ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

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ALBERTO BITTENCOURT - Palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UMA HISTÓRIA DE AMOR

UMA HISTÓRIA DE AMOR
Alberto Bittencourt - 2012

Minha relação com o Rotary Club do Recife – Boa Viagem teve início no mês de junho de 1987, pelas mãos dos companheiros Caio Nogueira e Corsino Dantas, sendo este último o meu padrinho. Essa data representou um marco importante em minha vida, pois a partir daí fui vivendo e aprendendo um novo conceito comportamental e relacional, baseado na amizade, na solidariedade e na ética.
Comecei participando das diversas comissões do clube, até chegar ao ano de 1996-97, em que fui presidente. Jamais esquecerei aqueles três dias de treinamento, em maio de 1996, quando o governador eleito, Arnaldo Neto Gaspar, realizou o PETS – Seminário de Treinamento de Presidentes Eleitos – no hotel Ocean Palace, um resort cinco estrelas de sua propriedade, localizado na Via Costeira de Natal. Reuniu a quase totalidade dos 90 presidentes eleitos e esposas para capacitá-los por meio de palestras, grupos de discussão e, ao mesmo tempo, promover a integração entre eles.
Foi ali que ouvi, pela primeira vez, a expressão: Subsídios Equivalentes da Fundação Rotária. O governador eleito explicou:
 _Você identifica uma entidade, faz um projeto, coloca mil dólares, arranja um clube parceiro do exterior que coloque outros mil dólares e a Fundação Rotária então dobra, colocando mais dois mil dólares.  Em resumo, você coloca mil dólares e recebe quatro mil, finalizou Arnaldo Gaspar.
Os detalhes foram apresentados pelo saudoso ex-governador Emerson Loureiro Jatobá, então presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária.
No fim do encontro, o governador eleito assim exortava a todos os presidentes:
_Quero! E repetia:
_Quero que cada clube do meu distrito faça pelo menos um projeto de Subsídios Equivalentes!
Saí bastante motivado. Recebi a presidência do RC Boa Viagem das mãos do presidente Jones Figueiredo Alves.
Ao assumir, lancei o mote O FEIXE DE VARAS, inspirado na célebre fábula de La Fontaine, “O ancião e seus três filhos”, simbolizando a força da união:

Não pretendemos ser o melhor,
Tampouco queremos ser o maior.
Mas o Boa Viagem, creiam todos,
É forte e unido como um...
FEIXE DE VARAS.

Todos os boletins do clube passaram a ostentar o mote, sempre lido nas reuniões plenárias. O protocolo então dava uma parada antes do final. Era a vez da plateia em peso completar, uníssona, num brado alto e vibrante: FEIXE DE VARAS!
Em sua gestão Jones havia criado os dois clubes de jovens, o Rotaract e o Interact Clubs, o primeiro sob a coordenação da companheira Vânia Amorim e o segundo da companheira Maria Ednice. Bastante atuantes, os jovens identificaram, no ano de 1995, uma creche no Jardim Piedade, município de Jaboatão dos Guararapes, chamada Lar de Cáritas, em condições de muita pobreza e necessidade. Sob a direção de uma abnegada senhora, Vera Lúcia Martins, a creche abrigava cerca de duzentas crianças, metade das quais lá passava o dia enquanto as mães iam trabalhar e a outra metade dormia no local. Havia mães que só apareciam de tempos em tempos. A creche funcionava num barraco caindo aos pedaços, em local de difícil acesso, ao lado de uma lagoa infecta. As crianças viviam espalhadas pelo chão, chafurdando na lama, sem refeitório nem instalações adequadas. 
 
1995 - As crianças viviam amontoadas num barraco.
.
Na presidência, ponderei inicialmente se concentraria os esforços no Lar de Cáritas ou se continuaria no trabalho tradicional do clube, em prol do Patronato N. Sra. da Conceição. Estando este último já estruturado, optei pelo primeiro.
A minha providência inicial foi chamar Emerson Jatobá para uma palestra sobre o tema de Subsídios Equivalentes. Ele deu várias alternativas para arranjar o indispensável patrocínio internacional. Disse que um ex-governador do D.4570, Rio de Janeiro, Yutaka Okumura, enviara pelos Correios 50 cartas-propostas a clubes do exterior, tendo recebido apenas duas respostas. Não titubeei. Escolhi, aleatoriamente, no Official Directory, 160 Rotary Clubes dos Estados Unidos e do Canadá, com mais de 120 membros. Enviei cartas de uma folha apenas, sem entrar em detalhes, propondo parceria para um projeto em favor de crianças carentes. Era o mês de agosto de 1996. Ainda não existia a internet e eu sabia que o tempo conspirava contra, pois os clubes ricos recebiam muitos pedidos de ajuda, principalmente da Índia e do México. Quando chegasse o mês de outubro, certamente eles já teriam comprometido os recursos.  Recebi cinco respostas, duas informando que os fundos estavam esgotados e três solicitando mais informações.
Sendo empresário, construtor e incorporador imobiliário, com uma empresa em pleno funcionamento, tendo como preocupação principal a administração dos meus empreendimentos, não sobrava tempo para tocar esses projetos. Recorri, então, à ajuda de minha filha Annie, proprietária das escolas de idiomas YÁZIGI, que me indicou a professora Susan Clarke, de nacionalidade inglesa, para me assessorar. Susan logo se identificou com os ideais e objetivos do Rotary e abraçou a causa com entusiasmo. A chegada de Susan facilitou enormemente a comunicação com os clubes parceiros. Desenvolvemos três projetos de Subsídios Equivalentes, em prol do Lar de Cáritas:
·       Uma cozinha industrial, com o RC de Edmonton, Canadá
·       Uma lavandaria industrial, com o RC de Eureka, EUA
·       Um veículo VW, tipo Kombi, com o RC Calgary, Canadá.   
                     1997_A primeira Kombi

Esses três projetos perfaziam o valor total de sessenta mil dólares, cabendo ao nosso clube, portanto, a contrapartida da quarta parte, ou seja, quinze mil dólares.
A meta agora seria arranjar essa importância, que teria que ser enviada à Fundação Rotária quando da aprovação dos projetos.
O presidente Jones, que me antecedeu, organizara, no fim de seu mandato, um leilão de objetos de arte no Mar Hotel. Ousadamente ele adquirira um veículo VW Gol para rifar. Chegou a afirmar que pagaria do próprio bolso caso não conseguisse vender os bilhetes. Mas o sucesso foi total. Ele ainda me repassou um saldo de mais de cinco mil dólares, num tempo em que o real engatinhava e a paridade era 1x1.
Precisando completar os recursos, instituí um Consórcio Paul Harris, baseado na experiência exitosa do RC Casa Amarela. Pedro Sampaio, ex-presidente daquele clube, levou-me o modelo dos estatutos e do edital. Após um ano de trabalho, em junho de 1997, ao transmitir a presidência do Boa Viagem para meu sucessor, companheiro Joel Muricy, entreguei os quinze títulos Paul Harris de reconhecimento, recebendo em menos de dois meses os recursos de sessenta mil dólares para implantação dos projetos no Lar de Cáritas.


Jun/1997 - A entrega dos quinze títulos Paul Harris


O ano de minha presidência ainda me reservaria muitas alegrias, contando com a ajuda dos rotarianos e esposas. O saudoso companheiro Manoel Martins de Oliveira, presidente da Avenida de Serviços Internos, instituiu a “Medalha do Ouro da Frequência”. Naquele tempo, não existia a recuperação virtual, e o prazo era de 8 dias antes e 8 dias depois. No dia seguinte à plenária, Manoel já telefonava para todos os faltosos. Certa vez um deles atendeu da Bahia:
_ Estou aqui me recuperando de uma enfermidade.
Manoel foi incisivo:
        _ Já que está se recuperando, não se esqueça de recuperar também a falta à reunião plenária...
        Assim era o comp. Manoel. Como resultado, conseguimos frequência 100% em seis meses do ano de minha presidência e figurar no Quadro de Honra do Distrito, com mais de 90%, nos outros seis meses. No fim de meu mandato entregamos o diploma de “Honra ao Mérito Florisval Silvestre Neto” aos companheiros 100% de frequência no ano rotário, em número bastante expressivo.
        Florisval era um companheiro em todos os sentidos cem por cento. Sócio fundador e terceiro presidente do clube, havia falecido no ano anterior. Era casado com Gracinha Silvestre, que logo tornou-se companheira. Ele era entusiasta do programa da Pólio Plus. Nos Dias Nacionais de Vacinação, participava voluntariamente das reuniões preparatórias e de planejamento na Secretaria Estadual de Saúde e, durante as campanhas, distribuía os companheiros do Boa Viagem, filhos e parentes, pelos postos de vacinação da zona sul. Passava o dia percorrendo esses postos com o intuito de colaborar e dar o seu apoio. Gostava muito de minha filha, Cristiane, que, aos quatorze anos, passava o sábado inteiro vacinando no posto de saúde do Pina, tendo sido, inclusive, objeto de reportagem pelo Jornal do Comércio.







                                          Fev /1990 - Cristiane, dois rotarianos, argentino e uruguaio,
                                           da Campanha Pólio Plus para a América Latina, eu e Florisval,
                             em reunião de avaliação .


       





                 Fev /1990 - Cristiane, em plena campanha de
   vacinação na favela do Bode, no Pina



        Mas o Lar de Cáritas precisava de recursos para a construção das salas de aulas e outras dependências. Rotarianos e amigos saíram em campo. Conseguiram que a Celpe levasse energia elétrica e que a prefeitura aterrasse e abrisse as vias de acesso. Chás beneficentes, desfiles, rifas, campanhas foram realizadas. Muitas empresas doaram materiais de construção. Helena fez o projeto de arquitetura e eu fui o engenheiro responsável pela obra.



    
                                                          


                                        1996 – início das obras





                        2000 – Obras concluídas.
                                        Na primeira foto: Salas de aula.    
                                                       Na segunda: jardins, play ground e galpão.
       

Susan Clarke teve uma ideia genial para conseguir o engajamento de turistas estrangeiros na época do carnaval, nos anos de 1997 e 1998. Bolou um folder intitulado: Let’s take a look behind the mask, que significa “Vamos dar uma olhada por trás da máscara”. O texto, ilustrado por fotos, conclamava os turistas a conhecerem a realidade de nossas crianças, a triste realidade por trás da máscara da folia, da alegria, do carnaval. Os jovens do Rotaract e do Interact se encarregaram de distribuí-lo nos hotéis de Piedade e Boa Viagem. Fizemos algumas parcerias internacionais, cumprindo destacar:

  • Association Enfants du Brésil, (Associação Crianças do Brasil), sediada em Neuchâtel, Suíça, uma associação formada pelos pais adotivos de crianças brasileiras, desejosos de estender algum benefício às crianças que aqui ficaram e que não tiveram a mesma sorte das suas. É presidida pela sra. Monique Joly. Traz sempre ajuda e conforto à dezenas de famílias e entidades.
  • Stichting Straatkinderen Brazilië, (Fundação dos Menores de Rua do Brasil), sediada em Breda, Holanda, cujo representante, Paul Heinrich Steverink vinha anualmente ao Brasil, trazendo ajuda e projetos para nossas crianças.
  • Kiwanis Club de Zürich- Höngg, um clube de serviços semelhante ao Rotary, sendo Felix Kristinger nosso parceiro e amigo. Vem sempre ao Recife na época do carnaval e nunca esquece de nossas crianças. Trocou três vezes a Kombi por outras mais novas, doou recursos para a construção de um centro de informática e do ambulatório médico.
  • Associação dos funcionários da EDF – Eletricité de France,  representada por nosso amigo Michel Jaillet. Um grande benfeitor, um idealista que não mede esforços para melhorar as condições das creches.
A ajuda proporcionadas por essas instituições transformou o Lar de Cáritas numa creche de primeiro mundo, numa pérola dentro de um mar de miséria, de insalubridade:
  • O terreno vizinho, uma lagoa infecta, foi comprado e aterrado. Os barracos da vizinhança foram aos poucos sendo comprados e demolidos, dando lugar a novas e modernas construções.
  • Foram construídas oito salas de aula, berçário, secretaria, enfermaria, banheiros, ampla e moderna cozinha, uma lavanderia industrial, em prédio de dois pavimentos.
  • Com recursos recebidos da EDF, foi construído um castelo d’água, uma fossa séptica, um filtro anaeróbico e tubulado o efluente para um canal, a cerca de 600m de distância. Eles também doaram uma instalação completa de água quente por energia solar, para a cozinha, berçário e banheiros.
  • A Association Enfants du Brésil resolveu o problema da falta d’água, com a perfuração de um poço tubular com 150m de profundidade.
Em todos esses trabalhos, uma figura despontou como grande amigo, incansável, dono de imenso coração e profundo amor pelas crianças.  Era o representante da Association Enfants du Brésil, Marcos Antonio Mendes de Sena, recém chegado da Suiça. Ele, de pronto acreditou no projeto, o que facilitou muito as ligações com os suíços.
Nos anos seguintes, novas ações foram realizadas.  Como mais de 80% das crianças não podiam freqüentar escolas por não terem registro de nascimento. Em novembro de 1997, o Rotary Boa Viagem, com a ajuda de Fernando Cerqueira, levou o Cartório de Registro Civil para dentro da creche. Todas as crianças da comunidade, em número superior a 300, com menos de 12 anos de idade, receberam suas certidões.
Além disso, o Rotary Club do Recife-Boa Viagem e o Lar de Cáritas firmaram convênio com a CAPEMI através de seu braço assistencial, o Lar Fabiano de Cristo, para cobertura das despesas operacionais, como o pagamento de salários das educadoras e auxiliares, fornecimento de cinco refeições diárias para as crianças, doação de cesta básica para as famílias e funcionários, fornecimento de uniformes e pagamento de despesas diversas como luz, gás, etc.
Em 2002, com novos aportes de recursos pela Association Enfants du Brésil,  em comemoração aos seus 10 anos de existência, duas casas vizinhas e um templo evangélico foram adquiridos, demolidos, as áreas aterradas e nos locais construídos um galpão com um grande salão para reuniões, festas, espetáculos, uma quadra poli-esportiva além de um play ground com amplo jardim e dependências
       Novos projetos de Subsídios Equivalentes da Fundação Rotária foram concretizados, a saber:

  • Doação e instalação de um gabinete odontológico, em nova parceria com o RC de Eureka, Ca, USA
  • Colocação de gás combustível no veículo Kombi, em outra parceria com o RC de Edmonton, CA
  • Doação de equipamentos diversos, como bebedouros, freezer, fax, computador, telefone sem fio, e outros, também com o RC de Edmonton.
Para operar o gabinete odontológico e o ambulatório médico, foi firmado convênio com a Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Jaboatão dos Guararapes, que fornece os profissionais de saúde, os quais atendem não apenas às crianças, mas aos familiares e moradores das redondezas.
Como as crianças não podem mais pernoitar na creche, a lavanderia industrial ficou ociosa. Por conseguinte, seus equipamentos foram transferidos para o Abrigo Cristo Redentor, órgão assistencial para idosos, do Rotary Club do Recife, numa parceria de mútua cooperação entre os dois Rotary Clubs
As ONGs suíças costumavam enviar jovens voluntárias para trabalhar em caráter temporário com as crianças. Eram professoras, psicólogas, fisioterapeutas, profissionais ou estudantes, que ensinavam música, danças, trabalhos manuais, inglês, recreação. Elas ocupavam um apartamento próximo ou ficavam hospedadas em casas de companheiros, geralmente por períodos de seis meses a um ano. Lembro bem de Catharine Hengrave, Veronique Jörg e Sandra Tetarati, jovens vindas da Suiça. Elas ficaram impressionadas com o nível de miséria das famílias e decidiram fazer algo. De volta à Suíça, juntaram economias e enviaram a quantia de US$ 15.000 para melhorar as condições subumanas dos barracos em que viviam. Com ajuda da presidente Vera e da secretária D. Alci, coordenei a aplicação desses recursos. Selecionamos as famílias mais carentes e fizemos pequenos melhoramentos em seus barracos, tais como cimentação do piso, troca do telhado, substituição de plástico e restos de tábuas por compensados, além da construção de sanitários. Tudo devidamente documentado, fotografado e prestado contas.

                                             Mar/1998_ Voluntárias suíças prestam serviço no Lar de Cáritas.
                                             Sentadas: Veronique, Catherine e Sandra.
                                             Em pé: Marcos Sena e Joel Muricy

Outra ação realizada sob a bandeira do nosso querido Boa Viagem, já no ano de 1998, foi a parceria com o Rotary Club de Pont Audemer, França. Eu havia representado um casal de rotarianos desse clube em processo de adoção infantil. Infelizmente, mesmo com todas as habilitações e credenciais aprovadas, tanto na França quanto no Brasil, a burocracia aqui instalada, fruto de denúncias nunca comprovadas de comércio de órgãos, acarretara o bloqueio pela justiça brasileira das adoções internacionais. Após quase dois anos de luta, o casal terminou adotando duas gêmeas vietnamitas. Mesmo assim, para manifestar seu agradecimento, propôs confeccionar 15.000 cartões de Natal, com motivos de desenhos das crianças de nossas creches. Eles venderiam a metade na França e nos enviariam a outra metade para venda aqui, sendo a totalidade da renda destinada às nossas crianças. Selecionamos 10 desenhos, dos quais eles escolheram 4. Vendidos a um dólar o cartão, recebemos ao final, cerca de R$ 15.000, aplicados integralmente no Lar de Cáritas.


                   


Dezembro de 1998 – Cartões de Natal com desenhos das crianças,
confeccinados pelo RC de Pont Audemer, França.

       O diretor Hipólito Ferreira, disse certa vez, que o trabalho do rotariano é coroado pelo relacionamento e pelas amizades internacionais que conquista.  Em 1998 fui convidado pelo comp. Russ Mann, do Rotary Club de Edmonton, província de Alberta, Canadá, nosso parceiro nos diversos projetos, para participar do Congresso Internacional de Voluntários – International Congress for Volunteer Effort – a se realizar naquela cidade, com todas as despesas pagas. Lá fomos, eu, Helena e Susan. Ficamos oito dias hospedados na casa de Russ e Johane. O Canadá é um país com longa tradição de serviço voluntário. 80% de sua população presta algum tipo de trabalho, seja na escola, nas comunidades, em instituições públicas e beneficentes. O Congresso reuniu mais de 2500 delegados do mundo inteiro. Fizemos ainda uma apresentação na plenária do RC Edmonton para cerca de 260 associados, sobre os trabalhos do RC Boa Viagem e o Lar de Caritas.

Nunca esquecemos, nem deixamos de apoiar, durante todo esse tempo, nosso tradicional aliado, o Patronato N. Sra. da Conceição. Sediado no Pina, em plena favela do Bode, dirigido pelas irmãs de caridade da Ordem do “Instituto Social das Medianeiras da Paz”, o ISMEP, com sede na Bahia,  abriga cerca de 150 crianças em dois turnos, alternativamente com o ensino fundamental. A história do nosso querido Boa Viagem, desde a fundação em 1982, está ligada à do Patronato. Lá está afixada uma placa, datada de 1985, atestando que nosso clube realizou naquele ano a troca de todas as tubulações de esgotos sanitários e pluviais da instituição. José Corsino Dantas, quando foi presidente, em 1993-94, ali fez construir um pavilhão, denominado Florisval Silvestre Neto. Além disso, o clube sempre manteve no local uma escola de datilografia, com vinte máquinas de escrever, inclusive pagando manutenção e instrutores. Duas vezes por ano, ali se formavam turmas de datilógrafos que eram inseridos no mercado de trabalho, através de empresas de companheiros. Compareci a várias dessas formaturas, com entrega de diplomas, em momentos de intensa vibração e emoção. 

Com o advento da informática, mudou o interesse dos jovens. A escola de datilografia foi substituída por uma escola de informática, denominada José Christóvam Guerra em homenagem ao companheiro recentemente falecido. Os recursos foram financiados por um novo projeto de Subsídios Equivalentes da Fundação Rotária, em parceria com o RC de Edmonton, através de nosso amigo Russ Mann, que veio do Canadá para a inauguração. Foram doados dez computadores, cinco impressoras, TV, filmadora, todo o mobiliário e outros equipamentos, além de realizada a reforma das instalações físicas.

Jan/1988 - As irmãs de caridade Anatília e Zena, recebem de minhas mãos e de Evaldo Amorim o cheque para instalação da sala de informática JOSÉ CHRISTÓVAM GUERRA,
no Patronato N Sra. da Conceição.

Sempre mantivemos uma relação de estreita amizade com as irmãs de caridade diretoras do Patronato, especialmente Anatília e Zena. Quando elas se desligaram da ordem ISMEP e partiram para um trabalho independente, começando do zero, não vacilamos em apoiá-las. As duas operosas irmãs fundaram o CRVV – Centro de Recuperação e Valorização da Vida, ali mesmo, no Pina e levaram com elas o Projeto Criança Urgente. A Association Enfants Du Brésil, AEB, assumiu inicialmente todas as despesas de alugueis, instrutores, funcionários, alimentação. Começaram com 50 crianças. Posteriormente a AEB adquiriu e doou as duas casas onde hoje estudam cerca de 150 crianças. O CRVV participa ainda da educação de adolescentes e adultos, através de convênios com a Prefeitura da Cidade do Recife, como o PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e o EJA – Educação de Jovens e Adultos.

Posso dizer, sem medo de errar, que o Rotary Club do Recife – Boa Viagem foi o trampolim que me permitiu alçar vôos mais altos no Distrito 4500 e no Rotary International. Após ter exercido a presidência, a convite de Emerson Jatobá, fui de 1997 a 2000, presidente da Sub-comissão Distrital de Subsídios e de 2000 a 2003, presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária. Durante esses seis anos aprovamos e concretizamos no nosso Distrito, 105 projetos de Subsídios Equivalentes, no valor total de quase dois milhões de dólares. Fui líder do IGE – 2002, na Califórnia e Nevada, EUA e governador do Centenário, no ano 2004-05. Por tudo o que aprendi, tudo o que colhi, por tudo o que vivi, eu só tenho a dizer:

MUITO OBRIGADO, QUERIDO ROTARY CLUB DO RECIFE - BOA VIAGEM, O FEIXE DE VARAS.


Alberto de Freitas Brandão Bittencourt
Presidente do RC do Recife – Boa Viagem, 1996/97
Governador do Centenário, 2004-05





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

FALECIMENTO DA TIA ENY DOS REIS BITTENCOURT

Queridos primos
Lamentamos o falecimento da tia Eny.
Desde crianças ela esteve presente em nossas vidas.
Na adolescência, eu gostava muito de conversar com ela. Como professora e educadora, parecia ter uma certa curiosidade sobre os nossos pensamentos.  Perguntava o que achávamos desse ou daquele assunto, sempre os mais variados.
Mãe exemplar, não hesitou em deixar o magistério, para se dedicar de corpo e alma à educação dos filhos.
Eu, que detestava fígado e sopa, nessas horas dava graças por não ser seu filho. Ficava só vendo e imaginando o sofrimento de vocês, mas ao mesmo tempo tinha inveja dos dentes perfeitos, imaculados, sem uma só cárie.  
Quando os filhos ficaram maiores, tia Eny estudou história das artes e começou a ensinar.
Amava as viagens e se preparava minuciosamente, estudando em profundidade a história e os detalhes de obras e monumentos que iria visitar. Penso que ela se transportava no tempo para melhor viver a época, compreender o espírito dos artistas no momento da criação. Suas opiniões eram abalizadas, sábias e muito importantes.
Muitas saudades nos vêm daqueles tempos, do tio Hertz, dos almoços dominicais na casa do vô, das nossas correrias pelo quintal.
Não são apenas lembranças, são a nossa essência, a nossa alma, a nossa história.
Beijos
Alberto

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CONSTRUTOR DA PAZ

Tenho a honra de convidá-los para a festa de confraternização do GERE-2011 e posse do presidente reeleito para 2012, Braga Sá, na qual receberei o título de CONSTRUTOR DA PAZ, juntamente com nove outras personalidades. Na ocasião tomará posse o presidente de honra, o companheiro Girley Brasileiro, além da  diretoria executiva da entidade.
A solenidade se dará às 20h00 da quarta-feira, dia 07 de dezembro, no restaurante Boi Preto, ao preço por adesão de R$ 60,00, conforme consta do convite abaixo.

Na oportunidade, dedicarei o título a todos os que militam por um mundo melhor, com mais boa vontade, paz e justiça social, especialmente aos companheiros do Rotary.

Conto com o expressivo comparecimento dos amigos e companheiros.
 Obrigado e abraços


        







domingo, 20 de novembro de 2011

HISTÓRICO DAS CONTRIBUIÇÕES DO DISTRITO 4500 PARA O FUNDO ANUAL DE PROGRAMAS DA FR NO PLANO REAL


ANO ROTÁRIO   CONTRIB P FAP   APÓS 3 ANOS     F D U C    %


1995-96                79.100                  1998-99               47.460         60
1996-97                76.040                  1999-00               45.624         60
1997-98                66.841                  2000-01               40.104         60
1998-99                17.007                  2001-02               10.204         60
1999-00                07.625                  2002-03               04.575         60
2000-01                48.463                  2003-04               29.078         60
2001-02                30.961                  2004-05               18.576         60
2002-03                16.960                  2005-06               10.576         60
2003-04                21.686                  2006-07               10.843         50
2004-05                34.170                  2007-08               17.085         50
2005-06                32.886                  2008-09               16.443         50
2006-07                69.818                  2009-10               34.909         50
2007-08                57.385                  2010-11               28.692         50
2008-09                27.972                  2011-12               13.986         50
2009-10                69.771                  2012-13               34.885         50
2010-11                69.560                  2013-14               34.780         50


OBSERVAÇÕES:



• Nesta Tabela os centavos foram desprezados. Nos valores acima, não estão incluídas as contribuições para a Campanha Polio Plus, Fundo Permanente, Doações dos cubes vinculadas a projetos, nem para diferentes fins como catástrofes e outros.

• As doações dependem muito da cotação do dólar rotário. Por exemplo, em 1999-00, houve uma maxi desvalorização do real, quando o câmbio passou da relação de 1:1 para 1:2, o que explica o baixo valor da contribuição daquele ano.

• A partir de 2010-09, com o advento do PLANO VISÃO DO FUTURO, 50% do FDUC daquele ano passou a ser destinado aos SUBÍDIOS DISTRITAIS , o que reduziu a quantia destinada aos projetos de SUBSÍDIOS GLOBAIS.

• No atual ano rotário, 2011-12, o governador dispõe para os SUBSÍDIOS GLOBAIS de 50% do FDUC deste ano, ou seja, US$ 6.993, acrescidos de cerca de US$ 34.000, que sobraram do ano anterior, totalizando aprox. US$ 41.000. Se não houver projeto, esses recursos se somarão ao FDUC do ano 2012-13

CONCLUSÃO:

• Se o Distrito 4500 não aumentar as contribuições para o FUNDO ANUAL DE PROGRAMAS, os recursos do FDUC para os Subsídios Globais serão muito escassos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OS PONTOS CRÍTICOS DO ROTARY



OS PONTOS CRÍTICOS DO ROTARY

Alberto Bittencourt
(Trecho de palestra e debate sobre o CENTRO DE ESTUDOS ROTÁRIO, apresentado na REPRESE dos clubes do Grande Recife, em 25 de outubro de 2011)








Companheiros.

Sinto que o Rotary de hoje possui quatro grandes pontos críticos. 

São eles os pontos que mais têm atraído as atenções, mais têm sido abordados e enfatizados pelos dirigentes rotários de todos os níveis. É onde o Rotary mais tem concentrando as suas ações. É com esses pontos críticos que o Rotary vem se preocupando nos últimos tempos. Eles são constantemente temas de conferências distritais, seminários, fóruns. 

Por que são pontos críticos? Porque mesmo com todo o esforço despendido, com todos os programas e recursos empregados, não se consegue eliminá-los, resolvê-los, nem mesmo abrandá-los. 

Eles são críticos, porque apesar de tudo o que se fez e se faz, eles continuam desafiadores, intangíveis. Na minha opinião, o Rotary de hoje depende da resolução desses quatro pontos críticos. 

Somente a você, rotariano e a ninguém mais, cabe a missão de levantar e identificar esses pontos críticos do Rotary, para estudá-los, compreendê-los e, finalmente, agir, no sentido de eliminá-los, para que o Rotary volte a crescer, livre, pujante, dinâmico, realizador, eficiente e eficaz.

São eles:

Primeiro Ponto Crítico:
Imagem Pública
(Transparência, visibilidade)

A Imagem Pública do Rotary precisa de brilho. Precisamos fazer com que as luzes da ribalta focalizem mais o Rotary, 

Um ponto crítico é, sem dúvida, a sua imagem pública. Apesar de toda uma mudança de concepção, na prática o esforço despendido não tem surtido o efeito esperado. O Rotary precisa aparecer mais. 

O que percebemos é que o Rotary tem uma visibilidade muito limitada aí fora. Tudo o que fazemos hoje em nossos clubes, todo o trabalho dos rotarianos, seja nas creches, nos centros de apoio a deficientes, nas comunidades, tem tido uma repercussão muito restrita, muito limitada, entre o público que nos observa. 

De maneira geral, os rotarianos se omitem na divulgação dos feitos de seus clubes. Eles não repassam à mídia qualquer tipo de matéria. Bastaria uma pequena lauda com fotos, em linguagem bem atrativa, com a descrição dos trabalhos e do envolvimento do Clube. 

Precisamos criar mecanismos em nossos clubes, envolvendo os associados neste trabalho importantíssimo para a transparência do Rotary, principalmente, porque esta é a melhor forma de atrair futuros companheiros para engrossar nossas fileiras. 

Nossos clubes falham neste quesito, apesar da prioridade que o Rotary vem dando à Imagem Pública, transformando-a em uma das mais importantes ênfases presidenciais de RI nos últimos anos. 

Segundo Ponto Crítico:
Inovação
(Mudança, flexibilidade)

James Hunt, autor do livro "O Monge e o Executivo" disse: "O cúmulo da insanidade é tentar obter resultados diferentes e continuar fazendo a mesma coisa, do mesmo jeito, sempre".

O segundo ponto crítico do Rotary, a meu ver, é a inovação, que hoje também é uma das ênfases presidenciais em 2011-2012, trazida pelo Presidente Kalyan Banerjee.

Inovação se consegue levando para nossos clubes a mudança de paradigmas e a quebra da rotina massacrante.

O Rotary nunca mudou tanto quanto nesses últimos quinze anos. Ele fez uma verdadeira revolução, em se tratando de inovação. 

Começou antes do ano 2000, criando o PLD (Plano de Liderança Distrital), o PLC (Plano de Liderança de Clube), e o Planejamento Estratégico. Somente estes três itens representaram uma enorme transformação em Rotary. Foram mecanismos muito úteis para barrar o marasmo e a acomodação que tomava conta dos clubes, que impedia o seu desenvolvimento. Seus resultados ainda não foram sentidos inteiramente, mas o principal benefício foram a sustentabilidade e a continuidade das ações, das metas e objetivos, que passaram a ser de curto, médio e longo prazo. 

Na Fundação Rotária, o Plano Visão de Futuro também representa uma tremenda transformação em seus programas, métodos e ações. 

O PLD, por si só, representou uma profunda mudança na estrutura dos distritos rotários, com a criação e estruturação das funções do Instrutor Distrital, dos Governadores Assistentes, dando uma ênfase especial aos Treinamentos, como PETS, GATS, Equipe Distrital, além dos Seminários de Capacitação, da Fundação Rotária, Imagem Pública e Desenvolvimento do Rotary.

Ainda há muito a melhorar como, por exemplo, a pouca profundidade na abordagem dos assuntos, devido à exiguidade do tempo disponível, pois os seminários são feitos concomitantemente no espaço de uma manhã. Apesar da repetição em várias cidades do Distrito, falta avaliar e divulgar os resultados desses treinamentos. Qual foi efetivamente o alcance das informações recebidas, que mudanças acarretaram e qual foi o resultado das ações daí advindas? 

Treinamento e capacitação são hoje fatores determinantes de sucesso.

O próprio PLC já sofreu mudanças em 2010, com a criação da Quinta Avenida de Serviços, dedicada às Novas Gerações, (Juventude), de suma importância para o futuro do Rotary. 

No Distrito 4.500, o meu clube, o RC do Recife-Boa Viagem fez parte de um Programa Piloto de Rotary chamado Inovação e Flexibilidade. Foram apenas duzentos clubes no mundo inteiro e somente dois no Brasil. O que um clube de Rotary pode fazer dentro deste programa Inovação e Flexibilidade? Ele pode virar pelo avesso coisas que sempre foram sagradas em Rotary, como o Estatuto do Clube, antes só alterado mediante proposta aprovada no Conselho de Legislação. Como clube piloto deste programa, o RC Recife-Boa Viagem poderia tentar novas experiências, buscar novos paradigmas, novas formas de se reunir e de agir, desde que, claro, fazendo os devidos relatórios. Infelizmente, a maioria de nossos companheiros detesta inovar, inventar qualquer coisa diferente, que os tire da zona de conforto, que os desafie e o programa não trouxe resultados que pudessem ser avaliados. 

Então, companheiros, uma das preocupações de RI é justamente a mudança para acompanhar as transformações da vida moderna.

Quando falamos em mudanças, nos referimos a transformações, não apenas a melhorias. A melhoria é como tornar um gato magro num gato gordo e bonito, mas ele continuará sendo sempre um gato. A transformação significa tornar o gato magro em um tigre, o que é radicalmente diferente. Essas transformações ainda precisam atingir a todos os clubes, com todos os associados trabalhando em conjunto, cada qual em sua comissão, fazendo com que as metas e objetivos sejam realmente alcançados e avaliados.

Terceiro Ponto Crítico:
Liderança
(Integração, participação)

O terceiro ponto crítico que eu vejo em Rotary é a formação de novos líderes. Nunca os clubes de Rotary foram tão carentes de lideranças. 

Se olharmos para nossos líderes, eles são, desde muito, aqueles de sempre, os mesmos. 

Nossos clubes precisam de líderes para mobilizar o quadro associativo. São esses líderes que integram os rotarianos dentro do clube, que fazem uns interagirem com os outros, que fazem com que todos participem e se envolvam nos programas, do clube e do Rotary. 

Assim, o Rotary depende dos líderes, precisa de lideres, são os líderes os responsáveis pelo dinamismo, pela pujança do clube e do Quadro Associativo.

Onde estão os novos líderes dos clubes? Eles deveriam estar presentes e alertas, incentivando e levando os companheiros para o caminho proposto pelo PLC, para que o clube cresça e alcance suas metas. 

Onde estão os novos líderes? Eles estão fazendo muita, muita falta mesmo, nos clubes, nos Distritos e até em Rotary International. 

Ouvi alguém dizer: mas são os próprios líderes que impedem o surgimento de novos, para não perder espaço. Não acredito, respondi. A verdadeira liderança é aquela que forma novos líderes para abraçar e seguir seus ideais. É assim no Rotary.

A formação de novos líderes começa em nossos clubes, com a convocação de companheiros para trabalhos e apresentações, para palestras e exposições. O que muito ajuda na preparação e divulgação destas novas lideranças são as reuniões conjuntas de dois ou mais clubes, os interclubes temáticos e o intercâmbio de rotarianos em reuniões plenárias e palestras em outros clubes.

Quarto Ponto Crítico:
Seriedade
(Comprometimento, ética)

E o último ponto crítico, na minha ótica, chama-se Seriedade. 

Quando eu digo seriedade, eu falo em Comprometimento e Ética, e quando falo em Ética, falo em Prova Quádrupla. 

Não é a totalidade, graças a Deus, mas podemos ter a certeza que para grande parte dos rotarianos, falta seriedade no compromisso rotário.

O que é seriedade? Seriedade é não ficar acomodado, não empurrar com a barriga as obrigações para com o grupo, nem os compromissos que, como rotariano assumiu. Hoje em dia é o que você vê a maioria dos associados fazer. ]

Quem não tem seriedade, quem não vê o Rotary com seriedade, não comparece às reuniões, não assume funções e quando as tem, não se empenha no trabalho, não faz jus ao distintivo, nem ao título de rotariano.

Conclusão

Esses Quatro Pontos Críticos aparecem nitidamente quando se faz uma análise a partir dos problemas que nossos clubes enfrentam. Eles precisam vencer e superar estes Quatro Pontos Críticos, para que nossa associação volte a crescer numericamente e possa produzir ações cada vez mais importantes para a humanidade.

Acredito que os CENTROS DE ESTUDOS ROTÁRIOS dos Distritos possam dar uma efetiva colaboração nesse sentido.

Precisamos fazer alguma coisa, começando dentro de nossa casa, para que, depois, fortalecidos e unidos como um FEIXE DE VARAS, possamos defender um BRASIL cada vez melhor, alegre e feliz.


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domingo, 30 de outubro de 2011

PROJETO HEMOPE - SUBSÍDIO GOLBAL DA FR



PROJETO HEMOPE

Alberto Bittencourt



A Fundação Rotáriadepositou nos últimos dias do mês de setembro passado, a quantia de R$ 160.000,00em conta específica do RC Recife-Boa Viagem, para o projeto de Subsídio Globalnúmero # GG 25.434, em benefício do HEMOPE. 

O HEMOPE é uma fundação do estado de Pernambuco, atuando nas áreas de Hematologia, Hemoterapia, produção de hemoderivados, ensino e pesquisa. Maiores informações podem ser obtidas no site abaixo:

http://portal.saude.pe.gov.br/institucional/rede-estadual-de-saude/hemope/  

Essa verba, correspondentena ocasião a US$ 100.000,00, tem por objetivo possibilitar a realização pelo HEMOPE, de coletas externas de sangue, nas comunidades mais pobres, evitando assim que os doadores tenham que se deslocar ao centro do Recife, o que implica em gastos de dinheiro e de tempo. Além disso, as instalações físicas do HEMOPE no Recife, são limitadas para receberum número maior de doadores. 

De acordo com o dr. Divaldo Sampaio, presidente do HEMOPE, o projeto vai possibilitar um aumento decerca de 20% na capacidade de coleta de sangue. O Centro, sempre carente dedoadores, supre os inúmeros hospitais das redes pública e particular do estadode Pernambuco. 

O projeto consiste na doação de um micro-ônibus de 16 lugares, marca FIAT, modelo DUCATO, no valor aproximado de R$ 90.000,00. Prevê ainda a doação de 12 conjuntos de cadeiras de campanha para a coleta externa, 12 conjuntos de caixas térmicas para acondicionamento e transporte do sangue e uma verba para treinamento de equipes e conscientização dos doadores. 

Os produtos já foram encomendados, tendo sido agendado o dia 25 de novembro do corrente ano para acerimônia de entrega, data que coincide com o aniversário da entidade. Ficou marcada também o dia de 23 de novembro, quarta feira, para, na plenária do RCRecife – Largo da Paz, em reunião conjunta de todos os Rotary Clubs parceiros doprojeto, prestarmos homenagem à diretoria do HEMOPE e a outros colaboradores.

O projeto é um Subsídio Global do Plano Visão do Futuro da Fundação Rotária, patrocinado por quatro Rotary Clubs locais: os RCs do Recife – Boa Viagem, Largo da Paz, Casa Amarela e Derby. O Rotary Club parceiro do exterior é o RC Leça do Balio, do Distrito1970, Portugal, que também é distrito piloto do Plano Visão do Futuro.

A participação financeirados clubes, de cerca de US$ 32.000,00, foi ajudada pela colaboração das empresas privadas CELPE e BRADESCO, no valor de R$ 20.000,00 cada. Esses recursos foram fruto do trabalho e dedicação de rotarianos, em especial, a companheira Roberta Melo, do RC Recife-Largo da Paz, secretária da presidência da CELPE e JoséValdemar Pereira, do RC Recife-Derby, que trabalhou mais de 30 anos como gerente do BRADESCO. 

O RC Recife-Boa Viagem tem a agradecer a participação da companheira Gracinha Silvestre, que doou a importância correspondente a US$ 2.000,00. 

Agradecemos à governadora 2010/11, do D4500,Tereza Neuma, que aportou do FDUC a quantia de US$12.499,00, bem como aos governadores Álvaro Gomes e Diamantino Gomes, do Distrito 1970 e ao RC Leça do Balio, que, sendo parceiros internacionais viabilizaram o projeto. Também participou o Distrito 4420, Santos e São Paulo, com a doação de US$10.000,00 de seu FDUC.

A todos, nossos mais sinceros agradecimentos, principalmente a Celma Antonino, do RC Recife-Largo da Paz, idealizadora do projeto, pelo estímulo, dedicação e empenho na superação das dificuldades, como nos momentos em que o site do Plano Visão do Futuro entrou em pane. 

Não poderíamos deixar de agradecer a Maria Emig, Coordenadora do PVF em Evanston e Henrique Vasconcelos, Coordenador Zonal da FR, pela ajuda e apoio.

Muito obrigado.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

FRED NOS ENSINOU

FRED NOS ENSINOU

Alberto Bittencourt


Frederico José Vieira de Mello foi um homem simples, amigo, companheiro exemplar, chefe de família dedicado e amoroso, profissional competente, que em vida, soube como ninguém personificar o lema “Dar de Si, Antes de Pensar em Si”.

Fred enfrentou com galhardia, anos e anos, o sofrimento causado pelo mal que lhe afetara rins e coração. Nesse tempo jamais se queixou, jamais se deixou abater, jamais permitiu que a angústia e o desespero, tomassem conta de seu ser. Fred superou um sem número de internações hospitalares com otimismo, de cabeça erguida, olhando para a frente, com fé em Deus e esperança no futuro.

Fred jamais abandonou a luta contra a doença sutil. Ele sempre soube dialogar com as entranhas de seu mal, sabendo que uma melhora ocasional não significava a cura, mas, que na história de nosso corpo, a única coisa definitiva é que nada é definitivo, que podem advir tempestades e calmarias, oscilações para cima e para baixo, conflitos entre desejos e necessidades, entre o possível e o impossível, alternâncias entre a luz e a sombra, adaptações ora efêmeras, ora duráveis, tempos de combate e períodos de paz.

Fred soube nos insuflar a paixão e o gosto de viver, Ele nos mostrou como desenvolver recursos para fazer face à agressão violenta, tão discreta quanto invisível, do tratamento da hemodiálise.
Fred foi buscar a força divina no âmago de seu ser, para nos mobilizar a todos, para fazer crescer a vida que palpita em cada um de nós, levando-nos, com uma vibração especial, ao encontro de nossas riquezas mais profundas. Seu maior legado vem de seu exemplo, de seu testemunho, de seu engajamento, de seu modo de vida.

Na família, era extremamente dedicado e carinhoso com a esposa Núbia, com os filhos João Marcelo e Renata, com os netos, Samuel, Pedro e Artur, a quem muito amava e de quem muito se orgulhava. Ele sempre transmitia a palavra de bondade, de fé e de esperança, de amor ao próximo, sem deixar de ensinar os verdadeiros valores humanos, como a honestidade, a solidariedade, o trabalho.

Em seu escritório de contabilidade, Fred era o profissional querido e respeitado, por clientes e funcionários. Foi o conselheiro-consultor requisitado por pessoas físicas e jurídicas, estudioso e conhecedor profundo que era dos meandros da legislação trabalhista, fiscal, tributária.

No Rotary, Fred agia muito mais pelo exemplo. Com suas atitudes corretas e dignas, indicava o caminho da ética, da retidão, do amor ao próximo, da dedicação a uma causa.
Conheci Fred lá pelo ano de 1985. Foi num encontro de preparação do Intercâmbio Internacional de jovens, do qual minha filha Simone participava. Eu ainda não era rotariano mas, deu para notar aquela figura dinâmica, que se deslocava de um lado para outro, parecendo estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ajudando, colaborando, apresentando propostas e soluções, tudo providenciando, a tempo e a hora. Assim era o Fred, assim me acostumei a vê-lo em reuniões rotárias, seminários, assembléias, conferências. Assim me tornei seu admirador e amigo.

Fred costumava se doar inteiramente aos inúmeros governadores dos quais integrava a equipe. Reinaldo e Dulcinéa, José Ubiracy, Aluísio, eu próprio, entre outros. Todos lhe seremos eternamente gratos.
Eu não tenho a menor sombra de dúvida, como lhe disse uma vez, que devo a Fred o sucesso de minha governadoria, no ano do Centenário do Rotary International, 2004-05. Nesse ano, ele colocou várias pontes safenas, em delicada operação cirúrgica. Não obstante, de seu leito convalescente, Fred nunca deixou de despachar comigo as coisas do Rotary e da governadoria.

Nos últimos meses, Fred mergulhou fundo no planejamento da gestão do governador Luis Mário Calheiros, para o ano 2012-2013. Deixou tudo agendado, tudo programado, eventos, datas, visitas, treinamentos, seminários.

Muito obrigado, Fred. Você vai fazer muita falta, mas eu não tenho dúvidas de que seu espírito estará sempre presente, como um anjo protetor que sempre foi, a zelar pelos entes queridos e amigos. Quando a tristeza vier, veremos no firmamento o brilho cintilante da pequena estrela. Será você, Fred Vieira, a nos mostrar o caminho da superação, da verdade e da fé.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O ROTARY DO SEGUNDO SÉCULO

Tendo sido governador do distrito 4500 em 2004-05, ano do centenário do Rotary, um dia postei a fábula de La Fontaine, “O Velho e seus Três Filhos”, referindo-me ao “Feixe de Varas”, que adotei como símbolo de união e companheirismo da família rotária desde a minha presidência no RC Boa Viagem, e na minha governadoria. Inspirado no estribilho do hino do RC Tijuca, de autoria de um rotariano exemplar, já falecido, chamado Celso Macedo, que criou o mote “O Bom prá Valer”, adotei o seguinte mote:

Não pretendemos ser o melhor,
tampouco queremos ser o maior,
mas a Família Rotária, creiam todos,
é forte e unida como um FEIXE DE VARAS.

Quando fui governador do D.4500, o Feixe de Varas tornou-se o símbolo da união e do companheirismo da Família Rotaria, cumprindo a ênfase do presidente do centenário, Glenn Estess, que disse: O Rotary não foi feito para tirar o rotariano do seio de sua família, mas para trazer para dentro do Rotary, o rotariano e toda a sua família.
O Rotary é como uma estrada. A gente vai caminhando e aprendendo. Uma das coisas que me ensinaram, é procurar sempre uma palavra ou um mote que se associe à sua gestão, seja na presidência do clube, de uma comissão ou como governador do distrito. Os grandes palestrantes têm a sua. A palavra chave de Lair Ribeiro é SUCESSO. Ela está presente nos títulos de seus livros, nas suas publicações. A de Roberto Shiniachiki é CAMPEÃO. A de Bernardinho é DISCIPLINA. São palavras ou grupos de palavras que se associam ao autor. Além desse mote do FEIXE DE VARAS, eu busquei, quando fui governador, identificar qual a tendência, ou quais seriam as três palavras que sintetizassem o Rotary do segundo século de existência, ou o Rotary do futuro, do terceiro milênio. Não foi difícil encontrar essas três palavras, pois todo mundo, a toda hora fala nelas. As palavras-chave que eu encontrei e que são também três tarefas do rotariano, são:

VISIBILIDADE, INTEGRAÇÃO E MOBILIZAÇÃO.

Decorridos seis anos de minha governadoria, vejam como essas palavras continuam atuais.

A VISIBILIDADE é expressa na IMAGEM PÚBLICA. Naquela época ainda não se dava a importância de hoje. Estava apenas nascendo a necessidade do Rotary se mostrar, mostrar o que os rotarianos fazem, aparecer na mídia. Tardiamente o Rotary descobriu que quem não mostra o que faz, não fez.
Eu sempre digo aos novos rotarianos, no dia de sua posse que um coisa é certa, que uma coisa vai acontecer em sua vida de rotariano. É que certamente ele será um dia convocado para ser presidente do clube. E, digo-lhe, esteja certo, você não poderá se furtar a essa convocação, pois como voluntário, a única chance de dizer não é quando se é convidado. Depois de aceita a missão, tudo passa a ser uma obrigação. Para ser um presidente de sucesso, procure uma palavra chave que marque a sua passagem pela função, que não seja esquecida quando você deixar a presidência, que todos associem à sua gestão. Você pode copiar, pode usar algo que já tenha sido empregado, pois em Rotary, as boas idéias são para serem copiadas, melhoradas, aplicadas.
Procure aparecer, não por vaidade ou por uma simples questão de aparecer. Lembre-se que antes de ser presidente você é um servidor. Está ali para servir à coletividade que o elegeu. Use o boletim do clube para postar suas idéias, use a tribuna para expor a sua visão do clube, da região que o acolheu, da comunidade. Desenvolva suas qualidades de LIDERANÇA. Com isso você estará se desenvolvendo, crescendo intelectualmente e como pessoa humana.

A segunda palavra, INTEGRAÇAO. Esse é um conceito abrangente. Significa a integração dentro do clube, da família rotária, dos novos e velhos companheiros. Pode ser substituída por outra palavra chave fundamental num clube de voluntários que é: RELACIONAMENTO. Você pode despejar toneladas de informação rotária, mas se não houver relacionamento entre os companheiros, essa informação cairá no vazio, em terreno estéril. As mulheres são muito mais eficazes nesse ponto. Elas sabem como cultivar relacionamentos, como aparar arestas, como fazer novas amizades.
O relacionamento pode nos trazer muitas alegrias, muita felicidade.
Há uma outra palavra que define bem como deve ser o relacionamento. É EMPATIA. Significa “coloque-se no lugar do outro”. Os conflitos sempre existirão. O segredo da empatia é ver a situação do ponto de vista do outro, entender as razões do outro.
A integração significa também o relacionamento fora do clube, com entidades parceiras, com órgãos do governo, com empresas privadas, com outros clubes de Rotary ou de serviço, com a sociedade em geral.

A terceira palavra chave é MOBILIZAÇÃO. É a mais difícil e urgente. Decorre de outra palavra que é a MOTIVAÇÃO. Como motivar os jovens, os companheiros para o serviço voluntário, desinteressado, é a nossa tarefa. Há outra palavra decorrente: COMPAIXÃO, segundo o conceito do budismo tibetano. O novo conceito de COMPAIXÃO significa antes de tudo, AÇÃO. Não é caridade, nem piedade. Não é estática. É dinâmica. Significa dar atenção ao próximo, agir em favor dos mais necessitados.
A palavra MOBILIZAR tem se tornado cada vez mais difícil para nós do Rotary.
O que é a nossa vantagem, é também a nossa dificuldade. Nosso foco é de uma abrangência muito grande. Vai desde a criança, passando pelos deficientes, pelos jovens em situação de risco, pelos idosos, pelos enfermos. Cuidamos do meio ambiente, das escolas, dos hospitais. É muito pulverizado. São mais de 33.000 clubes em 213 países e regiões geográficas. A nossa capilaridade permite atuar nos menores e mais escondidos rincões, nas pequenas comunidades, fazendo lá chegar a ajuda da Fundação Rotária.
Mas nós temos a concorrência de milhares de outras ONGs de atuação mais concentrada, que não têm nem a rigidez nem as formalidades do Rotary, onde, para se tornar um militante, basta preencher um formulário de adesão e sair por aí, levantando a bandeira da instituição. Cito, como exemplo o GREEN PEACE. Foi fundado em 1975 e conta com 2,5 milhões de militantes no mundo. Com freqüência aparece na mídia em sua luta pela preservação do meio ambiente, da flora e da fauna, do clima, contra a poluição dos mares e da atmosfera. No Rotary, somos 1,3 milhões, mas nem todos são militantes. Muitos são simpatizantes.

Mas o Rotary evolui, na sua busca incessante de novos caminhos, de novas maneiras de atuar.
VISIBILIDADE, INTEGRAÇÃO, MOBILIZAÇÃO, - são três palavras, três atitudes. Essas três palavras sintetizam a três tarefas dos rotarianos do segundo século.

sábado, 11 de junho de 2011

DESARMAMENTO




O Brasil, é um dos países em que a violência tem crescido em índices de 5,5 % ao ano. Se esse índice significasse desenvolvimento, estaríamos no patamar das nações mais desenvolvidas do mundo.

Lamentavelmente a nossa imagem não é das melhores. Temos entre 2 a 3% da população mundial e entre 12 e 13% das vítimas mundiais por armas de fogo. São dados da Campanha da Fraternidade de 2005, que não nos deixam mentir.

Triste imagem a do Brasil, campeão de índices de morte por armas de fogo. A cada 13 minutos um nosso irmão está morrendo, vítima de arma de fogo.
Em média, são 50 mil vítimas por ano, a maioria com idade entre 18 e 24. Um verdadeiro genocídio. A população jovem masculina neste país está sendo dizimada, a tal ponto que, segundo o IBGE, mudou o perfil populacional do País, reduzindo o número de homens em relação ao de mulheres. É uma situação similar à de um país em guerra, quando a grande mortalidade de homens jovens altera o equilíbrio numérico entre os sexos. E em conseqüência, os costumes.

Um jovem de 20 e poucos anos que morre vítima de arma de fogo, leva consigo todo um investimento do estado, em educação, em saúde, todo esse dinheiro escoa pelo ralo, nas guerras entre grupos de traficantes, nos embates com a polícia, numa sociedade em que as opções de vida honesta são poucas, onde permeia o desemprego onde a juventude se afunda na miséria, na falta de oportunidades.

Nos últimos 10 anos, 500.000 pessoas foram assassinadas neste país. Quase 10 vezes mais do que em 12 anos de guerra do Vietnan, quando morreram 58.000 soldados norte-americanos. Mata-se mais neste país que nos EUA, que é considerado um país armado. Mata-se mais neste país que na China, com 1,3 bilhões de habitantes. Mata-se mais neste país que na Índia, que tem 1,2 bilhões de habitantes.

Não podemos nos conformar. Não temos o direito de ficar omissos ou indiferentes.
O contrário de paz não é a guerra, o contrário de paz é a omissão e a indiferença.
Martin Luther King, prêmio Nobel da Paz, disse:

"O que me assusta não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos homens de bem"

Os homens do bem são tímidos, os homens do mal são ousados. Quatro homens do mal trocam dois olhares e formam uma quadrilha para praticar assaltos. Os homens de bem ficam conjeturando, enrolados em burocracia, fazendo discursos. Citam estatísticas em intermináveis reuniões mas esquecem tudo quando termina o evento. Não nos mobilizamos para a ação, para fazermos o que é preciso para mudar esse quadro de violência. Nós temos que levar adiante tudo o que se apregoa nas plenárias rotárias, em fóruns, seminários, conferências, não podemos ficar só nos palavrórios, nas boas intenções, sem sair da inércia.

Temos que deixar de lado os discursos teóricos e passar da retórica à ação. É preciso fazer alguma coisa, já, aqui e agora. Não podemos nos conformar, não podemos permanecer acomodados, enquanto nossos irmãos estão morrendo lá fora. Temos que mudar esse quadro, deter essa violência crescente que ameaça a todos. Precisamos voltar a olhar para as pessoas nas ruas, para as crianças nos cruzamentos, como seres humanos que são e não como ameaças potenciais.
Como dlsse Martin Luther King:

"Não podemos saciar a sede de justiça no cálice do ódio".

Eu quero fazer um apelo a todos vocês. Vem aí o segundo plebiscito do desarmamento que visa proibir o comércio de armas de fogo no país. Considerando que 57% dos criminosos, autores de assassinatos por arma de fogo nunca tiveram antecedentes criminais (dados da Campanha da Fraternidade), que 57% dos criminosos matam numa discussão de bar, de futebol, em crimes passionais, ou mesmo por descuido ou acidente, o que vemos diariamente nos jornais, se houver o desarmamento da população esses índices cairão para metade. Então nós temos que nos levantar em favor do SIM no referendo.

Existem companheiros, quase 20 milhões de armas de fogo nas mãos da população. A primeira campanha do desarmamento arrecadou 300 mil. Não é nada, e como não existe dinheiro para pagar essas 20 milhões de armas, nós vamos ter que fazer uma campanha, para que haja o desarmamento espontâneo pela própria população, e que o ferro dessas armas seja transformado em matéria prima para fabricação de equipamentos hospitalares, como camas, mesas, utensílios e por que não dizer, na fabricação de distintivos rotários, que são o símbolo da paz?

Vamos nos unir em favor da paz, precisamos nos mobilizar a favor da paz.
Entretanto, não falemos apenas no que se refere aos excluídos, às populações miseráveis, aos marginais. Não nos esqueçamos principalmente do homem que freqüentou escola, que teve instrução, que aprendeu a distinguir entre o bem e o mal, do homem de nível universitário, profissional de carreira, executivo, empresário, juíz, político, banqueiro e todos aqueles que usam colarinho branco, ostentam anel de grau no dedo anular, e que vemos diariamente na televisão responderem por atos lesivos ao bem comum. Talvez sejam eles os maiores culpados pela triste realidade do Brasil de hoje.

Contra esse estado de coisas, se insurge o ROTARY.
É chegada a hora de mostrar a todos que o Rotary é capaz de mudar essa situação.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

TRANSFORME-SE NUM PACIFISTA




TRANSFORME-SE NUM PACIFISTA

Há hoje, no mundo, 14 guerras e conflitosarmados em andamento, que matam centenas de pessoas em diferentes países.

Após um século em que duas guerras mundiais e centenas de outras menores produziram 60 milhões de mortos, deveríamos ser, mais do que nunca, atentos à vida e aos direitos do homem.

Se a paz mundial ainda não chegou, é porque os líderes mundiais ainda não elevaram suas consciências para, em conjunto, numa mútua cooperação, trabalhar pela paz.

O grande objetivo do Rotary é criar a paz,sabendo que ela é possível.

O Rotary trabalha pela paz interior, na razão de ser um instrumento de crescimento e desenvolvimento pessoal, através de seus programas educacionais.

O Rotary trabalha pela paz social, na minoração do sofrimento do próximo, na ajuda a quem precisa, nas famílias, nas comunidades e no mundo, através deseus programas humanitários.

O Rotary trabalha pela paz ambiental, em defesa do meio ambiente, na preservação dos recursos naturais.

Cabe a você, jovem estudante, a você,militante do terceiro setor, a você, membro da sociedade civil organizada, a você profissional, cobrar das instituições e dos governos as ações que se fizerem necessárias para encontrar a paz.

Há cinco maneiras de se transformar numpacifista:

1.Aplique a Prova Quádrupla Rotária.

A maneira mais simples de percorrer oCaminho da Paz é vivenciar e praticar a Prova Quádrupla Rotária, seja notrabalho, na empresa, na família, em sociedade:

“Do que nós pensamos, dizemosou fazemos:

É a verdade?

É justo para todos os interessados?

Criará Boa Vontade e melhores amizades?

Serábenéfico para todos osinteressados?”

2. Seja um ativista social.

É o engajamento político. Participe da política partidária, exerça pressão sobre autoridades, governos, políticos. Participe de manifestações públicas de protesto, campanhas e marchas da Paz. Envie artigos e cartas para jornais, revistas, autoridades. Denuncie os casos de malversação de recursos públicos.

3. Seja um humanitarista.

Trabalhe em apoio às creches e instituições que tiram as crianças da rua, em apoio aos abrigos de idosos, aos centros profissionalizantes, aos centros de deficientes, de recuperação de drogados, aos hospitais, às comunidades carentes. Trabalhe contra a fome, a miséria, o analfabetismo, a ignorância.

4. Realize a transformação pessoal.

Nando Cordel ensinou: “A paz no mundo começa em mim”. A transformação pessoal é adquirir a consciência da paz. É quando você resolve acabar com a guerra pessoa por pessoa.

Deepack Chopra, em seu livro “O Caminho da Paz”, disse; “A tradição religiosa de rezar pela paz começa por acabar com aguerra dentro do coração. Depois, como uma onda de luz, extravasa para a nossa família, para os nossos amigos, para os nossos círculos de relações, alcança os dirigentes de nossa cidade, dos países, do mundo. Se um número suficiente depessoas no mundo se transformarem em pacifistas, teremos uma massa crítica que pode mudar o mundo. A guerra acabaria”.

Foi uma massa crítica de seres humanos que formou as religiões, que aboliu a escravatura do mundo, que acabou com o apartheid e com a discriminação racial.

A eliminação da poliomielite da face daTerra só é possível porque o Rotary formou uma massa crítica que há mais de vinte anos trabalha diuturnamente com esse objetivo.

Todas as tradições espirituais acreditam que a paz precisa viver no coração das pessoas antes que possa existir no mundo exterior.

5. Compartilhesua experiência de paz.

- Compartilhe seu sonho de paz. Converse sobre a paz. Na medida em que um número cada vez maior depessoas participarem desse compartilhamento, sua massa crítica surgirá.

- Compartilhe sua experiênciade paz por e-mail, por telefone, nos jornais, revistas, na mídia.

- Compartilhe a consciência da paz com outras pessoas, na família, na escola, no trabalho.

- Compartilhe sua gratidão pelo fato de outra pessoa encarar a paz com tanta seriedade quanto você.

- Compartilhe suas idéias para ajudar o mundo a ter paz.

- Compartilhe sua energia, sua força, sua abundância para ajudar qualquer pessoa que deseje se tornar um pacifista.

Organize fóruns de discussões. Transforme seu Rotary Club em círculos no qual todos tenham a chance de falar no seu desejo de promover a paz. Que cada clube se transforme numa “Célula da Paz”, num grupo que deseja promover a paz nas ruas, nas escolas, nascomunidades.

A paz é uma visão íntima, de cada um, invisível, oculta. No momento, é apenas uma centelha que queima em nosso peito. Em algum momento essa centelha se incendiará e juntará com outras centelhas que também se incendiarão e teremos então a grande chama. A chama da Paz Universal.

terça-feira, 29 de março de 2011

INCOMPATIBILIDADE FATAL

Após termos visitado os 92 Rotary Clubs do Distrito 4500 no segundo semestre de 2004, ano essencialmente político, chegamos à conclusão, eu e Helena, que a filosofia do Rotary, de ser apolítico como instituição, é um princípio ético que não pode mudar.
Nesse período eleitoral, percorremos clubes inteiramente desagregados, divididos, perdidos.

Vimos clubes que suspenderam todas as atividades meses antes do pleito e que, somente por um milagre conseguiram retomar, posteriormente. O que restou foram escombros, restos recompostos do que antes fora um pujante Rotary Club
Encontramos clubes que nunca mais se recuperaram. Perderam-se definitivamente para o trabalho rotário.

Há o caso daquele tesoureiro de clube que se candidatou a vereador da pequena cidade, sem ter se desvinculado das funções rotárias. Perdeu a eleição e o clube perdeu o companheiro, as finanças, talões de cheques e documentos. Até hoje chora a ética esquecida.

E pior. Quando um presidente de clube candidatou-se a prefeito, escreveu-se a crônica da morte anunciada. Havia nesse clube outros companheiros candidatos a vereadores. O presidente não se elegeu, gastou o que podia e o que não podia. Botou a culpa nos rotarianos, divididos, que não o apoiaram. Rotary? Perda de tempo, gasto inútil de dinheiro que não tenho mais. Não quero nem saber. E os companheiros, desagregados, perderam a fé e a esperança. Nunca mais se reuniram.

Quando a política partidária permeia o clube, quando rotarianos levam para reuniões rotárias suas preferências, a divisão se instala. Desinstala-se a unidade, o companheirismo, a harmonia. A filosofia do Rotary é incompatível com os ânimos acirrados das campanhas eleitorais, principalmente nas cidades do interior.
E por que isso ocorre? Simplesmente porque o que move os homens, o instinto mais forte, é a fome de PODER. É da natureza humana. Todos querem sentir o gosto do poder, ter um poder cada vez maior, se lambuzar de poder e de autoridade.
Aí está a grande diferença: Em Rotary, ninguém tem poder ninguém tem autoridade. O que nós temos em Rotary são diferentes níveis de responsabilidade, disse-nos Jonatham Magyiabe, ex presidente de RI.

Mas não é apenas isso. Há muitas outras diferenças.
Um rotariano não pode ter inimigos, nem adversários. O rotariano é amigo e companheiro de todos, indistintamente. Já ao contrário, todo candidato político, seja ele de bom ou mau caráter, é uma usina de desafetos. São as pessoas interessadas em derrubá-lo, em usurpar fatia de seu poder, em não deixar que cresça. São “amigos” que muitas vezes agem na surdina, sem se mostrarem, sem aparecerem, sem se declararem como tal.
Além disso, o rotariano vivencia a prestação de serviço voluntário, o trabalho desinteressado em favor do próximo. Já o candidato político visa o interesse próprio, arranjar votos, aliciar novos eleitores.
O rotariano prega e pratica sempre a verdade, como um código de ética, em tudo o que pensa, diz e faz. O candidato tem a palavra fácil para prometer o que nem sempre pode cumprir. Em princípio, não se norteia pela Prova Quádrupla, quando coloca a verdade ao sabor dos interesses eleitoreiros. Como dizia Roberto Campos: Em política o que importa não é o fato, mas a versão.
O rotariano valoriza o trabalho em equipe e para tanto organiza-se em comissões, em grupos de trabalho. O candidato político articula-se conforme os interesses do momento. São as famosas alianças políticas. Os que ontem eram inimigos, adversários ferrenhos, de um dia para o outro passam a ser confrades, amigos íntimos, sinceros correligionários.

Pelo dito, estou mais do que convicto que, se alguém, em algum clube de Rotary, tiver a pretensão de concorrer a qualquer cargo político, deve se desvincular do clube antes da campanha eleitoral.

Não quer dizer que, fora do período eleitoral, o político eleito, consagrado por seus ideais, não possa ser sócio de um Rotary Club. Conhecemos homens públicos, políticos, em nosso distrito, que são excelentes e exemplares rotarianos.