ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

sexta-feira, 25 de maio de 2018

OS DEZ MANDAMENTOS DO ROTARIANO

UM PRESENTE AOS AMIGOS
Alberto Bittencourt

Neste ano resolvi enviar um presente aos meus amigos.  
É algo assim como flores colhidas ao acaso nos caminhos que percorri. Cada uma, diferente da outra. 
Com alegria eu as reúno em ramalhete e ofereço a você, na certeza de estar oferecendo o meu melhor.
Com votos de um Natal cheio de luz e de um Ano Novo repleto de paz e alegrias, aqui vai o meu presente.  



  OS DEZ MANDAMENTOS DO ROTARIANO
   Alberto Bittencourt


       Sumário

  1. Proceder como líder.
  2. Estar aberto a mudanças.
  3. Ser proativo.
  4. Viver o momento presente.
  5. Ser otimista.
  6. Não desistir nunca.
  7. Praticar o amor como comportamento.
  8. Atuar dentro dos princípios da ética.
  9. Não fazer julgamentos. 
  10. Viver o EU SOU ROTARY.




1) Proceder como líder.


Não há ninguém que possa conferir-nos o grau de líder, pois ele já é nosso. A liderança a gente traz conosco. Cumpre praticar.
Precisamos nos ver como líderes, proceder como líderes, lidar com os problemas da mesma maneira que um líder. Devemos viver como vive o líder, pensar como pensa o líder, agir como age o líder.
 Atuemos do mesmo modo que um líder atua. Falemos como um líder se dirige às pessoas, enfrentemos a vida tal qual um líder a enfrenta.

2) Estar aberto a mudanças
Não ter medo de mudar. Ser aberto e receptivo ao novo. Sepultar velhas e arcaicas estruturas. Sintonizar com os novos pensamentos, as novas idéias, os novos estilos de vida que estão à nossa volta. Aceitar as mudanças em tudo o que está acontecendo no mundo, neste momento, e se tornar parte delas. Ter a mente e o coração abertos aos novos ensinamentos.

3) Ser proativo.
Tomar as iniciativas. Não ficar eternamente esperando. Partir na frente, sem medo, com decisão, firmeza. Antecipar-se, prever os acontecimentos, prevenir, planejar, criar, tomar providências. Assumir encargos, não transferir responsabilidades. Ser mais do que comprometido, ser cúmplice. Ser militante e não apenas simpatizante.

4) Viver o momento presente
Estar voltado para o "aqui e agora". Não ficar pensando no futuro, nem tampouco viver em função do passado. Não deitar na cama de glórias anteriores, nem ficar remoendo erros cometidos. Os erros, os desenganos são oportunidades de  aprendizado, formam a nossa bagagem de experiências.  Os obstáculos, as metas, os objetivos, são desafios a serem conquistados.
Vivendo o momento presente, estaremos preparados para viver o futuro, quando ele se  tornar presente.

5) Ser otimista.
A realidade você cria. Todos os acontecimentos da vida são emocionalmente neutros. Nós é que temos uma reação emocional a eles, positiva ou negativa.
Criar uma realidade favorável. Ter uma visão positiva da vida. O otimista encara as dificuldades como desafios. O pessimista vê barreiras intransponíveis. O otimista pensa grande, corre riscos. O pessimista já começa derrotado, desiste logo.

6) Não desistir nunca
Ter persistência, ir até o fim. Não desistir no meio do caminho, não desistir nunca, jamais. Aja o que houver, aconteça o que acontecer, não desistir.
Ter perseverança nos projetos, na busca de parcerias, na  captação de recursos. Ir até o fim, custe o que custar, mesmo que isso implique em sacrifícios, e muita paciência.

7) Praticar o amor como comportamento.
Praticar o amor. Não o amor como sentimento ou emoção. Tampouco é o amor fraternal, condicional, do tipo "você me faz o bem e eu faço o bem a você", mas o amor como comportamento. Isso significa que, como seres humanos, não temos obrigatoriamente que gostar de todos os nossos colegas e companheiros, mas como líderes, somos instados a amá-los e tratá-los como gostaríamos de ser tratados. A regra do Pai é que nos amemos uns aos outros. Não amar no sentido de como nos sentimos uns em relação aos outros, mas na maneira como nos comportamos uns com os outros. É o amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. É o amor como ação.

8) Atuar dentro dos princípios da  ética.
A ética é um princípio que não pode ter fim. É imutável, desde que o Rotary existe. Vigora nas relações familiares, nas relações comerciais e profissionais, nas relações com os companheiros. Praticar o comportamento correto, leal, sério e verdadeiro dentro e fora do clube. Aplicar e divulgar a Prova Quádrupla.

9) Não fazer julgamentos.
Aceitar as pessoas, situações, circunstâncias, como elas se apresentam. Evitar julgamentos, não fazer juízo de valor, não rotular nem classificar as pessoas. Não criticar pelas costas.
Aceitar as diferenças individuais, a singularidade do ser. Você pode querer dançar uma valsa e o outro pode querer dançar um samba.

10) Viver o EU SOU ROTARY.
Ter consciência de que Rotary é cada um de nós. Cada clube é a soma de seus membros, o reflexo de seus sócios. Quanto mais eficientes formos, maior eficiência terá o clube. Essa consciência de que cada um é Rotary, é manifesta na afirmação: EU SOU ROTARY, como atitude de vida.
Viver o EU SOU O ROTARY,  é deixar cair a máscara da aparência, da vaidade, esse ego que parecemos ser e começar a viver a verdadeira vida.
Praticando o EU SOU ROTARY, alguém, em algum lugar, algum dia, em algum momento, nos agradecerá.


xxxxxx

Clique no link abaixo e faça o download da apresentação em Power Point:

quinta-feira, 24 de maio de 2018

SOU SIM, SOU DO ROTARY


SOU SIM, SOU DO ROTARY

Alberto Bittencourt
(Fato ocorrido em 2004, quando eu e Helena, como governador do 
Rotary visitamos o Rotary Club de Serra Branca, PB, Distrito 4500)


   Ao descermos de carro para mais uma visita a uma dessas instituições assistidas por Rotary Clubs do interior, senti um puxão pelo braço. Alguém, com insistência, tentava pegar minha mão, me agarrar. Numa reação natural, imediatamente entrei um guarda. Procurei me defender, proteger-me. Retirei com rispidez a mão, virei as costas, na tentativa de livrar-me do golpe iminente, do assédio invasivo de um desses meliantes de rua, sempre prontos para roubar, levar o que quer que fosse e estivesse ao seu alcance.
   Então, no momento em que o repudiava, em que me esquivava da incômoda aproximação, uma expressão mágica eclodiu de sua boca, que se abriu num largo sorriso:
 _ É do Rotary?
    Estanquei surpreso.
 _ É do Rotary?
    Só aí foi que olhei para ele com mais atenção.
 _ É do Rotary?
  A pergunta soava afirmativa, exclamativa, na alegria espontânea de um encontro há muito esperado.
  Compreendi de imediato tratar-se de um cidadão interno da instituição a qual iríamos visitar: o abrigo São Vicente de Paulo, assistido pelo Rotary Club de Serra Branca, um clube do interior da Paraíba, pequeno em número de sócios, mas grande em ações.
   Voltei-me, estendi  a mão, respondi:
 _Sou sim. Sou do Rotary, disse com orgulho e confiança
   Logo soube que o nome dele era Tião. Tião apenas.  Nenhuma referência de vida, nem família, nem passado e nem futuro, um mero deficiente mental abandonado pelos parentes, já passando da idade útil, cuja vida se resume ao instante presente e nada mais, a consciência única de que o Rotary existe.
 Parentes? Que parentes?  Tião não tem mais ninguém na vida, apenas conhece o Rotary.
   A todos perguntava:
 _É do Rotary? _Sou sim. A essa resposta  sua  fisionomia se transformava no mesmo sorriso largo e alegre. Com insistência queria cumprimentar, apertar a mão amiga, estar junto, agradecer, abraçar.
 _ Chega Tião, deixe as visitas em paz, alguém disse.
 _ É do Rotary?
 _ Sou sim, afirmei, enquanto olhava para aquele ser humano em frangalhos, restos do que um dia fora gente, trastes de homem que ninguém conhece, nem sabem da existência, a não ser o Rotary Club de Serra Branca.
_ Sou sim, disse eu, enquanto, com entusiasmo repentino cumprimentava os demais, idosos, deficientes, internos do abrigo.
_ Sou sim, sou do Rotary, eu me ocupo de você, você pode confiar em mim, estou disponível para servir.
_ Sou sim, sou do Rotary, estou aqui para ajudar, para melhorar suas condições de vida.
_ Sou sim, sou do Rotary, vim para doar, para me doar.
_ Sou sim, sou do Rotary, não precisa me chamar, nem precisa me pedir. Eu trabalho por você, eu zelo e velo pela sua integridade.
_ Sou sim, sou do Rotary. Agradeço a Deus a oportunidade de poder servi-lo, porque foi servindo que aprendi a amar, e porque eu amo, posso dizer e repetir: 
_ Sou Feliz!



quarta-feira, 23 de maio de 2018

A ETICA ROTARIA





A  ÉTICA  ROTÁRIA
Alberto Bittencourt

O movimento Rotário, sendo um movimento mundial, está em constante evolução, em constante atualização. O Rotary de hoje é diferente do Rotary de 30 anos atrás em muitos aspectos, mas há uma coisa dentro do Rotary que não muda, que é imutável desde o primeiro dia da sua existência.   Chama-se ética. No que se refere à ética o Rotary é rígido, inflexível. Os princípios éticos de hoje são os mesmos de 1905, da época da criação do Rotary.

A Ética, um princípio que não pode ter fim, é o mais imutável dos princípios. Um verdadeiro dogma.

A ética rotária é expressa pela relação comportamental entre as pessoas, dentro e fora do Rotary. É a ética no exercício profissional, a ética na relação comercial, a ética nas relações familiares, a ética nos clubes.

O comportamento ético, representado pela Prova Quádrupla, é um princípio a ser sempre lembrado, constantemente exaltado, principalmente nos dias de hoje, em que se valoriza a "lei  de Gerson" – o "gosto de levar vantagem em tudo" -  quando se preconiza a competição entre as pessoas, entre as empresas, onde a concorrência visa não apenas vencer, mas  destruir, quando os fins justificam os meios, lícitos ou ilícitos.

É preciso averiguar permanentemente se a Prova Quádrupla está cumprindo o seu papel de melhorar as relações profissionais ou comerciais, se está sendo corretamente difundida na sociedade pelos Rotary Clubs. Precisamos meditar sempre sobre como poderá esse teste de procedimentos contribuir para melhorar o mundo, verificar o que nós, rotarianos do centenário podemos fazer para que ela seja um norteador de procedimentos entre os homens, em suas relações sociais, políticas, familiares, de trabalho e de lazer.

Dentro do clube o Pilar da Ética não é menos importante que os demais, pois sem ele a casa cai. A ética no clube o que é? É o cumprimento das obrigações que nós assumimos ao colocarmos o distintivo rotário. Quais são essas obrigações?

A primeira é a frequência financeira, o pagamento em dia das mensalidades do clube. Ao adentrarmos um clube de Rotary, tomamos ciência das responsabilidades financeiras que assumimos. Ao sermos empossados como rotarianos firmamos o compromisso de pagar corretamente todas as mensalidades. A inadimplência financeira de quem quer que seja fere os princípios da verdade e da justiça, de vez que sobrecarrega os demais companheiros do clube.

A segunda obrigação é a frequência funcional, porque não se faz companheirismo, nem se troca energia, nem se interage uns com os outros, com as cadeiras vazias. Para que se tenha novas idéias, novas inspirações, é preciso estar presente. Faz parte da ética rotária a frequência mínima de 50% das reuniões rotárias do semestre. Assim, a inadimplência funcional, é o não cumprimento dos requisitos mínimos de frequência. O pilar da ética é quebrado com a ausência às atividades do clube, sejam às reuniões plenárias semanais, sejam às reuniões de companheirismo, de trabalho ou de representação. Aquele que não comparece, não participa, não colabora, nem tampouco diz a que veio, fere a ética rotária da verdade, da justiça, da amizade, da boa vontade.

Tudo dentro do clube faz parte da ética rotária, inclusive a aceitação de missões, como a de presidente. Todos vocês que entraram neste clube sabem que um dia chegará sua vez de serem convocados por seus colegas para novas e desafiantes funções e a recusa significa omissão, o não cumprimento da ética rotária. Fere a ética quem sistematicamente se recusa a assumir cargos como o de presidente do clube, ou mesmo de diretor de avenida ou comissão. Quem entra no Rotary, já entra sabendo que chegará a sua vez, um dia ele será convocado para servir ao clube. Ao recusar uma convocação, chegada a hora, significa que o companheiro está sendo, no mínimo, omisso.

Também fere a ética rotária aquele grupinho de companheiros que constituem a chamada "turma do cupim". São aqueles que em toda reunião ficam no fundo da sala batendo papo, conversando, freqüentemente bebendo cerveja ou uísque, alheios ao que se passa na reunião plenária, numa evidente desconsideração, falta de respeito e de educação, pelos palestrantes e convidados.

Não podemos contemporizar nem amenizar os rigores da prova Quádrupla nas reuniões rotárias e na vida dos clubes. Jamais podemos esquecer do slogan cunhado pelo publicitário Aroldo Araujo, companheiro do Rotary Club do Rio de Janeiro: 


Ética - Um Princípio que não pode ter Fim.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

TE VEJO ─ ESTOU AQUI



SAWA BONA - SIKHONA
TE VEJO - ESTOU AQUI
Alberto Bittencourt
(março de 2010)



Lagoa do Araçá, bairro da Imbiribeira, Recife, PE




Certa manhã de sábado, estava eu às margens da Lagoa do Araçá, aprazível recanto recifense, situado no bairro da Imbiribeira, a meio caminho da zona sul. Praticava o cooper matinal na pista de 1,5 km de extensão, circundando o espelho d’água.
A presença de alguns pescadores fazia supô-la livre de poluição. A pequena quantidade de automóveis também garantia a qualidade do ar. Enfim, o lugar, calmo e tranquilo, é um presente para as crianças, uma alegria para os moradores do bairro.
Até quando? o pensamento negativo me inquietou. Espigões já começam a despontar no entorno. A propaganda oferece os privilégios da vista para a lagoa.                    

Numa das voltas notei a pobre senhora, de olhar perdido no espaço. Estava sentada num banco de concreto. Segurava com cuidado um pequeno volume que adivinhei ser algum tipo de presente.
Roupas surradas, cabelos grisalhos em desalinho, trazia o semblante fatigado, envelhecido, como tantas pessoas castigadas pela vida.
De repente, levantou-se, num salto.
Na calçada, do outro lado da rua, um vulto em trapos caminhava lentamente, arrastando os pés. Cabelo e barba desgrenhados,  emaranhados, compunham o aspecto doentio dos mendigos mais desamparados.
A mulher restou imóvel por alguns segundos, junto ao meio fio. A seguir, estendendo o pequeno embrulho, gritou:
Feliz aniversário, meu filho!

Sem esboçar qualquer gesto, homem continuou a andar.  Lentamente seguiu seu caminho, sem olhar, sem ouvir, sem sentir, até desaparecer na esquina.
A mulher sentou-se encolhida e começou a chorar.
   
Ele é seu filho? perguntei.
Sim, disse, entre soluços. 
Prosseguiu: 
É um menino, não passa de um adolescente. Juntou-se às más companhias, envolveu-se com drogas, deixou de estudar, começou a roubar. Primeiro foram os objetos de casa, depois as pessoas nas ruas. Tornou-se agressivo, gritava, me batia quando eu ameaçava chamar a polícia. Passava dias trancado no quarto. Quando pedi ajuda para interná-lo numa clínica, ele fugiu. 
Continuou:
Passaram-se meses, quase um ano, sem que eu tivesse qualquer notícia. Procurei loucamente. Há pouco, soube por antigos colegas, que ele vivia por aqui.
Mandei um recado, dizendo que no dia de hoje estaria à sua espera, sentada neste banco, à beira da lagoa de Araçá. Hoje é o dia do aniversário dele, sabe? Completa 18 anos. 
Estou esperando há mais de duas horas. Você viu? Ele passou, não me falou, nem me olhou, não fez um gesto, nenhum aceno... Está tão magro, sujo, coitado, deve estar doente. Ele precisa de ajuda. Não sei o que fazer. 
A mulher começou a chorar. De repente seu rosto se  anuviou. Chegou a esboçar um leve sorriso. 

Mas ele veio, ele me viu, ele sabe que estou aqui.
Tais palavras lhe deram uma nova força, um novo ânimo.
Agora ele sabe que pode contar comigo. Agora ele sabe que eu estou sempre pronta a recebê-lo, a ajudá-lo, do jeito que ele estiver, onde quer que ele esteja.

Pensei: 
Como poderia eu ajudar a essa pobre mulher? Em seu amor de mãe, ela jamais perdera a esperança. 
Balbuciei:   
Conheço uma comunidade terapêutica. Fica num sítio em Igarassu. Chama-se "Cristo Liberta". Algum dia, talvez...  
Deixei meu cartão e continuei a caminhada.
Nunca mais ouvi falar dela, mas o acontecido transformou minha vida. 

A expressão: ele me viu, ele sabe que estou aqui, vinda do mais profundo âmago daquele ser em prantos, tinha a força da própria vida, a certeza do futuro, a fé na volta do filho desviado. 
-Ele me viu, ele sabe que estou aqui-, significa como é importante para aquela mãe estar lá, simplesmente, na eterna esperança, sem cenas, sem dramas, a dor recolhida ao coração.

Esta é uma história verdadeira. Como tantas outras,  expressa a solidariedade, o amor, a compreensão.
Faz-me lembrar a sabedoria das tribos zulus, da África do Sul. Eles se saúdam de um modo peculiar, nos encontros e nas despedidas, como quem diz olá, ou até logo.
À saudação -sawa bona, que, literalmente quer dizer -te vejo, corresponde uma resposta, -sikhona, que, também literalmente, significa -estou aqui.
Para os zulus, -te vejo, significa:
-eu respeito você, eu valorizo você, você é importante para mim.
E a resposta -estou aqui significa: 
-eu existo para você, pode contar comigo, eu estou disponível para servi-lo.
Portanto, -eu vejo vocês. Nós vemos vocês. Estamos contentes por vocês estarem aqui.

Sawa bona  -  Sikhona.

sexta-feira, 2 de março de 2018

COMO FUNCIONA A DIGESTÃO



COMO FUNCIONA A DIGESTÃO
Tradução de Alberto Bittencourt

LIVRO:  THE BLENDING BOOK 
De Ann Wigmore e Lee Pattinson; ed. AVERY





Em seres vertebrados como nós, o processo de absorção dos alimentos pelo organismo envolve uma complexa engrenagem. É o famaso aparelho ou sistema digestivo.
O sistema digestivo não é apenas um tubo aberto nas duas extremidades com as paredes permeáveis, através das quais os alimentos são assimilados. Pelo contrário, é a sede de um processo extremamente complexo e ordenado que envolve a destruição mecânica e química dos alimentos por etapas determinadas. Essa combinação de ações mecânicas e químicas altera a estrutura dos alimentos. Qualquer alimento que permaneça sem ser absorvido ou assimilado, passa até o intestino grosso e é excretado como lixo.
A descrição do processo digestivo torna mais fácil de compreender como o nosso sistema digestivo tem sido prejudicado pelos hábitos modernos de alimentação e como a liquidificação pode ajudar a corrigir esses danos fácil e eficazmente.
O sistema ou aparelho digestivo é um tubo longo em que se encontram órgãos como boca, estômago e intestinos provido de comportas e barreiras que abrem e fecham em admirável sincronia, dando o ritmo necessário a cada etapa do processo. Além disso, entram em ação coadjuvantes como o fígado e o pâncreas, responsáveis pela produção de enzimas que ajudam a quebrar a comida mastigada em partículas menores. Nutrientes como carboidratos, gorduras e proteínas contêm moléculas complexas que têm de ser partidas para serem assimiladas por nossas células. Essa tarefa cabe a enzimas chamadas hidrolíticas, porque dividem essas longas cadeias moleculares acrescentando a elas moléculas de água. Cabe a nós não sobrecarregar o aparelho – por isso, é fundamental mastigar bem cada bocado.
"Quando comemos depressa, o estômago perde tempo triturando os pedaços grandes que não foram bem mastigados. Isso retarda a digestão e causa desconforto", afirma o gastroenterologista Joaquim Prado Moares Filho, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Resta dizer que a ciência médica ainda não compreende totalmente como funciona o chamado sistema nervoso entérico, complexa rede de fibras nervosas que controla toda a movimentação do tubo entre o estômago e os intestinos.

1 – A BOCA
A destruição físico-química dos alimentos começa na boca, com a formação do chamado bolo alimentar.
A destruição física ocorre com a mastigação. A destruição química é indicada pelas glândulas salivares e enzimas presentes na boca.
Os órgãos do olfato e também do paladar ajudam a estimular as três glândulas salivares.
As glândulas salivares secretam mucus e uma enzima digestiva chamada amilase salivar (ptialina).
O mucus molha os alimentos e permite que eles passem facilmente pelo esôfago (tubo que liga a boca ao estômago)
A amilase inicia a digestão química dos carboidratos (amidos, presentes principalmente em massas).
Deixar de mastigar completamente os alimentos torna esta etapa ineficaz e dificulta o trabalho das outras seções do sistema digestivo. Liquidificar os alimentos supera essa deficiência.

2 – O ESÔFAGO
O esôfago é um tubo com aproximadamente 25 cm de comprimento nos adultos. Ele tem uma participação real no processamento dos alimentos, é uma passagem da boca para o estômago.
O esôfago se contrai e se relaxa progressivamente de modo parecido com o de apertar um tubo de pasta de dentes. Esses movimentos – chamados peristálticos – levam o alimento ao estômago mesmo com a pessoa de cabeça para baixo. Sua missão é resistir à abrasão de quaisquer partículas alimentares maiores.
Quando o bolo alimentar está para entrar no estômago, se abre uma válvula situada no terminal inferior do esôfago: O esfíncter inferior do esôfago. O resto do tempo ele permanece fechado para impedir que o conteúdo estomacal venha tubo acima, o que causaria queimaduras.
Após o alimento passar pelo esfíncter para dentro do estômago, começa a parte principal do processo digestivo.

3. ESTÔMAGO
O estômago é constituído por uma membrana mucosa que contém milhares de glândulas gástricas microscópicas. Essas glândulas secretam ácido clorídrico, enzimas e muco, substâncias que vão compor o que se chama de suco gástrico.
Ao cair no estômago, o bolo alimentar é banhado pelo suco gástrico. Este é um ácido tão forte que queimaria o interior do órgão, não fosse a camada de muco, de cerca de 2 milímetros que o reveste.
A digestão das proteínas começa no estômago, onde duas enzimas - renina e pepsina – decompõe as grandes moléculas em componentes mais simples. Mais tarde, a digestão das proteínas prossegue, sob a ação de outras enzimas – a tripsina no suco pancreático e a peptidase no suco intestinal. Toda molécula de proteína é constituída de muitos aminoácidos, quando essas moléculas são decompostas nos diferentes aminoácidos pelas enzimas, então a digestão das proteínas se completa.
As principais enzimas contidas no suco gástrico são a pepsina (que age nas proteínas) a lipase (que atua nas gorduras). Cerca de três contrações peristálticas por minuto vão misturando o suco gástrico ao bolo alimentar, até deixá-lo cremoso como iogurte.
O fígado produz a bílis, outra substância ácida, com sais que ajudam a quebrar as gorduras. Do pâncreas vem o suco pancreático, que contém mais lipase e amilase (esta, mais concentrada que na saliva).
Os alimentos são mantidos na cavidade estomacal pelo músculo do esfíncter piloro (outra válvula do aparelho digestivo), até que esta etapa do processo digestivo termine, isso em média, leva três horas para a maioria dos alimentos. O bolo alimentar então passa através do piloro para o intestino delgado.

4. O INTESTINO DELGADO
A saída do estômago se dá através da válvula piloro. Ela libera aos poucos o bolo para o duodeno, a primeira seção do intestino delgado. Nesse ponto, ocorre a mistura com as secreções vindas do fígado e do pâncreas.
O intestino delgado é constituído por três seções: o duodeno, o jejuno e o íleo.
A maior parte da digestão química, ocorre no duodeno, a primeira seção. O bolo alimentar que não é de natureza ácida; passa para essa área, na qual um problema relativamente moderno às vezes ocorre: a úlcera duodenal. É geralmente aceito que uma prolongada hiperacidez é uma das principais causas dessas úlceras, além do stress e outros fatores emocionais como ansiedade e principalmente o desgaste causado por alimentos insuficientemente mastigados. A liquidificação dos alimentos pode superar esse problema.
Na segunda seção do intestino delgado, o jejuno, é onde o alimento finalmente começa a ser absorvido. Nesse momento, o organismo libera líquido para facilitar o processo.
Assim como o mucus que forra o estômago, o intestino delgado também contém milhares de glândulas microscópicas que secretam sucos digestivos.
A estrutura multi pregueada das paredes do intestino delgado é coberta por milhares de pequenos "dedos" chamados vilosidades. Cada uma das vilosidades contém uma rica rede de capilares para absorver os açúcares e aminoácidos que são os produtos da digestão dos carboidratos e das proteínas.
Como o intestino é pregueado, possui uma enorme superfície que permite uma rápida absorção dos alimentos pelo sangue e pelo sistema linfático.
Cada vilosidade contém um vaso linfático chamado glândula láctea que absorve os lipídeos e materiais gordurosos do bolo alimentar, A vilosidade por sua vez é coberta por células chamadas microvilosidades que aumentam ainda mais a área de absorção dos nutrientes.
Os sucos pancreáticos (produzidos pelo pâncreas) e a bílis (produzida pela fígado) e estocada na vesícula biliar), vão se armazenar no terço médio do duodeno através dos dutos. Outro problema relativamente moderno que ocorre aí é a icterícia que é o resultado do bloqueio de um ou mais desses dutos. Isto é frequentemente devido à inabilidade de digerir adequadamente os alimentos, de modo que a liquidificação pode ajudar a evitar esse problema, pelo suprimento de alimentos já parcialmente digeridos.

5. O FÍGADO, A VESÍCULA BILEAR E O PÂNCREAS
A maioria das pessoas não entendem bem a importância desses três órgãos no processo digestivo.
O fígado produz a bílis, que é estocada na vesícula. Pelo fato de que as gorduras se decompõem em grandes glóbulos, estes devem ser quebrados em pequenas partículas capazes de serem absorvidas. Esta é a função da bílis. As gorduras do bolo alimentar desencadeiam secreções do hormônio cholecystokinin, o qual, por sua vez, estimula a contração da vesícula para começar o fluxo de bílis.  Este hormônio  também estimula a liberação de enzimas pelo pâncreas.
Além da produção de bílis, as células do fígado têm outras importantes funções.
Elas desempenham o papel mais importante no metabolismo de todas as espécies de alimentos, ajudam a manter normal a concentração de glicose no sangue, iniciam os primeiros passos do metabolismo das proteínas e das gorduras e sintetizam várias espécies de componentes proteicos. As células do fígado também ajudam a desintoxicar várias substâncias, como produtos com bactérias e certas drogas. Elas também estocam ferro, vitaminas A, B-12 e D.
O suco pancreático é também muito importante na digestão. Ele contém enzimas que digerem todos as três principais espécies de alimentos – a proteína, a gordura e o amido. Ele também contém sódio, bicarbonato e substância alcalina que neutralizam o suco gástrico. Além disso, o pâncreas é a sede das ilhotas de Langerhans, que são as células que fabricam a insulina.
Muito pouca digestão de carboidratos ocorre na boca ou no estômago, pois, como foi mencionado antes, a maioria de nós absorve os alimentos tão rapidamente que a amilase salivar normalmente tem pouco tempo para fazer seu trabalho e o suco gástrico não possui enzimas necessárias para a digestão dos carboidratos. É quando o alimento chega no intestino delgado que os sucos pancreáticos e intestinais vão digerir esse amido em açúcares.
O processo começa quando a enzima, amilase pancreática, transforma o amido em um açúcar: a maltose. Então, as três enzimas intestinais – maltase, sucrase e lactase – diferem os açúcares, pela transformação dos mesmos em açúcares simples, principalmente glicose (ou dextrose). A maltase digere a maltose (açúcar do malte), a sucarase digere a sacarose (açúcar da cana) e a lactase digere a lactose (açúcar do leite).
A digestão da gordura também não acontece antes do intestino delgado, e ainda sendo o pâncreas envolvido no processo. A lipase gástrica, uma enzima do suco gástrico, faz a digestão de parte da gordura no estômago, mas a maior parte segue não digerida até que a bilis no intestino delgado quebra os grandes glóbulos das gorduras. Então uma enzima pancreática, estepsina ou lipase pancreática decompõe as moléculas em ácidos gordurosos e glicerol (glicerina).

6. O INTESTINO GROSSO
No intestino grosso, qualquer material que tenha escapado da digestão, no intestino delgado será afetado pelas bactérias assim como nutrientes adicionais poderão ser liberados aqui da celulose e outras fibras. As  bactérias  nesta fase são responsáveis pela síntese da vitamina K -  necessária para o tempo normal de coagulação e funções do fígado – e para a produção de algumas das vitaminas do complexo B que, uma vez formadas, são absorvidas pela corrente sanguínea. Qualquer coisa que não seja absorvida aqui é excretada como lixo e novamente, a liquidificação é útil para este fim, desde que favorece a nutrição que é mais facilmente e completamente absorvida.
Quando o bolo chega ao intestino grosso, ocorre uma grande reabsorção de água pelo organismo. Isso faz com que, a partir daí, ele vá tomando consistência pastosa.
Ao entrar em contato com o colo (ou cólon, seção intestinal entre o íleo e o reto), encontra as bactérias responsáveis pelo mau cheiro do produto final.
As fezes são formadas principalmente por celulose (fibra vegetal não digerível), além de células mortas do tubo digestivo, que se regenera constantemente, e outras moléculas grandes demais para serem absorvidas.
Da boca ao ânus, o bolo completa um caminho de cerca de 7,5 metros em um adulto.

7. O METABOLISMO
Metabolismo é o uso que o corpo faz do que foi ingerido, absorvido e canalizado para as células.
Os alimentos são usados de um dos dois modos – ou como uma fonte de energia ou fabricando compostos químicos complexos que habilitam o corpo ao seu diversificado funcionamento. Os alimentos devem ser processados e absorvidos pelas células, e submeter-se a muitas mudanças antes que uma ou outra dessas coisas possam acontecer.
As reações químicas que liberam energia das moléculas alimentares constituem o processo de catabolismo; esta é a única maneira que o corpo tem para suprir-se da energia que necessita para realizar suas múltiplas funções.
O processo de transformar as moléculas de alimentos num complexo químico de componentes é chamado anabolismo.
Juntos, o catabolismo e o anabolismo constituem o processo chamado metabolismo. A taxa metabólica basal (Basal Metabólico Rate – BMR) é o número de calorias que deve ser disponibilizada a cada dia, simplesmente para manter um indivíduo vivo e funcionando. Nutrição adicional é necessária para habilitá-lo (ele ou ela) a ter energia para trabalhar e outras atividade. Quanto mais ativo é uma pessoa, mais alimento ele ou ela devem metabolizar
Este é por sí só o melhor argumento para a liquidificação dos alimentos. A liquidificação habilita o corpo a utilizar sua energia ao máximo, por tomar todos os nutrientes facilmente absorvíveis e digeríveis, com o mínimo de esforço da parte do sistema.
Uma vez que nós eliminamos  de nossa dieta os alimentos que nos afetam de maneira adversa, e nos acostumemos aos alimentos de alto valor nutricional, teremos pela frente um longo caminho que nos livrará de muitos problemas de saúde que nos têm perturbado e que nós temos aceitado como  "parte da vida".
Quando o corpo recuperar sua saúde, ele produzirá novamente suas próprias enzimas e estará livre de problemas digestivos e poderá ingerir gradualmente uma larga gama de alimentos. Até que isto aconteça poderá haver poucas questões que a liquidificação proposta em meu regime não seja a resposta para aqueles difíceis problemas de assimilação e digestivos e que certamente não mais ocorrerão.

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