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sexta-feira, 11 de março de 2011
O ROTARY DO SEGUNDOS SÉCULO
sábado, 5 de março de 2011
COMENTÁRIOS DE COMPANHEIROS
Quadro Social – Reflexões
Alguns companheiros, utilizando o texto recebido, teceram considerações abordando a realidade de seus clubes. De tão ricas as reflexões, e por serem muitas vezes complementares ao artigo, resolvemos sintetizá-las num texto único, à guisa de auxílio aos clubes.
Segue-se abaixo um extrato resumido dos comentários recebidos dos seguintes companheiros:
• Carlos A. Marangone - Rotary Club de Presidente Prudente
• Roberto Flávio - Rotary Club RJ Rio Comprido
• Paulo Ricardo - Rotary Club do Recife Brum
Nossos agradecimentos sinceros a estes diletos pensadores e líderes, formadores de opinião.
Qual é nosso objetivo como clube de Rotary?
Promover (que significa criar condições para) e Participar de empreendimentos dignos, voltados para a melhoria do Planeta (desenvolvimento sustentável), partindo da região que acolhe cada clube, Proceder um contínuo estímulo e fomento do ideal de servir e Procurar apoio no companheirismo, elemento capaz de Proporcionar oportunidades de servir e Produzir a divulgação da ética profissional.
Dessa forma estaremos contribuindo: com nosso exemplo de vida, pública e privada, para a melhoria das comunidades; com nossa atitude de aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando, pelo intercâmbio de relações, a paz entre as nações.
Sem observar nosso objetivo, os clubes se enfraquecem.
Como está o jardim do nosso clube?
O verde do nosso jardim significa assumirmos nossa importante posição diante da região que nos acolhe. Somos uma instituição centenária, voluntária, fortíssima, reconhecida mundialmente e com um enorme capital intelectual.
Precisamos aprender a cultuar estas qualidades e usá-las em proveito de nossos serviços, de nossa comunidade.
Quem convidar para fazer parte de nossa equipe?
Voltemos nossa atenção para a nossa região, nosso território de atuação.
Lá estão todas as forças que de que necessitamos, personalidades com ética, inteligência, sensibilidade, altruísmo, responsabilidade, verdadeiros vencedores, prontos a colaborar no servir.
Como sabiamente Rotary preconiza, alcemos desta enorme plêiade de profissionais escolhidos, nomes de diferentes áreas de atuação, para que tornemos visíveis nossos objetivos e fortes nossas ações.
Continuamente devemos nos perguntar :
• Por que sou rotariano?
• O que tenho feito para desempenhar o papel que me cabe nesta organização?
• Como vejo o Rotary em minha vida?
• Qual a cota de satisfação que este vínculo trás para o meu dia a dia?
• Como me comporto na vida pessoal em correlação com os princípios que assumi ao me integrar ao Rotary?
• Qual a minha contribuição para o fortalecimento, ampliação, manutenção e revitalização do nosso Quadro Social?
Há anos, o Rotary internacional patina sobre um número imutável de 1.200.000 associados.
Por que?
Fala-se muito em expandir e manter o Quadro Social, mas o que de produtivo se tem feito nesse sentido?
Esforçamo-nos para trazer novos companheiros, especialmente companheiros novos, e logo eles se vão. Qual a razão?
Cumprimos nossa obrigação de acompanhamento próximo, atribuímos-lhes missões, interessamo-nos em conhecer suas pretensões, esforçamo-nos para mostrar-lhes o Rotary e a profundidade e importância de suas ações no Mundo, a começar pela apresentação de nossos projetos e imediatamente neles os envolvendo?
Sim, companheiros, Rotary exige algo especial, esforço além do possível, grandeza de coração, respeito às qualidades e defeitos das pessoas, ausência de discriminação, ouvidos surdos e bocas caladas a boatos e fofocas, humildade, muita vontade de contribuir para um mundo melhor.
Mais uma vez, voltando os olhos de jardineiro para o nosso jardim, observemos :
∙ Quais de nós frequentamos as plenárias sem efetivamente estarmos presentes a elas?
∙ Quantos de nós assistimos, concentrados, às palestras conseguidas, com muito esforço, pelo companheiro da Comissão de Programa?
∙ Quantos de nós participamos eficazmente dos programas e projetos do clube?
∙ Em nosso meio, quantos de nós somos rotarianos na essência, na filosofia rotária, de ser e proceder?
Para estar verde e crescendo, é necessário que o clube esteja eficiente e eficaz, atuante e determinado, consciente de sua força e de sua grandeza.
Como estamos nós no envolvimento em projetos?
Quais são nossos projetos? Relembrando, quantos projetos foram executados nos últimos 10 anos?
Alguns clubes, até muitos de menor porte, pela envolvência e conhecimento dos objetivos de Rotary, por uma eficiente engrenagem formada pela coincidência de objetivos, pela construção do companheirismo, pela eficácia de seu quadro profissional diversificado e motivado, pelos mesmos ideais de construção da paz mundial, através do servir, conseguem fazer muito mais em prol da região em que operam e se tornam eficazes em suas ações.
Incentivo é a palavra de ordem para este fim.
A partir de uma idéia, de uma vontade manifestada, de uma necessidade da comunidade, somos tocados em nosso âmago. Cada um de nossos motivos pessoais (motivação), diferentes na essência de cada um, se congrega na origem geradora, traduzida pela força conjunta que move cada uma das engrenagens que movimentam a nossa roda dentada, símbolo dos clubes de Rotary.
Motivação - todos nós a temos, pois foi nossa livre e espontânea vontade que nos trouxe a Rotary.
Incentivo – este, requer Trabalho, Liderança, Companheirismo, Convencimento e, sobretudo, Pesquisa (conhecimento do assunto) e Planejamento na abordagem e na Execução dos propósitos.
Por tudo isto que foi dito e sentido, a receita para fortalecer nossos clubes é simplesmente:
- O crescimento na diversidade, na quantidade e na qualidade do quadro associativo dos clubes
- No aumento de atividades, de realizações, de projetos e na participação em programas
- No envolvimento do clube com a sociedade que o insere, buscando usufruir experiências, compartilhar idéias, contribuir em ações e atitudes, influir, levando nossos valores morais e éticos ao meio em que vivemos.
A estas premissas se seguirão muitas outras, como:
Tornar nossas reuniões atraentes e produtivas, serem objeto de desejo para nós e para o próximo, observarmos a pontualidade às reuniões, buscarmos a assiduidade, colaborarmos sempre com os companheiros e procurarmos espontaneamente o companheirismo e a solidariedade entre os membros. Surgirá então a sinergia que faz com que cada sócio pense primeiro no clube, em seus objetivos maiores, para depois pensar em si próprio, nas regras de convivência harmônica, que devem manter a distância do Rotary qualquer forma de arrogância, de preconceito e de intolerância.
Muito obrigado.
Recebam nosso abraço com carinho e votos de clubes cada vez melhores, mais fortes e mais ousados.
Alberto e Helena Bittencourt
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
PERSONAGEM PROBLEMA X PERSONAGEM SOLUÇÃO
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
A violência doméstica é um dos temas mais debatidos na mídia e um dos que mais aparecem nas páginas policiais. Não faltam dispositivos legais para coibir agressões físicas contra mulheres e crianças. Temos a lei Maria da Penha e as especializadas DPCA – Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente e a Delegacia da Mulher. Era de se esperar, portanto, que os índices de violência e agressividade tendessem a diminuir. Na prática, entretanto, tal não acontece, continuam crescendo.
A violência contra crianças acontece em escala maior nas classes menos favorecidas. É freqüente vermos nas ruas, praias, shoppings, mães esbravejarem contra filhos, arrastá-los pelos braços, como sacos de pancadas, quando não, desfechando tapas na cabeça, beliscões, sem nenhuma psicologia, nenhum diálogo.
A criança pode até ter dado causa. Por mais inocente e ingênua que pareça, de repente, quando menos se espera, vira um monstrinho de teimosia e intransigência.
Vi numa loja. Devia ter uns quatro aninhos, no máximo. Atirou-se no chão. Chorava e berrava que queria porque queria, o quê, não sei. Mas eu quero, não parava de repetir. Mas eu quero, respondia prontamente aos mais variados argumentos. A mãe, aos poucos foi perdendo o controle. Tentou arrastar, puxar, empurrar, inutilmente. Fingiu chamar o guarda, não adiantou. Por fim, esgotada, pegou a sandália e partiu para a ignorância. Desferiu a primeira, pegou nas coxas. A criança agora tinha razão para chorar, chorava de dor. A segunda pegou na bunda. O choro agora era de terror. Os olhos esbugalhados, as mãos agitando-se freneticamente, a cor lívida. As pessoas começaram a parar, num misto de sadismo e masoquismo. A certa altura, a mãe havia se transformado em megera. Agarrava o menino pelo braço, virava-lhe a sandália, surda para o berreiro, cega para o mundo. Sua peste, seu moleque, toma aqui seu isso, seu aquilo. A vitória finalmente sorriu. A maquiavélica mamãe saiu da loja com a criança pelo braço, enquanto, apontando o dedo, lhe dizia ríspida: engole o choro! Nota zero para a paciência, nota zero para a psicologia, nota zero para o amor e a tolerância. Pode parecer um horror, mas é mais comum do que se possa imaginar.
Há o caso daquele menino, de seis anos que, inocente, contou para a mãe o abuso sexual que sofrera, cometido por um visinho de treze. A mãe foi ficando branca à medida que ouvia. No fim, pegou o pobre do menino e baixou o cacete, sem dó nem piedade. Queria ensinar que aquilo era errado, uma coisa que não se comenta. Seu instinto primário transformara a vítima em ré. Aqueles eram os argumentos a que estava acostumada. A mulher crescera apanhando, aprendera a lição e a aplicava, como se fosse o único remédio, ou única maneira que conhecia de educar, de ensinar o que fosse.
Infelizmente não são apenas mães desequilibradas que espancam crianças. Há casos de pais, geralmente bêbados, que se tornam extremamente agressivos com explosões de machismo desenfreado contra a mulher, filhos, enteados.
Aquele é meu pai, disse a menininha. Ele bebe, completou chorosa, lacrimejante. Faltou dizer que espancava a mãe todas as tardes, quando chegava em casa. O pobre desempregado passava o dia biritado.
Existe uma categoria de mulheres verborrágicas. Arrasam, aos gritos, com a auto-estima do companheiro. Não dão a menor chance. Ferem mortalmente com língua ferina, esculhambam, reduzem a pó. Não raro, termina em crime. Assassinato passional, estampam as manchetes.
Essas crianças, vítimas de violência doméstica, em geral tornam-se adolescentes inseguros, tímidos, complexados com o medo de tudo e de todos, incapazes, até de enfrentar as dificuldades da vida. São alvo de chacotas, sentem-se inferiores, não conseguem ter uma integração social plena, ter amigos, enfim, a vida, para eles, torna-se um fardo penoso e desconfortável. Vivem estressados consigo mesmo, sem a alegria espontânea, natural dos jovens.
É a violência doméstica, fruto de uma cultura, de um meio, de uma criação.
Ensinar as pessoas a amar, respeitar, dar um tratamento carinhoso é a nossa missão. Para que elas pratiquem o diálogo, transmitam amor, cultivem a paciência, a compreensão e a compaixão, é missão de todos nós. A recompensa é a alegria do filho, da esposa ou do marido saberem que podem contar uns com os outros. Que podem confiar uns nos outros, porque unidos, estarão felizes sempre prontos a ajudar, a se apoiar mutuamente, toda vez que alguém necessite.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
ONDE NÃO EXISTE AMANHÃ
domingo, 3 de outubro de 2010
JUERG HUERLIMANN
| Juerg e Núbia no Espaço da Criança |
Juerg Huerlimann começou a me enviar e-mails em fevereiro de 2010. Encontrou meu endereço na internet, ao procurar contato para projetos da Fundação Rotária no Brasil.
Sendo do Rotary Club de Laufen, cantão alemão da Suíça, Distrito 1980, manifestou o propósito de visitar o Brasil em agosto e setembro, para gozar o “sabbatical”, uma espécie de licença-prêmio de três meses, a que tinha direito por haver completado dez anos de trabalho em banco. Aproveitaria para conhecer o país, praticar a língua portuguesa, participar de um trabalho social, conhecer novas pessoas.
Juerg fala bem nosso idioma, pois tem esposa portuguesa, é pai de dois meninos, de onze e de nove anos e cursou a Universidade de Coimbra, em Portugal. Disse que gostaria estabelecer parceria entre o seu clube e o Boa Viagem, num projeto em favor das crianças.
Trocamos e-mails ao longo de seis meses, estudamos várias possibilidades. A parceria num projeto da Fundação Rotária tornou-se inviável pelo fato do D-1980 não fazer parte do Plano Visão de Futuro, como o D-4500.
Como ele disse que havia conseguido dez mil dólares para o projeto, ofereci-lhe de pronto a Associação para Restauração do Homem, também conhecida como Espaço da Criança.
A creche, situada no bairro da Boa Vista, assiste à 100 crianças, metade pela manhã e metade à tarde. Funciona há 20 anos numa casa alugada. Acontece que o proprietário pediu a desocupação do imóvel, que se situa numa zona valorizada, pois pretende edificar no local um predio de apartamentos residenciais.
A diretora, ex-presidente do RC Boa Viagem, Núbia Mesquita, adquiriu há cerca de oito anos, um terreno nas proximidades, onde pretende edificar uma nova sede, que deverá estar concluída no prazo de um ano. Os projetos já estão prontos. Será uma construção em concreto pré-moldado, simples, de forma a abrigar as crianças em 4 salas de aulas, a um custo estimado em R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais).
O programa de viagem de Juerg, inclui duas semanas na China, dez dias no Recife, além de Rio de Janeiro, Brasília e Foz do Iguaçu. Viaja sozinho, pois a esposa e os filhos, não puderam tirar férias nesse período.
Fui recebê-lo no aeroporto. É um homem jovem, de quarenta e dois anos, alto, magro, cabelos claros e rosto sardento.
Estabeleci um programa de passeios turísticos e prestação de serviços humanitários. Visitou os principais pontos do Recife, Olinda e arredores, como Itamaracá e Porto de Galinhas.
Depois de conhecer a creche e o terreno da nova sede, Juerg me disse que queria passar três dias com as crianças. Assim fez. Conversou, brincou, jogou, ensinou geografia, mostrou o país de onde veio em um mapa da Europa.
Ao final, manifestou o desejo de conhecer as casas das crianças.
As funcionárias da creche contataram as mães para obter o salvo conduto e poder entrar na favela dos Coelhos. Fomos, Juerg, eu, uma funcionária e duas mães de alunos.
O impacto foi violento. Mal entramos e nos deparamos com uma pequena multidão nas ruelas estreitas, à porta de barracos. Homens, mulheres, adolescentes de ambos os sexos, formavam uma espécie de fila. Entravam contando dinheiro e saíam carregando pacotes de droga, crack, maconha ou papelotes de cocaína, abertamente, alheios à nossa presença.
Deixamos o ponto de venda e entramos num pequeno beco sobre palafitas à margem do rio Capibaribe.
O quadro é chocante. Começa pelos ambientes sem janela dos barracos de madeira podre, colados uns aos outros, sem espaço, nem ventilação. Não existem instalações sanitárias, as necessidades são despejadas in natura no rio.
Perguntei a três meninos que estavam sentados em um pedaço de tábua, os pés a balançar sobre as águas: Vocês não tomam banho nessa água, não é?
Só quando a maré está cheia, responderam, como se tal significasse a redenção dos pecados.
Alguns ambientes, apesar da pobreza extrema, eram limpos e arrumados. Em outros, o mau cheiro impregnava. Em todos, o calor que irradiava das telhas onduladas era insuportável. Vimos bebês misturados a gatos recém nascidos, embolados na mesma cama. Cinquenta reais é o preço de aluguel de um barraco desses.
À nossa passagem muitas pessoas desocupadas nos espreitavam, desconfiadas.
Juerg Huerlimann pode constatar o quanto é necessária uma creche como o Espaço da Criança, onde, alternando com a escola regular, as crianças recebem reforço escolar, atividades recreativas, alimentação, aulas de informática, tudo de forma gratuita. Os menores, dos cinco aos dezesseis anos, ficam longe das ruas, do tráfico e aprendem os verdadeiros valores morais, para se tornarem cidadãos úteis e produtivos, capazes de constituírem família e ganharem honestamente o pão de cada dia.
Obrigado, Juerg.
Nossas crianças agradecem poder sonhar com um amanhã radiante e pacífico.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
COMO IMPLEMENTAR O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE SEU CLUBE
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
MENINAS DO CRACK
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
ONDE ESTÁ A FELICIDADE?
A lição de Buda mostra que a felicidade, antes de ser um objetivo de vida, perseguido, buscado, é muito mais um estado de espírito, uma atitude de vida e como tal, deve ser praticada no dia a dia. Isso implica numa de disciplina de felicidade.
Há um ditado que diz: A felicidade não está no fim do caminho. A felicidade é o próprio caminho.
Para nós, que vivemos em sociedade, a felicidade está intimamente ligada á interação entre as pessoas, no que se chama de relacionamento. Esse relacionamento nem sempre é harmônico. Conflitos normalmente acontecem, mas o caminho da felicidade é procurar resolve-los pacificamente. O segredo é a empatia.
Empatia é a capacidade de avaliar o sofrimento dos outros. É a capacidade de se colocar no lugar do outro, de olhar a situação pelo ponto de vista do outro. Assim, procedendo, você evitará muitos conflitos, pois entenderá as razões do outro. Colocar-se no lugar do outro é um dos caminhos da paz, da felicidade.
James Hunt, autor de “O Monge e o Executivo”, disse que “a confiança é a cola que une os relacionamentos”. Para cultivar a mútua confiança, é preciso estar junto, estar disponível, desenvolver a atenção, o diálogo, saber ouvir.
Antigamente uma correspondência levava meses para ir de uma cidade a outra, transportada por um mensageiro a pé. Com a evolução dos tempos, veio o cavalo, o trem, o avião, que reduziram as distâncias e o tempo.
Hoje, uma mensagem é transportada a uma velocidade de 8.400 km/segundo, quase instantaneamente. As pessoas se relacionam com o mundo através da Internet. Mas, nesse mundo globalizado, essas mesmas pessoas se entocam, se enclausuram, deixam de conviver, de simplesmente estar uns com os outros, pelo simples prazer de estar junto. A sociedade de hoje prima pela pobreza relacionamental. É raro um amigo visitar o outro, muito mais difícil é fazer novas amizades.
“Não fique só”, disse dom Helder Câmara. O caminho da felicidade é procurar velhos amigos para conversar, discutir projetos, compartilhar dúvidas e inquietações. É aproveitar as oportunidades de se fazer novas amizades.
Recentemente, eu e minha mulher fomos a um casamento. Eu garanto que todos já viram este filme. Há pessoas que se retiram antes do término da cerimônia religiosa e correm para o salão de recepção, se aboletam nas mesas a guardar lugar para amigos e familiares. Outros já vão direto ao local da festa, nem passam pela cerimônia. Quando lá chegamos, as mesas, de dez lugares estavam todas ocupadas por apenas um casal cada. Saímos perguntando: “Esses lugares estão disponíveis?” A resposta era a mesma: “Não, a família está a caminho.” Essa atitude, a meu ver, é egoística e segregadora. Restavam-nos as alternativas: ficar em pé, o que não é agradável, sobretudo para as senhoras de salto alto, reclamar junto ao cerimonial, ou sentar na marra, gerando um conflito.
Já estávamos resignados a ficar de pé, encostados a um pequeno balcão, quando fomos salvos por nossa filha que encontrou lugar em uma mesa ocupada por simpático casal.
Vocês nem imaginam como foi rica a experiência de compartilhar idéias, pontos de vista, opiniões e impressões com esse agradável casal recém-conhecido. No final trocamos cartões. Nosso genro e filha, ambos veterinários, ao que parece, até ganharam novos clientes.
Quando vou sozinho ao restaurante Chica Pitanga, perto de meu escritório em Boa Viagem, a recepcionista sempre pergunta: “o sr. aceita compartilhar a mesa?”
A maioria das pessoas prefere almoçar sem a companhia de estranhos, mas eu sempre digo que sim. Via de regra surge um papo interessante, pois para mim todas as pessoas são interessantes. Sempre temos algo a aprender com alguém, por mais inesperado que seja. O Dalai Lama, em seu excelente livro “A Arte da Felicidade”, diz que adora partilhar as inquietudes de chefe de estado do Tibete com a camareira ou faxineira dos hotéis em que se hospeda. As pessoas se sentem importantes e valorizadas, diz ele, e sempre têm alguma contribuição a dar.
Muitos relacionam felicidade com a satisfação de seus desejos. Porém o desejo só existe enquanto não for alcançado. Você pode pensar que será feliz somente se, por exemplo, for aprovado num concurso, se aposentar, ou obtiver certos bens materiais. Porém, alcançar um desejo é apenas o início de novos desejos. No momento em que você o realiza, surgem outros, você passa a desejar mais, pois sempre haverá algo a ser almejado.
Outros confundem felicidade com prazer, porém, a felicidade que advém unicamente do prazer é instável, especialmente se for prazer físico. Uma vez desaparecido o objeto do prazer, ela deixa de existir.
Para os budistas, a felicidade é desapego, é libertação dos desejos. Para eles, as boas ações que você vai acumulando formam o seu “Campo do Mérito”, constituído pelos registros positivos de nossa mente, que resultam de todas as ações positivas. O estoque de mérito é que vai determinar as condições favoráveis para as vidas futuras, dizem eles. Um meio de acumular méritos envolve a tolerância, respeito, confiança nas outras pessoas.
A felicidade está diante de nós, aqui e agora. Não a deixemos passar.
Namastê.
SAUDAÇÃO AOS NOVOS COMPANHEIROS
Caros companheiros Roberto, Henio, Moacir, Wellington e Vânia
Em Rotary, a entrada de um novo sócio é sempre motivo de orgulho e satisfação.
Parabéns. Vocês estão ingressando no Rotary International. A partir deste momento vocês podem contar com o apoio, não apenas dos sócios deste clube, mas de todos os clubes do Brasil e do mundo. Onde quer que vocês estejam, onde houver um Rotary Club, vocês serão acolhidos como irmãos, membros da mesma família rotária.
Vocês têm no Rotary, uma excelente oportunidade de fazer novos amigos. Para vocês, esta talvez seja a maior chance de colher jóias no precioso tesouro de amizades que é o Rotary. Eu e Helena, que vivemos Rotary no dia a dia, temos tido a constante alegria de fazer novos amigos a todo instante. Assim, posso garantir que o Rotary é um bom lugar para ser feliz. Basta que vocês usufruam o que o Rotary lhes oferece. Aqui vocês podem contar com a mútua ajuda profissional dos demais companheiros, qualquer que seja a cidade, qualquer que seja o país em que estejam.
Quando Paul Harris fundou o Rotary em 1905, ele convidou três amigos. Nascia assim uma instituição, que hoje tem 105 anos de existência e congrega mais de um milhão e duzentos mil rotarianos no mundo. Ao formar esse grupo, Paul Harris observou o princípio da tolerância religiosa, pois um era protestante, o outro católico e o terceiro judeu. Desde o seu nascimento, o Rotary foi criado sem distinção de religião. Pode ser muçulmano, budista, xintoísta, de qualquer parte do mundo, não importa a raça, não importa o país, não importa a cor, nem a classe social, todos são aceitos como irmãos. Essa é a filosofia do Rotary.
O Rotary, companheiros, é cada vez mais um movimento familiar. Quando eu fui governador do centenário em 2004-05, o então presidente do Rotary International, Glenn Estess, disse: “O Rotary não é feito para tirar o rotariano de suas famílias. É antes para trazer juntos, o rotariano e toda a sua família para dentro do Rotary”. Esse é o espírito do Rotary. É a grande família, à qual vocês devem trazer seus cônjuges, filhos, irmãos, parentes, para que, numa convivência fraterna, todos se integrem, todos compartilhem esperanças e inquietudes, posto que são membros da Família Rotária.
O distintivo que vocês irão receber hoje, também implica em compromisso. Vocês não estão entrando apenas num clube de amigos. Vocês, antes estão entrando num clube de prestação de serviços. A primeira coisa que eu aconselho é que vocês conheçam o que o Rotary faz. Visitem os trabalhos do Rotary. Não apenas deste clube, mas também de outros clubes.
Cito o exemplo das cidades devastadas pelas recentes enchentes, como Barreiros, Palmares e adjacências, tendo milhares de desabrigados. Vejam os trabalhos que o Rotary International está fazendo, com a doação de kits de sobrevivência, constituídos de uma barraca com dois quartos, bem ventilada, salubre, o piso forrado, dotada de perfeito isolamento térmico, destinada a abrigar uma família de até 10 pessoas em condições dignas, pois se pode ficar em pé dentro da mesma. Constam ainda desse kit utensílios de cozinha, e de mesa, roupa de cama, agasalhos, material escolar para as crianças, tudo acondicionado dentro de uma caixa chamada Shelter Box.
Comitivas de rotarianos têm visitados esses acampamentos todos os dias. O ex-governador Leandro Araujo, cujo pai é da cidade de Barreiros, vai lá todos os fins de semanas. Há rotarianos voluntários trabalhando nas montagens das barracas há mais de um mês, inclusive dois ingleses e dois paulistas. São mil barracas doadas, no valor total de um milhão de dólares, já que cada barraca custa mil dólares, aí incluídos o frete, as viagens e manutenção dos voluntários. Dependendo das necessidades, esse número pode chegar a duas, três mil barracas.
Então, caros companheiros, é preciso ir lá, ver o que o Rotary faz. É preciso conhecer o projeto “Sorriso Cidadão”, conduzido pelo nosso companheiro Aldonso. Não fiquem restritos às quatro paredes desta sala. O Rotary não é apenas isto. O Rotary é muito mais. Se vocês pensarem que o Rotary é só a reunião plenária semanal, vocês estarão iguais àquele cego que, ao lhe ser mostrado um elefante, se abraçou a uma perna e disse: “O elefante é uma árvore!” Porque vocês não terão a visão do conjunto, do que o Rotary faz no mundo.
O lema deste ano rotário é “Fortalecer Comunidades, Unir Continentes”. É importante conhecer as comunidades em que este clube atua. As creches assistidas pelo nosso clube, como o Lar de Cáritas no Jardim Piedade, o CRVV na favela do Bode, o Espaço da Criança na Boa Vista. É preciso conhecer as ações do Rotary no atendimento às crianças, adolescentes, idosos, deficientes. São muitas as ações do Rotary. Se você ficar só dentro destas quatro paredes você vai perder a oportunidade de ser feliz. È preciso ir lá, ver o que o Rotary faz, trabalhar, participar.
Todos conhecem a ONG Green Peace. Ela tem 2,5 milhões de militantes no mundo inteiro. Foi fundada em 1975. Sabem por que o Green Peace tem esse número e aparece tanto na mídia internacional? Porque há uma diferença entre ser militante e ser simpatizante. Tanto o militante como o simpatizante têm os mesmos ideais, os mesmos objetivos, porém o militante é o que faz, é o que arregaça as mangas e vai para as ruas. No Rotary, posso dizer que a maioria é de simpatizantes. Mas o que o mundo precisa cada vez mais é de militantes que abracem uma causa e lutem por seus ideais. Sejam militantes do Rotary, é o meu conselho a vocês.
Eu desejo que vocês sejam muito felizes, que vocês usufruam de sua nova família rotária. Nós estaremos aqui para orientar, para ensinar, naquilo em que vocês tiverem dúvidas, pois ninguém ama aquilo que não conhece. Eu quero que vocês sejam em Rotary como uma pequena semente lançada em terreno fértil. Que ela cresça, se fortaleça, dê frutos, se multiplique, nutrida pela força da amizade, do serviço, e do amor ao Rotary.
Sejam felizes. Muito obrigado.
terça-feira, 18 de maio de 2010
“A peça de teatro da vida”
Seria muito bom se assim fosse. Ninguém cometeria erros, e tudo andaria às mil maravilhas.
Na verdade a vida pode ser comparada a uma enorme produção teatral onde não são permitidos ensaios, onde tudo é improviso. Uma produção teatral com enorme complexidade. O roteiro trata de uma quantidade colossal de experiências, que vão das mais engraçadas e leves àquelas dramáticas ou que criam suspense. A produção é igualmente impressionante. Há os atores, o pessoal que trabalha nos bastidores, os críticos e até o público.
Mas, como a peça do teatro da vida é feita de improviso, eles nunca estão em sintonia. Os atores interferem nas tarefas do pessoal dos bastidores, os músicos dão palpites nos trabalhos dos iluminadores e assim por diante. Os participantes simplesmente não estão concentrados em seu papel e não se entendem.
E a peça do teatro da vida vai se desenrolando.
Se quisermos, entretanto, melhorá-la, torná-la harmoniosa e bela, três passos são necessários:
Como primeiro passo, concentre-se em descobrir qual é o seu papel. Pense no que está você fazendo, aqui e agora. Reflita como está você se sentindo nessa grande peça de teatro coletiva, que é a vida. Redirecione sua energia e atenção para o desempenho desse papel. Reconhecido o seu papel, você poderá curti-lo com alegria e identificar com mais clarividência seus próprios objetivos.
O segundo passo é aprender as suas falas, isto é, estudar o seu papel, adquirir conhecimentos, aprender. Assim fazendo, você adquirirá a consciência de que é parte de um todo. Deixe que seus talentos naturais e suas capacidades adquiridas se manifestem e evoluam até a perfeição.
O terceiro passo é confiar e respeitar as escolhas dos outros. Sabendo-se que os demais participantes também fizeram seus cursos e adquiriram conhecimentos, você deve atuar em harmonia e sintonia com todos, pois eles também foram instruídos para desempenhar seus papéis de forma harmoniosa. Isso seria muito mais fácil se cada um parasse de se preocupar com o que os outros estão fazendo
Ao dar esses três passos você entrará num estado de consciência em que o campo energético do coração estará completamente aberto. Você então pode estabelecer contato com a divindade interior, o mestre que há dentro de cada um. É um estado de consciência em que o personagem deixa de ser o “eu”, superando a separação e a limitação, procurando apenas servir ao coletivo, voltado para o que é melhor para o todo e não apenas para o indivíduo.
À medida que você entender como criar em seus pensamentos essa nova realidade, mesmo que você nem sempre consiga mudar as circunstâncias, sempre poderá mudar de atitude e, desse modo, criar novas experiências de vida.
Em resumo, são as seguintes as lições para uma vida harmoniosa:
· Discernimento – descobrir qual é o seu papel; saber qual é o próximo passo; descobrir qual é a dança que você quer dançar.
· Singularidade individual – aprender as suas falas; aprender os passos; desenvolver os seus talentos.
· Aceitação da diversidade do ser – confiar e respeitar as escolhas dos outros; aprender a dançar sem pisar nos pés dos outros; saber dividir o espaço, pois você pode querer dançar uma valsa e o outro pode querer dançar um samba.
caros amigos
Caros amigos
Estamos no Rio de janeiro, para onde viemos comemorar o aniversário de 90 anos de minha mãe, dia 31 de março.
Em reposta à preocupação dos amigos do Recife, em decorrência das fortes chuvas desabadas sobre a cidade ao entardecer da segunda-feira, dia 05, informamos que, pessoalmente, graças a Deus, não tivemos maiores transtornos. Apenas meu genro ficou 6 horas engarrafado dentro do túnel Rebouças. Ele e minha filha só conseguiram chegar em casa, vindos do trabalho, às 01h30, na madrugada do dia seguinte.
O mais grave, infelizmente, ocorreu depois, em Niteroi, onde os deslizamentos causaram mais de 200 mortes.
O tempo ainda está instável aqui no Rio, com períodos de muita chuva. As ruas permanecem enlameadas, o trânsito caótico em determinados lugares.
Minha filha, genro e netos, moram numa cobertura que se debruça sobre a lagoa Rodrigo de Freitas, no Sacopã, a uns cem metros de altitude. O lugar é lindo, as construções sobem pelas encostas, pois a faixa a nível do mar é estreita. Do apto se descortina a vista maravilhosa da lagoa em primeiro plano, seguida dos morros Pão de Açúcar, Corcovado com o Cristo Redentor, por sinal em obras e cerdado de andaimes, pedra da Gávea mais ao fundo, e outros. Vemos o estádio de remo do Flamengo, os clubes Piraquê e Caiçara, o Joquei Club, que marcaram nossa juventude nos anos sessenta.
A tempestade do dia 05 coincidiu com a maré alta, o que fez o nível da lagoa subir cerca de 1m40 além do normal. Uma água vermelha e barrenta invadiu ruas e prédios do entorno. Plásticos e garrafas pet ainda hoje se acumulam nas margens, trazidos pela chuva. Um mar de cocô de algum esgoto rompido contribui para a poluição em outro trecho da lagoa.
Quando não chove, eu e minha filha iniciamos o dia com uma caminhada holística e ecológica, na ciclovia em volta da lagoa, em marcha acelerada, finalizada por uma pequena corrida até completar os 7500m do perímetro. Holística porque vamos observando as pessoas, os carros, o mundo á nossa volta e ecológica porque nos integramos à natureza farta e bela. Há uma variedade de pássaros, garças, marrecos, patos, uns nadando outros voando em V. Há também um tipo de frango d'água de plumagem negra e bico vermelho e até um local habitado por uma familia de capivaras, marcado por placas, embora eu nunca as tenha visto. Ninguém sabe de onde elas vieram.
O passeio é movimentado em dias de sol. As mamães levam seus bebês, outros levam seus cães, os idosos vão caminhar, os atletas treinar. Passamos pelo heliporto, onde a todo instante helicópteros aterrisam e decolam no transporte de ricaços, de casa para o trabalho e vice-versa.
Há muitos quiosques com restaurantes e bares famosos. A lagoa é, literalmente, uma festa.
Pagamos hoje o preço da falta de planejamento habitacional e familiar, o que já era alertado há trinta anos. Que falta faz o BNH - Banco Nacional da Habitação, extinto pelo governo Sarney de uma canetada só. O Brasil precisa construir um milhão de moradias por ano, a fundo perdido, para uma população extremamente pobre, sofrida, que se amontoa em locais de risco de modo sub-humano, nos morros e palafitas das capitais e das grandes cidades. Precisamos de um novo sistema em que os políticos possam pensar grande. Pensar grande é pensar no tempo dos outros, dos que virão depois, em lugar de só pensarem nas eleições seguintes.
Que nunca nos esqueçamos de toda essa tragédia.
Abraços.
Alberto Bittencourt