pensar nas entidades empresariais e nas empresas como oportunidades de emparceiramento.

As empresas mais valorizadas são aquelas conhecidas por uma atitude ambiental e socialmente correta. Isso se reflete no seu valor de mercado. Existe até um link na Bolsa de Valores de São Paulo que destaca as empresas com preocupação sócio-ambiental, dando-lhes uma valorização patrimonial superior às demais. Essa carteira significa mais dinheiro no bolso dos acionistas. O mundo empresarial já entendeu que a preocupação sócio-ambiental não é apenas uma ferramenta de marketing. Ela reverte em benefício do próprio empresário.

Esse é o mercado potencial que o Rotary pode explorar. Nós estamos gradativamente lidando com gente mais e mais propensa a apoiar atividades voltadas para a comunidade, para a preservação ambiental. Não é benemerência, não é filantropia, é retorno de investimentos. Eu falo como vice-presidente da FIESP.

Na FIESP, essa atitude é uma postura pública do próprio presidente da Federação. Desde que Paulo Scaff tomou posse, ele adotou a diretriz de trazer a FIESP de encontro à sociedade. Até então a FIESP era considerada uma entidade distante, protegendo seus interesses logísticos, nem sempre aberta ao público.

O presidente Scaff convocou o seu Conselho Diretor e decidiu se aproximar mais da comunidade.

Se vocês estivessem três semanas atrás na FIESP, teriam visto o presidente Lula com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, promoverem um encontro de 50 empresários chilenos com duzentos empresários brasileiros.

Políticas nacionais são decididas hoje no âmbito da FIESP. Um exemplo é o renascimento da escola de debates, projeto abandonada pela própria FIESP na década de setenta. Hoje esse projeto foi retomado. Lá você pode ver autoridades dos poderes judiciário ou legislativo estabelecendo pontos de comunicação com a Federação, contrariando interesses lobistas de favorecimento econômico interno.

Então, o que podemos observar no mundo empresarial?

Por um lado, nós temos empresas mais propensas a aceitar um discurso de emparceiramento econômico voltado para o social.

Por outro, encontramos federações ou entidades de classe, como a ABIGRAF, a qual presidi até o ano passado, que congrega 18 mil gráficas do Brasil inteiro, também com preocupações voltadas para esse binômio sócio-ambiental.

O que nós rotarianos podemos fazer diante desse mercado de oportunidades?

Vamos seguir a mesma metodologia proposta por RI para o distrito e para os clubes: o planejamento estratégico. Talvez nós pudéssemos empregá-la na nossa abordagem às entidades empresariais.

 Então, qual é a nossa situação atual? Fazendo um “brainstorm” ou, como se diz lá no interior de São Paulo, um “toró de palpites”:

- Quais são os nossos pontos fortes?

- Quais são os nossos pontos fracos?

- Quais são as propostas que nós podemos fazer? Lembrem-se, nós estamos falando com empresários que são normalmente pessoas objetivas que só aceitam fazer investimentos visando retorno. Então, na nossa abordagem, devemos absolutamente pactuar com esses objetivos.

Aonde queremos chegar?

Que tipo de relacionamento nós queremos desenvolver com esse pessoal?

Vamos estabelecer um plano trienal, assim como o Rotary estabeleceu no planejamento estratégico em nível global. Aqui não podemos descer a nível distrital, onde cada um de vocês vai planejar ações com as sociedades empresariais locais.  Vamos definir dados, vamos definir pessoas, vamos definir recursos e por fim, vamos colocar isso em prática.

Quais são os nossos PONTOS FORTES? Ontem, o EGD Paulo Casanova do Distrito 4.610 apresentou esse trabalho de levantamento dos pontos fortes e fracos do seu Distrito. Ele é o resultado do trabalho coletivo, de um brainstorm, e serve como linha de orientação para todos nós.



ii) DESENVOLVIMENTO



A – PONTOS FORTES


1)   TEMPO DE SERVIÇO

O primeiro ponto que o companheiro deve abordar, para vender o seu projeto a uma Federação de Indústria, por exemplo, é:

- há quanto tempo Green Peace está no negócio de servir?

- há quanto tempo o Mac Donalds está no negócio de servir?

- há quanto tempo o RI está no negócio de servir?

Alguém tem 105 anos de serviço? Não que eu saiba.

Porque eu apontei essas outras ONGs? Porque não se iludam, nós concorremos com entidades não governamentais de forte presença no mercado. Nós concorremos sim, nós não somos os únicos.


2)   CAPILARIIDADE / INTERNACIONALIDADE

Capilaridade / Internacionalidade à para mim, uma é decorrência da outra.

Que outra instituição está presente no mundo com a nossa territorialidade?

São 210 países e regiões, 33 mil clubes que vão do Rotary Club de Chicago, o Number One, até o Rotary Club de Gramado.

Eu também não conheço que outras entidades têm essa presença, ilimitada, no mundo todo.


3)   ABRANGÊNCIA

Que outra instituição permite uma gama tão flexível de serviços?

Quando falamos no Green Peace, falamos em questões ambientais.

Quando falamos de entidades voltadas para a proteção do câncer infantil, como por exemplo, o Mac Donalds, falamos apenas de proteção do câncer infantil.

Se quisermos patrocinar um programa de erradicação da pobreza em crianças de rua, não devemos convidar o Mac Donnalds, o estatuto deles não permite. Ele não patrocinará.

Nós somos diferentes. Nós temos programas de jovens, programas de intercambio, programas de água, programas de saúde, programas de educação e muito mais, ou seja, nossa finalidade e nossa abrangência são ilimitadas.


4)   DIVERSIDADE:

Que outra instituição tem tantas e tão diversificadas profissões dentro do mesmo Rotary Club?

Se nós pensarmos em instituições de classe, vem à nossa mente quase que imediatamente o protótipo do representante dessas instituições.

A nossa instituição é diferente. Ela é muito diversificada, muito rica, ela tem pretos, brancos, amarelos, pardos, homens, mulheres, jovens, velhos, evangélicos, católicos, protestantes, budistas, islâmicos. Somos todos iguais.


5) CONTRA PARTIDA:

 E esse é o tipo do argumento que interessa ao empresário que procuramos.

Que outra instituição apresenta a real possibilidade de emparceirar, colocando dinheiro no lugar de discurso? Como diz o americano, “put your money or your mouth”. Nós temos essa possibilidade. Ao contrário de algumas instituições que são apenas receptoras de dinheiro, nós também somos doadores de dinheiro. Nós também podemos equiparar o cheque do Bill Gates.

        Que outra instituição pode enfrentar o desafio de Bill Gates de doar 200 milhões de dólares para combater a pólio?

        Não me consta que a Fundação Bill Gates tenha um paralelo na sua história, como essa de doação com contra partida.

        As iniciativas locais de nossos Rotary Clubs devem deixar bem claro essa contra partida que provemos através de nossos programas.


                6) FORÇA DE TRABALHO

        Nós somos muito grandes. Ainda que estejamos estagnados no Quadro Social há 20 anos, ainda somos uma força de trabalho poderosa, de 1.2 milhões de indivíduos no mundo. Também não sei que outra ONG pode ombrear conosco, em termos de uma força de trabalho voluntária, ativa e, em alguns casos, até pagante.

        Ainda temos outra vantagem competitiva em relação a outras entidades: nós colocamos a mão na massa.

        Quando nós patrocinamos uma entidade, através de um Rotary Club local, nós temos empresários rotarianos participando do levantamento de fundos, até mesmo tirando recursos de seus fornecedores.


7) GOVERNANÇA:

Nós somos uma entidade constantemente auditada, não só por auditores externos, profissionais, mas também pelos próprios rotarianos. Nós não temos como partir para a “pilantropia”.

Nós temos barreiras muito pesadas contra qualquer forma de desperdício. Nós somos constantemente forçados a reduzir custos, a trabalhar com mais e mais voluntários, somos obrigados a prestar contas de cada centavo recebido.

Não sei se existe outra entidade com essa transparência


8) RELACIONAMENTO EMPRESARIAL:

Quem dentro desta platéia pertence aos quadros de uma Associação Comercial, Industrial, de Classe, Associação Profissional, Clube de Diretores Lojistas?

Quantos de nós participamos da vida comunitária, empresarial, associativa?

Só aqui tem uns quarenta. Quer dizer, nós nem precisamos de contatos para ter acesso a essas entidades. Nós somos o contato.


B - PONTOS FRACOS:


1) IDADE MÉDIA

89% dos sócios tem mais de 40 anos, ou seja, se Paul Harris fosse vivo, talvez, pela sua jovem idade, nem fosse admitido num Rotary Club.

Uma oportunidade que nós temos são os Interacts e Rotaracts Clubs, o que significa que nós já temos a porta de entrada dos jovens. Porque não explorar?


2) FALTA DE FÓCO.

Nós somos muito abrangentes.

É mais fácil comprar uma idéia de uma entidade que só tem um programa, cuja bandeira é o foco, é o lema daquela instituição, do que do Rotary.

Então a mesma abrangência que nos favorece de um lado, por outro pode ser contraproducente. Essa multiplicidade de programas pode ser um fator de dificuldade para conseguir parceiros.


3) DESCONTINUIDADE

Um dos nossos potencias problemas é a descontinuidade. Eu, como empresário, tenho que ter uma visão de longo prazo. Para que eu, empresário, possa investir num programa específico do seu Rotary Club eu preciso da garantia de que o seu sucessor continuará patrocinando esse programa.

Eu sei que o retorno pode não acontecer no mesmo ano rotário, mas quem garante que ele acontecerá no ano seguinte, ou nos seguintes?

 Esses são pontos que nós temos que trabalhar e nós temos que garantir através de ações e de compromissos de longo prazo.

Exatamente por isso, o Planejamento Estratégico do Rotary prevê mecanismos de serviços e de comprometimento até três gestões à frente.


4) IMAGEM

A nossa imagem na sociedade é que somos um clube de negócios. Nós somos vistos  ainda como um clube formado por homens de negócios, de certo nível social. Só que essa visão não corresponde mais à realidade. Entretanto, não é isso que a sociedade percebe.

A imagem do Rotary, nas entidades que eu represento, ainda é distorcida.

Nós temos que saber como corrigir isso.


C - Plano de implementação


Que entidade nós vamos abordar? Aqui, por exemplo, levantaram a mão uns quarenta participantes de associações diversas. Vamos fazer a lista dessas entidades: pode ser Conselho de Profissionais, Associações Comerciais e Profissionais, enfim, quem é que, dentro dessa associação está articulado com uma entidade como o Rotary?

Em quanto tempo nós pretendemos desenvolver essas relações? Nós precisamos fazer um plano para comprometer o sucessor, estabelecer uma linha de trabalho com cronograma, pessoas responsáveis, pontos de checagem, objetivos.

Portanto, nossa relação com nossos parceiros empresariais tem que ser fundamentada num planejamento estratégico. É assim que funciona.


D - PROPOSTAS

Que propostas faremos?

Na hora de dirigir as propostas, nós devemos lembrar que temos a  ABTFR - Associação Brasileira da The Rotary Foundation, que é uma OSCIP, com as vantagens fiscais da legislação.  

A nível de clube, a nível de distrito, qual o retorno de marketing que nós vamos dar a essas empresas ou a essas entidades?

 Nós podemos permitir associação desses parceiros privados com o logotipo do Rotary? Sim, ou não? Nós temos que nos posicionar, para que as empresas possam avaliar corretamente.

Duas semanas atrás houve um seminário da ABTRF patrocinado pelo Rotary Club de Santo André – Norte. Esse clube doou para a Fundação Rotária o ano passado, US$1.125,00 per capita. É o clube campeão do nosso distrito em arrecadação. Eles tomaram a iniciativa de organizar esse seminário no pólo petroquímico do ABC. Uma das preocupações foi que tipo de retorno nós podemos oferecer para essa gente? Eles têm dinheiro. Estou falando de um clube que tem preocupação ambiental. Que tipo de proposta vamos levar para esses empresários?

Como é que está funcionando esse emparceiramento do Rotary, que é de voluntários, que é de longo prazo, que é um processo, que não acontece da noite para o dia, com as empresas, dentro do distrito?

Essas são as contribuições do nosso distrito nos últimos cinco anos: saímos de US$ 242 mil/ano para US$ 688 mil no ano 2006/07.

As contribuições para a ABTRF, que é o novo braço empresarial para contribuições, estão evoluindo anualmente.

Esses últimos cinco anos, dos US$2,10 milhões de contribuições do nosso distrito para a Fundação, US$ 312 mil foram para a ABTRF. Representa 15% dos recursos doados pelo D.4420 à Fundação Rotária, obtidos no mundo empresarial.

15% é um número recente, mais ainda é muito pouco. Há muita verba disponível e muitas oportunidades estão no distrito, estão com os rotarianos, estão nas entidades.


iii) - CONCLUSÃO


Para terminar, cito esta frase do padre Vieira:

“Nós somos o que fazemos. O que não se faz, não existe”.

É um chamamento à ação: planeje, execute,implemente.

O resultado aparece.

Obrigado.


F  I  M